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Napalm Death: Barney comenta processo de composição

A revista The Metal Forge da Australia conduziu recentemente uma entrevista com o frontman do Napalm Death Mark "Barney" Greenway.

Sobre o processo de composição do grupo:

Nós tentamos não ficar muito relaxados quando estamos escrevendo músicas, porque nós sentimos aquela urgência, e não dando a nós mesmos muito tempo para compor o material, isso pode nos ajudar a ficar com os nervos à flor da pele. Eu não gostaria daquele aquele tipo de falta de energia que as outras bandas têm. Eu acho que nós ficariamos entediados se tivéssemos que compôr um album dessa maneira. Nós gostamos da pressão.

Algumas vezes eu estou no meu computador fuçando e mexendo nas letras com extrema facilidade, e alguns dias parece que eu tenho um bloqueio mental completo, e eu fico gritando igual um louco. Mas no fim do dia, a pressão pra chegar com material realmente funciona. Eu não sei o porquê, mas realmente funciona.

Eu acho que a gente apenas achou o nosso jeitinho para fazer as coisas funcionarem. Atualmente, nós colocamos nós mesmos sob um pouco de pressão, como nós sempre fizemos. Não existe um grande plano mestre. Nós apenas chegamos lá com algumas músicas, e gravamos o que nós achamos que seja bom naquela época. É sempre a mesma coisa quando o assunto é fazer os novos discos do Napalm Death. Apenas dessa vez, eu acho que tudo se juntou perfeitamente.

Sobre a participação especial no novo album de Anneke Van Giersbergen da banda alemã progressiva The Gathering:

Algumas bandas colocam convidados nos seus albums simplesmente para ter alguem cantando no seu disco. Mas para nós, as coisas são feitas sempre em contexto. Jello Biafra (que apareceu no "The Great And The Good") estava totalmente encaixado naquela faixa que ele apareceu. De fato, quando você escuta a linha de vocal original que eu fiz antes do Biafra fazer a parte dele, você pode dizer que ele levou a música para um lugar totalmente diferente.

Essa é a questão. Se você vai trazer um convidado, ele tem que complementar a música, ou adicionar alguma coisa, não simplesmente fazer soar a mesma coisa. E nesse album, as contribuições da Gierbergen para ambas as músicas, "Weltschmerz" e "In Deference" fizeram parte de um contexto.

Algumas pessoas podem dizer que é estranho pra caralho, mas aquilo está no contexto com o que a música realmente é. Você precisa ouvir a música, porque sem ouví-la parece meio estranho mesmo ter uma pessoa como Giersbergen cantando em uma música do Napalm Death. Eu acho que ambas as faixas soam como o Celtic Frost da época do Morbid Tale's (1984). Mas então quando você pensa sobre as outras bandas do passado, como Crass e Conflict, que sempre adicionaram vocais femininos (nas suas músicas), não soa tão estranho assim. Eu sempre amei aquilo, por que sempre foi um contraste bem evidente do que os vocalistas masculinos sempre fizeram. Eu acho que funcionou, porque complementou as músicas de um jeito bem legal.

Eu tenho lido o que um pessoal tem postado em alguns fórums (sobre a participação da Anneke Giersbergen), mas isso é inevitavel! (risos) Eles estão dizendo coisas tipo 'Ah! Vocais de ópera metal! O que eles estão fazendo?' Essas pessoas ainda não ouviram aquela musica. Uma vez que elas a ouçam no contexto, vão entender.

Sobre turnês:

Nós estamos quase chegando no final da coisa toda. Eu estou morrendo de vontade de viajar por aí e fazer uns shows. Eu adoro fazer turnê! (risos) Viajar muito em turnê depende muito de como você se sente sobre você mesmo. Ao contrário das idéias românticas que alguns têm sobre as turnês ou estar numa banda, é um puta trabalho duro. Às vezes é mesmo. Você tem que estar preparado para lidar com isso. Algumas pessoas apenas não são feitas para as turnês. Quando eu digo isso, não me refiro ao lado hedonístico (prazer intelectual) ou do lado excessivo, porque o Napalm Death não é sobre isso. É dificil no sentido de estar fora de casa, você não se fixa e não tem nenhum sentimento sobre a vida nômade. Ou você está numa van, ou está dividindo um ônibus com um bando de gente indo de um lugar para o outro. Você tem que estar pronto para lidar com isso. Agora eu estou, mas eu não estava preparado para isso algum tempo atrás.

Agora eu estou realmente positivo sobre a vida na estrada. Eu gosto de olhar pelo lado positivo de tudo. Eu estou ansioso por isso, pois estamos em um ponto da vida em que nós estamos realmente com tesão (pelas músicas) num nivel que nós realmente vamos botar pra fuder. Nós descobrimos que estamos curtindo mesmo. É muito bom. Nós esperamos tocar pela Austrália dessa vez. Apenas não deu certo no passado, mas tomara que não tenhamos problemas de agora em diante. Nós realmente precisamos mesmo ir até aí embaixo. Faz uns dez anos desde a ultima vez que estivemos aí (risos). Nós definitivamente estamos fazendo um puta esforço para fazer a turnê chegar até aí junto das nossas outras turnês (regiões como Japão e Asia), então tomara que seja antes tarde do que nunca.

Leia a entrevista completa no link abaixo.

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Sobre Rodrigo Teixeira

Estudante de jornalismo, nasceu em 1986 e cresceu ouvindo tudo menos rock. No dia do casamento da irmã, ganhou uma fita K7 que iria para o lixo, com ela dizendo "Ouve isso, vai mudar a sua vida". Colocou para para tocar e, depois dos vinte segundos iniciais da música "Black Sabbath", jogou os CDs de Rap pela janela. Daquele dia em diante, começou a reverenciar a banda dos quatro homens de Birmingham. Ama Judas Priest, Deep Purple, AC/DC, Overkill. Qualquer um desses para começar o dia sorrindo.

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