Guilhotina: "A falta de gosto atual torna o passado mais forte!"

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Guilhotina: "A falta de gosto atual torna o passado mais forte!"


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Sempre existirão bandas que se dão por satisfeitas em mostrar sua música apenas para o público de seu país, e o próprio Guilhotina admite que esta seja sua situação. Natural de Presidente Prudente (SP), o grupo faz uso de um visual típico dos carrascos medievais e executa um Thrash Metal que é como um soco no estômago.

Sem recursos, Rodrigo Mattos (voz e guitarra), Lincoln Silvestre (baixo) e Joey Decurcio (bateria) estão liberando de forma independente seu primeiro trabalho, batizado simplesmente como “Guilhotina”. Tudo é bastante simples, mas possui a força e garra daqueles que vivem com orgulho no underground e para o underground.

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Whiplash!: Saudações, pessoal! O Guilhotina está dando os primeiros passos de sua carreira. Que tal começarmos com um histórico sobre o processo de formação da banda?

Rodrigo Mattos: Saudações ao Whiplash! e leitores!!! Vamos lá, o Guilhotina começou quando eu mostrei a proposta para nosso ex-baixista Diego Rubéns, que gostou e mergulhou no projeto. A princípio, não era nada certo, era uma válvula de escape, já que eu estava desmotivado em minha antiga banda, que até então era a prioridade. Fizemos alguns ensaios e logo depois Lincoln Silvestre entrou ao meu lado nas guitarras, e fizemos várias experiências com vocalistas e bateristas, mas não levando a banda tão a sério, até que, com o fim da antiga banda, decidimos pegar firme até encontrar Joey Decurcio.

Rodrigo Mattos: Começamos a compor e fazer shows, tudo foi acontecendo muito rápido e com um ótimo entrosamento. Depois de um ano, Diego resolveu abandonar o projeto, e decidimos se fechar com o Lincoln passando para o baixo, porque o ambiente era excelente e já estávamos na metade das gravações. Hoje seguimos firme como um trio, com Rodrigo Mattos (voz e guitarra), Lincoln Silvestre (baixo) e Joey Decurcio (bateria).

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Whiplash!: Como surgiu a idéia de vocês usarem esses uniformes de carrascos? Achei legal que ele também transmite uma forte sensação de irmandade entre vocês, algo que parece ir além da Música propriamente dita...

Rodrigo Mattos: Logo depois que escolhemos o nome, decidimos explorar esse tema, que é muito rico e tem tudo haver com o Thrash Metal!!! Acho pouco, hoje em dia, apenas executar notas musicais e falar qualquer coisa, ou não ter uma proposta. Quando é assim, parece que você não toca com aquele tesão, a coisa fica sem rumo. É estranho quando uma banda tem um músico que se apresenta no palco como se estivesse indo para uma boate, outro à partida de futebol, outro no show do Iron Maiden, parece que não existe diálogo na banda, etc... Então decidimos fazer essa mistura de teatro, história e Thrash Metal, que demonstra que pensamos da mesma forma, e dá grande motivação e inspiração.

Whiplash!: Falando em irmandade, seu Heavy Metal é totalmente influenciado pela cena da década de 1980, época em que existia um senso de união muito forte no underground. Olhando para trás, quais são as suas reflexões sobre esse período?

Rodrigo Mattos: É mágico!!! Indescritível!!! Vai além da música e dos clássicos da época. Uma década com tantos discos marcantes na vida de tantas pessoas. Mas além das músicas, tinha o lance da dificuldade de conseguir o material, a ansiedade de esperar o lançamento, o prazer de colecionar e ter o disco e o encarte, e escutá-lo mil vezes, decorar as letras. Esses pequenos detalhes faziam a paixão ser maior, mais união entre os bangers, etc.. Hoje em dia acho que não tem nada disso, está tudo mais fácil, só que ao mesmo tempo muito distante.

Whiplash!: Nos últimos anos parece estar havendo um 'revival' de bandas adotando a sonoridade e, curiosamente, até o visual, do Thrash Metal. Isso é algo que acontece em vários países, e parte desse público nem sequer havia nascido ainda! À que vocês atribuem a longevidade deste estilo?

Rodrigo Mattos: Existem muitos fatores. O principal é a qualidade das músicas, os riffs marcantes, as melodias, a energia que a época proporcionou. Acho que o lance de baixar a afinação, compassos compostos, melodias de rap e essas tentativas de fazer algo novo, só pra falar que é novo, meio que desesperadamente ou na pressão de gravadora, não tem um bom resultado. Acho que alguém que ouviu o “Extreme Agression”, “Reign In Blood” e “Possessed By Fire” não vai perder tempo com um som moderno meio pula-pula, que não há melodias que entram na cabeça. Mas gosto é gosto, uma vez até tentei... Falaram que o Black Label Socitey era bom e ouvi uma... duas... no meio da terceira desisti e coloquei o “Infernal Overkill”, que resolveu meu problema, ehehe! Ou seja, a falta de bom gosto nas músicas atuais torna o passado mais forte.

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Whiplash!: Ainda que bastante modesto, seu primeiro álbum conquista pela energia bruta. Como vocês avaliam esse trabalho hoje, passados alguns meses de seu lançamento? Há algo que vocês mudariam nele?

Rodrigo Mattos: Não mudaria nada, adoro as músicas, gostei do trabalho do produtor e, com certeza, nosso próximo trabalho será com ele também. Na parte financeira fizemos até mais do que podíamos, ainda mais por sermos totalmente independentes. Além disso, ele é muito especial para mim, pois o desenho da capa foi o último trabalho que meu único irmão fez, ele faleceu há pouco tempo em um acidente de moto. Ou seja, esse trabalho, emocionalmente, não tem preço no mundo que pague.

Whiplash!: Meus sentimentos pela perda, Rodrigo. Bom, mas por que a decisão em usar letras em português? Considerando que o brasileiro médio tem certo desprezo pelo que é cantado em seu próprio idioma, como veem sendo a receptividade por parte do público?

Rodrigo Mattos: Há muitos motivos. O primeiro era fazer algo diferente de minha antiga banda, onde eu era o vocalista e cantava em inglês; depois porque eu não sei falar inglês, e cantando em nossa língua eu entendo o que eu estou falando e sinto a música melhor. Já escrevi músicas e tinha que ficar levando para os amigos passarem para o inglês e aquela história toda. Hoje é mais prático e acho que funciona mais aqui em nosso país, é até mais prazeroso, acho que nem consigo mais escrever músicas para serem cantadas em inglês, a língua soa bonita e tal, mas os gringos escrevem cada coisa idiota. Só é legal porque a língua soa bonita e a maioria não entende, e mais além também tinha aquele sonho de a banda assinar contrato com gravadora, lançar material lá fora, etc...

Rodrigo Mattos: Hoje sei que isso é impossível, que nunca vamos assinar com gravadora nenhuma. Então resta cair na estrada fazendo o que mais gostamos, bebendo muita cerveja para relaxar a mente e rezar para o show ter pelo menos a estrutura básica, que no underground tudo é muito imprevisível.

Rodrigo Mattos: Agora, sobre a receptividade. Está sendo muito boa, já ouvi comentários para mudar isso ou aquilo, como o visual ou cantar em inglês e tal, mas o Twisted Sister deve ter ouvido muito isso também. Tem que ter muita personalidade, porque subir no palco (vestido de forma) comum é fácil, e nossa proposta inicial sempre foi fazer o som que nos dá prazer. O que vão achar é conseqüência.

Whiplash!: Cara, sua música é direta e sem frescuras, perfeita para ser executada sobre os palcos. Isso, somado a seu visual... Como o público reage às apresentações, afinal?

Rodrigo Mattos: Reage bem, com muito stage diving, cabeças batendo, temos uma ótima resposta. E o legal é que no show tocamos para públicos de vários estilos, como a galera do Metal Melódico, Black, Punk, Grind... Parece que agradamos a todos, agora eu não sei se é muita cachaça na mente, ou sei lá, hehehehe. Mas na verdade é tudo Rock, e acho que não devia ter essa divisão, como a música “Metal Desunido” do Dorsal Atlântica diz. Acho que isso devia mudar em nossa cena e deveríamos levantar a bandeira do Rock/Metal em geral. Mas é claro que tem limites.

Whiplash!: O Guilhotina está começando de baixo e sofrendo todos os reveses inerentes às bandas iniciantes. Assim sendo, o que precisamos para que o cenário brasileiro realmente se solidifique e passe a exportar mais bandas? Temos pouquíssimos nomes que realmente se consagraram lá fora, não acha?

Rodrigo Mattos: É complicado, no começo dessa nova era parecia que tudo estava ficando mais fácil. Realmente ficou. Hoje temos mais qualidade, mas também quantidade, ninguém se destaca e por aí vai, a galera não compra mais CDs como antes, por causa do mp3, e gravadoras não investem mais em bandas.

Rodrigo Mattos: Mas o problema começa lá embaixo, com o simples fato de o público que curte o som não comparecer nos shows, assim os organizadores não tem coragem de gastar dinheiro e a estrutura vai piorando com o passar dos anos. Com o público comparecendo, o organizador investe no evento e garante uma boa apresentação da banda. E aumentam-se os shows e os lugares para apresentações, melhorando a divulgação das bandas e os músicos poderiam viver da banda, se dedicando a ela e trazendo mais qualidade, porque se o cabra viver de outro emprego fica difícil ir para o exterior.

Rodrigo Mattos: Uma vez um cara me convidou para tocar em Sampa, me ofereceu 80 reais e minha cidade fica a 600 km da capital. A conseqüência é que eu tinha que tirar uma puta grana do bolso para a viagem. Hoje parece que o músico underground é como um mendigo, e você teem que amar muito o Metal pra ficar na batalha, porque os pontos negativos são muitos e o sacrifício que fazemos é enorme. Então, resumindo: o público comparecendo, os promotores vão tratar as bandas com mais dignidade e, aí sim, poderemos sonhar com algo maior.

Whiplash!: Que bandas brasileiras atuais merecem o seu selo de aprovação, em termos de Heavy Metal?

Rodrigo Mattos: Eu gosto muito do som do Dominus Praelii, tenho os dois álbuns deles e estou sempre ouvindo, muito bom gosto nas composições, tudo na dosagem certa e sem exageros. O Bywar é uma banda que também gosto muito, Violator é outra banda muito boa. Matanza, principalmente o álbum “Arte do Insulto”, gosto das letras e do som desse álbum, e o DVD que é ótimo, passa uma puta energia para quem está assistindo.

Whiplash!: Ok, pessoal. O Whiplash! agradece pela entrevista! Muita força ao Guilhotina, e o espaço é de vocês para algum comentário final!

Rodrigo Mattos: Nós é que agradecemos o espaço, e gostaria de parabenizar o Whiplash! pelo trabalho feito durante todos esses anos, que faz do site o melhor e mais completo do Brasil. E quem quiser saber mais sobre o Guilhotina, é só entrar em contato, que será um prazer. Muito obrigado.

Contato:
http://www.myspace.com/guilhotina
[email protected]

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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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