Rhestus - O preço do underground

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Rhestus - O preço do underground


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A Rhestus de Timbó (SC) certamente é uma das mais lembradas bandas do cenário alternativo catarinense. Possuidora de uma legião de fãs, amigos e parceiros, o grupo deixa de lado as dificuldades enfrentadas pela maioria das bandas atualmente para divertirem aos headbangers com thrash metal de alta qualidade. Há mais de dez anos pelos palcos e festivais estaduais, o baixista Valdecir Hilbert, o Valda, conta que mesmo sem dinheiro, a satisfação de ver os fãs encantados pelas canções da Rhestus é recompensadora.

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Whiplash! - A Rhestus comemora já mais de dez anos de fundação. Você não fez parte da primeira formação, mas poderia contar um pouco da história da banda?

Valda - A banda teve início em 1993 com o término de outras duas bandas, onde os integrantes que sobraram de ambas, se juntaram e formaram outro grupo. Ou seja, o resto de outras bandas, que é justamente por isso que o nome Rhestus veio a calhar.

Whiplash! - A sonoridade da banda foi sempre voltada ao thrash metal?

Valda - Não, no início o som da banda era voltado para o punk / hardcore, mas ao produzir a primeira demo, o som já foi se caracterizando para algo mais pesado, puxando mais para o crossover, e então foi natural com as mudanças de formação o som ir tendo uma característica mais própria e se voltando então ao thrash metal.

Whiplash! - Hoje a Rhestus está com uma boa divulgação pelo estado, participa de shows e festivais e tem um carinho muito grande pelos fãs e amigos. Como foi adquirido este respeito num estado tão povoado por ótimas bandas de metal como Santa Catarina?

Valda - Eu acredito que muito disso se deve ao fato de estarmos sempre com a galera. Em outros shows que não tocamos alguém de nós sempre está presente, então queira ou não, o pessoal valoriza muito isso. Ele comentam isso conosco, dizem para sempre sermos humildes, que esperam que a gente não seja como tal banda por isso ou por aquilo. E também é ridículo você fazer parte de uma banda underground e querer se achar o tal, oras, qualquer um pode fazer isso, então pra que querer ser mais do que aquele que está lá na frente batendo cabeça. Porra, tenho mais é que agradecer pela força que ele está nos dando e não lhe virar a cara após sair do palco.

Whiplash! - Em 2005 vocês têm feito muitos shows?

Valda - Em 2005 fizemos apenas seis shows, é muito pouco e todos foram no estado. Tentamos algo fora, mas é difícil alguém bancar as despesas para tão longe, preferem fazer festivais ou shows só com bandas locais, ficando sempre aquele cenário estadual em vez de nacional. Mas também não dá para criticar sabendo das dificuldades que se tem para efetuar um evento, ninguém arrisca o algo a mais, tem que ter o pé no chão se não leva ferro.

Whiplash! - O primeiro CD da Rhestus, chamado “Embryo Of The Endless Sands” foi lançado em 2003, de maneira independente. Pelo tempo que a banda já tem de vida, não demorou um pouco para sair este disco?

Valda - É, se for ver pelo lado do tempo em que a banda está na ativa, demorou sim, mas o fato do mesmo ter sido feito e lançado somente após 10 anos de estrada foi devido às trocas constantes de formação, as quais afetam praticamente um ano inteiro de dedicação. Toda vez que há uma troca, os ensaios são específicos para a adaptação do novo integrante em cima das músicas já prontas, deixando sempre o fator composição para segundo plano, e quando você percebe, já se passou todo esse tempo.

Whiplash! - Sonoramente, o resultado deste CD agradou ao grupo?

Valda - Com certeza. Faltou aquele peso esperado, mas tínhamos plena consciência quanto a este fato. De qualquer forma todos curtiram e muito se falou nas resenhas sobre a boa gravação alcançada, onde isso prova o álbum agradou não só a nós.

Whiplash! - No CD temos músicas muito bem construídas, que certamente agradam ao público thrash metal. Quais são as maiores influências do grupo e de que forma a banda busca sua própria identidade?

Valda - Olha, eu diria que buscar uma identidade hoje em dia é utopia, tudo que você fizer vai lembrar algo. Ou você faz algo totalmente diferente ou sempre será comparado com tal banda. Contanto que não seja uma cópia tudo bem. Enquanto lembrar vagamente outra banda tá valendo, até como referência para quem não conhece a banda, mas já ouviu falar no nome. Nossas influências vêm do thrash, sem dúvida, mas particularmente não ouvimos somente isso, cada um ouve ou gosta do que quiser. Contanto que não traga influências que se distancie da proposta da banda, o resto é lucro e aproveitado nas novas composições.

Whiplash! - E como foi a repercussão na mídia especializada, assim como entre os fãs com “Embryo Of The Endless Sands”?

Valda - Posso dizer que foi 100% positivo, um retorno até mais do que o esperado. Não tivemos notas máximas e também não fizemos o álbum do ano e todas estas ladainhas falsas que vemos nas revistas em todo início de ano, mas sabemos que foi um bom começo e que ainda repercute.

Whiplash! - A repercussão do álbum rendeu até comentários e charges do cartunista Márcio Baraldi. Quando veremos a banda fazendo shows por outros estados?

Valda - Pois é, foi legal da parte do Márcio Baraldi dar esta força e só temos a agradecer a ele. Quanto a tocar em outros estados, eu diria que é mais fácil de conseguir shows na Europa do que tocar no estado vizinho, pois como disse anteriormente, o pessoal que organiza os eventos não arriscam, ou seja, não querem bancar o deslocamento da banda, então fica impossível sair do estado. A demanda de bandas é tanta que os shows são organizados somente com bandas locais, que tocam de graça ou por cachaça. Pois até mesmo em nosso estado, eu tenho percebido que o pessoal que tem ido aos shows, vai mais para bater papo com os amigos e tomar todas do que para ver as bandas. Muitas vezes ficam do lado de fora, não gastam R$5 ou R$10 para a entrada. Com esse dinheiro dá pra tomar muita cerveja no bar da esquina, e é aí que quebra qualquer um que organiza um evento.

Whiplash! - O trabalho de guitarras nos riffs e solos estão muito bons, assim como os vocais de Alex Leber, que também é guitarrista. Jailson na bateria fez e continua fazendo um trabalho incrível. Isso prova que a banda, além de agressiva, prima por uma técnica muito apurada?

Valda - Não, isso é impressão sua, pois técnica ninguém tem na banda. Tocamos o que sabemos, mas que não exige técnica. Tentamos claro, nos superar às vezes, onde no ensaio ou em casa tudo é perfeito tocando algo mais complicado, mas nos shows só nos fodemos (risos). Temos sim algumas músicas que exigem mais afinidade para cada um com seu instrumento, mas não é esta a intenção. Nós sempre queremos soar mais agressivos do que técnicos, a técnica é uma conseqüência.

Whiplash! - “Tsavo: The Place Of Slaughder”, música de destaque no CD, baseia sua letra em que exatamente?

Valda - Ela é toda baseada no filme “A sombra e a escuridão”, a qual é uma estória verídica sobre dois leões de Tsavo que mataram centenas de trabalhadores na construção de uma ponte de uma ferrovia no Quênia.

Whiplash! - E no geral, quais são os temas preferidos pela banda para compor?

Valda - Todos (risos). Não temos um tema específico, mas no geral, todas as letras remetem como tema principal a morte. Mas no sentido positivo da coisa, para que as pessoas valorizem a vida, lutem por ela e não a destruam.

Whiplash! - Charles da Silva entrou no grupo ao final de 2003 como novo guitarrista. Como foi a adaptação dele com a banda e como ele tem se portado nos shows?

Valda - Muito boa a adaptação. É aquela coisa de dar tempo ao tempo, e hoje estamos todos muito satisfeitos com ele e não o consideramos mais como novo integrante. Já se passaram mais de dois anos e ele tá aí se portando como deve e suportando a todos nós (risos).

Whiplash! - Como foi a participação da banda no tributo feito por bandas brasileiras ao Anthrax? A escolha de “Gung-Ho” foi opção da banda? Como foi gravá-la?

Valda - Como o idealizador é de Santa Catarina, ele conhecia a banda e um dia encontrou nosso vocalista e fez o convite. A música foi uma opção nossa e já está pronta há oito meses. Sua gravação levou um final de semana inteiro e mais um dia para mixagem se não me engano, feita no estúdio do Deni, guitarrista da Perpetual Dreams, e ficou bem pancada como queríamos.

Whiplash! - O tributo já foi lançado? Quais as outras bandas presentes no álbum?

Valda - Não, o tributo ainda está por sair, houve alguns problemas já reportados pelo idealizador, o qual compreendemos perfeitamente. Mas logo estará disponibilizada na Internet. De outras bandas que gravaram, no momento não lembro. Só sei da Still Life daqui de Santa Catarina (Itajaí) que também participou com uma versão animal.

Whiplash! - Esta pergunta serviria para todos que estão no meio underground, batalhando por incentivos, apoios e claro, por sucesso e repercussão. Como é para vocês da Rhestus conciliar banda, com outras atividades como emprego e família? É possível hoje para a Rhestus largar tudo e viver apenas da música?

Valda - Sim, com certeza. Só trabalhamos mesmo porquê temos pena de nossos chefes, que não saberão se virar sem nós, porquê por dinheiro, estamos nadando nele depois do sucesso do primeiro CD (risos). Nunca!! A gente brinca, mas nem mesmo bandas que achamos que vivem da música, não conseguem viver. Nós temos o pé bem no chão quanto a isso. Acredito que somos a banda mais fodida que tem em Santa Catarina em termos de ensaio, grana e poder fazer shows, pois cada um mora a mais de 80km de distância do outro. Nossos ensaios ocorrem a cada 15 dias e olhe lá. Às vezes aperta pra alguém da banda ou tem algum compromisso familiar e fica apenas um ensaio por mês. Ou seja, levamos a banda a sério sim, mas não podemos nos dar o luxo de tê-la como primeiro plano em nossas vidas, pois hoje a mesma ainda é despesa pra cada um de nós, então tem que ser tudo bem planejado para cada ensaio. Cada show e principalmente a gravação de um novo CD.

Whiplash! - Há pretensões da banda para o lançamento de um novo CD?

Valda - Com certeza, e já estamos dando os primeiros passos, onde já demos início a gravação de uma guia com metrônomo para cada um ir ensaiando bem e se acostumando com isso. Estamos trabalhando de uma forma diferente para o segundo CD, sendo mais profissionais, para não chegar no estúdio na hora que for pra valer e perder tempo com andamentos fora e outras coisas que muitas vezes só se descobre no estúdio. Mas não esperem que por já estarmos fazendo isso que o CD sai em 2006. Até pode acontecer, mas acho improvável, pois vai muita grana.

Whiplash! - Valda, agradeço pela entrevista e sucesso para toda a banda!

Valda - Eu é que agradeço em nome da banda por este espaço. A Rhestus vai dar uma parada em 2006 nos shows para priorizar os ensaios em cima das novas composições, então não estranhem por não nos verem nos palcos no próximo ano (isso é, se perceberem), o qual pretendemos voltar com composições novas no momento certo. Um abraço a todos e para ter contato ou comprar material enviem e-mail para [email protected] ou [email protected]

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Sobre Clóvis Eduardo

Clóvis Eduardo Cuco é catarinense, jornalista e metaleiro.

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