Em 20/04/2009 | Michael Kiske: "Não sou contra os fãs de metal no geral!"

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Michael Kiske: "Não sou contra os fãs de metal no geral!"


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Michael Kiske. Para os apreciadores de heavy metal e da boa música contemporânea este nome diz muita coisa. E, convenhamos, há razões para tal sejam elas positivas ou negativas. Falo isso porque apesar de todo o respeito que o músico possui, há os que não o tolerem, mesmo que por motivos de ordem pessoal, a exemplo do envolvimento de Kiske com filosofias espiritualistas, fato este que levaram o alemão a dizer coisas nada agradáveis sobre o estilo que o consagrou. Bem, há também o lado grandioso de tudo isso e, felizmente, superam os menos interessantes. Leia abaixo entrevista concedida ao Whiplash! em maio de 2009.

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Você nunca veio ao Brasil, seja tocando ou visitando. Há alguma razão para isso nunca ter acontecido?

Kiske – Sempre houve muitos pedidos e ofertas [por parte dos promotores], mas eu não tenho tocado ao vivo há um bom tempo.

É verdade que você nunca encontrou os outros caras do Place Vendome pessoalmente? Mesmo o Dennis Ward?

Kiske – Eu conheci pessoalmente o Uwe [Reitenauer, guitarrista que tocou no primeiro álbum do Place Vendome] e Kosta [Zafiriou, baterista, também no Pink Cream 69]. Dennis apenas por telefone e e-mail.

Estou perguntando isso porque apenas você aparece no vídeo da banda para a canção “My Guardian Angel”.

Kiske – Isso foi principalmente porque era impossível reunir essa turma toda para a gravação do vídeo.

Como você se sentiu aparecendo em um vídeo após todos esses anos longe das câmeras?

Kiske – Eu me senti um pouco desconfortável; não tenho buscado pelos holofotes hoje em dia. Mas no fim das contas foi bem divertido.

Ainda falando do Place Vendome, não é surpresa seu desagrado em relação à produção do primeiro álbum. Por que você aceitou então gravar um segundo disco com o projeto?

Kiske – Eu nunca disse isso; eu gostei muito. Tudo o que disse foi que a mixagem final não me agradou, as guitarras ficaram muito altas para o meu gosto. Eu prefiro mais a bateria e as vozes. Entretanto, o material no geral ficou muito bom.

O novo álbum, “Streets of Fire”, é ainda bem AOR, mesmo sendo um pouco mais suave que o primeiro. Se você concordar comigo, gostaria de saber se acha que isso tenha sido justamente por seu já citado desagrado ao peso das guitarras em relação ao anterior.

Kiske – Eu ainda gosto de rock mais romântico e suave, digamos assim. As pessoas no heavy metal amam maquiar sua verdade sobre as coisas. Eu gosto de AOR; Eu só não sou mais amigo da cena metal, pois o estilo idolatra os deuses e as idéias errados em demasia. Nem todos fazem isso, lógico, mas um monte de gente faz.

Desta vez Dennis não compôs as canções. Você já conhecia alguns dos compositores contratados para escreverem o material contido em “Streets of Fire”?

Kiske – Não.

Alguma canção favorita no álbum?

Kiske – Eu gosto de todas pois são bem diversificadas, mas a faixa-título é talvez a minha predileta no momento.

Você tem dito em algumas entrevistas que faria um álbum acústico contendo apenas canções de Elvis Presley se alguma gravadora se interessasse em lançar este material. Você tem conversado com algum selo seriamente sobre o assunto? Caso seja viável, você pretende seguir a linha adotada na canção “How The Web Was Woven” (música de Elvis já coverizada por Michael)?

Kiske – Ainda não posso confirmar que farei isso. Há outras coisas em que tenho me ocupado agora. Você sabe, o Japão sempre exige faixas-bônus, mas não vejo sentido em pôr canções minhas que o resto do mundo não ouvirá nas versões dos discos lançados em outros locais, por isso prefiro fazer covers. E assim sempre será. Talvez, daqui há uns 10 anos, eu ponha todos os covers de Elvis que eu fizer em um único CD.

Vamos fazer uma pequena viagem ao passado. Você tem alguma boa recordação dos velhos tempos em sua primeira banda, “I’ll Prophecy”?

Kiske – Claro! Os tempos de moleque são sempre ótimos, concorda? Tudo é mais iluminado e fácil quando se é jovem; e isso é muito bom! (risos)

Michael, você costumava dizer que quando ouviu o “Walls of Jericho” [nota do redator: primeiro álbum completo, lançado pelo Helloween] pela primeira vez o mesmo não o agradou. Você também disse que mudou de idéia um tempo depois quando, a convite de Michael Weikath [guitarrista do Helloween], ouviu algumas canções já prontas que fariam parte do “Keeper of the Seven Keys I”. Há mais o que comentar sobre estes fatos que, de preferência, nunca tenha sido dito antes?

Kiske – Eu nunca gostei do “Walls of Jericho” e nem me interessou entrar na banda após ouví-lo. Porém, quando Weikath me ligou e disse sobre os projetos futuros do grupo e que estavam começando a compor o primeiro “Keeper”, eu amei! Nunca tive problema algum com os “Keepers”.

Após ter-se juntado ao Helloween, um novo estilo de cantar heavy metal surgiu. Quais os prós e contras em ser uma espécie de modelo para quase toda uma geração de cantores dentro do heavy metal e hard rock?

Kiske – [Pensativo...] Bem, entendo isso, mas eu sou apenas um cantor e posso fazer diversas outras coisas além de cantar somente metal e AOR.

Qual a verdade por trás de toda aquela situação durante as gravações do álbum “Pink Bubbles Go Ape”?

Kiske – Após Kai Hansen ter deixado a banda, ao meu ver, a química no grupo foi quebrada e isso tudo teria uma conseqüência. A produção do “Pink Bubbles Go Ape” foi um completo pesadelo, também por conta do produtor. Ele foi uma escolha errada. O cara fez o que já não estava bom ficar cem vezes pior.

Se o ábum seguinte, “Chameleon”, tivesse vendido bem, digamos até mais que os “Keepers”, você acha que a atmosfera dentro da banda poderia ter melhorado? Sei que a situação não se tratava apenas de números de venda dos álbuns mas trabalhar sob pressão é muito complicado, ainda mais para artistas.

Kiske – Talvez posteriormente, mas quando gravamos o álbum como iríamos saber se venderia bem ou não? Fizemos o que queríamos fazer à época. Mas, espiritualmente, as coisas já haviam acabado. Todos já estavam fazendo suas próprias coisas, individualmente; não havia mais o espírito do “NÓS”, apenas do “EU”. E Weikath colocou toda a banda contra mim pelas costas, algo bem típico dele, devo dizer. Simplesmente não conseguíamos mais nos entender. Pressão nunca é saudável, mas eu não acho que esta tenha sido a razão para tudo o que aconteceu. E geralmente nos dias de hoje você não pode de fato ser livre e criativo, a menos que esteja a fim de enfrentar o castigo. Se o que você lança é um pouco diferente do que eu fiz antes, você é simplesmente dilacerado! Isso tornou-se padrão.

Sua canção, “Longing”, começa assim: “Deep inside of me /I know there's got to be/ a different kind of truth/ that sets the spirit free” [tradução: “Dentro de mim/ Eu sei que há/ uma verdade diferente/ que liberta meu espírito”]. Após sua saída do Helloween suas visões sobre espiritualidade e fé tornaram-se públicas aos seus fãs. Quão importante são esses assuntos para você os expor às pessoas através de suas músicas? Você não acha que seja possível cantá-los também no heavy metal?

Kiske – Claro que pode-se cantar sobre esses assuntos dentro do heavy metal! Mas a música não pode ser brutal pois isso seria justamente o oposto do sentido REAL da espiritualidade ou religiosidade. Sons brutais são nada sensíveis. Espiritualidade tem que nos sensibilizar... Eoutra, seria mesmo necessário termos bandas de rock melódico e metal falando sobre espirtualidade e religiosidade?! Questiono isso porque está tão mais “na moda” ser satânico e malvado...

Para resumirmos, o que significa então esta “verdade diferente” que você disse em “Longing”?

Kiske – Significa que não se trata apenas do intelecto; a verdade deveria ser palpável a toda a raça humana através da mente, coração e vontade. Isto é, as verdades moral e espiritual dos indivíduos.

Sobre os seus trabalhos solo, os álbuns “Instant Clarity” (1996), “Readness to Sacrifice” (1999); “Supared” (2003); “Kiske” (2006); e “Past In Different Ways” (2008). Por que todas essas lacunas entre cada um deles já que você não faz turnês?

Kiske – Porque eu sou devagar mesmo (risos). Eu sempre preciso de tempo, pois não sou do tipo de compositor que simplesmente senta-se e escreve um álbum completo em dois meses, como acontece por aí. E agora nesses tempos em que vende-se cada vez menos álbuns e ganha-se cada vez menos dinheiro, daí meu amigo, tenho tido cada vez menos tempo para me dedicar apenas a compor.

Em sua discografia há os seus prediletos?

Kiske – Os dois últimos foram os melhores [nota do redator: ele refere-se ao “Kiske”, de 2006; e “Past In Different Ways”, de 2008], pois são nestes que tive minhas melhores atuações, ao meu ver.

Michael, quais as novidades sobre o seu próximo álbum? Você acha que o lançará ainda em 2009?

Kiske – Talvez sim, talvez não; é difícil dizer pois ainda estou compondo o material.

Tobias Sammett tem falado sobre um novo álbum do AVANTASIA. Você estará nele?

Kiske – Eu acho que eu já cantei até mais do que me propuseram no início; mas então Tobi quis fazer aqueles outros CDs de qualquer jeito [nota do redator: ele refere-se aos EPs e ao álbum “The Scarecrow”, todos lançados em 2008.]

Mesmo você falando coisas não muito positivas sobre a cena metal, é notório que muitas pessoas as quais amam suas canções são fãs deste estilo. Você acha que seria mais interessante ficar em paz com o metal novamente? E outra, já que você está sempre envolvido em alguma canção neste gênero como convidado de outras bandas, então pra quê este rancor todo? Talvez o problema sejam alguns fãs estúpidos, mas não o metal em si.

Kiske – Eu já estou em paz com os segmentos mais generosos e pacatos do estilo; na verdade eu nunca disse nada de ruim sobre esses tipos, e novamente reforço: desde que não sejam brutais. Também não sou contra os fãs de metal no geral; eu apenas não suporto este metal que parece-se uma igreja, algo católico, religioso, com todos esse papas do metal e seus dogmas, inquisições, etc. Tô fora disso! Se você discordar dessa tola cena metal que descrevi você é um “traidor” e será banido, podendo apenas compor baladas para o resto da vida. De outro modo você é “contraditório”... Mas eu apenas não sou um adorador do anticristo, eu amo DEUS, BONDADE e JESUS CRISTO, e eu não creio que o mal signifique “força” ou “liberdade” e toda essa merda. E também não aceito que a música seja apenas um mercado de escravos aleijados, posers e metidos espertalhões sabe-tudo. Simples assim.

Após vê-lo em vídeo com o Place Vendome os fãs querem mais. Há planos para o lançamento de um DVD com sua banda solo?

Kiske – Sim, haverá algo a ser lançado neste formato.

Bem, encerro por aqui Michael. Se não perguntei algo importante, sinta-se à vontade para comentar. Se puder, deixe sua mensagem aos fãs brasileiros. Até logo!

Kiske – Tudo certo, não faltou nada, cara! O que posso dizer aos fãs é que músicas do bem e livres são a única “lei” que devem crescer nas mentes de todos, bem como a cultura saudável de um povo. Cuidem-se e até um dia desses!

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Sobre Durr Campos

Graduado em Jornalismo, o autor já atuou em diversos segmentos de sua área, mas a paixão pela música que tanto ama sempre falou mais alto e lá foi ele se aventurar pela Alemanha, país onde reside atualmente e possui família. Lendo seus diversos artigos, reviews e traduções publicados aqui no site, pode-se ter uma ideia do leque de estilos que fazem sua cabeça. Como costuma dizer, não vê problema algum em colocar para tocar um Scum do Napalm Death, seguido de Substance do New Order ou Black Celebration do Depeche Mode, daí viajar no tempo com Stormbringer do Deep Purple, se acabar ao som do Bounded By Blood do Exodus e finalizar o dia com alguma coisa do ABBA ou Impetigo. Simples assim.

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