Kiko Loureiro: uma explosão sonora cheia de misturas

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Por Antonio Rodrigues Junior
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O guitarrista do Angra, que retornou aos palcos recentemente com sua banda, lança seu terceiro álbum solo Fullblast, além de um projeto paralelo que mistura rock e jazz.

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Considerado como um dos maiores guitarristas brasileiros, o músico do Angra, Kiko Loureiro, não tem tempo para descanso. O guitarrista, que voltou aos palcos com sua banda em maio para uma turnê com o Sepultura, está lançando seu terceiro disco solo Fullblast. O novo material instrumental dá continuidade a carreira independente iniciada em 2004.

Com a maioridade atingida ao lado de seu grupo principal, o músico paulistano já se tornou renomado internacionalmente conquistando cada vez mais fãs pelo mundo. Porém, sua veia criativa pedia por mais espaço além do Angra e acabou gerando o primeiro álbum solo No Gravity. Um disco instrumental, que apesar de trazer o rock e heavy como base central, abria portas principalmente para elementos da música brasileira. Portas ainda maiores das abertas com sua banda.

Dois anos depois, em 2006, o guitarrista lançou Universo Inverso, seu novo álbum solo e de título mais que apropriado. Naquele trabalho, os papéis se inverteram. A base sonora tinha na música brasileira e latina sua maior força com algumas pitadas logicamente do rock e metal presentes. A dúvida estava no que esperar da seqüência desta carreira solo.

Fullblast chegou às lojas para responder esta questão. O CD é, na verdade, uma continuação de No Gravity, porém vai além trazendo uma mistura maior dos dois primeiros trabalhos e tempero de orquestração. O compositor também chamou os colegas do primeiro registro: Mike Terrana (Masterplan, bateria) e Felipe Andreoli (Angra, baixo), além de DaLua (percussão), para completarem o material.

Como se não bastasse uma banda principal e uma carreira solo ativas, Kiko também lançou neste ano o projeto Neural Code, ao lado de Cuca Teixeira e Thiago Espírito Santo, no qual a mistura de jazz e rock fala mais alto. Além disso, o músico também tem colaborado com a turnê da vocalista Tarja Turunen (ex-Nightwish) pela Europa.

Mesmo com a agenda recheada de compromissos, o guitarrista do Angra encontrou espaço para conversar com a Comando Rock a respeito de seu novo trabalho solo Fullblast. Nesta entrevista exclusiva, Kiko também comenta a mistura de elementos oriundos de diversos gêneros, o lançamento do power-trio Neural Code e o retorno aos palcos do Angra.

Comando Rock: Acaba de ser lançado seu terceiro álbum solo Fullblast, que mostra mais algumas de suas influências musicais. Como foi o processo de composição do trabalho?

Kiko Loureiro: Compor é uma atividade recorrente no meu dia a dia. É comum pegar um instrumento e tocar algo que me vem à cabeça, de forma inédita e de improviso. Muitas vezes estas pequenas idéias ficam depois martelando e procuro gravá-las. Assim fico com inúmeros caminhos musicais diversos, sem ter a pretensão de definir se usarei para um CD solo ou para o Angra. Em junho do ano passado decidi que era uma boa hora de trabalhar em algo novo, pois a gravadora do Japão me perguntou se não iria lançar outro disco solo, além da sensação de necessidade de mostrar algo inédito, tocar coisas novas. Já estava trabalhando com o Cuca Teixeira e Thiago no Neural Code, mas este trabalho seria outro estilo. Assim, fui juntando e lapidando estas idéias que tinha comigo e produzi uma demo. Em dois meses preparei e organizei canções que já existiam e outras que compus neste período. Fullblast é como uma continuação do meu primeiro álbum. Tem a característica de trazer os elementos que tanto me influenciaram como guitarrista principalmente na minha adolescência. É um material para os amantes de guitarra, não só aqueles que tocam, mas os que apreciam o instrumento e todas as suas possibilidades e sonoridades. É perceptível a influência dos mestres como Jimmy Page, Jeff Beck, Van Halen, Steve Vai, Satriani, entre outros. Porém, minha busca é atingir uma sonoridade que reflita esta mistura de estilos guitarrísticos americanos e ingleses, nascido no Brasil. Isto é, mesclando com toda nossa bagagem cultural, nossos ritmos, nossa percussão, nossa forma sofisticada de harmonizar, nossas melodias mais sincopadas. É isso que busco no Fullblast, um trabalho de guitarra saído do Brasil, com nossa linguagem neste instrumento nascido em terras estrangeiras.

Comando Rock: Ao contrário do disco anterior (Universo Inverso), o novo registro contém apenas composições próprias. Por quê?

Não tem muito planejamento. Tinha material suficiente para o CD solo. No Universo Inverso, queria fazer algo mais em parceria, pois já vinha tocando com o pianista Yaniel Matos (ps: responsável por boa parte das composições daquele disco) por um tempo e tinha esta vontade de gravar algumas canções dele que tocávamos juntos. Por outro lado, o trio Neural Code foi tudo em parceria, pois todas as faixas são dos três.

Comando Rock: O novo CD é lançado pouco tempo depois do retorno aos palcos do Angra, que ficou dois anos envolvidos em muita turbulência dentro e fora da banda. Esse período e todos os acontecimentos ocorridos nele influenciaram de alguma forma a composição do álbum?

Influenciou diretamente, principalmente na questão tempo. Estava com tempo mais livre e pude compor e gravar dois trabalhos. E fazer muitas viagens com shows solos, workshops e a turnê da Tarja Turunen. Musicalmente acredito que toda esta turbulência influenciou também é claro, mas daí é mais difícil de explicar ou perceber. A música é a coisa mais importante da minha vida e, portanto, qualquer coisa boa ou ruim que aconteça nela claro que influenciará meu estado de espírito e minha música.

Comando Rock: Uma coisa fica bastante clara em qualquer um de seus discos: a vontade de unir em um só trabalho todas as suas influências.

Creio que seja uma coisa natural. Deixo que as idéias rolem sem me preocupar se faz parte ou não do estilo ou o que as pessoas vão pensar. Como escuto muitos gêneros musicais e toco com diversos artistas de estilos diferentes, isso reflete nesta combinação de minhas composições.

Comando Rock: De forma geral, os músicos que colaboraram neste novo CD já haviam gravado com você anteriormente. Você chegou a cogitar contar com outros artistas ao seu lado?

Não! Em maio do ano passado fiz uma pequena tour na Itália com o Mike Terrana e o Felipe Andreoli e, portanto, quis chamá-los para gravar o novo CD. Era a sonoridade mais próxima ao No Gravity que queria, pois sabia que o Neural Code seria completamente diferente.

Comando Rock: Aparentemente, o único nome que desfigura de seus antigos lançamentos é o percursionista DaLua.

Gosto do estilo do DaLua, pois ele trabalhou muito mesclando percussão com música pop com seu grupo Tamboritau, que mistura rock também. Por isso achei que ele curtiria tocar algo mais pesado e não deu outra. Ele gostou muito de colocar sua percussão em um material mais metal e instrumental. Para ele também foi diferente e desafiador...

Comando Rock: Toda essa diversidade sonora presente em seus trabalhos mostra as variadas influências musicais que recebeu durante a carreira. Porém, dentro do heavy metal, muitos músicos e fãs torcem o nariz para outros estilos.

Acho normal! Sempre fui muito curioso com a música e gosto de ouvir de tudo. Sei também que outras pessoas são menos abertas. Não vejo isso como uma coisa ruim, acho normal, cada um tem de ser sincero com o que gosta. Se não gosta, não precisa ouvir só porque outros falam que é legal. Assim sei que tem gente que não vai gostar da mistura, outros que gostam de tudo e outros que só gostam quando tem mistura e complicações na música. Para mim está tudo certo, porque no final o que vale mesmo é o ouvinte saber e perceber no som que aquela canção é realmente verdadeira, é realmente o que aquele músico quer dizer. Creio que, mesmo aqueles que não gostam do que faço, sabem que é a minha verdade e por isso ao menos respeitam o meu som.

Comando Rock: Pouco tempo atrás você também estava lançando o power-trio Neural Code, no qual (ao lado de Cuca Teixeira e Thiago Espírito Santo) apresenta uma mistura de rock e jazz. Como surgiu a idéia deste projeto?

Tenho a amizade com Cuca e Thiago por muitos e muitos anos. Já tocamos em diversas oportunidades juntos. Um dia decidimos que tínhamos de compor e registrar algo nosso. Algo com a cabeça dos três, algo que misturasse nossas influências tão diferentes.

Comando Rock: O primeiro álbum chegou às lojas em abril de forma homônima contendo oito faixas instrumentais. O que pode nos contar sobre o trabalho?

O Cuca vem de uma família de músicos e é um artista completo, mas que sempre teve a predileção pelo jazz. O Thiago, da mesma forma, também de família de músicos, vem de uma tradição de música instrumental brasileira. Já eu tenho minha formação no rock e no metal. Porém, todos gostam e transitam por todos estes estilos. Assim quisemos fazer algo com a mão dos três. As canções nasceram todas a partir de jams. O trabalho tem a sofisticação harmônica do jazz com vários ritmos brasileiros e uma sonoridade mais pesada. Procuramos chegar a um fusion brasileiro que fugisse dos padrões comuns com uma certa dose de experimental.

Comando Rock: Falando um pouco também sobre o Angra, o grupo voltou aos palcos em maio com uma série de shows ao lado do Sepultura. Como foi a turnê e o retorno à estrada?

Foi muito bom voltar aos palcos, rever os fãs e tocar as músicas principais destes 18 anos de banda. Este ano iremos ficar direto na estrada, pois o resultado tem sido muito bom gerando uma demanda legal de apresentações. Vamos a Portugal e Espanha, mas também em setembro vamos fazer países da América Latina. Os shows internacionais não são tão diferentes dos daqui ao meu ver. Diferente mesmo é tocar nos festivais de verão da Europa. Estou agora aqui com a Tarja Turunen fazendo vários. Isso sim precisaria ter mais no Brasil.

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