Em 19/03/2007 | Jason Becker: "Eu tenho amor à vida"

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Jason Becker: "Eu tenho amor à vida"

Traduzido por Henrique Machado | Fonte: Blabbermouth

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A Revista Guitar World recentemente entrevistou o guitarrista Jason Becker (DAVID LEE ROTH, CACOPHONY). Algumas partes da entrevista estão logo abaixo.

Por causa das suas limitações físicas, a sua criatividade se expandiu em outras direções?

Jason: "Eu me lembro quando estava começando a perder a hablidade de tocar licks rápidos e minhas mãos tremiam e caiam da guitarra. Isso me forçou a criar um novo estilo lento de tocar. Eu estava muito inspirado e gravei 'Meet Me in the Morning', do Bob Dylan. Então quando eu não podia tocar mais eu fiquei inspirado pelo mundo da música classica. Agora eu estou mais empolgado com a música indiana e pelo funk que é evidente no meu novo trabalho. Não estar apto para tocar faz com que você esteja apto para ouvir e entender melhor. A prática constante na guitarra pode ser legal, mas se desviar um pouco para a música universal dentro de você também pode ser".

O que te inspirou para comprar sua primeira guitarra? Qual foi?

Jason: "Meu pai, tio e Bob Dylan me inspiraram a tocar. Meu pai era um ótimo violonista clássico. Ele teve aulas com um estudante de Andre Segovia. Meu tio é muito fã de Roy Buchanan. Eu amei tudo que eles fizeram. Para mim Dylan ainda é o mais legal e o maior, suas melodias e letras eram muito agitadas. No meu quinto natal na Terra (1974) me deram um violão, que eu ainda tenho. Meu pai tentou me ensinar algumas notas e a ler música, mas eu desanimei com aquilo. Um ano depois meu irmão ganhou um pequeno Xilofone de brinquedo. Papai ensinou para ele uma canção de Dylan, então eu disse: 'ei, por que você não me ensina aquele som legal?' Então ele me ensinou. Daí em diante eu passei a tocar e cantar todas as músicas do Dylan".

Jason, sua coragem e habilidade para tocar são irreais. Como você faz para manter seu alto astral?

Jason: "Acho que a resposta mais curta para isso é que eu tenho amor à vida. Eu amo as pessoas e a mim mesmo. Eu sou amado e bem cuidado pela minha família, amigos e o guru Amma (Nota do Editor: Jason é discípulo do guru hindu Amma Mata Amritanandamayi Devi). Eu ainda estou apto para criar, mas num caminho diferente. Eu não quero falar sobre o ALS pois é tão ruim quanto o inferno (Nota do editor: ALS são as iniciais pelo qual é conhecida a Doença de Lou Gehrig, que acometeu o músico há alguns anos). Você não pode imaginar (bom alguns de vocês podem), mas dentro de mim houve uma transformação muito grande. Algumas pessoas pensam que como não posso me mexer estou vegetando. Errado. Só seja como você é, aguarde e se precisar de algo uma pessoa legal virá cuidar de você. Eu estou exagerando um pouco, mas é como eu enxergo a coisa. Eu tenho motivos de sobra para viver, tenho esperanças e sonhos. Eu não vivo a dor todo o tempo, eu dou risadas e brinco, faço música, escrevo, faço amor e festas. Tenho meu dias tristes como qualquer um".

Qual a lição mais importante que você recebeu de tantas horas tocando com Marty Friedman?

Jason: "Foram muitas, principalmente ser você mesmo, ser único, não fazer o que já foi feito. Ele me ensinou muito sobre a beleza das harmonias e ritmos não convencionais. Ele criou um exercício que costumávamos fazer juntos. Nós tinhamos que ficar tocando solos e acordes, mas não tínhamos idéia do acorde que o outro iria tocar. Nós deviamos tentar fazer o solo parecer besta tocando os mais inesperados acordes que viessem à cabeça. O exercício sugeria que treinássemos para dar o bend até uma nota boa, e aprender frases esquisitas. Nossos ouvidos também se acostumariam com progressões interessantes, e então descobriríamos novas idéias legais para músicas. Todo dia eu aprendia algo novo com Marty. Você pode aprender muita coisa só treinando uma música dele. E eu fiz isso. Pra falar a verdade, eu não seria nada sem a sua influência. Ah sim, e ele me mostrou a música japonesa".

Como foi trabalhar com David Lee Roth? Vocês ainda têm contato?

Jason: "Foi como uma explosão. Ele foi muito legal comigo. Ele sempre me elogiava mas não tinha medo de dizer se eu estava sendo um idiota. Ele é como o mais selvagem cachorro selvagem que você pode esperar, mas tem o seu lado calmo também. Ele conheceu uma garota legal em Vancouver e me perguntou como faria para conquistá-la. Ele é meio brincalhão mas tem um lado sério. Ele intercedeu em um atrito que tive com Bob Rock. Dave é muito diplomático. Todos os caras daquela banda me acolheram em suas asas, amo a todos. Eles sabiam que eu estava com problemas de saúde, todos compreenderam exceto dois, cujos nomes não vou mencionar - mas posso dizer que um deles é um empresário bem conhecido..."

Leia a entrevista na íntegra (em inglês) neste link.

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