Em 10/01/2009 | Trent Reznor: "feliz por estar fora da indústria musical"

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Trent Reznor: "feliz por estar fora da indústria musical"


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O líder do Nine Inch Nails, Trent Reznor, deu uma pausa na turnê pelo Canadá para conversar com a SN&R a respeito de seu próximo show no Arco Arena, o que parece ser o último em Sacramento. Reznor falou sobre ser um geek da matemática e expôs sem piedade os erros dos executivos das gravadoras – e passou por um momento “Êpa” quando perguntado sobre o último show do NIN em Sacramento. Basicamente, foi uma meia-hora agradável, comigo rindo à toa e ele falando tudo que pensa a respeito da indústria musical. Foi mágico.

Trent Reznor, do NINE INCH NAILS, saiu de uma indústria musical falida para uma vida como artista indie, depois de décadas lidando com executivos “imbecis”.

Por Alia Cruz (tradução de Suellen Pareico)

Como está a turnê?

"Estive no Festival Saskatoon Blues hoje".

Não sei se você lembra da última vez em que esteve em Sacramento, mas você escreveu no blog que o público daqui foi o mais indiferente para o qual você já tocou.

“Eu disse isso?”

Sim, você disse.

“Êpa.”

O que você tem a dizer?

Bem se eu disse isso, provavelmente fui sincero. Eu simplesmente não diria algo assim. Sou um artista temperamental, e às vezes tenho minhas pequenas explosões".

Bem, isso é muito nobre de sua parte.

“Sabe o que mais? Dessa vez vou tentar virar esse jogo”.

Você está gostando de ser independente?

“Meu nível de desprezo pela indústria musical nunca foi tão grande. Com certeza estou feliz por trabalhar fora do sistema, pois ele está obviamente quebrado… Você sabe, ano que vem fará 20 anos desde que o NIN assinou com uma gravadora… o que é muito tempo”.

Uau.

“Também acho difícil acreditar. Penso em como era diferente na época, falando sobre as condições. Refiro-me à forma como as gravadoras amarram você, dizendo, 'Ei, nós queremos financiar você. Queremos ajudar criativamente seu objetivo, promover você, e no terceiro ou quarto disco você terá cada vez mais fãs. Nós queremos que você seja um artista de carreira e [nós] estaremos aqui para dar suporte'. E o músico diz, 'Legal!'”

“E na época, eles citariam bandas com carreiras legais como o Cure ou Depeche Mode ou outras que você admira. Nenhum artista quer saber que está a um hit do sucesso, você quer acreditar que faz parte do cenário. Se você faz música pelas mesmas razões que eu, você quer mudar o mundo. Sabe, quero fazer coisas que ninguém nunca ouviu antes. Quero deixar as pessoas alucinadas”.

Você acha que ser indie aproximou você dos fãs?

"Bem, nos forçou a isso. Para encerrar o que estava dizendo sobre as gravadoras: Nos anos 90, a indústria musical continuava a cair. Eles só falavam merda. Não se importam com a música; eles só se importam em vender discos e pronto. Não se importam se é arte atemporal, desde que vendam o disco — mesmo que signifique você ter que vestir sua calça ao contrário, ou qualquer outra coisa. É isso que importa para eles. E você quer saber de uma coisa?"

O quê?

“Se o terceiro ou quarto disco que um artista lançar for um grande sucesso, é melhor que seja com o primeiro single, senão você já era. Se um artista está na estrada há um tempo, como a gente, de uma hora para outra quando você mostra o disco eles dizem, 'Nós não estamos vendo nenhum single'. Então eu digo, 'Ei, vão se foder! Vocês não são artistas!'”

Yeah!

“Digo, 'Você é um executivo imbecil que nem deveria estar falando com um artista'. Se isso parece arrogante, tudo bem, que seja. De qualquer forma… isso pode me causar um grande problema”.

“Estar livre de toda essa droga é muito bom, mas aterrorizante, pois é muito fácil enxergar o que não se deve fazer. Só olhe para o que eles estão fazendo! Estão processando fãs e é difícil entender o que deve ser feito e ter algum modelo de negócio que se sustente. Infelizmente, você está se opondo a um público em que a maioria acha que está tudo bem roubar músicas e não sentem remorso por isso – e eu entendo a razão. É somente como as cartas estão sendo jogadas agora”.

Mas parece que você criou um império desde que virou indie. Você tem sua própria rede social oficial. Você se intrometeu nas vendas de ingressos. O que fez você se envolver nesses diferentes aspectos do showbizz?

“São coisas que não poderíamos fazer se estivéssemos numa gravadora, porque eles teriam que estar se metendo para estragar tudo, pois não entendem”.

“Isso é o que me intriga nas gravadoras: A Internet dizimou quase totalmente esse negócio, quase arruinou tudo. Se você perguntar para a maioria das pessoas nas gravadoras, se elas passam algum tempo online – ou se elas sabem o que é torrent, ou se conhecem o Twitter – a responta é geralmente negativa. Então como eles esperam entender se não procuram? Se não pensam a respeito disso? Se não sabem que seus consumidores sequer existem ou como interagem?”

“Isso é parte do motivo do negócio ter sido destruído. Eles não sabem como as pessoas usam ferramentas sociais ou interagem. Estão presos na idéia de que podem fazer dinheiro vendendo plástico. Então, o que fizemos foi tirar vantagem dessa liberdade, de não ter um albatroz no nosso pescoço, e nos colocarmos num lugar onde podemos interagir diretamente com os fãs, onde podemos surfar e fazê-los sentirem que estão tendo o que querem de nós. Tentamos tratá-los com respeito… o que as gravadoras não fazem”.

Você realmente entra na rede social de seu site?

“Passo mais tempo lá do que gostaria”.

Então você vê o que as pessoas falam de você? Eu explorei o site do NIN e as pessoas vêem você como um tipo de messias. Em algum momento isso fica estranho?

“Sim, muita coisa, eu limito até onde quero me expor. Eu aprendi nesses anos que existem lugares que é melhor não olhar”.

Existe realmente um site chamado TrentCanIBiteYourThigh.com (Trentpossomordersuacoxa.com)?

“Hã? Não vi isso, mas estou quase indo procurar agora”.

É muito estranho; você foi prevenido. Em alguma hora toda essa atenção feminina cansa?

“É claro que não! Foi por isso que comecei a tocar”.

Hã?

“Estou brincando. Você aprende a colocar isso no contexto. … é só, tanto faz. O que estou tentando fazer agora é ser verdadeiro comigo mesmo, fazer músicas da melhor forma e então encontrar uma maneira de sair com pessoas que fazem sentido”.

Você parou de lançar um disco a cada três ou quatro anos, para lançar três álbuns em um só ano, e isso sem contar o disco de Saul Williams que você produziu. De onde vem essa motivação?

“Sem fazer uma auto-análise, mas tenho sido perguntado sobre isso bastante e tenho que pensar um pouco. Isso tem acontecido porque tenho me sentido inspirado. Estou sóbrio há sete anos, e isso realmente fez meu cérebro voltar a funcionar. Comecei a trabalhar no 'With Teeth', e percebi que de repente estava com medo de fazer aquele disco, pois não sabia se podia fazê-lo sóbrio. Foi como aprender a fazer tudo de novo. Percebi durante o processo, que todas as vezes que sentei para compor na minha vida, fiquei apavorado. Ficava apavorado porque queria fazer o melhor disco que já fizeram, e não existe receita maior para o fracasso do que começar com esse tipo de premissa”.

Se você não fosse músico, o que você estaria fazendo?

“A única coisa que eu era bom era em matemática. Eu entrei no curso de engenharia de computação… sabe, só cálculos”.

Coisa chata.

“Percebi que podia fazer, mas não gostava. O momento em que mudei realmente de vida foi no primeiro ano na universidade. Estava sentado numa sala de aula, olhando para todos aqueles nerds ali comigo. Eu era um nerd também, mas eles estavam realmente curtindo aquilo. Eles ficavam empolgados para fazer oito horas de trabalho de casa para o dia seguinte, e mal podiam esperar por isso. Eu podia fazer, mas cara, não queria. Não tinha prazer naquilo. Eu sabia o que eu realmente gostava – música - mas você não pode ter um diploma disso”.

O que foi esse tema “Art is resistance” do Year Zero?

“Quis contar essencialmente, ou em parte, uma história em que a arte pode ser usada como forma de resistência à opressão, que virou um slogan para um grupo ficcional… Nós misturamos as linhas entre realidade e ficção e todos viveram felizes para sempre. Então [Barack] Obama foi eleito…”

Você está feliz com isso, não é?

“Não poderia estar mais feliz”.

Ouvi dizer que você o conheceu?

“Sim, foi bem rápido. Fiquei impressionado com ele. Se ele vier a ser terrível, tudo bem. Eu agüento esse golpe”.

Quando o "Closure" vai sair em DVD?

“Nunca!”

O quê?!

“Você pode perguntar a Universal, pois eles são idiotas, e estão com medo de lançar”.

As pessoas estão morrendo por isso.

“Sim, mas… existe outro meio”.

Estou ouvindo.

“Há uns anos, alguém invadiu meus arquivos pessoais e fez um upload de todo o DVD 'Closure' num site de torrentes”.

Ah, que terrível.

“Pois é, não sei quem poderia ter feito isso”.

Hmm.

“Então, isso significa que não precisa ser lançado em DVD”.

Desculpe Trent, vou ter que roubar uma cópia.

“Ah, você sabe que isso não é legal”.

Link da entrevista original.

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