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Dave Mustaine: detratores são cruéis, mas não burros

Traduzido por Maria Fernanda Cals
Em 29/04/08 | Fonte: Blabbermouth
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Jeff Kerby, do site KNAC.COM, conduziu em maio de 2008 uma entrevista com o frontman do MEGADETH, Dave Mustaine, onde um dos tópicos foi sua relação com os ex-colegas de banda no METALLICA.

Knac.com: Há uma declaração sobre a qual eu gostaria de ouvir um esclarecimento. Diz respeito a um comentário feito no documentário "Some Kind Of Monster", do METALLICA - quando você afirma que às vezes não enxergava suas próprias realizações de forma tão maravilhosa quanto outras pessoas.

Mustaine: "É porque foi editado, e você não entendeu o contexto".

Knac.com: É importante saber disso, porque a edição final do filme faz parecer que você não está satisfeito com a sua carreira simplesmente porque não a acha comparável com aquela feita pelo METALLICA.

Mustaine: "É claro, e se você conhece a mim ou a minha carreira suficientemente bem até agora como artista - eu sei como as coisas são. A forma com que as frases foram colocadas... até quando eu estava bêbado, ainda era coerente (risos)".

Knac.com: É importante que você explique, no entanto. Quer dizer, porque o filme de fato mostrou você como se julgasse sua carreira inferior à do METALLICA basicamente devido à popularidade e às expressivas vendas de discos deles.

Mustaine: "Você tem que pensar assim: de quem era o filme? Deles. Lars (Ulrich, baterista do METALLICA) e eu fomos amigos em uma época, porém... não é mais o caso. Acredito ser apropriado chamarmos um ao outro de 'conhecidos'. 'Some Kind of Monster' mostrou uma visão muito negativa e feia do lado particular de algumas pessoas que eram heróis para muitos. É por isso que alguns dizem, 'Não conheça seus heróis - você pode se decepcionar'. Quando aquela parte foi filmada (Mustaine reencontrando Ulrich), era 13 de setembro de 2001. Dois dias depois que os EUA haviam sido atacados. Também era o dia em que eu comemorava meu 40º aniversário. Um dia em que eu devia ter voltado para casa e jantar com minha família, fazer amor com minha mulher, comprar uma nova Mercedes de presente para mim mesmo. Você acha que eu queria passá-lo com Lars? Que tipo de piada cruel é essa? Enquanto filmávamos, Lars disse, 'se você não gostar, não precisa aprovar'. Eu achei ótimo. Quando recebi a cópia, no entanto, eu falei para Lars que não aprovava, e ele ignorou e lançou o filme assim mesmo. Eu disse, 'falei que não aprovava a edição final'".

"Foi então que Lars resolveu usar o Blabbermouth como fórum para me difamar (provavelmente Mustaine faz referência a um artigo de 2006 publicado no site em que Ulrich afirmava achar as críticas de Mustaine 'tristes e patéticas' - nota do editor), e não funcionou. É claro que há muitas pessoas no Blabbermouth que não gostam de mim, mas há um número igual de pessoas que não gostam dele. Se fossem escolher entre duas pessoas - fãs de Heavy Metal e fãs do Blabbermouth podem ser maldosas, porém certamente não são burras... Acho que a maioria das pessoas que acompanhou o que estava acontecendo acreditou que eu estava bem, apesar de alguns ataques loucos e sem sentido. Simplesmente mostra a forma com que as coisas estavam acontecendo".

"Não há muitas pessoas que conseguiriam agüentar o abuso psicológico que rolava. Quer dizer... eu gosto de James (Hetfield, frontman do METALLICA). Gosto dele mais do que de Lars, e acredito que o mundo inteiro pense da mesma forma. Mas simplesmente resumir o que eu fiz e o que eles fizeram - não importa o que eu faça, posso estar me divertindo, sempre haverá perguntas sobre essa época. Merdas acontecem. É como se você visse uma ex-namorada quando estivesse se divertindo, e é como se sentisse a correia saindo de sua bicicleta; dá pra sentir que você está girando pouco os pneus. Esse comentário foi sobre Lars e como foi difícil suportar as merdas que eles falavam a meu respeito sem que nunca tivessem me oferecido qualquer ajuda em relação ao meu alcoolismo. Se isso fosse mesmo um problema... éramos todos alcóolatras... era esse o contexto. Fora do contexto, contudo, parece que eu sou ingrato e que nada do que eu faço é bom o suficiente. Sabe, eu tive êxito. Tenho dois filhos que amo, viajei pelo mundo inteiro, e não posso reclamar de nada".

A matéria completa (em inglês) pode ser lida no knac.com

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Sobre Maria Fernanda Cals

Carioca, nascida em 1984 sob o signo de escorpião, é musicista. Além disso, trabalha também com jornalismo, publicidade, webwriting e webdesign/programação. É visitante assídua de portais dedicados ao rock e heavy metal e fã das bandas Opeth, Behemoth, Katatonia, Dark Funeral, Belphegor, dentre outras.

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