O site Deadtide.com, recentemente entrevistou o frontman do NAPALM DEATH, Mark “Barney” Greenway. Alguns trechos desse papo.
Deadtide.com: Nos últimos meses houve muitas reuniões de bandas como CARCASS, AT THE GATES e, menos recentemente, IMMORTAL. Como é estar em uma banda que nunca se separou?
Barney: “As bandas vão, voltam e você sempre acaba percebendo aquele ‘fator de armação’, porque obviamente eles não estavam na ativa, então as pessoas ficam ansiosas. Mas há bandas com ‘pedigree’. O que aconteceu com o AT THE GATES é que de alguma forma os fãs se interessaram. Não sei bem como isso aconteceu, mas aconteceu”.
Deadtide.com: Essa mania aumentou por aqui (EUA).
Barney: “Isso mesmo! Interessante: no tempo em que o NAPALM DEATH saiu em turnê com o AT THE GATES em 1992, ninguém falava sobre o AT THE GATES. Todo mundo dizia ‘Ah é só mais uma banda’, mesmo que, você sabe, ‘Slaughter of the Soul’ tenha sido um grande álbum. Mas ninguém reconheceu isso”.
Deadtide.com: Vocês já estão trabalhando em um novo CD ou outro projeto?
Barney: “Isso na verdade é bem engraçado. Nós rimos muito sobre esse assunto nos últimos dias, porque mencionamos pra alguém que já tínhamos os esboços de alguns riffs e coisas do tipo. A coisa foi se espalhando de boca-a-boca e, quando percebemos, a gravadora já estava falando em convidar revistas para playbacks. Mas dissemos: ‘Espera um pouco. Não temos nem a metade de uma música ainda’. Mas tudo bem, isso mostra que a Century Media está realmente interessada, como sempre estiveram desde que começamos a trabalhar com eles”.
Deadtide.com: O que você acha que mudou na política nesse ano e meio desde que "Smear Campaign" foi lançado?
Barney: “Provavelmente pouca coisa, na verdade. Em relação às coisas importantes que são necessárias para trazer transformações para as pessoas menos favorecidas, você sabe, nada aconteceu ainda. É preciso que alguma coisa radical ajude as pessoas – elas são vítimas de... se você quiser usar os EUA como exemplo, a falta de um sistema de saúde. Agora todo mundo está falando sobre isso... mas são coisas que tenho discutido já faz anos”.
Deadtide.com: É preciso alguém como Michael Moore e a industria cinematográfica para conseguir isso, eu acho.
Barney: “As pessoas falam mal do Michael Moore, mas se não fosse pelo Michael Moore não haveria nem metade da consciência que há hoje, então não tenho nada ruim pra falar desse cara. E também o Ralph Nader [político e ativista norte-americano], são pessoas que têm muita integridade e, infelizmente, são muitas vezes desprezadas. Acho isso muito triste. Mas, falando no contexto dos EUA, ninguém sabe o que vai acontecer, mas com certeza vai afetar o resto do mundo. Há muitas coisas que não gosto na Inglaterra, por exemplo, o modo de agir do governo, o conhecido partido socialista. E também há cada vez mais vigilância, o tempo todo. Estão falando sobre uma base de dados nacional de DNA. Não quero que roubem meu DNA. Esse é meu direito como ser humano – eu deveria poder dizer ‘Não, não, você não pode roubar o meu DNA’. É disso que sou feito. Você já tira muitas coisas de mim, mas não pode tirar aquilo que faz de mim um ser humano’”.
Deadtide.com: Estarei correto em dizer que você é fã de Richard Dawkins [biólogo evolucionista inglês, forte crítico do criacionismo]?
Barney: “Sim, eu gosto do Richard! Infelizmente, há muitos problemas em ser Richard Dawkins. Ele praticamente se tornou a celebridade do movimento e essa não foi realmente a sua intenção alguns anos atrás, mesmo ele já sendo um grande autor. Ele chegou ao ‘mainstream’ há uns dois anos, então ele já se tornou uma celebridade. De certa maneira, se você pensar sobre isso, se você analisar do ponto de vista do pensamento livre como isso funciona, temos um ícone e um movimento por trás, então temos uma contradição. Portanto isso pode ser interpretado como algo ruim mas, ao mesmo tempo, quando Richard Dawkins fala, e concorda com Michael Moore, ele acaba fazendo com que suas idéias cheguem a um público que de outra forma não seria atingido. Ateístas, secularistas e humanistas sempre passaram por dificuldades, principalmente aqui. Eles têm muita dificuldade para se manifestar mas, quando Richard Dawkins, ou outra pessoa com as mesmas idéias fala, a mensagem é ouvida. Esse é o lado positivo”.
Leia a entrevista completa (em inglês) no deadtide.com.
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Nascido em 1970, formado em Letras pela USP e tradutor. Começou a gostar de metal em 1983, quando o KISS veio pela primeira vez ao Brasil. Depois vieram Iron, Scorpions, Twisted Sister... Sua paixão é a música extrema, principalmente a do Slayer e do inesquecível Death. Se encheu de orgulho quando ouviu o filho cantarolar "Smoke on the water, fire in the sky...".
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