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Yngwie Malmsteen: músico fala sobre produção de novo álbum

Traduzido por Thiago Coutinho | Fonte: Classic Rock Revisited |

Jeb Wright, jornalista da revista inglesa Classic Rock Revisited, falou recentemente com o guitarrista sueco YNGWIE MALMSTEEN a respeito do processo de composição e gravação do novo álbum do músico, intitulado “Perpetual Flame”.

Classic Rock Revisited — Nosso primeiro assunto será “Perpetual Flame”. Esse álbum soa mais ao vivo do que você já fez há muito tempo.

Yngwie Malmsteen "Todas as estrelas estavam alinhadas para esse álbum. Fizemos este trabalho completamente diferente dos anteriores. Hoje, tenho meu próprio estúdio, então me dou ao luxo de fazer o que quero. Antigamente, você gastava uma quantia enorme em dinheiro nos estúdios e a pressão era absurda. Normalmente, apenas componho a música dedilhando minha guitarra à toa enquanto assisto à televisão. Então, pego o Patrick [Johansson] para tocar a bateria ao vivo, daí componho as linhas de baixo, a guitarra e tudo mais. Nesse caso em questão, as músicas foram tomando forma, então ia ao estúdio com Patrick e fazíamos umas trinta músicas, saíamos em turnê e eu me esquecia delas. Quando voltava da turnê, ouvi-as e selecionava as melhores. Colocava mais algumas linhas de baixo e guitarra e saia em turnê novamente. Estava em Istambul me divertindo com alguns caras que tocavam uns instrumentos de corda e decidi adicioná-los. Levo meu laptop comigo em turnê com as faixas pré-gravadas e com o Pro-Tools. Normalmente, começo e termino um álbum a tempo, mas esse levou um bom tempo, e essa é a principal diferença. Quando voltei da Rússia, comecei a ouvir as faixas ‘Death Dealer’ e ‘The Four Horseman’ e sabia que o cantor que eu tinha em mãos não iria fazer as coisas do jeito que eu imaginava na minha cabeça. Então, trouxe o Ripper [Tim ‘Ripper’ Owens]. Ele estava em outra banda na época, e deixando-a. Ele veio a Miami e cantou algumas músicas apenas para senti-las, algo bem descontraído. Voltei da turnê pela Alemanha, ele também e fizemos mais algumas músicas. Sendo o compositor, produtor e principal arranjador é difícil manter distância e uma boa perspectiva das coisas. Então, era bom para mim ficar longe das coisas por um tempo. E também foi ótimo trazer o Roy Z para mixar o trabalho. Eu produzi a coisa toda. Sempre me envolvi com tudo, mas sempre tive um engenheiro de som por perto. Fui ficando melhor e melhor a ponto de poder fazer tudo isso".

Classic Rock Revisited — Como você se envolveu com Roy Z?

Malmsteen: "Eu precisava de alguém para a mixagem. Conheço o K.K. Downing, do JUDAS PRIEST, e ele me recomendou o Roy. Ele chegou dizendo: ‘vamos tentar fazer isso’ e jogou um compressor de oito mil dólares em um kit de bateria. Eu fiquei mais ou menos como: ‘que porra você está fazendo?’. Daí ouvi tudo pronto e disse: ‘putz, ficou demais!’. Tinha todo esse equipamento à minha volta e sequer sabia onde ele estava. Aprendi muito com o Roy".

Classic Rock Revisited — O Roy deixou a sonoridade dos dois últimos trabalhos do PRIEST demais. Ele tem um bom ouvido para heavy metal.

Malmsteen: "Ele fez tudo soar demais mesmo. Ele chegou e disse: ‘devemos fazer isso tudo no Pro-Tools’. E eu lhe disse: ‘Ah, não, cara, isso aqui é tudo muito old-school. São guitarras e bateria ao vivo. Algo como o ZEPPELIN e o PURPLE gravavam’. Não usei nenhum sampler neste álbum, é tudo real".

Classic Rock Revisited — Este álbum fará sucesso porque nos faz sentir bem. Como você sabe quando está apenas sentado tocando ou quando está sendo criativo?

Malmsteen: "Essa é uma boa pergunta, porque eu não sei, apenas sinto isso. O modo como toco é muito espontâneo. Tenho que ficar esperto com isso. Se não gosto disso, se sinto que essa não é a escolhida, apenas deixo pra amanhã — essa é a beleza de se ter o seu próprio estúdio. Comprei essa casa há uns quinze anos. É uma velha mansão colonial com vários quartos para empregados. Peguei um desses quartos e o destruí, daí o enchi de Marshalls, com uma sala de controle e tudo mais. Desse jeito, simplesmente não tenho que me preocupar com nada. Há uma faixa nesse novo álbum que se chama ‘Caprici Di Diablo’ e ela estava ficando bem complicada. Disse a mim mesmo que daria meu máximo nela. A idéia por trás desse álbum é uma só: minha motivação. Mais é mais. Algumas pessoas dizem que menos é mais, mas eu digo o contrário. Como disse antes, conforme esse álbum foi se desenvolvendo, sabia que precisava de alguém como Tim. A primeira música que fizemos foi ‘Live to Fight Another Day’. Após finalizarmos os vocais, voltei às guitarras novamente, porque tudo estava em uma posição mais alta. Levou um ano e meio para fazer esse álbum. Mas finalmente ele ficou bom. Muitas coisas se encaixaram para deixar esse trabalho bom. Acho que esse álbum capta minha paixão mais do que qualquer um dos outros que já lancei. Quando toco ao vivo é o momento em que mostro tudo isso".

Para ler a entrevista na íntegra, em inglês, clique aqui.

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Sobre Thiago Coutinho

Formado em Jornalismo, 23 anos, fanático por Bruce Dickinson e seus comparsas no Maiden. O heavy metal surgiu na minha vida quando ouvi o vocalista da Donzela de Ferro em "Tears of the Dragon", em meados de 1994. Mas também aprecio a voz de pato bêbado do controverso Dave Mustaine, a simplicidade do Ramones, as melodias intrincadas do Helloween, a belíssima voz de Dio ou os gritos escabrosos de Rob Halford. A Whiplash apareceu em minha vida sem querer, acho que seus criadores são uns loucos amantes de rock e acredito que este seja o melhor site de rock do país, sem qualquer demagogia!

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