A revista britânica Uncut Magazine conduziu em fevereiro de 2007 uma entrevista com Steven Tyler e Joe Perry, respectivamente vocalista e guitarrista do AEROSMITH.
Uncut: O Aerosmith ainda significa tanto para vocês quanto há trinta anos atrás?
Tyler: "É diferente, e ao mesmo tempo não é tanto. Começamos querendo ser como Janis Joplin, bebendo Jack Daniels no palco e cantando feito loucos. Então você consegue se tornar um sucesso e isso é um maldito milagre, mas seu ego fica maluco e tudo se torna secundário para a banda pela simples razão de que você não teria nada se não fosse por ela. Agora temos nossas famílias, e claro, elas são nossa prioridade. Mas, se algum membro dela (da família) se afasta e temos um show a fazer, então o show continua e a gente deixa o resto para depois".
Uncut: Vocês eram bastante fãs do New York Dolls no início de sua carreira. Num mundo mais justo, vocês acham que eles teriam obtido tanto sucesso quanto o Aerosmith?
Perry: "Penso que isso não tem tanto a ver com um mundo mais justo, mas sim com o trabalho de manter uma banda unida perante tantas adversidades. Veja bem, o Dolls teve mais vantagens que o Aerosmith, eles eram os queridinhos da imprensa de Nova York. A maioria das bandas esforçam-se para conseguir um décimo do reconhecimento que desejariam, e eles simplesmente estragaram tudo isso. Eles foram a primeira banda que eu amei que se auto-destruiu. Aprendi com isso que não basta deixar o pé na porta, é necessário entrar e permanecer lá dentro."
Uncut: Caso nos tornemos tão ricos quanto o Aerosmith, qual o melhor investimento? Um avião, uma casa, ou um clube?
Tyler: "A compra mais ridícula que já fiz foi meu avião particular, custou quase um milhão de dólares. O cara que voava comigo me fornecia cocaína. Houve uma ocasião em que nos deparamos com uma tempestade e o avião parecia que não ia conseguir atravessá-la. Eu o vendi logo em seguida com um bom lucro. Esqueça clubes, cara. Com aviões e propriedades, você sempre terá lucro".
Uncut: Qual o melhor e o pior álbum do Aerosmith?
Tyler: "Os melhores são o Toys in the Attic (1975) ou o Rocks (1976). Pump (1989) também é fantástico. Há alguns álbuns dos quais eu prefiro não me lembrar. Mas o pior deve ser um daqueles Greatest Hits que a gravadora colocou no mercado nos anos noventa, sem nossa permissão".
Perry: "Para mim, o pior de todos é o Done with Mirrors (1985). Naquele tempo, estávamos tentando criar um disco que soasse um pouco como o antigo Aerosmith e um pouco como seria o direcionamente que queríamos tomar. Aquelas músicas são completamente sem inspiração, aquele é nosso álbum mais fraco. O nosso melhor disco é o Get a Grip (1993), onde sentimos que havíamos explorado todo nosso potencial. Não fico surpreso que sons como Eat the Rich e Livin' on the Edge tenham sobrevivido à passagem do tempo".
Uncut: Vocês alguma vez já ficaram desapontados ou embaraçados ao conhecer seus ídolos?
Tyler: "Não diria que chegou a tal ponto, mas meu primeiro encontro com Paul McCartney foi certamente memorável. Eu estava no banheiro dos bastidores do Hammersmith Odeon. McCartney entrou, fazendo o que as pessoas costumam fazer nesses lugares. Para ficar registrado, eu não olhei o tamanho de seu instrmento... Mas eu estava lá urinando, parecendo que não ia terminar nunca, e Paul disse 'Ei! Steven Tyler. Eu adoro sua banda! E ele me fez o sinal de positivo com a mão".
Uncut: Há uma história famosa sobre o Aerosmith tocando num show nos anos 70 quando vocês foram ao palco tendo decidido inverter seu repertório. Vocês tocaram as músicas do "bis" primeiro e depois, achando que haviam terminado o show, saíram do palco. Isto é verdade?
Perry: "É uma grande história e ela sempre é mencionada, mas infelizmente não é verdade. Nós fizemos muitas coisas estúpidas no palco, mas nada como isso. Houve uma ocasião em que tocamos a mesma música duas vezes, esquecemos que já havíamos tocado-a. Isso pode soar engraçado para algumas pessoas, mas não temos orgulho disso. Este tipo de coisa fazia com que muitas pessoas deixassem de ir a nossos shows".
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