A revista inglesa Kerrang! entrevistou recentemente o frontman do METALLICA, James Hetfield, que falou sobre o novo disco e comentou sobre seu antecessor, o "St. Anger".
Kerrang!: Vocês estão trabalhando [no novo álbum do METALLICA] com Rick Rubin, que tem a reputação de ser um produtor “ausente”...
James: “É, eu o encontrei uma vez, quando esbarrei com ele num corredor! [Risos] Não, já conhecíamos a reputação dele quando assinamos o contrato. No ‘St. Anger’, [o colaborador de longa data do METALLICA] Bob Rock fez tudo — ele foi o produtor, engenheiro, baixista, babá, paizão. E Rick é exatamente o oposto; ele não é de paparicar você. Quando nos encontramos, sua primeira declaração foi: ‘Eu quero que vocês me impressionem, quero que vocês sintam que estão começando de novo’. Ele realmente quer que tenhamos a mesma mentalidade da época do ‘Master of Puppets’. É impossível recriar o que fomos 20 anos atrás, isso é besteira, mas tínhamos que conseguir aquela garra de volta”.
Kerrang!: E ele já está impressionado?
James: “Rubin é muito bom em sentir as músicas e ele te diz na hora se ele não gosta de alguma coisa. Nós começamos com 20 músicas, mas reduzimos para 14 desde que ele chegou. Ele não chega a dizer ‘Isso é uma bosta’, mas ele dá sugestões e eu estou definitivamente aberto a isso. No caso do ‘St. Anger’, estávamos tão abertos que perdemos o foco. Desta vez há muito ‘Lamento, isso não é o suficiente’. Estamos buscando a excelência”.
Kerrang!: No ‘St Anger’, a democracia que vocês praticaram no estúdio acabou comprometendo a qualidade do álbum?
James: “Com certeza. Aquilo não foi realista. Passamos da fase de pular no pescoço um do outro, onde nos tratávamos mutuamente com sarcasmo e fúria, além de não aceitar o que o outro dizia, e chegamos a um ponto onde estávamos aceitando qualquer idéia estúpida só pra não magoar alguém. E isso também não funcionou!”.
Kerrang!: Parece estranho você reservar um tempo para fazer turnê quando você tem trabalho no estúdio...
James: “Bem, esperamos que isso nos inspire a levar o trabalho a um nível mais alto. Você ouve uma música nova e pensa ‘Estávamos lá ouvindo 60.000 pessoas gritando o que elas adoram no METALLICA e eu não acho que elas vão gritar quando ouvirem isto!’. Além disso, este lugar às vezes fica um pouco claustrofóbico – você pode ficar preso aqui sem saber se ainda há pessoas lá fora”.
Kerrang!: Vocês já começaram a trabalhar nas letras?
James: “Eu já tenho algumas frases e alguns vocais para pelo menos perceber como a música vai ficar. Não penso mais coisas do tipo ‘Vamos agradar a todos na banda’. Agora penso ‘É aqui que a minha mente está’. Acho que as pessoas vão se identificar com isso”.
Kerrang!: Vocês acham que o tempo está acabando para o METALLICA e que vocês precisam lançar mais um álbum marcante?
James: “Bem, não temos falta de idéias e o que vou fazer? Eu componho músicas, toco músicas e gosto de fazer isso. Sei que estou ficando velho, não faz sentido esconder esse fato, e podemos ser obrigados a fazer menos turnês mas, em relação aos álbuns, queremos simplesmente fazer o melhor, isso é o que sempre quisemos fazer. O que quero dizer é que pensamos que ‘St. Anger’ seria surpreendente, mas acabou se tornando mais um manifesto do que a música do METALLICA que gostamos de tocar ao vivo. Aquilo foi mais um ato de purificação, de tirar toda aquela droga de mim, além de ser uma espécie de estopim para o próximo capítulo do METALLICA’”.
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Nascido em 1970, formado em Letras pela USP e tradutor. Começou a gostar de metal em 1983, quando o KISS veio pela primeira vez ao Brasil. Depois vieram Iron, Scorpions, Twisted Sister... Sua paixão é a música extrema, principalmente a do Slayer e do inesquecível Death. Se encheu de orgulho quando ouviu o filho cantarolar "Smoke on the water, fire in the sky...".
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