Nightwish: "não tenho iPod e nunca baixei nada da internet"

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Nightwish: "não tenho iPod e nunca baixei nada da internet"

Traduzido por Diego Camara | Fonte: Blabbermouth

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O Metal Reviews conduziu em maio de 2009 uma entrevista com o tecladista do NIGHTWISH, Tuomas Holopainen. Alguns trechos podem ser vistos abaixo.

O que você acha dos lançamentos somente digitais? Você se vê fazendo isso no futuro ou prefere manter os lançamentos em CD o quanto puder?

Tuomas: "Eu detesto materiais digitais. Talvez seja algo para o futuro e esse é um pensamento assustador. Eu não tenho um iPod e eu nunca baixei nada da internet, eu sequer sei como isso é feito. Eu quero meu CD em minha mão para que eu possa ver a capa e ler as letras, tudo. Essa é minha opinião".

Você parece ser uma pessoa muito próxima da natureza. Eu me lembro no DVD "End of Innocence" que você falou sobre a cabana de sua família com bastante reverência. Quando você se desligou em 2001 entre o "Over the Hills" e "Century Child", você foi para a floresta com Tony (Kakko, SONATA ARCTICA), e esta foi uma experiência bastante rejuvenescedora. O que você acha de estar em contato com a natureza? Apreciar a natureza afetou as suas composições no passado? E então as turnês pelo mundo, vendo todo o tipo diferente de cultura, como isso afeta as composições de suas músicas?

Tuomas: "Acredito que tudo o que você vê e experiencia na vida afeta as suas composições em um nível subconsciente. Mas o fato é que eu tenho vivido no meio do nada na floresta durante todos os 32 anos de minha vida, e isso certamente me afeta enquanto pessoa e na maneira com que componho. Eu gosto de pensar que as músicas que faço são um pouco orgânicas. Eu carrego muita inspiração das belezas do mundo, da beleza e pureza da natureza que eu presenciei em toda minha vida. Se eu fosse um malandro da cidade, acho que eu estaria fazendo algo como metal industrial. Acredito que há uma conexão forte com a natureza em tudo o que faço".

Você escreve todas as suas músicas em sua casa na Finlândia? Ou você compõe músicas em vários lugares como as praias no Japão ou no sul na Australia? Não somente riffs e ideias, mas toda a música.

Tuomas: "Eu nunca completei uma música em qualquer lugar que não seja meu quarto em minha casa. Eu coleto ideias todo o tempo em qualquer lugar onde eu esteja. Agora mesmo eu tenho um caderno de anotações - na verdade, dois cadernos de anotações pois um deles já está cheio - e eles estão lotados de ideias, letras, riffs, melodias, pequenas linhas. Viajar pelo mundo me deixa inspirado durante todo o tempo, pelas pessoas que eu encontro, as culturas diferentes e as experiencias. Eu sinto o mundo tão forte e isso é tão bom, mas é impossível para mim achar os modos para completar uma música em um local como este (nas turnês). Eu preciso da paz e solidão da minha casa por alguns meses para colocar tudo junto".

Qual o seu aspecto favorito na indústria musical e qual o que menos gosta? Pode ser qualquer coisa, desde o processo de composição, as turnês e ver culturas, as políticas da gravadora. Basicamente, qual é sua parte favorita em ser um músico profissional e qual o que menos gosta?

Tuomas: "De longe o que mais gosto é o processo de composição. A parte onde eu sou eu mesmo em casa, faço as músicas e então mostro elas para a banda e ensaio. Tudo isso, unir todas as ideias e criar a música do nada. É minha parte favorita. Claro que gosto de viajar, eu gosto de encontrar pessoas novas, estar em países diferentes e observar, mas isso tudo é secundário. A parte dos negócios é a pior. Eu sempre fui bastante ingênuo com tudo isso. Eu não falo sobre isso e eu não quero escutar pois isso tira todas as minhas energias. Eu sou como uma criança quando entram todas essas coisas dos negócios. As pessoas em volta de mim e até mesmo na banda, eles me criticam um pouco pois eu deveria saber onde estou indo com o dinheiro e eu digo que não posso lidar com isso, e é por isso que temos os empresários. Temos dois deles e nosso baterista, Jukka, toma conta de todos os negócios. Eu confio plenamente nele. Não tenho ideia de quanto ganhamos nestes shows, eu não sei qual o preço dos ingressos, não sei quanto dinheiro estamos fazendo e não quero saber. Isso realmente me dá arrepios".

Não saber nada sobre os negócios e não se estressar por essas coisas, isso te faz sentir-se mais puro?

Tuomas: "Sim, exatamente, pois eu me conheço, sei meus limites. Não lidar com essas coisas me ajuda a fazer músicas melhores. Pode soar fora de moda, mas é isto que acontece. Eu inclusive fechei meu e-mail para não ter que ver mais estas coisas. Toda vez que eu acordava e ia checar meus e-mails, havia vinte mensagens novas e eram todas besteiras da gravadora, negócios e tudo isso. Eu simplesmente não posso fazer isso, desculpe. Então fizemos um acordo e eu fico fora disso. Deixe as outras pessoas que tem entendimento e interesse no assunto fazerem essas coisas".

Por você compor músicas profundas e a popularidade do NIGHTWISH crescer mais e mais, você já sentiu que alguém tenha interpretado mal uma música bastante pessoal que você tenha escrito de uma forma horrível? E você também sente que tem um pouco de responsabilidade por estas pessoas que tomam essas músicas e pensam no mundo deles?

Tuomas: "Esse é um pensamento assustador. Eu tenho pensado nisso muito nos últimos meses, sobre a responsabilidade. É um pensamento muito assustador. Algumas pessoas pegam as músicas que nós fazemos e as letras tão profundas dentro delas, e eles leem elas como se fossem uma bíblia. As vezes você encontra os fãs fanáticos e vê o que isso significa para eles e é como... é importante, é música e é poesia, mas isso não é o mundo todo. isso é algo que eu tenho enfrentado pois sinto a responsabilidade nos meus ombros, e não estou tão certo que posso carregar isso. Eu vi o efeito que eu ou outro membro da banda tem em um fã. Leva um minuto da sua vida ir ver alguém e tirar uma foto com ele ou ela, assinar um autografo e trocar algumas palavras. E eles vivem cinco anos mais, e você pode ver nos olhos, isso é o mundo para eles. Algumas vezes você não pode, no entanto - você não tem o tempo ou a energia, e não pode fazer isso. Mais tarde você se sente como, 'Eu deveria ter feito isso'. Eu tenho esse poder de influenciar as pessoas e fazer elas se sentirem muito bem ou muito mal por não ter encontrado eles ou feito alto errado sem intenção, e eu tenho passado um bom tempo pensando nisso".

Leia a entrevista completa (em inglês) neste link.

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Sobre Diego Camara

Nascido em São Paulo em 1987, Diego Camara é jornalista, radialista e blogueiro. Seu amor pelo metal e rock começou há 6 anos. Um amante da nova geração, é um grande fã de Arjen Lucassen, Andre Matos e bandas como Nightwish, Hammerfall, Sonata Arctica, Edguy e Kamelot. Também não deixa de ter amor pelos clássicos, como Helloween, Gamma Ray e Iron Maiden e do Rock de bandas como Oasis, Queen e Kings of Leon. Atualmente seus textos podem ser lidos no blog OCrepusculo.com sobre assuntos diversos, além de planos para criação de um projeto totalmente voltado aos blogs de Rock e Metal.

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