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Lamb Of God: tentando não parecer uma banda política

Traduzido por Silvio Somer | Fonte: Blabbermouth |

Mark Hensch, do Trashpit.com, conduziu uma entrevista com Randy Blythe, vocalista do LAMB OF GOD, que explicou a visão política dos álbuns do grupo.

Thrashpit: Recentemente vocês lançaram "Sacrament: Deluxe Edition". O que fez vocês decidirem deixar seus fãs brincarem com as faixas de áudio de "Sacrament" da forma que eles quisessem?

Randy Blythe: "Nosso baterista, Chris Adler, apareceu com a idéia um dia. Até onde sabemos ninguém fez isso antes. Ele sentiu que esse seria um jeito legal de dar algo aos fãs. E também ultimamente uma boa parte das vendas na indústria da música têm diminuído. Com os downloads e a preguiça das gravadoras às vezes você tem que fazer algo especial para incentivar a garotada a comprar um álbum em vez de baixá-lo da Internet. Ele veio com essa idéia e eu achei genial. Do jeito que a tecnologia faz parte das coisas hoje em dia as pessoas torcerão e moldarão as coisas do jeito que querem de qualquer forma. Existem tantos programas de edição para computadores, nós pensamos 'dane-se, dê isso pra eles e deixe-os tê-lo!' Nós achamos que é uma idéia ótima".

Thrashpit: Ainda não tendo ouvido a versão do álbum produzida pelos fãs, que tipo de surpresas nós podemos esperar com as músicas que já enviaram?

Randy: "Na verdade eu também ainda não o ouvi, já que estamos em plena turnê. O nosso cara do som, Dougie, ficou encarregado do processo e disse que temos um extenso catálogo de músicas agora. Ele me falou de uma faixa onde a pessoa colocou uns efeitos no meu vocal e me fez cantar como se eu estivesse respirando hélio. Suportamente eu pareço com Alvin and The Chipmunks! Honestamente é ridículo pra caramba! Até onde eu sei tem um remix eletrônico lá! Pessoalmente posso não gostar desse tipo de música mas acho que seria meio que engraçado. Façam o que quiserem, nós achamos divertido e engraçado".

Thrashpit: Falando no "Sacrament", eu gostaria de fazer uma pergunta ou duas a respeito disso. Parece que as letras nesse álbum são mais pessoalmente confrontadoras do que nos álbuns anteriores. Em que você estava pensando quando escreveu as letras?

Randy: "Nós escrevemos dois álbuns bastante políticos ("As The Palaces Burn" e "Ashes Of The Wake"). Na época do 'Palaces' estávamos tendo problemas com o Oriente Médio e com a administração Bush, é claro. Agora eu e Mark pensamos 'bem, talvez possamos deixar a política um pouco de lado nesse disco'. Tenho graduação em ciência política e gosto muito de Punk Rock, duas coisas que geralmente andam de mãos dadas, e assim ficamos preocupados depois de 'Palace' de ficarmos marcados como uma banda política. Havíamos decidido não escrever sobre o tema, mas o clima da época ainda estava nos incomodando o bastante e acabamos novamente falando sobre política. Nós geralmente escrevemos sobre assuntos que nos deixam irados, tristes ou deprimidos. E mais uma vez, quando 'Sacramente' saiu, queríamos nos distanciar um pouco da política. Não somos um partido político e conscientemente queríamos tentar algo um pouco mais pessoal e um pouco mais acessível. Queríamos que nossos fãs fossem capazes de pegar uma música e dar seu próprio sentido, talvez colocando sua próprias experiências pessoais nelas. É assim que nossa música anda - não queremos ficar reescrevendo o mesmo álbum várias vezes".

"As coisas estão muito piores do que quando 'Ashes' foi lançado! Simplesmente existe apatia. Não digo que jamais escreveremos outra música sobre política; só que depois de dois álbuns cheios de 'foda-se' à administração Bush e interesses comeciais das grandes corporações norteando nosso governo nós sentimos que seria um pouco chato agora. Infelizmente, é assim que tem sido desde o início dos tempos. Quem tem dinheiro controla tudo. Isso parece ficar cada vez pior. Dei a volta ao mundo três vezes no último ano e meio e vi que existem pessoas em outros países que estão muito mais cientes do que tem acontecido por aqui do que os americanos. Os americanos têm TV a cabo e seu conforto. Eles nunca se incomodaram em fazer alguma coisa diferente. Apenas 20% dos americanos têm passaporte! É preciso sair e abrir a mente! Mas eu amo meu país. Só acho que está ficando chato com a nossa música. Dissemos o que tínhamos pra dizer e decidimos olhar um pouco pra nós mesmos em 'Sacrament'. Talvez o próximo disco seja uma mistura de ambos".

A matéria completa (em inglês) está neste link.

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Sobre Silvio Somer

Inicialmente meu gosto musical foi marcado por bandas como Black Sabbath, Iron Maiden e Deep Purple, mas o que revolucionou minha forma de perceber a música foi a primeira vez em que ouvi o álbum "2112" do Rush, embora eu já conhecesse algumas músicas da banda, foram os acordes de "Overture" que colocaram tudo em uma nova perspectiva. Foi assim que aos 14 anos de idade coloquei o mundo que me cercava em cheque. Meu gosto por literatura, então, encontrou sua contra-parte de forma bastante harmônica e ambos são essenciais em minha vida. Atualmente moro em Florianópolis e estudo piano e faço o curso de letras. "We've taken care of everything / The words you hear the songs you sing".

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