Em 11/12/2009 | Testament: "o Metal representa o estado atual do mundo"

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Testament: "o Metal representa o estado atual do mundo"

Traduzido por Gabriel Costa | Fonte: MetalSucks

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Anso DF, do MetalSucks, conduziu uma entrevista com o guitarrista Eric Peterson, do TESTAMENT, na qual o músico fala sobre a diplomacia necessária para liderar uma banda de metal, o novo set list da banda, a possibilidade do uso de blast beats no sucessor do álbum "The Formation of Damnation" e conta seu plano para incrementar o filme-catástrofe "2012". Confira trechos da conversa abaixo.

MetalSucks: Não faz muito tempo que o TESTAMENT saiu em turnê com HEAVEN AND HELL, MOTÖRHEAD e JUDAS PRIEST. Agora vocês estão se preparando para cair na estrada com SLAYER e MEGADETH. Soa divertido.

Peterson: "Com todo o trabalho duro que fizemos, é tipo, uau. Tem muita coisa acontecendo e muitas bandas. Nós nos sentimos abençoados, e não nos acomodamos. Nós pensamos que estaríamos trabalhando em um novo disco, e estamos. Mas é bom porque nós temos algumas ótimas ideias no novo disco. Tem muita música boa sendo lançada para ouvir e ser influenciado. Nós sabemos o que queremos fazer, de qualquer forma."

"Tanto o MEGADETH como o SLAYER lançaram novos discos, eu ainda não ouvi o novo do SLAYER, exceto por uma música que ouvi na Turquia no iPod de algum entrevistador. Eu achei incrível. Eu fiquei realmente orgulhoso deles. O último álbum ["Christ Illusion", de 2006] foi legal, mas este me fez dizer 'Yeah. Eu gosto disso. Eu quero ouvir este'. [Risos] Não que eu não quisesse ouvir o outro, mas com alguns disco você simplesmente sabe 'Esse vai funcionar pra mim.' O novo do MEGADETH é assim também. Eu realmente gosto do novo. É matador, 'riffy', e equivale ao primeiro disco deles com melhor produção."

MetalSucks: É um ponto de orgulho para o TESTAMENT fazer parte dessa turnê? Não é o circuito de nostalgia de alguns veteranos, é mais como três bandas vitais, todas vindo de álbuns monstruosos.

Peterson: "Oh, totalmente! Não é uma coisa de reunião. Isso é música old school mas totalmente atual, porra. [Você não pensa] 'Oh, ok. Eles têm os grandes hits e as velharias deles são legais.' Não, todas as bandas nessa turnê – de nós ao MEGADETH ao SLAYER –, não só nossas velharias são clássicas, e não só nós todos construimos e formamos os fundamentos do thrash metal de algum jeito ou forma – MEGADETH e SLAYER estando mais na vanguarda que nós, embora nós definitivamente tenhamos nosso mérito –, é, tipo, direto na cabeça. Bum."

MetalSucks: Essa tour quase pode ser vista como um ato de caridade. Tantas pessoas não tinham idade suficiente ou talvez não estivessem na cidade certa para presenciarem a explosão do thrash metal.

Peterson: "Yeah. Eu acho que cada banda é melhor de um jeito esquisito. Mesmo que todos sempre tenhamos sido pesados, simplesmente parece que todo mundo está realmente pesado agora. Nós fechamos o círculo e soamos todos como os nossos três primeiros discos."

MetalSucks: A quê você atribui esse peso? Existem menos pressões de negócios das gravadoras sobre vocês agora, permitindo que sejam bem pesados?

Peterson: "Bem, eu acho que nós provamos que isso funciona para nós. E o estado do mundo, você sabe – está pesado! Esse tipo de música representa isso."

MetalSucks: Concordo. Você mencionou que a banda tem planos para gravar. É correto dizer que essa turnê adiou esses planos?

Peterson: "Oh, é claro. Sair em turnê empurrou tudo um pouquinho para trás. Mas isso vai fortalecer o material, porque agora nós ensaiamos o set que temos e – eu não vou entrar muito nisso – é um set fudidamente brutal. Nós acabamos de fazer umas grandes turnês: Metal Masters, Priest Feast no ano passado – ou melhor, isso foi este ano. Mas será 'ano passado no ano que vem." [risos]

"[Para a American Carnage Tour] Nós decidimo fazer um set que não é apenas "Over The Wall", "The New Order", "Practice What You Preach" e "Electric Crown" — não são apenas as canções que esperam que toquemos. Nós podemos surpreender algumas pessoas com o set que temos.

MetalSucks: Isso é excitante. Eu acho que o elemento surpresa é a razão para as pessoas assistirem uma banda de novo e de novo.

Peterson: "Uma canção que eu vou dizer que não tocamos por um longo tempo é "Dog-Faced Gods".

MetalSucks: Legaaaal.

Peterson: "Nós escrevemos e gravamos essa canção, mas não a 'possuíamos' ainda. [Pausa] Ela foi gravada e, o quê, 12 ou 15 anos depois nós a tocamos aqui e ali em ensaios e ela apenas nunca parecia surgir ao vivo. Mas nós sempre fizemos jams com ela. E ela está brutal como o inferno agora. Eu acho que está melhor agora. Com a maioria das bandas, conforme o tempo passa, muitas coisas nos discos... você ainda não as possui. Você tem que sair e fazê-las suas. Mesmo que já sejam, entende?

MetalSucks: Isso acontece porque na época da gravação de "Dog-Faced Gods" e "Low" [1994], o TESTAMENT ainda não era a máquina extrema que é agora?

Peterson: "Nós éramos, mas éramos como moleques em uma loja de doces. Um búfalo em uma prataria chinesa. Estávamos flexionando nossos músculos para vermos o que podíamos fazer. Alex [Skolnick, guitarra] e Lou [Clemente, bateria] haviam saído – e eles eram grandes partes da banda – mas foram substituídos com partes que se encaixavam melhor no que queríamos fazer à época. Foi um suspiro de alívio, eu acho, para todo mundo. Estou falando de 1993: Alex pôde colocar muita coisa para fora e fazer o que queria; Lou pôde fazer o que queria. Eu e Chuck [Billy, voz] sempre nos inclinamos para o lado mais pesado. Nós não tínhamos mais que maneirar. Não tínhamos que sentar e pensar 'Como nós vamos tocar? Como vamos escrever 'Over The Wall' novamente sem fazermos acordos com todo mundo?' Era realmente, tipo, 'Porra, eu posso fazer o que eu quiser agora! Posso ser tão pesado quanto quiser!'"

"A primeira coisa que eu fiz foi afinar um tom e meio abaixo. E aí nós simplesmente escrevemos umas coisas brutais!"

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MetalSucks: Certo. Eu lembro que, para meus amigos, quando nós ouvimos pela primeira vez "The Gathering" [1999], o impacto foi como uma batida de carro. Aquela merda é o novo patamar de peso.

Peterson: "Yeah, foi legal. Naquele ponto, nós estávamos falando com Lou e Alex novamente. Eles vinham aos nossos shows e nos viam tocar os dois primeiros discos e nossas merdas novas. Eles podiam ver como tudo aquilo se encaixava e que, uau, a merda nova é pesada. Isso foi o que começou tudo novamente. E agora nós colocamos aqueles dois elementos juntos e fizemos 'The Formation...', que é como as nossas coisas velhas mas realmente pesado como as coisas novas."

"Ele até se relaciona com 'Practice' [Practice What You Preach, 1989] e 'The Ritual' [1992], também. 'The Formation of Damnation' tem as melhores de todas as nossas ideias fundidas em uma. Apesar disso, o novo será muito mais pesado. té aqui, as demos e todas as coisas que eu estou fazendo se inclinam mais na linha 'The Fall of Sipledome' - ".

MetalSucks: Jesus!

Peterson: "– ou alguma coisa má como aquela de 'The Gathering'. É coisa muito, muito brutal. Eu estou bastante animado."

MetalSucks: Essa música basicamente representa o lado mais extremo do TESTAMENT.

Peterson: "Yeah, e agora o Paul [Bostaph, bateria] está me dizendo que quer fazer blast beats. Eu estou, tipo, [maliciosamente] 'Sééééério!' [risos] Eu estava, tipo, 'Bem, eu vou te dizer uma coisa! Eu tenho alguns riffs que se encaixarão nisso!'"

MetalSucks: [Treme] Oh, deus, sim.

Peterson: "Sabe, o próximo disco vai ser muito divertido. Ele terá coisas que você não esperaria, mas ao mesmo tempo não ficaria surpreso com o quão brutal ele vai soar. Além disso, desde 'Low', não tínhamos uma balada. Eu não gosto de usar essa palavra, porque é um clichê enorme. Mas é uma balada no sentido em que é uma canção mais lenta que é bem melódica com guitarras limpas que fica pesada. É mais épica. Então vamos apenas dizer que é uma 'canção lenta épica'. E estamos trabalhando com ideias que eu tenho. Nós não chegamos a realmente tocá-la, eu estou tentando pensar em como, psicologicamente, eu posso passar isso ao Chuck. [risos]

MetalSucks: [risos] Eu amo os vocais limpos do Chuck!

Peterson: "São incríveis. Mas nesse momento eu preciso escrever merda pesada. E uma vez que todos sintam-se bem com relação ao que estão fazendo, eu [trarei a canção lenta épica].

MetalSucks: Mesmo em canções como 'Eyes of Wrath', os vocais do Chuck e as guitarras calmas e limpas são um grande contraponto. É fantástico.

Peterson: "Yeah. E essa é uma música que eu queria que pudéssemos tocar. Mas se eu propuser isso, Chuck dirá: [imita a voz truculenta do vocalista] 'Merda, então devíamos tocar essa aqui!' E aí estamos de volta à estaca zero. [Risos] Ok, vamos tocar 'The New Order' e 'D.N.R,' – que é ótima. Eu amo tocar essa música. Mas, ahhh! 40 minutos! É tão difícil montar um bom set."

MetalSucks: Deve ser difícil arranjar tempo para joias como 'One Man’s Fate' ou 'Blessed In Contempt'.

Peterson: "Yeah, essas nunca entrariam em uma turnê como essa. Mas 'Seven Days In May' ou 'Eyes of Wrath' ou alguma coisa assim, pode acontecer na nossa próxima turnê. Nunca se sabe."

MetalSucks: Em uma turnê recente, o TESTAMENT presenteou os fãs com uma votação em um de três setlists. O próximo passo será permitir que os fãs votem por música para criar um set inteiramente orignal?

Peterson: "Nós fizemos isso porque tocamos alguns sets especiais na Europa – um no Dynamo, na Holanda, e depois na Inglaterra – onde tocamos nossos primeiros dois discos do início ao fim, começando com 'Over The Wall' e encerrando com... hã... qual é a última música?"

MetalSucks: No "The New Order"?

Peterson: "Yeah. Acho que é 'Day of Reckoning'.

MetalSucks: Hm, sim. Depois do cover do Aerosmith ["Nobody's Fault"]. [Na verdade, o álbum termina com a instrumental "Musical Death (A Dirge)"]

Peterson: "Yeah. Isso nos fez realmente ver como todas elas se encaixam. É como um quebra-cabeça."

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MetalSucks: Os fãs têm suas próprias opiniões, mas, do ponto de vista da banda, é fácil julgar 'The Legacy' e 'The New Order' como os álbuns clássicos do TESTAMENT que deveriam ser tocados do início ao fim?

Peterson: "Bem, eles saíram quando ninguém mais estava fazendo aquilo, além das quatro bandas [Anthrax, Megadeth, Metallica and Slayer, os chamados "Big Four" do thrash]. Definitivamente existia heavy metal, mas já que haviam tantas bandas pulando na corrente, nós começamos a mudar um pouco – melhorando, ficando mais melódicos, com canções mais estruturadas. Mas os dois primeiros são muito próximos de nós e realmente ligados às influências com as quais começamos – não, tipo, abrindo nossas mentes e ouvindo todo tipo de coisa. Era metal. Eu não sei se isso faz sentido, mas..."

MetalSucks: Faz sentido. Eu acho que estou interessado nos sentimentos da banda em comparação à percepção da audiência de quais álbuns representam o TESTAMENT definitivo.

Peterson: "Eu acho que os fãs gostam de todo o nosso material. Quando você tira tudo do setlist além das canções de 'The Legacy' e 'The New Order', você pensa 'Uau, eles estão tocando um monte de coisas daqueles álbuns'. Você tem que tocar 'Into the Pit' e 'Disciples', você tem que tocar 'The Preacher' e 'Trial By Fire'."

MetalSucks: Não há dúvidas de que você é um guitarrista e compositor matador, mas alguma vez pareceu que isso não seria o suficiente e o TESTAMENT simplesmente não funcionaria mais?

Peterson: "Eu acho que com qualquer coisa na vida, sempre há o sentimento de 'O que eu estou fazendo agora... serei capaz de continuar fazendo isso depois? O mundo vai acabar em 2012?' [Risos] Quero dizer, essa é uma das músicas do TESTAMENT, certo? Merda! Agora é um filme. [Fingindo medo] Oh, não!"

MetalSucks: Sim, espere um segundo. Você não está puto por "Three Days of Darkness" não ter sido usada no filme "2012"? Seria um casamento perfeito!

Peterson: "Nossa publisher, que pega uma grande parte do nosso dinheiro... esse é o trabalho deles, sabe? [Os produtores do filme] Provavelmente nem sabem que temos a canção perfeita para o filme. Isso é estúpido para caralho. Você consegue imaginar, quando está tudo caindo no oceano, se você ouvisse no fundo [canta "Three Days of Darkness"]. 'Oh-oh-whoa! [Duh-deh-dee-deh-duh]".

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Sobre Gabriel Costa

Carioca, jornalista por profissão e roqueiro de nascença, Gabriel teve o primeiro contato direto com o rock and roll ao ouvir o álbum de estreia do Black Sabbath em um velho vinil de seu pai. Garoto do século 20, nascido em 1984, é absolutamente fascinado por tudo o que envolve o estilo, da música à mitologia. Canta na banda Six Pack Wonder, escuta de Backyard Babies a Strapping Young Lad, ama The Wildhearts e segue fielmente os ensinamentos de Lemmy e Danko Jones. Escreve no Twitter em http://twitter.com/gabrielccosta.

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