O jornal americano The Boston Globe conduziu recentemente uma entrevista com o vocalista do MÖTLEY CRÜE, Vince Neil, que estava a caminho de Mansfield, para mais uma parada do festival intinerante encabeçado pela banda, o “Crue Fest”.
O “Crue Fest” está sendo tudo que você esperava? Bandas barulhentas e mulheres loucas?
Vince: "As platéias são demais. Nós estamos estabelecendo recordes de público. As pessoas chegam lá às cinco da tarde e ficam o tempo todo. Estamos nos divertindo muito".
E quem está na platéia:
Vince: "É uma mistura. Mães de família e caras tatuados e os filhos. Há um monte de garotos jovens, é muito legal. Eles chegam a ter 5, 6 anos de idade. Os pais os seguram na seção da frente. E também tem os de 12 anos vestindo camisetas do (disco) 'Shout At The Devil'".
Ouvi dizer que você está alcançando as notas altas. O que você faz pra cuidar da sua voz?
Vince: "Nada".
Fala sério!
Vince: "Absolutamente nada. Eu nem aqueço. Pra mim consiste apenas em cantar o tanto que eu canto. Eu não tiro folga de cantar, e é como malhar. Se você não canta, você enfraquece. Sua voz é um músculo".
Qual é seu ritual pré-palco?
Vince: "Eu vou ao banheiro e grito o mais alto que eu posso. Tira toda a poeira".
Você tem feito isso por quase um quarto de século. Ficou mais difícil ou mais fácil?
Vince: "Eu não vejo mudança alguma. Talvez o dia seguinte ao show durante a primeira semana de uma tour te deixe meio dolorido. Isso vem com a idade. Eu pus um odômetro de pés (e aprendi) que estou correndo 19 quilômetros em cima do palco durante um show de 90 minutos. Então é isso. Eu estou fazendo exercícios aeróbicos".
Então você não freqüenta academias?
Vince: "Geralmente eu apenas fico na cama por mais tempo".
“Saints of Los Angeles” é largamente baseado no livro de memórias da banda, “The Dirt”. Eu não vejo o Crue como uma banda confessional, mas parece que o disco é a história da sua vida.
Vince: "Toda faixa é sobre algo que realmente aconteceu. O livro 'The Dirt' foi e é um dos melhores livros sobre rock’n’roll por aí porque nós fomos brutalmente honestos quanto ao que cada pessoa fez ou não fez. Se você foi um cuzão, você foi descrito como tal, e as canções são baseadas nessas histórias... 'Face Down in the Dirt' é sobre quando estávamos apenas começando. Daí tem 'Down at the Whiskey' sobre o (notório clube noturno de Los Angeles, Whisky A Go-Go) clube na Sunset Strip, e também 'Chicks = Trouble', que claro, é seguida por casamentos e divórcios e nós não nos dando bem, e finalmente 'Goin' Out Swinging'".
Esse é o primeiro disco com a formação original em 10 anos. Todo mundo está se comportando?
Vince: "Ah sim, sempre nos comportamos. Você tem que se lembrar que nós somos uma família, e famílias brigam. Toda banda passa por isso. Só que nós escrevemos sobre as nossas (brigas)".
Qual é o maior problema? Egos? Diferenças criativas?
Vince: "Nesse exato momento o maior problema é que algumas pessoas querem tocar 'Smokin' in the Boys Room' e outras não querem".
Se meu voto vale, eu digo pra tocarem.
Vince: "Fecho com você. Estou no lado a favor".
O MÖTLEY CRÜE tentou terapia alguma vez, como o METALLICA?
Vince: "Fizemos isso em 1990, eu acho. Não funcionou. Você não pode forçar pessoas a fazerem o que não querem, e algumas vezes, isso piora as coisas. Mas estamos juntos. É isso que conta".
Você pensa em se aposentar?
Vince: "Sim, um dia qualquer desses. Estamos comprometidos por mais 10 anos uns com os outros, pelo menos outros três ou quatro discos. Em 2018 a gente vai ver o que faremos em seguida".
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Nacho Belgrande, 33 anos, residente em Marilia - SP, é professor de inglês e francês, apesar de formado em Técnico de Engenharia de Estúdio pelo Recording Workshop de Los Angeles, nos EUA. Suas lembranças musicais mais remotas datam de 1983, com a fervilhante passagem do Kiss pelo Brasil e da alta popularidade do Queen no país. Fã(nático) por Mötley Crüe (de quem tem mais de 100 CDs), segue de perto também o trabalho de Slayer, Krisiun, Guns N´ Roses, Van Halen e Ozzy Osbourne, entre outros.
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