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Paul Stanley: "Gene nem sempre está certo"

O site KNAC.COM conduziu em outubro de 2006 uma entrevista com Paul Stanley, onde ele comenta o novo disco solo e o comando de Gene Simmons sobre a banda Kiss.

Durante os anos 80 você quase produziu álbuns do Guns n' Roses e do Poison. Por que isso não aconteceu?

"Todo tipo de motivo: políticos, confronto de personalidades com algumas pessoas envolvidas, mas enfim, todo mundo se deu bem e fico feliz por todos. É legal ver outras pessoas conseguirem sucesso e é bom ser parte disso, mas quando você não pode também não é o fim do mundo. Todos se esforçaram para fazer o melhor com ou sem a minha presença".

Gene trabalhou muito mais em produções... isso é algo que você quer fazer?

"Sou muito seletivo em como uso meu tempo. A idéia de produzir apenas por produzir não me interessa. Para algo tomar meu tempo deve valer a pena de modo que eu possa sacrificar outras coisas. Se o projeto certo aparece, vamos lá. Não digo isso para fazer uma comparação com Gene, é só para ter uma idéia de como sou seletivo no que faço. Temos poucas horas em um dia e o tempo que gastamos fazendo algo significa que temos que deixar outras coisas de lado".

Falando sobre Gene, sei que ele deve ser como um irmão. Mas ele não esconde mais que "se posso ganhar uma grana, farei isso...". Você acha que isso ajuda ou prejudica o KISS e o seu esforço próprio como artista?

"Não acho que ajude. Mas ele tem o direito de fazer o que quiser. Nem sempre concordamos, e acho que certas coisas que ele faz não refletem bem para a banda, mas, essa é a vida. É importante que as pessoas entendam que a roda que range nem sempre precisa de óleo. Em outras palavras, a pessoa que é a mais falante nem sempre reflete o ponto de vista do grupo. Acho que Gene diz muitas coisas para conseguir um destaque, um espaço na imprensa, e pra mim está tudo bem. Mas isso não significa que ele está sempre certo".

Esse é o seu primeiro álbum solo desde 1978. Por que levou tanto tempo?

"Boa pergunta. Todo mundo sempre tira um tempo para seus projetos paralelos. Sempre achei que o KISS precisava de atenção, e se todos estavam fazendo outras coisas, quem iria tomar conta? Houveram momentos em que a banda corria perigo, estava com alguns problemas e alguém precisava ficar tirando a água, ou o 'navio KISS' poderia afundar. Vi isso como minha responsabilidade e a assumí. Finalmente chegou a um ponto onde acho que a banda está sólida e fará o que for preciso e o que quiser. Então sentí que era a minha vez de fazer um álbum. Não haverá um intervalo de 28 anos até o próximo (risos)".

Você está realizando uma série de ensaios. Quais os planos de turnê?

"Nosso primeiro show é no próximo dia 21 e faremos apenas 18 datas. Depois provavelmente irei pra casa e reavaliarei o que quero fazer e talvez até volte a estrada. Tenho uma banda incrível, a House Band do programa Rockstar Supernova que, você goste ou não do show, é motivo suficiente para assistí-lo. Eles são fantásticos, detonamos todo dia nos ensaios. As músicas que estamos tocando vão desde as do primeiro álbum solo, clássicos do KISS, músicas que nunca tocamos ao vivo antes e que eu adoro, além das de 'Live to win'. Então, será uma longa, longa noite".

O KISS voltará a gravar?

"É possível. O problema em gravar algo com o KISS é que as músicas que todos vêem como clássicos se tornaram mais do que simples músicas. Elas funcionam como fotografias de momentos da vida de alguém. As pessoas lembram com quem namoravam à época, com quem transavam, o que estavam fazendo da vida, então isso faz dessas canções algo maior do que simples músicas. Seja lá o que o KISS venha a gravar, jamais chegará a esse nível de importância. Não porque não será um bom material, mas porque não tem a mesma história. Você vai a um show dos Rolling Stones, e de verdade, você tolera as músicas novas. Você espera por 'Brown Sugar', 'Honky Tonk Woman'... é uma questão de aceitar essa realidade. Alguns grupos continuam fazendo canções para manter sua criatividade. Só me pergunto se estou disposto a pôr todo esforço em um álbum para as pessoas ouvirem e dizerem 'legal, agora toque Love Gun' (risos). Então se puder assimilar isso faria, mas também gostaria de ter controle total sobre o projeto. Quero assumir esse processo por mim, não por outros".

Leia a entrevista completa em inglês aqui.

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Sobre João Renato Alves

27 anos, jornalista formado pela Universidade de Cruz Alta. Kissmaníaco inveterado, um verdadeiro apaixonado pela banda de Gene Simmons e Paul Stanley. Idolatra com quase a mesma paixão Queen, Van Halen e Black Sabbath. Aprecia desde o Rock dos anos 50 (Elvis, Little Richard, Chuck Berry, entre outros) e 60 (Beatles, Rolling Stones, The Who, Led Zeppelin...), Hard Rock dos 70's (AC/DC, Deep Purple, Alice Cooper...) e 80's (Mötley Crüe, Def Leppard, Europe, Talisman...), Metal Tradicional (Judas Priest, Dio, Ozzy...), NWOBHM (Iron Maiden, Saxon, Angel Witch...) e Thrash oitentista (Slayer, Destruction, Kreator...). Já teve um programa de rádio, chamado "Lavagem Cerebral", na Unicruz FM. Solteiro e seguidor das idéias de Gene Simmons em relação ao casamento.

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