Em 18/04/2008 | Glenn Hughes: "Seventh Star foi um filme sangrento"

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Glenn Hughes: "Seventh Star foi um filme sangrento"

Traduzido por Adriano Luiz da Fonseca | Fonte: Brave Words

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O lendário vocalista / baixista GLENN HUGHES (EX- TRAPEZE, ex-DEEP PURPLE, BLACK SABBATH) bateu um papo com Shawn Perry da Vintagerock.com; na conversa, falou sobre seu novo disco, sua relação com Tony Iommi e o início de sua estada no Purple.

Vintagerock.com: Vamos falar sobre o novo álbum, “First Underground Nuclear Kitchen”.

Hughes: "É claro, o título é esse aí. Você até já sabe quando os artistas dizem 'oh, esta é a melhor coisa que eu já fiz'. É a coisa mais comum que eles dizem. É isso aí – este é o caminho a seguir. Eu venho fazendo música há muito tempo e eu sabia que após os últimos álbuns, eu teria que vir com algo muito especial".

“Eu levei muito mais tempo escrevendo, arranjando e produzindo – tem muito mais de GLENN HUGHES neste álbum do que em todos os outros. Eu o escrevi em casa e no estúdio. É um álbum todo 'Glenn Hughes'; é um trabalho completo de tapeçaria mostrando onde estou, onde estive e para onde vou”.

Vintagerock.com: Como você descreveria algumas canções deste álbum?

Hughes: "Bem, o título… a gravação, na verdade, é muito simplista. Antes do DEEP PURPLE, eu estava no TRAPEZE, que era um trio rústico do norte da Inglaterra. Pois as minhas raízes… bem, eu sou britânico. Então nós tínhamos aquela ambiente industrial de Birmingham, você sabe, de onde vieram o SABBATH e o ZEPPELIN. O TRAPEZE era uma banda de hard rock, mas nós ouviamos muito música negra americana — STEVIE WONDER, SLY & THE FAMILY STONE e este tipo de coisa. Daí, quando você cruza Hard Rock britânico com Tamla-Motown você tem o TRAPEZE, que é basicamente o que eles dizem, 'Glenn Hughes é rock, soul e funk.' Eu gosto de pensar nisto como uma grande goma de mascar. Misturando os ingredientes faz-se o sabor da minha música".

Vintagerock.com: Falando do DEEP PURPLE, vamos voltar no tempo quando você se juntou à banda. Qual foi a sua primeira reação inicial quando você recebeu o convite?

Hughes: “De primeira, eu disse não. Bem... eu na verdade não disse 'não'. Eu os questionei por que eles queriam que eu cantasse. Eles queriam um vocalista. E eu os questionei sobre isto. E quando eles me disseram que queriam Paul Rodgers, eu disse, 'OK aí é diferente. Paul Rodgers é um de meus favoritos'. Então eu pensei, nós pegamos Paul Rodgers e eu tenho a chance de cantar e aprender com ele, pois ele é muito talentoso. Então a idéia era que eu cantaria com Paul Rodgers, mas eles nunca o chamaram pois ele já tinha formado o BAD COMPANY. Por isso, lá estávamos nós, eu estava na banda, estávamos procurando um cara como ele (Rodgers) e encontramos David Coverdale".

“Na verdade Dave nunca tinha gravado nada com ninguém. Eu não estava tão entusiasmado fazendo somente 'backing vocals' – eu sou um vocalista; na época, era minha idéia ter, tipo, dois vocalistas, algo que foi bem sucedido com David Coverdale e Glenn Hughes. Dave e eu dividimos bem os vocais nos álbuns que fizemos”.

Vintagerock.com: Para mim, uma das suas melhores performances vocais foi no "Seventh Star". Você via alguma restrição em aparecer neste álbum sob o nome BLACK SABBATH?

Hughes: "Sim, eu via. Quando Tony (Iommi) me convidou, sua idéia era ter três vocalistas. Um seria Rob Halford, o outro… eu não sei, algum cantor de rock... e eu. Eu seria o primeiro a cantar. Eu acho que na primeira noite eu escrevi com o pessoal 'No Stranger To Love' e 'Heart Like A Wheel'. E foi tipo, 'Bem, Glenn compôs duas canções esta noite, então vamos continuar.' Daí eu continuei a escrever e terminei o álbum com Tony. Nós fomos tão bem como dupla, que ninguém mais foi convidado para cantar".

"Você sabe que tem gente que fala da minha voz e de quão boa ela era naquela época. As performances eram OK, mas lembre-se que você está lidando com abuso de drogas e álcool. Eu amo Tony como um irmão, e era difícil quando a gente estava meio doido – os produtores, Tony e eu, estávamos ficando muito altos — e ninguém podia olhar um nos olhos do outro. É difícil gravar sob estas influências. É difícil lidar com o ego e comportamentos inapropriados e chiliques. É como um filme. E 'Seventh Star' foi um filme sangrento. Tony estava noivo de LITA FORD, e eles brigavam o tempo todo. Se Lita viesse ao meu quarto, Tony viria também (risos). Eles são bons amigos agora, mas foi muito difícil. Eu estava completamente fora de mim. Eu tinha largado da minha esposa. Conheci uma garota em Atlanta que era muito doida. Foi uma época muito louca".

Vintagerock.com: Bem, vocês viveram para contar isto, pois estiveram no estúdio diversas vezes após 'Seventh Star'. Como você descreveria sua relação de trabalho com Tony Iommi?

Hughes: "Eu sou compositor muito feroz no meu dia a dia. Quando estou com ele… digamos, vamos nos encontrar em uma segunda-feira e trabalhar, certo? Nos sentamos frente a frente, e então na segunda à noite eu vou para casa. Na manhã seguinte, eu volto e ele tem cinco riffs para mim que compôs à noite, depois que eu tinha ido para casa. Cinco diferentes riffs ganchudos para escolher e escrever uma melodia ou um bridge ou um refrão. Este é o forte de Tony – 'o riff'. E eu viria com um coro ou a melodia, e ele faria o resto em um dia. Eu e ele podemos escrever uma grande quantidade de material. Se você fizer esta pergunta a ele, ele provavelmente responderia a mesma coisa. Eu posso manter o mesmo ritmo que ele. Ele tem muita desenvoltura para escrever grandes riffs, como você sabe, e eu consigo – desde que eu esteja sóbrio — fazer minha parte. Quero dizer, eu simplesmente amo concluir. Eu amo a palavra 'concluir' — eu amo concluir as coisas. E nós concluímos um belo álbum chamado 'Fused'".

Leia a matéria completa (em inglês) no vintagerock.com.

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Sobre Adriano Luiz da Fonseca

Começou ouvindo rock ainda garoto no fim dos anos 70, do lado de fora do quarto do irmão mais velho que não o deixava entrar – coisas de irmão de pirralho. Depois comprando discos do Queen e Iron Maiden, foi ao Rock in Rio para ver os ídolos de perto e não parou mais. Curte do Blues ao Jazz, do Country ao Funk - o verdadeiro, do Rock ao Metal. Não sabe tocar instrumento algum, mas tem uma guitarra velha chamada Sarah Lee – cortesia do Foghat. Aprecia um vinil bem chiado.

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