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Napalm Death: "Deus é uma grande mentira", diz Barney

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Por César Enéas Guerreiro, Fonte: Wormwood Chronicles, Tradução
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O webzine Wormwood Chronicles entrevistou em agosto de 2008 o frontman do NAPALM DEATH, Mark “Barney” Greenway, e o principal assunto tratado foi a fé das pessoas nas religiões.

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Wormwood Chronicles: Fale-me sobre "Smear Campaign". Sei que a religião é parte importante do tema desse álbum.

Barney: “Sim, em termos gerais, o álbum fala sobre adotar as idéias do ateísmo e reconhecer o fato de que a religião não serve pra nada em nossas vidas. Você pode ter fé... se as pessoas têm fé como algo pessoal, tudo bem, não tenho objeções quanto a isso, mas não concordo quando isso passa a controlar a vida das pessoas. O que quero dizer é que isso pode chegar a controlar coisas como moralidade, que é uma idéia falsa. Moralidade é algo que foi inventado por vários grupos religiosos e seitas na Idade Média. A moralidade pode controlar as pessoas porque as leva a acreditar que não podem se comportar de certas maneiras. Isso é um conceito totalmente falso porque assume que aquela pessoa sentada no pedestal tem um ponto de vista negativo sobre aquela outra pessoa que está fazendo algo que a ofende... então naturalmente a outra pessoa tem que estar errada. Bem, mas quando você pensa sobre isso percebe que é uma besteira, entende o que eu digo? Então a idéia é rejeitar essa coisa de moralidade também. Se você me comparar... que sou alguém totalmente contra a religião... com alguém que é religioso, você pode dizer que minha vida é diferente da dele porque ele adotou alguma fé? Não, não é. Na verdade, a minha vida é mais completa, porque eu posso fazer mais coisas e eu não me imponho restrições. Eu faço coisas que algumas pessoas de fé considerariam ‘tabu’ e não tenho nenhum tabu. Bem, é claro que não vou sair por aí esfaqueando pessoas, porque isso é algo que eu não faria nunca, entende... de um ponto de vista moral, para mim, é errado fazer isso. Então basicamente quisemos falar sobre esses assuntos e também levar a discussão para uma escala maior, desafiando as pessoas a deixar de lado a religião e entender que isso não importa. Por exemplo, veja os problemas no Oriente Médio. O que eu diria para aquelas pessoas já que, obviamente, não posso estar no meio delas é que parem essa briga estúpida motivada pela religião. Se Israel parar de anexar a Palestina, isso evitaria que grupos palestinos matassem israelenses e as pessoas poderiam viver lado a lado. Porra, é só tentar, entende o que quero dizer? (risos)”.

Wormwood Chronicles: Sabe, Barney... Isto é mais uma observação minha do que uma pergunta, mas eu notei que a religião também pode ser relacionada a outros assuntos que você já mencionou em suas letras ao longo dos anos, como guerras, ganância e corrupção. É realmente triste ver que todos esses problemas ainda aumentam diariamente.

Barney: “É claro que sim. Bem, há um problema aqui nos EUA com essas igrejas, congregações e coisas do tipo. Essas pessoas não pagam impostos e conseguem acumular grandes fortunas pessoais através das ações de suas igrejas. Estamos falando de outras pessoas que vão às suas congregações e que vivem praticamente na miséria, entende o que quero dizer? Elas não conseguem pagar planos de saúde, o que é outro problema, mas, apesar disso, temos esses pastores e religiosos do caralho que possuem imensas fortunas pessoais e que não contribuem para o bem estar das pessoas e do país. As organizações religiosas que possuem fontes de renda devem pagar impostos, isso é importante. (risos)”.

Wormwood Chronicles: Que tipo de atitude você adotou quando gravou o álbum? Toda essa negatividade que pode vir da religião aumentou a raiva em você?

Barney: “Bem, você está sempre... não quero usar um clichê, mas você sempre está com raiva de alguma coisa porque, obviamente, isso é o que motiva suas ações. A raiva é uma coisa, mas direcioná-la para algo que não é genérico... isso é difícil. Quando eu escrevo pro NAPALM, eu gosto de fazer observações, escrever títulos e letras que espero que não sejam genéricos. Por exemplo, ‘The Code Is Red...Long Live The Code’. Um título como esse seria usado alguma vez por alguma outra banda? Provavelmente não...”

Wormwood Chronicles: MEGADETH! ...

Barney: “Isso mesmo! Bem, por exemplo, você pode colocar num álbum o titulo ‘World In Pain’. Isso é genérico? Isso é totalmente genérico! Então o que eu tento fazer é criar títulos de álbuns e músicas que não sejam genéricos e que sejam criativos, mas que ainda assim sejam fáceis para as pessoas entenderem. Isso porque é importante que as pessoas consigam interpretar as coisas que faço. Não estou dizendo que elas devem pensar da mesma maneira que eu, mas espero pelo menos dar a elas uma idéia para que possam tirar suas próprias conclusões, entende?”

Wormwood Chronicles: Já falamos sobre todas essas coisas negativas causadas pela religião... vamos então olhar sob uma outra perspectiva. Você mencionou fé... Sei que as pessoas também usam a religião como forma de conseguir esperança e força. Minha pergunta é... Você acha que algo de bom pode vir da religião?

Barney: “Bem, como eu disse no início, não tenho objeções quanto à fé pessoal mas, o que eu diria a essas pessoas é o seguinte: Como seria a sua vida sem fé? Como seria se alguém como eu adotasse alguma fé agora e, subitamente, visse a luz? Isso é algo que eu não faria neste ponto porque conheço o suficiente sobre a ciência e sobre a ordem natural das coisas para saber que Deus é uma grande mentira. Por isso eu não adotarei fé alguma mas, supondo que eu fizesse isso... Alguém pode me dizer que minha vida será de alguma forma diferente do que é agora? Não pode, e ponto final. Tudo o que poderia ser é... Ok, pode ser que eu me sinta um pouco melhor, mas eu posso conseguir isso sem fé. O que quero dizer é o seguinte: Na verdade, as pessoas de fé, mesmo aquelas que têm apenas a sua fé pessoal... o que elas tentam fazer às vezes é sugerir que as pessoas sem fé são infelizes consigo mesmas. Quanta bobagem! Chega um período na sua vida no qual você começa a entender as coisas... e eu consegui, apesar de ter demorado um pouco. Acho que todo mundo chega nesse ponto depois que cresce e fica velho. Mas depois que você chega nesse período de entendimento e percebe que pode ser feliz... e quando eu digo isso, não quero dizer de uma maneira hedonista ou fazer isso à custa dos outros. O que quero é viver uma vida que me faça feliz, fazer coisas que me deixem feliz, e só... e ponto final. Quando você chega nesse ponto, você não precisa de fé... não precisa mesmo”.

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Sobre César Enéas Guerreiro

Nascido em 1970, formado em Letras pela USP e tradutor. Começou a gostar de metal em 1983, quando o KISS veio pela primeira vez ao Brasil. Depois vieram Iron, Scorpions, Twisted Sister... Sua paixão é a música extrema, principalmente a do Slayer e do inesquecível Death. Se encheu de orgulho quando ouviu o filho cantarolar "Smoke on the water, fire in the sky...".

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