Em 01/12/2007 | Helloween: "‘The Dark Ride' nos abriu muitas portas"

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Helloween: "‘The Dark Ride' nos abriu muitas portas"

Traduzido por Thiago Coutinho | Fonte: Rockpages.gr

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O vocalista do HELLOWEEN, Andi Deris, concedeu uma entrevista a Harris Bakopoulos, Lila Hondrou, do site Rockpage.gr, em que falou a respeito do novo álbum do grupo, “Gambling With The Devil”, processo de composição, e até uma alfinetada em Max Cavalera. Confira o bate-papo na íntegra logo a seguir:

(Nota do editor: um pequeno trecho desta entrevista já foi publicado anteriormente)

Rockpages — “Gambling With The Devil”, obviamente, não é um álbum conceitual. Os temas das músicas são tão distintos uns dos outros que dá a impressão que o álbum tem como principal característica a variedade de estilos. Por exemplo, há faixas que vão na sonoridade do “The Dark Ride”, outras que poderiam estar em “The Legacy”. O que você pensa acerca disso?

Andi Deris — Mais ou menos, este não é um álbum conceitual. Tentamos colocar em cada uma das faixas o tema ‘Jogando com o Demônio’ [N. do T.: tradução literal para ‘Gambling With The Devil’], mas ‘Jogar com o Demônio’ é perder. Temos toneladas de ‘jogatinas’, por exemplo quando você diz que ama a sua garota mas, mesmo assim, sai com outras — você está jogando com o demônio. Ou mesmo toda essa merda de política. Há tantos meios de se jogar com o demônio em sua vida que é fácil compor um álbum sobre isso. Mas você está certo em tudo que mencionou.

Rockpages — Desde a primeira vez que ouvimos “Gambling With The Devil”, ficamos maravilhados com a faixa “Heaven Tells No Lies”. Pessoalmente, acredito que essa foi uma das melhores faixas já compostas pelo HELLOWEEN, uma faixa que remete muito à era dos “Keepers...”, incluindo o “The Legacy”. Este clássico saiu naturalmente ou houve alguma motivação especial para compor uma faixa tão legal após todos esses anos? E, em geral, qual foi a inspiração para o álbum todo?

Deris — Foi a energia que infectou nossas mentes durante a última turnê. Tantas pessoas gostaram de ‘The Legacy’, percebíamos isso no palco e também com as pessoas que conversávamos, que diziam o quanto tinham gostado do disco. E isso trouxe muita energia à banda. Então, todos pegaram essa nova confiança e esse sentimento de quebrar tudo. Lembro-me que em diversas ocasiões, ainda no ônibus da turnê ou mesmo no hotel, quando Markus ou Sascha ou mesmo eu fazíamos assim: ‘venha cá e ouça essa idéia nova minha’. Gravávamos todas as nossas idéias nesses programas novos, mesmo durante a turnê. Algo que nunca havia acontecido antes. Talvez seja essa a razão pela qual fomos capazes de entrar em estúdio tão rapidamente. E não rolou nada como se quando voltássemos da turnê teríamos um descanso profundo como se sequer conseguíssemos nos mexer... não, todos foram para o estúdio e começaram a gravar novamente.

Rockpages — Você quer dizer que muitas das idéias de “Gambling With The Devil” surgiram durante a turnê de “The Legacy”?

Deris — Muitas idéias, não faixas completas, mas muitas idéias. E em termos líricos, por exemplo, pensei que ‘As long as I fall, I don’t hit the ground as long as I fall I’m safe and sound’. Adorei essa sentença! E já tinha essa melodia na cabeça há uns sete ou oito meses, quando voltei para casa. Então, compus essa música a partir disso. Depois que a compus tive o mesmo sentimento da primeira vez que a criei... foi algo como ‘que legal, vou fazer algo com isso’. Lembro-me que certo dia liguei para o Markus e disse: ‘ei, o que você está fazendo?’ — e ele disse: ‘bem, estou no estúdio’. E eu respondi: ‘quer saber, também estou no estúdio’ [risos]. Dois meses depois da turnê todos já tinham um CD para que pudéssemos ouvir as idéias de cada um. Muitos já tinham músicas quase completas. E isso dois meses depois da turnê!

Rockpages — Como vocês chegaram à escolha de que “As Long As I Fall” seria o primeiro single, pois há faixas muito melhores no álbum, em nossa opinião.

Deris — É sempre algo que a gravadora fica se perguntando: ‘que faixa vocês acham que podem trazer para entrar na lista TOP 40 das rádios?’ E neste álbum há apenas umas duas ou três músicas que eu acredito que poderiam ser nosso primeiro single. Podia ser ‘As Long As I Fall’, ‘Final Fortune’ ou talvez ‘I.M.E’. Então, essa escolha fica por conta da gravadora. Um single sempre é algo que eles têm que promover da melhor maneira possível. Se você pega uma faixa como ‘Kill It’ ou ‘Paint A New World’, por exemplo, são músicas que rádio alguma no mundo tocará.

Rockpages — Por que não “Fallen To Pieces”?

Deris — Ela é muito longa e complicada. Acho que nenhum DJ entenderia essa música, você tem que estar no mundo mais rock para entender essa música. Depois do segundo refrão, há muitos altos e baixos, e depois ela fica bem speed metal. No geral, ela é bem difícil. A menos que nos a rearranjemos para o formato de um single, tirando todas aquelas partes mais metal e deixando-a mais como uma balada. Então, talvez funcionasse como um single, mas do jeito que está, um DJ não a tocaria em qualquer rádio que fosse.

Rockpages — A relação da banda com Kai Hansen parece ser muito sadia atualmente. O HELLOWEEN tem uma grande e forte formação, o que deixa claro que uma reunião não é necessária. Por outro lado, o fato de o HELLOWEEN e o GAMMA RAY estarem juntos em turnê faz com que as pessoas ponderem se o próximo passo não seria Kai retornar ao grupo como um sexto membro, como o IRON MAIDEN fez, por exemplo. Isso já chegou a passar pela cabeça de vocês?

Deris — Antes de mais nada, nossa relação com Kai sempre foi muito boa. Apenas agora temos a chance de mostrar isso ao público. Nossas salas de ensaio, que ficam em Hamburgo, são cerca de 15 metros de distância uma da outra. Já tiramos fotos delas e os fãs continuam a não acreditar. Agora, quanto à volta de Kai, sempre há especulações. Pessoalmente, diria que isso não acontecerá porque o Kai deixou a banda por conta do estresse excessivo. E já posso imaginar que Kai estará completamente fodido e estressado depois dessa turnê, porque ele está tocando em praticamente todos os shows do HELLOWEEN nessa turnê mundial. Já posso imaginá-lo completamente destruído depois dessa turnê. É demais para ele, eu sei que ele não gosta de sair em turnê. Uma das razões para que ele deixasse o HELLOWEEN foi esse estresse excessivo. Então, não consigo vê-lo voltando à banda atualmente, em que há ainda mais estresse do que na década de 80. Hoje em dia, a turnê mundial é ainda maior. Talvez como um músico convidado e tal, mas não como um membro fixo de uma banda que viaja o mundo. Eu o conheço um pouco...

Rockpages — Kai junta-se ao HELLOWEEN nessa turnê, algo que para alguns fãs é como um sonho se tornando realidade. Você poderia nos dizer quantas músicas tocarão juntos no palco?

Deris — Acho que será diferente de um lugar para o outro, será entre duas e quatro músicas diferentes. E talvez alguns de nós diremos um ‘olá’ durante o show do GAMMA RAY e eles dirão um ‘olá’ durante o show do HELLOWEEN. Por exemplo, haverá lugares pequenos com capacidade para duas mil pessoas, o que significa que será um show curto. Então, de repente podemos entrar no palco do GAMMA RAY, o que pode chegar a umas oito ou nove pessoas no palco, o que será bem perigoso. Queremos oferecer dois grandes shows. Isso será algo que discutiremos com cada promotor de shows.

Rockpages — Como você vê a evolução do Heavy Metal? Você acredita que o músicos de Metal deveriam tentar incluir novos sons nunca tentados outrora ou as coisas deveriam continuar como são?

Deris — Até onde me lembro, o que começou como Hard Rock foi ficando mais e mais pesado, e devagar tornou-se o Heavy Metal que conhecemos atualmente. Foi a única música que, na verdade, evoluiu, que combinou diversos estilos diferentes, o que é sempre bom para deixá-lo novo e cheio de surpresas. Então, olhando para as raízes do Metal, você tem que experimentar, especialmente se isso deixar o som mais pesado. Se você tem uma idái que deixará o som ainda mais brutal, mas em uma mesma direção que você gosta ou gostaria de apresentar a seus fãs, o Metal e o Rock são os estilos que sempre permitiram isso. Sei que há muitas pessoas por aí que gostariam que tudo tem que ser sempre a mesma coisa, mas não acho isso certo. Não digo para mudar o estilo completamente, mas algumas vezes essas pessoas deveriam se deixar envolver por novos sons e direções. Hoje em dia algumas pessoas parecem estar presas em uma bolha do tempo, não querem ver sequer uma pequena mudança. E ainda falando sobre essas pequenas mudanças, como introduzir novos instrumentos ou arranjos diferentes em algumas canções. Mas as raízes permanecem as mesmas, não vamos mudar da guitarra elétrica para o piano elétrico, apenas usar alguns novos elementos no som e combinações. Isso não significa que você vai trair o Metal como algumas pessoas costumam dizer, por que quem trai o Metal? Essa é a coisa mais estúpida que já ouvi na vida e isso veio do Max Cavalera [ex-SEPULTURA, atual SOULFLY]. “O HELLOWEEN traiu o Metal”. E isso porque temos múltiplos discos de platina e ouro. Você recebe isso porque as pessoas adoram o que você faz. E isso significa que você está traindo o Metal? Só que mais tarde, o Max também recebeu um disco de ouro com o SOULFLY, e agora ele também traiu o Metal! E nós não dissemos sequer uma palavra a respeito disso.

Rockpages — O que você acha do público mais jovem se aproximar da música do HELLOWEEN e no Heavy Metal em geral? Você já está nessa banda há mais de uma década e já viajou ao redor do mundo todo. Nos último dois ou três anos, você tem percebidos rostos mais jovens na platéia? Se a resposta for positiva, você acha que isso se deve porque a música do HELLOWEEN se deixou envolver por novos elementos? Se não, qual o problema então?

Deris — Desde que lançamos o ‘The Dark Ride’ que temos vistos garotos de 14 ou 15 anos e isso se deve porque nossos fãs mais antigos têm entre 35 e 40 anos, que agora são pais que vão aos shows com seus filhos. Então, agora temos duas gerações de fãs, o que eu adoro, é demais! Isso significa que há futuro. ‘The Dark Ride’ nos abriu diversas portas para essa nova geração, mas muitos fãs mais antigos não o entenderam. Mas também houve fãs antigos que gostaram. No geral, levou tempo para que as pessoas o entendessem. Na verdade, estávamos no meio de uma merda de administração empresarial, e se este álbum não tivesse vendido bem estaríamos em sérios problemas. Felizmente, tínhamos um bom single rolando com ‘If I Could Fly’, que chegou ao primeiro lugar em diversos países.

Rockpages — No fim da sua carreira, o que você gostaria de olhar para trás?

Deris — Certamente, diria que não gostaria de olhar para os ‘baixos’ da nossa carreira. Mas de novo, quando você tem essas fases ruins é quando tem a oportunidade de se divertir com os altos. Se você só está lá em cima não pode mesmo aproveitar tudo, é chato demais. Eu, pessoalmente, gosto de olhar para trás e não me arrepender de nada. Mesmo das coisas negativas, pois elas nos fazem aproveitar as coisas positivas. Certamente que não gostaria de me ver caindo de novo, como já estive no passado. Por outro lado, agora estou sentado aqui e feliz por ter passado por tudo isso. Não há nada de errado com os ‘altos’ e ‘baixos’.

Rockpages — Então, quando foram os “baixos” do HELLOWEEN?

Deris — Houve alguns. Por exemplo, o último momento bem baixo que tivemos aconteceu com as intrigas geradas por Roland [Grapow, ex-guitarrista] e Uli [Kusch, ex-baterista], que de repente começaram a ver fantasmas e inimigos na banda que, na verdade, não existiam. Hoje em dia, todo mundo pode ver o que aconteceu porque mudamos de empresários, pegamos um empresário pessoal, e de repente havia uma banda de novo. Então, os inimigos não estavam na banda, mas ao redor dela. Mas Roland e Uli acreditavam que eu, Markus e Weiki estávamos traindo-os, que estávamos roubando-os e que só nós três decidíamos a respeito das músicas. Havia muitas pessoas ao redor da banda que falavam demais e eles foram tolos demais e acabaram acreditando. Sobretudo o Weiki, que passou por umas boas por causa das merdas que foram ditas a seu respeito. Lembro-me que fiquei hospitalizado no México — por conta de um resfriado — e quando voltei, Markus e Weiki decidiram não continuar mais com os dois. Isso foi em 2002. Esse foi um dos lados ruins, quando uma família se separa. Mas sem isso não entenderíamos o lado bom que temos agora.

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Sobre Thiago Coutinho

Formado em Jornalismo, 23 anos, fanático por Bruce Dickinson e seus comparsas no Maiden. O heavy metal surgiu na minha vida quando ouvi o vocalista da Donzela de Ferro em "Tears of the Dragon", em meados de 1994. Mas também aprecio a voz de pato bêbado do controverso Dave Mustaine, a simplicidade do Ramones, as melodias intrincadas do Helloween, a belíssima voz de Dio ou os gritos escabrosos de Rob Halford. A Whiplash apareceu em minha vida sem querer, acho que seus criadores são uns loucos amantes de rock e acredito que este seja o melhor site de rock do país, sem qualquer demagogia!

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