Andre Matos: entrevista com Andre "Zaza" Hernandes

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Andre Matos: entrevista com Andre "Zaza" Hernandes


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Em entrevista publicada no site do Andre Matos Solo FC, Andre Hernandes fala sobre suas influências, momentos mais marcantes do passado, projetos para o futuro, RockGol e muito mais.

Em seu site diz que você teve contato com a música desde cedo, com seu pai, avô e tios, em roda de samba e choro. Com uma família musical, foi muito mais fácil você ter interesse em tocar algum instrumento, a guitarra em si?

Minha família foi muito importante em minha formação musical, pois me deram a possibilidade de iniciar os estudos bem cedo. Por outro lado conheciam a dura realidade que era viver de musica naqueles tempos e um dos meus tios morreu relativamente cedo e muito doente em função dos excessos de uma vida boêmia. Portanto não foi fácil contar que eu também queria seguir a profissão. Imagine então como foi comunicá-los que além de ser músico, eu iria tocar Heavy Metal, isto por volta de 1985, quando aqui no Brasil as pessoas ainda achavam que as bandas deste estilo eram formadas por adoradores do diabo!!!

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Qual a sua formação musical?

Comecei com o violão, fiz um pouco do que na época chamavam de popular e logo em seguida passei para o clássico, fiz por uns dois anos e então passei para a guitarra. Tive aulas com diversos professores da minha região até conhecer Michel Perie, um francês que havia acabado de chegar do GIT Los Angeles, ele foi meu primeiro grande professor. Fiz todo o curso dele e depois fui estudar com o mestre Mozart Mello, onde fiquei por cinco anos. Com tudo que aprendi com Mozart pude continuar meu desenvolvimento sozinho e me dedicar a cursos mais específicos, como os de Arranjo Instrumental, Harmonia, Oficinas de Música, e até um curso de Choro pra tentar limpar a barra com a família!!!!

Como músico, qual sua maior meta? Qual foi o momento profissional que mais te marcou?

Profissionalmente acho que já fiz tudo que um músico pode fazer, ou às vezes precisa fazer para se manter!!! Portanto minha meta hoje é continuar me aperfeiçoando como músico e instrumentista e trabalhar junto com a banda para fazer musicas e shows cada vez melhores.

Quanto ao momento profissional que mais me marcou foi sem dúvida à estréia da banda no Live´n´louder, afinal naquele momento iniciávamos uma nova e importante fase de nossas vidas além de percebermos que a formação tinha também um grande potencial ao vivo.

Vocês fizeram uma mega apresentação no Loud Park, depois fizeram uma série de apresentações acústicas, o que é mais prazeroso, a empolgação e os improvisos de um mega show, ou a técnica e o ambiente mais tranqüilo de um acústico?

Ambas são prazerosas, porém muito diferentes. O trabalho acústico valoriza em muito a composição em si. Foi impressionante perceber como músicas pesadas e rápidas como Rio e Letting Go tiveram suas melodias valorizadas já no momento em que eu e o André apenas começávamos a elaborar os primeiros arranjos para um violão, que foi como tocamos na Europa. Também a responsabilidade de ir para o palco com apenas um violão foi muito grande, o que tornava mais prazerosa a sensação de tarefa cumprida após cada apresentação.

Mas sinceramente, nada se compara a interação que ocorre entre nós da banda somado a troca de energia que ocorre com o publico quando estamos no palco descendo a lenha!!!!

Qual foi a recepção dos europeus quando vocês foram para a Europa fazer apresentações acústicas?

Muito acima de nossas expectativas!!! Fiquei impressionado em ver como eles respeitam e admiram o André e como eles cantaram as músicas do então recém lançado Time To Be Free!! Foi muito cansativo, mas também muito compensador. Pra você ter uma idéia, em sete dias de turnê foram nove vôos, uma viajem de trem, duas de automóvel, uma média de doze entrevistas por dia, alguns programas de rádio... Houve até showcase, entrevistas e autógrafos em duas cidades diferentes da França no mesmo dia!

Foi realmente exaustivo, mas valeu a pena.

O que você acha de rótulos como "metaleiro", "punk", "grunge", "emo", "new metal", você acha que é saudável separar as 'tribos' por estilos musicais, ou o que importa é a música como um todo?

Acho natural que pessoas se agrupem por algum tipo de afinidade, seja a musica, o esporte, o que for. O que algumas precisam aprender é que estas diferenças, ou melhor, nenhum tipo de diferença deve ser motivo para a falta de respeito, preconceito e agressão.

O meio musical está cada vez mais fechado e difícil, você acha que hoje em dia vale mais o estudo e a dedicação ou a persistência?

Alguns gêneros musicais exigem menos conhecimento musical do que outros, o que não tira o mérito, afinal musica boa é musica boa independente de sua complexidade. Uma das bandas que eu mais gosto desde a adolescência é o AC-DC, eles fazem musicas com três ou quatro acordes, e mesmo assim são únicos e geniais.

Claro que isto não pode ser usado como desculpa para não se dedicar ao estudo de um instrumento, é bom lembrar que os caras do AC-DC tocam muito bem aquilo que se propõem a tocar!!! Agora a persistência é com certeza uma das atitudes necessárias para se obter sucesso e/ou reconhecimento em qualquer área.

Toca algum outro instrumento? Se sim, quais?

Nas casas dos meus familiares sempre tinham instrumentos em tudo que era canto e eu “brincava” com eles, mas seria pretensão de minha parte dizer que toco. Há uns dez anos atrás toquei baixo por uns dois anos em uma banda de covers, por uma questão de necessidade!!!

Como você vê o Heavy Metal atual? Além de Metal, que outro estilo musical você costuma ouvir?

Acho que como qualquer outro gênero o Heavy Metal também está passando por uma fase de mudança e adaptação a essa nova cultura imediatista e às vezes superficial gerada pela globalização. Mas o tempo irá separar quem é quem, afinal existem bandas boas e outras nem tanto!!!!

Gosto muito de musica instrumental, desde o erudito ao jazz, e gosto também daquele velho e bom rock´n´roll safado da década de 70 e começo da de 80, tipo AC-DC, Kiss com Ace Frehley, Van Halen com Dave Lee Roth, e outras mais conceituais como Queen, Led Zeppelin, Black Sabbath, Rainbow entre outras.

Você tem projetos de workshops ainda para 2008?

Tenho alguns workshops agendados no sul, mais especificamente em Curitiba e Joinville já para os próximos meses, e outras a confirmar. Alem daquelas que todo ano faço na Expo Music.

Você tem algum outro projeto além da banda Andre Matos?

Tenho meu trabalho instrumental, um power-trio no estilo Fusion, que é a mistura de estilos como Blues, Funk, ritmos brasileiros e principalmente Rock e Jazz. Este é um projeto de satisfação pessoal, onde posso aplicar tudo que estudei e venho estudando e tocar o que der na cabeça, afinal é sem nenhum interesse comercial, apenas pelo prazer de tocar!!!

Você já deu aula para o Hugo, e aparentam ter uma afinidade muito grande musicalmente, como é trabalhar com ele? O que você acha dos músicos que dividem o palco com você?

Antes de qualquer coisa temos uma grande afinidade como amigos, o que é o mais importante, e musicalmente também, afinal temos maneiras diferentes de tocar e nos completamos.

Trabalhar com todos eles é muito divertido, prazeroso e musicalmente falando não poderia ser melhor, porque na minha opinião são os melhores!!

Você tocou com Andre no começo do Angra, fale para nós como foi sua participação. E quando ele te chamou para tocar novamente com ele em seu trabalho solo, qual foi sua reação?

Na época trabalhávamos nos arranjos de boa parte das musicas que entraram para o Angels Cry e já ficou bem claro pra mim que o André era um cara com um talento muito acima da média. Portanto ter sido escolhido por ele tantos anos depois para fazer parte de sua banda foi uma grande honra.

Conte para nós, algum fato bizarro que aconteceu nos palcos, ou nos bastidores.

Como disse anteriormente a promo-tour na Europa foi muita exaustiva e quando chegamos à Itália estávamos há quatro dias apenas dormindo nos trajetos entre um país e outro, entre o aeroporto e o hotel, ou em algum assento enquanto aguardávamos o embarque.

Havia um momento da apresentação onde eu dedilhava um mesmo acorde por vários compassos enquanto o André se comunicava com o publico. Eu já havia cochilado dando aulas, em ensaio e até gravação, mas acredite, neste dia eu cochilei no palco!!! Não sei por quantos compassos, mas por sorte acordei e o André ainda estava falando e eu continuava tocando.

Existe alguma possibilidade de você fazer algum trabalho solo mais pra frente, visto que você é um guitarrista muito virtuoso?

Obrigado pelo elogio!!!

Estou preparando um CD com minhas musicas instrumentais, tenho algumas já gravadas que toco em meus workshops, mas pretendo regrava-las e completar o trabalho com as novas composições e outras que ainda estão em fase de composição. Como já disse trata-se de um projeto independente e sem interesses comerciais, porem existe um publico muito fiel que acompanha este tipo de musica e acabaram surgindo convites até para tocar em alguns paises da Europa, América Latina e no Japão.

Eloy Casagrande é o membro mais novo da banda, isso de alguma forma, gera um certo pique para vocês já com uma idade um pouco superior?

Acho que o nosso pique vem mesmo da vontade de fazer shows cada vez melhores. Acho que mais do que qualquer outra coisa o Eloy acrescentou talento à banda.

Cite alguns guitarristas que você pode dizer que foram influentes para você. Quais são suas bandas preferidas?

Para falar de influencias seria necessário separar em períodos da minha formação musical, então para não me estender demais vou me concentrar naqueles que foram importantes dentro do Heavy Metal.

Dentre muitos vou destacar Randy Rhoads, Brian May e Edward Van Halen. Mesmo sabendo que os dois últimos não sejam tão Heavy Metal seria injusto não citá-los, porque estes três, dentre outros, foram à escola de grande parte dos que vieram em seguida, e para mim até hoje são os caras onde me inspiro quando estou criando algo na guitarra.

Quanto às bandas vou me concentrar naquelas de Rock/Metal, as principais são Black Sabbath, Dio, Ozzy, Queen, Beatles, Led Zeppelin, Deep Purple, Rainbow, AC-DC, Van Halen (com Dave Lee Roth!!!), Iron Maiden, Judas Priest, Metallica, Pantera, Machine Head, Megadeth, Radiohead, Queensryche, ufa!!! Dentre outras!!!

Nos fale um pouco mais sobre sua participação no álbum ‘Time To Be Free’ e o processo de composição do álbum. Como você descreveria esse novo trabalho em sua carreira?

Quando entrei na banda boa parte das musicas já estavam compostas e algumas outras já bem encaminhadas, porem todas elas faltando definir os arranjos. Como eles compõem musicas com muita facilidade achei que eu seria mais útil trabalhando nos arranjos de guitarra junto com o Hugo, e foi isso que fizemos. Portanto participei da composição apenas da ultima musica feita para o disco, How Long, que surgiu quase como uma brincadeira durante uma jam junto com o Roy.

Quanto a esta nova fase sempre respondo o seguinte: a Vida tem sido muito generosa comigo, porque lá atrás quando escolhi ser musico e vivenciar o maximo possível de experiências dentro da profissão tive que escolher entre fazer parte de uma única banda ou ser um musico profissional literalmente, ou seja, estudar e me preparar para encarar qualquer situação musical. Foi muito gratificante e importante para a minha formação, com certeza terei muitas historias para contar para os meus netos, mas é claro que como em toda escolha eu ganhei por um lado e perdi por outro deixando de viver a experiência de fazer parte de uma banda com amigos, se dedicar, encarar desafios, às vezes dificuldades e principalmente se divertir, e estou tendo esta oportunidade agora!!! Enfim, não poderia ser melhor!!!!

Você foi goleiro do campeonato do Rock Gol da MTV esse ano, é a primeira vez que você participa? Como foi?

Sim, foi a primeira vez. Decididamente esporte não é comigo, não tenho a menor aptidão para o futebol, e nem sou muito ligado. Porem cai de gaiato uma vez que o André não estava bem para jogar, e o mais irônico é que fomos à defesa menos vazada do torneio. Assisti a transmissão e realmente pela TV parece uma brincadeira, mas posso te garantir que não é bem assim, todos querem ganhar e a parada é meio tensa!!!! Claro que depois todos se encontram no vestiário e a rivalidade fica apenas dentro do campo.

Quais são os equipamentos que você usa? Você continua dando aulas de guitarra atualmente?

Uso as guitarras Castelli há mais de dez anos, elas são feitas à mão por um luthier que sabe exatamente cada detalhe que espero encontrar em uma guitarra, realmente são as melhores e mais completas que eu já toquei. Quanto aos amplificadores uso os Rotstage CJ-100, também feitos a mão por dois engenheiros que conseguem construir um aparelho com as especificações que o musico quer. Os pedais e cordas são da Nig, que me patrocina há alguns anos, e também a Digitech me fornece pedais de efeito.

Continuo dando aulas, esta é uma atividade que exerço há 20 anos e que gosto muito, portanto sempre que sobra um horário encaixo alguma aula

Qual a origem do apelido ‘Zaza’?

Não me lembro exatamente, mas partiu de um grande amigo que tocou comigo por muitos anos e tinha o habito de colocar apelidos em todos, inclusive nele mesmo!!! A maioria dos meus amigos me chama assim, então quando entrei para a banda adotamos também como nome artístico para diferenciar do André Matos, e acabou pegando muito bem no exterior pela facilidade de pronunciar

Deixe uma mensagem para os jovens que estão entrando agora no meio musical, principalmente para os guitarristas. E também uma mensagem aos fãs.

Acho que em primeiro lugar você deve tocar porque gosta, ou melhor, porque ama fazer isto!!!! E se você quer ser rico, é melhor ter outra profissão e levar musica como hobby, porque você pode ganhar muito dinheiro com musica, mas esta é a realidade de poucos. Eu já estive em muitos lugares e toquei com os mais diversos músicos e posso te garantir, a maioria trabalha muito, todos os dias da semana, sem horários certos, sem garantias e muito menos benefícios. Muitas vezes deixam suas famílias sozinhas e vão trabalhar enquanto outras comemoram, estou falando de datas como Natal, Revellion, etc...E tudo isto apenas para proporcionar o básico que sua família necessita para viver com um mínimo de conforto.

Portanto se você quer ser um guitarrista trate de se dedicar muito, mas muito mesmo, para ser um dos melhores, pois só há espaço para eles. Vale a pena!!!!

Para os fãs só posso dizer uma coisa: um Obrigado mais que especial por estarem com a gente dividindo os momentos bons, nos apoiando nos momentos difíceis que sempre acreditaram que valeria a pena esperar.

A banda vive hoje um momento especial de amizade e satisfação em tocar que está refletindo diretamente em nossos shows, e Vocês são os alicerces desta obra.

Valeu!!!!

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Sobre Raoní Teixeira

Estudante de Publicidade & Propaganda, fã da boa música e apoiador direto do metal nacional. Residente em Pouso Alegre, Minas Gerais, vocalista da banda sul-mineira de power metal Soulfire. Grande fã de Andre Matos, Hangar, Hibria, Viper, Sepultura, Soulfly, Made in Brazil, Rita Lee, Nando Reis, Raimundos, e várias vertentes do rock/metal brasileiro. Também grande fã de Phil Collins, Metallica, Red Hot Chilli Peppers, Skid Row, HIM, Edguy, Rhapsody, The Beatles, Pink Floyd, Queen... Tem como ídolos, seu pai, Freddie Mercury e Andre Matos. Presidente do fã clube do Andre Matos e banda: www.andrematossolo.com.br.

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