Christopher Porter, do Washington Post, conduziu recentemente uma entrevista com o guitarrista Gary Holt do EXODUS, banda legendária do thrash metal de San Francisco. Trechos do bate-papo seguem abaixo:
Washington Post Express: Você pensa que a longevidade do EXODUS é devida ao fato de que o estilo de música que você ajudou a criar é ainda uma parte importante da cena do metal de hoje, visto que algumas das bandas "hair metal" dos anos 80 podem soar datadas?
Holt: "Eu penso que sim. Especialmente pois agora existe uma nova geração de bandas que homenageiam aquilo que nós ajudamos a criar. Nós não inventamos o metal; nós nos baseamos na New Wave of British Heavy Metal e no punk rock, e JUDAS PRIEST e coisas assim. E nós criamos o thrash metal junto com algumas outras bandas, obviamente - METALLICA, SLAYER, e outras. E disso veio o death metal e disso veio o black metal, e isso é apenas um grande círculo que compartilha as suas influências... Nós conseguimos reconstruir um bom nível de sucesso adquirindo uma multidão de novos jovens fãs. A maioria de nossa audiência hoje tem de 16 a 25 anos".
Washington Post Express: Ao contrário do thrash, o "hair metal" não ressurgiu com força.
Holt: "Ele (hair metal) foi baseado mais na imagem, não no som. E as velhas 'bandas-cabelo' parecem tolas quando os músicos estão mais velhos e tentam entrar nas mesmas roupas que eles usavam nos anos 80. Isso é realmente cômico. As bandas como nós sempre foram baseadas na música, no som, na composição e no desempenho no palco, assim o teste do tempo funciona muito melhor. Muitas bandas hair metal eram consideravelmente ruins. Falando de hair metal, eu sempre amei secretamente cada lick de guitarra que o George Lynch tocou, mas eu realmente gosto de DOKKEN? Não, mas eu vou escutar o que o George está tocando. Pessoalmente eu gosto muito de RATT e algumas coisas do MÖTLEY CRÜE. Mas merdas como ENUFF Z'NUFF? Isso é realmente uma merda. Mas eu e o Lee Altus (outro guitarrista do EXODUS) sempre fomos fãs de RATT; eles têm alguns grandes riffs. Mas na época (anos 80) nós simplesmente não podíamos admitir; eles estavam do lado do inimigo. Nós tínhamos que nos encontrar em segredo para escutá-los, tendo certeza que ninguém estava ouvindo a gente [risos]".
Washington Post Express: Vocês nunca tiveram que fazer como o METALLICA fez com "Death Magnetic", onde eles disseram que estavam tentando voltar aos seus álbuns dos anos 80 para recapturar essa energia. EXODUS não teve todas essas mudanças estilísticas como eles tiveram.
Holt: "Não, mas nós também não fomos considerados a maior banda de metal do mundo de todos os tempos. Alguém tinha que manter a energia fluindo e eu suponho que fomos nós. Mas eu penso o album novo deles é realmente bom, apesar de tudo. Nem tudo se fundiu na produção - eu estava esperando ouvir James [Hetfield] soltar o seu tom '... And Justice for All' outra vez - mas ele soa como um disco produzido por Rick Rubin. Mas as canções são muito boas. ... [e] Não, eu não tenho visto ou falado com o Kirk há anos. (N.T. - Kirk Hammet tocava no EXODUS antes de ir para o METALLICA)".
Washington Post Express: O que eu gosto realmente da última década de discos do EXODUS é que a música ainda é thrash metal mas com a intensidade das mais extremas bandas "pós-death-metal".
Holt: "Isso é provavelmente certo, mas não é qualquer coisa de intencional. Não existe essa tentativa de soar mais death metal, e não estamos preocupados em soar retrô. Há um monte de outras bandas tocando um thrash metal estilo retrô, então nós não temos a necessidade de fazer isso; nós já fizemos isso - 20 anos atrás. Nós apenas queremos ir o mais longe que nós podemos e chegar a novos níveis de brutalidade extrema. Nenhuns de nós têm interesse em escrever canções com toneladas de 'backing vocals em grupo' (N.T. Muito característico nas bandas de thrash nos anos 80) pois nós estávamos lá, já fizemos isso. Obviamente, muitos pensam que seria a melhor coisa no mundo se nós fizéssemos um álbum mais old-school, mas ele seria um álbum desonesto porque nós o faríamos forçados. Tudo o que estamos fazendo agora é uma progressão natural para nós - musicalmente, liricamente, tudo. E ir para trás agora, seria falso. Nós estaríamos apenas roubando de nós mesmos".
Washington Post Express: Como anda o "The Atrocity Exhibition: Exhibit B"?
Holt: "Nós vamos tentar terminar esta excursão, e então vamos fazer alguns shows esporádicos, mas estamos apenas passando o resto do verão para terminar as canções. Nós temos uma tonelada de material escrito, e esperamos entrar em estúdio até o final de outubro, provavelmente. Nós temos quatro faixas gravadas e eu tenho outras oito que eu estou trabalhando, e Lee tem algumas. Assim nós temos mais do que o suficiente de material; é só terminar e colocar todos os pedaços juntos".
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Antonio Parreira, aka Tunão, aka Anton Parr, é arquiteto, designer gráfico e músico. Interessado por música desde sempre, tornou-se fanático por rock depois de descobrir bandas como Kiss, Iron Maiden, Judas Priest e AC/DC. No início dos anos 80 acompanhou o nascimento do Thrash Metal, estilo que se tornou seu preferido de todos os tempos. Tocou em várias bandas nessa linha "Thrash Bay Area" durante os anos 80 e 90: Napalm, Damage, Overthrash, The Still e Avalon. Atualmente é vocalista do Buffalo Theory MTL, banda de Southern Metal de Montreal, Canadá. Leitor do Whiplash! desde os anos 90 e atualmente colaborando com textos e traduções, diretamente da "terra do Voïvod".
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