
Hard Blast: Você apareceu para o mundo cantando no THEATRE OF TRAGEDY em 1994 e criou um novo estilo no Heavy Metal, na época chamado de “Bela e a Fera”. Vocês foram os primeiros a misturar o vocal feminino doce e melódico ao gutural masculino, tendo uma mulher não como backing vocal, mas como cantora principal. O primeiro álbum da banda trazia uma mistura de elementos heavy e death metal com o erudito, uma atmosfera totalmente inovadora que influenciou todo o cenário e o surgimento de outras bandas. O que te inspirou a criar este estilo?
Liv Kristine: Eu cresci escutando BLACK SABBATH, DEEP PURPLE e IRON MAIDEN, um pouco mais tarde descobri PARADISE LOST, ANATHEMA, CATHEDRAL e TYPE O NEGATIVE, portanto, eu meio que sempre estive envolvida com o metal. Por outro lado, também aprendi a admirar EDVARG GRIEG, BACH, TCHAIKOVSKY e MOZART desde muito nova. Primeiramente eu formei o THEATRE OF TRAGEDY com meu ex-namorado, em 1994, com intenção de criar um trabalho que combinasse a música erudita com o metal. Nós ficamos maravilhados com o que conseguimos fazer, por nossas próprias músicas e, de repente, selos europeus e fãs começaram a prestar atenção em nós. Acredito que fomos os primeiros a criar este tipo de constelação musical, especialmente no que diz respeito ao estilo 'bela e a fera', uma imagem que criou um elemento de contraste no metal. Alguns anos atrás tive uma conversa muito legal com o Tuomas, do NIGHTWISH e ele me disse que o THEATRE OF TRAGEDY foi sua grande inspiração para fundar o NIGHTWISH – isso realmente me emocionou"!
Hard Blast: Quando você percebeu que mesmo tendo uma voz suave e doce poderia ser uma vocalista de Heavy Metal?
Liv: "Bem, eu passava horas cantando BLACK SABBATH quando era criança, em frente ao espelho segurando uma escova de cabelos para praticar. Fazia isso enquanto as outras crianças estavam brincando no parquinho. Quando eu tinha apenas 7 anos já tinha certeza de que um dia estaria cantando numa banda de metal em grandes palcos. Este era o meu grande desejo e obviamente foi escutado!"
Hard Blast: Infelizmente não vemos um grande número de mulheres realmente trabalhando como musicistas no cenário rock. Qual a sua opinião em relação a isso? Você sofreu ou ainda sofre preconceito?
Liv: "LITA FORD e JOAN JET foram provavelmente as primeiras mulheres no meio metal que se levantaram contra todo o preconceito e o conservadorismo existente. Elas certamente abriram portas para nós, que chegamos uns anos mais tarde. No entanto, depois do lançamento do primeiro álbum do THEATRE OF TRAGEDY, alguns jornalistas se sentiram incomodados por conta de minha forte presença nas músicas - 'Liv Kristine deveria fazer apenas backing volcals...' - Mesmo assim os fãs votaram em nós como 'banda do ano' em um grande número de revistas e isso realmente me deixou muito feliz. A verdadeira atitude rock não deveria ter um sexo! Hoje eu tenho muita sorte no que diz respeito aos homens que estão ao meu redor (ex: músicos, jornalistas, fãs, equipe), todos são pessoas maravilhosas. Em alguns momentos eu sou a 'chefe', às vezes até brincamos fazendo competição de abdominais no ônibus da tour ou eu os desafio na natação ou para uma corrida. Em outros momentos, em casa, no estúdio, adoro cozinhar para eles e estou sempre pronta para ajudar se alguém precisa conversar. Eles são como minha família e às vezes até mandam um 'obrigado mamãe'".
Hard Blast: Fazendo um breve histórico de sua carreira, pensando nos principais acontecimentos, o que você teria a dizer?
Liv: "Eu diria que trabalhei muito duro, mas também tive muita sorte. Desde o início sempre obtive muito apoio por parte dos fãs e dos amigos. Esta foi a grande essência que me deu força para seguir em frente e continuar amando a música, mesmo nos momentos mais difíceis. Um selo, inclusive, tentou fazer com que eu parasse de cantar indo aos tribunais e fez de tudo para destruir minha personalidade como cantora. Depois que isso aconteceu pude perceber e enxergar o quão cruel o mercado musical é e como tudo gira em torno de dinheiro. Algumas pessoas obviamente me viram como uma garota norueguesa novinha, boazinha, amigável e ingênua, com um grande cifrão estampado na testa. Hoje eu canto, escrevo minhas letras e componho apenas o que vem de dentro de mim, para meus fãs, meus amigos e para mim mesma. Chegar a este nível é um bônus enorme, mas antes de qualquer coisa eu preciso estar em equilíbrio comigo mesma e me sentir bem em relação ao que estou fazendo".
Hard Blast: Qual a rotina de Liv Kristine, mãe, esposa e rockstar?
Liv: "Bem, normalmente meus dias começam com uma xícara de chá, então eu saio pra correr na floresta e no caminho de volta passo na padaria para comprar algumas coisas. Chegando em casa acordo Alexander e Leon e tomamos café-da-manhã juntos. Trabalho no estúdio até a hora de pegar meu filho na escola, então faço o jantar para todos e passamos o resto do tempo juntos tocando, brincando, visitamos amigos, saímos para nadar, tocamos bateria... Lavar roupa, limpar a casa e o estúdio são parte de minhas tarefas diárias. Sair para fazer compras é algo que tenho pouco tempo para fazer, normalmente faço isso durante a tour quando sinto necessidade de mudar um pouco o clima".
Hard Blast: Por favor, deixe-nos uma mensagem!
Liv: Muito obrigada a todos vocês por estarem ao meu lado durante todos esses anos!
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Designer, nascida na cidade de São Paulo, Kari como é mais conhecida, cresceu ouvindo Deep Purple, Led Zeppelin, Skid Row e Alice Cooper. É apaixonada por todas as vertentes do Metal, porém ouve de tudo um pouco sem se prender a rótulos.
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