Em 04/11/2009 | Kiss: orgulho por estar na categoria de bandas clássicas

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Kiss: orgulho por estar na categoria de bandas clássicas

Traduzido por Kako Sales | Fonte: Blabbermouth.net

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Tim Grierson, da revista Metal Hammer, entrevistou recentemente o guitarrista/vocalista do KISS, Paul Stanley. Trechos da conversa podem ser conferidos abaixo.

Metal Hammer: Passaram-se 11 anos desde o último álbum do KISS. Por que vocês decidiram que agora era a hora certa para um novo álbum?

Stanley: Uma outra boa pergunta seria “por que não?” “Psycho Circus” foi razão o bastante para mim para não gravar um outro álbum – foi uma boa e sincera tentativa de fazer um álbum do KISS quando não havia uma banda inteira. Mas quando você está mais em contato com advogados dos membros da banda do que com os membros da banda, acaba que não existe um processo criativo que envolve quatro pessoas.

MH: Então o que mudou?

Stanley: Desde então tem sido um momento muito, muito forte para a banda. A formação está estável já há algum tempo, e isso é porque a banda está realmente no seu ápice, que é quatro pessoas se juntando com um objetivo – KISS. Eu acho que o que as pessoas viram na turnê do ano passado foi uma banda no seu ápice. Você não pode gravar um álbum sem isso. Eu não queria ver o nome do KISS em algo que eu teria que me desculpar.

MH: O que você diz às pessoas que afirmam que “Sonic Boom” não pode ser um álbum clássico do KISS se não tem a formação clássica do KISS com Ace Frehley e Peter Criss?

Stanley: Um álbum clássico seria feito por quatro pessoas com um ponto de vista clássico. Nós não estávamos tentando fazer um álbum que soasse como se fosse gravado há 35 anos atrás. Estávamos tentando criar um álbum retrô que alguém confundisse com um dos antigos. O que foi importante para mim foi capturar o espírito que a banda tem hoje. Isso é clássico. Não é clássico porque está imitando outra coisa – é clássico porque é vibrante e tem toda a acidez que a banda deve ter.

MH: Como Tommy Thayer e Eric Singer contribuíram com o “Sonic Boom”?

Stanley: Nós não teríamos conseguido sem Tommy e Eric. É sempre engraçado ouvir que as pessoas têm a idéia de que a banda é só o Gene e eu. “Sonic Boom” é de nós quatro – qualquer um que ache que nós poderíamos ter feito isso sem eles está fora de si. Eles são uma parte tão grande do álbum quanto nós. Da composição ao ensaio e à gravação, esse foi um projeto de quatro cabeças. O que o tornou tão divertido e tão poderoso foi o fato de que todos os quatro trabalharam em direção a um objetivo comum. As pessoas não estavam tentando se mostrar, aparecer, mas ao contrário, estavam criando um grande álbum. Quando você faz um grande álbum, todo mundo aparece.

MH: Você disse no ano passado que não iria gravar um novo álbum do KISS a não ser que você “pudesse fazer do jeito que quisesse”. Como isso aconteceu no “Sonic Boom”?

Stanley: Nós fizemos uma lista do que deveria e do que não deveria ser feito. E a primeira regra foi “Nada de compositores de fora da banda”. É muito fácil trabalhar menos e ter alguém compondo a maioria das músicas para você, mas o que você acaba fazendo é a interpretação de alguém do que você é. Também, “Nada de material antigo”. As músicas tinham que ser para o álbum. Quando você começa com a premissa de que os membros da banda têm direitos, privilégios, isso tipo que exclui músicas que podem ser melhores de entrar no álbum”.

MH: Gene foi relutante sobre gravar um novo álbum também, preocupado com os downloads ilegais. Como vocês lidaram com isso?

Stanley: Bem, isso é uma realidade que você tenta evitar ao máximo, certamente, antes que o álbum seja lançado. No grande esquema das coisas, no entanto, não foi tão importante como (gravar) o álbum. Nós tínhamos um grande álbum conosco. Para o legado do KISS e para a continuidade da história da banda, nós vimos isso como uma necessidade.

MH: Esse álbum foi feito rapidamente, certo?

Stanley: Nós literalmente nos reunimos e compusemos. Gene inicialmente estava um pouco ambivalente com a idéia de ele e eu compormos juntos, porque temos uma longa história no que tange a composições do nosso jeito e fazer tudo do nosso jeito. Mas foi essencial para o álbum que nós fizéssemos isso e que a química estivesse presente. E assim que nos sentamos e começamos a compor, as coisas fluiram sem esforço algum – muito tranquilo e divertido. Era um território desconhecido para todos nós. Foi incrível. Nós compúnhamos nos dias de folga da turnê, ou quando estávamos em casa mesmo. Mas era com todo mundo reunido... A coisa mais fácil que já fizemos.

MH: Várias bandas novas não possuem a produção (com relação às apresentações) que vocês têm. O que você acha disso?

Stanley: Um dos problemas atuais é que uma banda pode vender milhões de álbuns e sair em turnê, mas isso não os prepara para saber o que fazer para entreter um grande público. Nós viemos de uma escola onde, não importa o quanto seus álbuns sejam bem sucedidos, você constrói um segmento e uma habilidade de se apresentar começando num pequeno clube. Então você fica em terceiro na lista de apresentação, depois em segundo. Pode acreditar que quando você for um headliner, você vai saber o que isso significa. A causa de bandas clássicas venderem ingressos é porque o povo sabe que eles vão ver algo que realmente vale a pena. Você não aprende aquilo da noite para o dia.

MH: Você sabe... Muita gente não quer ser rotulada de “rock clássico”.

Stanley: Eu tenho orgulho de estar na categoria de bandas de rock clássico – o que é melhor do que a palavra “clássico”? Você está de brincadeira? Se você quiser chamar LED ZEPPELIN de banda de rock clássico então você quer chamar a gente de banda de rock clássico, eu não estou brigando. Se eu vou ser agrupado a alguém, que seja aos meus heróis. Isso não te impede de ser atual. Isso significa que você tem uma história e uma base sólida, que a maioria das bandas nunca vai conseguir porque elas não sobrevivem o suficiente para isso.

MH: E sobre as bandas mais novas? Você sai em turnê pensando em ensiná-los como se faz?

Stanley: Eu não penso assim. Eu penso é no público que vem para nos ver. Alguns deles são tão jovens que talvez eles tenham apenas ouvido falar da lenda da banda, ou da idéia dessa banda que vai e dá 100% e tenta te proporcionar um show incrível e realmente te deixar fascinado. Eu só penso em ir lá e ser tão bom quanto eles esperam ou melhor. Mas também temos que cumprir com as expectativas de nosso legado por aqueles que viram a banda – e surpreender. Olha, sempre vai haver alguém que pensa se nós podemos surpreender novamente. Se é o novo estágio, ou “a banda está mais velha”, ou “Tommy pode fazer o que Ace fez?”, todo mundo tem alguma tipo de préconceito. Nós vamos lá e esmagamos esse preconceito às migalhas.

MH: Então você acha que não tem que competir com outros grupos?

Stanley: Nós temos que competir contra nosso legado. A única sombra em que nós estamos é à sombra do KISS e do legado KISS. É como um atleta olímpico – toda vez que você vai, você faz o seu melhor para tentar bater o seu melhor. Você não consegue sempre, mas nossas realizações são muito boas.

Leia a entrevista na íntegra no KissOnline.com.

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Sobre Kako Sales

Mineiro de Januária, baterista autodidata, cresceu em ambiente familiar ligado à música popular e erudita. Seu pai chegou a fazer pequenas turnês com bandas da Jovem Guarda como tecladista no fim da década de 70. Aos 10 anos, iniciou os estudos de teoria musical e piano clássico. Teve o primeiro contato com o mundo do metal ao escutar o CD Angels Cry do Angra, aos 15 anos. Desde então tem se dedicado a conhecer, colecionar e difundir o melhor do metal brasileiro e mundial. Graduado em Letras/Inglês, principalmente por influência da língua-mãe do rock, tem como principais ícones do metal as bandas Angra, Symphony X, Dream Theater e Opeth.

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