Remove Silence: "um álbum onde nada fosse muito planejado!"

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Remove Silence: "um álbum onde nada fosse muito planejado!"


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O guitarrista Hugo Mariutti (Andre Matos e Henceforth), juntamente com o tecladista e seu colega de banda Fabio Ribeiro, o baixista Alê Souza e o baterista Edu Cominato (Tempestt) estão lançando o primeiro álbum da banda Remove Silence, intitulado “Fade”. Lançado primeiramente em formato digital, em breve o disco estará disponível também em formato físico. O Whiplash conversou com ele sobre esse lançamento, além de outros assuntos.

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Como surgiu a idéia desse novo projeto, mesmo participando da banda de Andre Matos e do Henceforth?

Hugo Mariutti: Na verdade o Fabio Ribeiro e o Alê Souza sempre tinham algumas músicas diferentes e sempre me falavam para eu colocar algumas guitarras, etc. Até que um dia também escrevi algumas coisas de estilo parecido e aí meio que naturalmente começamos a trabalhar juntos e tivemos a ideia de oficializar uma nova banda, o Remove Silence. Na verdade, como músico, me sinto extremamente satisfeito, já que as três bandas possuem estilos diferentes e músicos do mais alto nível, o que me ajuda muito a crescer profissionalmente.

Como foi o processo de escolha dos músicos para o projeto?

Hugo Mariutti: Quando começamos a tocar juntos (eu, Fabio Ribeiro e Alê Souza) só faltava um baterista, e como eu já conhecia o Edu Cominato (Tempestt), logo pensei que seria o nome perfeito para a banda, pois além de ser um excelente baterista e cantar muito bem, pensa da mesma forma que todos nós com relação à música, o que é fundamental.

Em algum momento você pensou em colocar outro vocalista ou a sua idéia inicial era cantar?

Hugo Mariutti: Eu e o Alê Souza até pensamos em colocar alguém, mas acho que a ideia de nos revezarmos no vocal soou muito interessante, e até certo ponto deu uma diferenciada entre as músicas, além de uma cara um pouco diferente à banda. Acho que o principal motivo de termos pensado em alguém no começo para cantar era o fato de termos que tocar e cantar ao mesmo tempo, porém resolvemos encarar esse desafio e acho que está sendo bem legal para todos nós.

Quais foram as suas principais influências para as composições?

Hugo Mariutti: Procuramos fazer um álbum onde nada fosse muito planejado, não queríamos ter um determinado estilo, nem podar nenhuma ideia por ter um estilo x ou y. Tentamos apenas juntar as nossas influências que vão desde Radiohead até Slayer. Começávamos muitas músicas do nada fazendo jams e aí as partes começavam a surgir. Algumas coisas fazíamos cada um em casa e depois trabalhávamos todos juntos. O principal objetivo nosso era tentar fazer boas músicas, independente do estilo delas.

Você aproveitou algum material que não pôde ser usado na banda do Matos ou no Henceforth?

Hugo Mariutti: Não, todas estas músicas foram escritas especificamente para o Remove Silence, já que tinha acabado de gravar com o Andre e também já estávamos com o segundo CD do Henceforth todo escrito. Na verdade, tenho muitas idéias que não aproveitei ao longo da carreira, porém sempre gosto de ter idéias novas na hora de trabalhar em um novo CD e como desta vez trabalhamos bastante juntos, tivemos todo o material pronto rapidamente.

A música “Fade” foi escolhida para o primeiro vídeo clip por ser a faixa-título do disco ou você acha que ela realmente se destaca das demais?

Hugo Mariutti: Não acho que ela se destaque em relação às outras, porém acho que ela é uma música forte que tem uma letra bem forte, por isso que a escolhemos para ser o primeiro clip da banda, produzido pelo Patrick Korb. Na verdade, queríamos um clip que fosse simples e que tivesse algumas mensagens que mostrassem para as pessoas uma realidade bem triste que temos em todo o mundo que são crianças envolvidas em guerras, tráfico de drogas, etc. Li muitas coisas sobre este tema e realmente é assustador e triste ver a realidade dessas crianças perdendo a infância, estudos, família, etc.

O segundo álbum do Henceforth está prestes a ser lançado e foi divulgado que vocês farão alguns shows com o Remove Silence. Como você pretende conciliar esses dois lançamentos?

Hugo Mariutti: O CD do Henceforth provavelmente sai em Abril. Já estamos finalizando neste momento. Para conciliar tudo isso é muito importante ser organizado e ter uma agenda que possa dar a mesma atenção para as bandas, por isso estou sem férias nos últimos anos (risos).

O álbum é bem variado. Como você está planejando as apresentações ao vivo do Remove Silence? Pretende tocar o “Fade” na íntegra, inclusive a faixa “When The Madness Fills The Space”? (Eu particularmente adorei, mas a maioria do público não curte muito esse tipo de música).

Hugo Mariutti: Provavelmente tocaremos o CD inteiro. Na verdade é difícil saber se o público vai gostar ou não de tal música, por isso acho que o mais importante é tentar fazer um show extremamente profissional, pois nossas músicas, na minha opinião, tem um potencial muito grande para soar bem ao vivo.

Fale um pouco sobre o curta-metragem “Bats In The Belfry”, que será lançado futuramente.

Hugo Mariutti: Esse é um documentário que mostra todo processo de gravação do álbum Fade, e que está em fase final de edição. O curta foi todo criado e editado pelo Fabio Ribeiro, e se não me engano, até o fim deste mês de fevereiro estará disponível para todos.

Como tem sido a sua experiência como produtor?

Hugo Mariutti: Muito legal, sempre tive muita vontade de trabalhar com isso, porém sempre achava que não era o momento, apesar de ter feito cursos e trabalhado com profissionais de primeira linha, tanto no Brasil como em todo mundo (Roy Z, Sascha Paeth, Miro, Guilherme Canaes, Philip Colodetti, etc.). No ano passado nós produzimos em conjunto o álbum do Remove Silence, e agora estou produzindo junto com o Alê Souza o segundo álbum do Henceforth.

Saindo um pouco do foco do Remove Silence, na turnê nacional do “Time To Be Free”, o Andre Matos agradeceu ao público por baixar o álbum da internet antes de sair o original (inclusive eu estive em um desses shows) e vários músicos já declararam que os fãs de Heavy Metal são fiéis e compram CDs originais, mesmo tendo baixado antes. O que você pensa sobre isso e o que poderia ser feito para minimizar os danos da pirataria na indústria musical?

Hugo Mariutti: Eu concordo com o Andre em relação a este assunto. Nós sabemos que o fã depois acaba comprando o CD, pois como um fã de música posso falar isso, e não considero que isso seja tão nocivo à banda. Infelizmente grande parte das gravadoras não abriu o olho na hora em que apareceu o Napster e nem quis diminuir sua margem de lucro, ou seja, isso era inevitável e acho que não tem volta. Porém, acho que o lance de comprar as músicas (iTunes, Amazon, etc.) é uma alternativa muito legal, pois o preço é bem razoável e ao mesmo tempo o artista não é tão prejudicado. O que eu acho totalmente deplorável é comprar CD pirata em barraquinha, pois além de prejudicar o músico você acaba sustentando o crime organizado, etc.

Durante a produção do “Time To Be Free”, como foi trabalhar com o Roy Z?

Hugo Mariutti: Foi uma experiência incrível!!! O Roy é uma pessoa sensacional e um profissional de altíssimo nível. Costumo falar para as pessoas que foi um curso de dois meses que tive com ele, onde aprendi muitas coisas sobre tudo dentro da música. Realmente uma experiência fantástica para minha carreira que vou levar durante toda vida.

Como tem sido a turnê com o Edguy pela Europa?

Hugo Mariutti: Um grande sucesso. Temos casas cheias em todos os shows, a estrutura é sensacional, as bandas são muito boas, pois além do Edguy, o H.E.A.T. que é uma banda sueca também faz parte da tour. Devemos voltar para a Europa para outra tour em abril, além de termos ainda este mês um show na Finlândia. E em setembro tocaremos nos USA como headliners do festival Prog Power.

O que você tem achado do retorno de algumas bandas clássicas como o AC/DC, Kiss e Heaven And Hell? Isso demonstra a falta de bandas novas de qualidade? Você acha que nos últimos dez anos surgiram nomes de destaque no Brasil e no mundo?

Hugo Mariutti: Eu pude assistir o Heaven And Hell no Japão, pois participamos do mesmo festival. O show deles é sensacional e eles estão em forma. Eu acho legal estas reuniões desde que a banda esteja em uma boa forma e fazendo música boa. Caso contrário, se for só para tocar coisas antigas acho um pouco estranho, porém não posso julgar bandas de extrema importância para o Rock mundial. Quanto a novas bandas, realmente acho que poucas bandas tentam trazer algo novo para a música. Daqui do Brasil acho que o Threat e o Tempestt fazem um trabalho muito bom junto com o Torture Squad. Não é à toa que as três bandas já foram para a Europa mostrar seu trabalho.

Como está a repercussão do seu songbook “Blood Strings”?

Hugo Mariutti: Muito Legal!!! Foi um trabalho diferente de fazer e que foi muito divertido, pois tive que reaprender alguns solos que não tocava durante muito tempo. Tenho disponibilizado o livro nesta tour da Europa e está indo muito bem.

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Comenta-se muito em fóruns de discussão que você estaria processando o baterista Ricardo Confessori pela posse do nome Shaman. O que há de verdade nisso? Caso você ganhe a causa, a banda de Andre Matos voltaria a usar o nome Shaman?

Hugo Mariutti: Este assunto sempre gera polêmica, porém acho que não só eu, mas também meus colegas de banda, devem lutar pelo que acham justo. Porém isso é um assunto que deixo na mão dos nossos advogados, pois o público já sofreu com a separação da banda e é um assunto que não cabe a mim ficar falando. Estamos extremamente felizes com toda a repercussão do "Time To Be Free", temos uma carreira muito grande pela frente com a banda Andre Matos e vamos continuar trabalhando sempre com muita honestidade para não decepcionar nosso fãs, pois podem ter certeza que estamos sempre buscando o melhor para todos.

O Whiplash agradece a entrevista e deixa esse espaço para você.

Hugo Mariutti: Eu que agradeço pela oportunidade e espero que todos possam ouvir o Remove Silence. O lançamento deste CD foi feito primeiro em formato digital (www.amazon.com, www.indiestore.com), porém daqui a alguns meses teremos também o CD físico para quem gosta deste formato poder curtir toda a arte, letras, etc. Quem quiser conferir os sons e ver o vídeo clip, acessem www.myspace.com/removesilence. Muito obrigado e um abraço.

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Sobre Monica Fontes

Mônica Fontes - Carioca, nascida em 1968, vive no Rio de Janeiro e é tradutora de inglês e espanhol. Apaixonada por música, leitura e cinema, começou a ouvir rock aos 13 anos, já tendo presenciado grandes shows e eventos desse gênero. Além do rock, também se interessa por outros estilos, como o Pop e MPB. Led Zeppelin, Deep Purple, Black Sabbath, Pink Floyd, U2 e Guns N'Roses são algumas de suas bandas preferidas, sem deixar de prestigiar as excelentes bandas e artistas nacionais. Acessa o Whiplash há alguns anos e começou a colaborar por gostar de traduzir os diversos assuntos relacionados no site.

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