Marcos De Ros - talento e persistência

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Marcos De Ros - talento e persistência


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Com seu segundo álbum solo em mãos, o maravilhoso “Masterpieces II”, onde interpreta composições clássicas de alguns dos melhores compositores do mundo e finalmente assistindo ao lançamento do aguardadíssimo segundo álbum do Akashic, banda que faz parte, tivemos muito a tratar com esse que é um dos melhores guitarristas brasileiros em atividade.

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Whiplash! – Saudações Marcos. Creio ter sido muito difícil escolher o set list deste seu segundo álbum solo. Qual o critério usado? Qual a maior dificuldade encontrada para transpô-las para a guitarra e colocar grande dose de peso?

Marcos De Ros - Bom, eu fiz uma enquete no meu site (www.deros.com.br) onde as pessoas podiam sugerir músicas para este CD, e também teve uma grande pesquisa pois eu já sabia o que eu queria deste trabalho em termos de sonoridade. Então eu escolhi músicas que pudessem ser transpostas para uma banda mantendo suas características primárias e aumentando o seu peso. Lógico que tive várias dificuldades, pois algumas músicas que eu imaginava que ficariam ótimas simplesmente não soavam bem, e algumas que eu não acreditava muito me surpreenderam! É engraçado, pois quase sempre eu consigo antever os resultados, mas algumas músicas causaram surpresa! Sobre os compositores, alguns se encaixam melhor que outros para este tipo específico de trabalho. Por exemplo, Beethoven é conhecido, além de todos seus méritos como compositor, pela brilhante orquestração, mas nesse caso, eu não iria ter os mesmos recursos de uma orquestra sinfônica, onde o mesmo tema, uma vez apresentado pelas madeiras passa para os metais e cordas, por exemplo. Então, quando eu decidi fazer uma redução drástica na Quinta Sinfonia, tive a sensação de que iria acabar com a música. Essa foi uma das que me surpreenderam, pois acho que consegui manter algo da grandiosidade sem mutilar profundamente a idéia do compositor. E como Beethoven morreu surdo, acho que ele não iria achar ruim (risos). Já Bach é muito mais fácil, pois as melodias barrocas geralmente soam muito guitarrísticas!

Whiplash! – Como montou sua banda de apoio e qual a experiência prévia dos músicos? Você pensa em fazer turnês solo ou crê não ser possível?

De Ros - Na verdade são duas bandas de apoio. Uma é formada pelos músicos do Akashic (Éder Bergozza, Fábio Alves e Mauricio Meinert) e a outra é formada pelos irmãos Viegas (João Viegas e Gustavo Viegas). Era muito trabalho para uma banda só, então eu dividi assim para que todos pudessem se dedicar e fazer uma grande gravação! E o trabalho deles está fantástico! Eu estou fazendo muitos shows, mas num esquema estilo “Workshow”, onde eu toco várias dessas músicas com acompanhamento de cd. E agora começo os ensaios para alguns shows com banda, que provavelmente contará com o Luis Viegas no baixo, João Viegas na bateria e o Éder Bergozza nos teclados. Mas ainda estamos montando a banda, é cedo para dar detalhes.

Whiplash! – A música “Save My Soul”, composta por você em cima do famoso tema “In The Hall Of Mountain King” de A. Grieg pode ser considerada o maior destaque de “Masterpieces II” dado sua complexidade e seu andamento quebrado, com ótimos riffs e solos. Você criou um excelente prog metal! Conte-nos sobre o trabalho em cima dela.

De Ros - Obrigado! Tem muita gente que gostou dessa música! Na verdade, é uma releitura total da obra do Grieg, pois eu acabei utilizando menos de dez compassos dele, o resto é composição minha, então eu fico muito feliz com o elogio!!! Eu utilizei a melodia da “In the Hall of Mountain King” e adicionei uma letra e também um refrão mais moderno, pois se eu cantasse a melodia original nota por nota, iria soar muito “metal melódico” para o meu gosto... Tive também um certo cuidado para mudar o andamento e o tom para ter uma parte instrumental mais interessante. As duas coisas que mais gosto nessa música são o solo de piano do Éder, que eu acho incrível e um contracanto no refrão que foi idéia do Rafael, vocalista do Akashic! Aliás, o Rafael esteve presente na gravação dos vocais e me deu todas as dicas, é um grande amigo e excelente professor!

Whiplash! – Surpreende também “Greensleeves” e “Habanera”, onde você demonstra seus dotes vocais. Porque a escolha dessas músicas e como você próprio avalia seu desempenho vocal?

De Ros - Bom, a escolha dessas músicas se deu em condições diversas. Eu queria gravar Greensleeves, pois é uma música muito bonita, mas eu fiz dezenas de modificações nela para não soar datada ou muito melódica. Acabei gostando muito do arranjo, tanto que a escolhi para abrir o CD. Já a Habanera sempre foi uma das minhas músicas favoritas! Aliás, toda a ópera Carmen de Bizet é incrível! E eu achei que daria uma dose de sofisticação no CD se ela fosse cantada em Francês, afinal, eu não tenho este tipo de preconceito, talvez por conhecer grandes bandas que tem um ótimo trabalho em português e em espanhol. Quanto ao meu desempenho no vocal, acho que está aceitável para uma estréia. É engraçado, pois hoje em dia me parece que já poderia fazer bem melhor. Vamos ver...

Whiplash! – Você é considerado um dos melhores guitarristas brasileiros da atualidade. Quais estilos figuram em sua formação e como você desenvolveu sua técnica e conhecimento teórico? O que procura trazer de inovador?

De Ros - Eu sou um dos melhores guitarristas brasileiros da atualidade??? Caramba, eu sabia que a minha mãe achava isso, mas não imaginava que mais alguém concordasse com isso!! (risos). Isso é um elogio incrível, pois o Brasil é um dos países que tem os melhores músicos do mundo, sem sombra de dúvida!

De Ros - Quanto a minha formação, o negócio é o seguinte: Eu sempre ouvi muitas coisas, muitas coisas mesmo! Desde MPB, Bossa Nova, Música Clássica, Tango, Heavy Metal, Pop, de tudo... Eu toquei violino alguns anos na Orquestra Sinfônica de Caxias do Sul e toquei violão num grupo chamado Libertango, onde tocávamos várias composições de Piazzola e outros tangos mais tradicionais, além de músicas que eu toco no violão, aquele lance meio repertório de barzinho, sabe? É muito difícil achar uma música que eu não goste, então tudo isso entra na minha formação. Como dou aulas de guitarra e harmonia há muitos anos, eu procuro estar sempre bem informado, lendo muito sobre composição e teoria. Agora, sobre o que eu procuro trazer de inovador, aí eu já não posso te dar uma boa resposta, pois não é isso o que eu busco. Eu busco fazer uma música que me agrade, que eu goste de ouvir, e não necessariamente algo inovador. Não sou um cara que siga as tendências. Claro que elas me influenciam, mas procuro ser fiel às minhas convicções e à minha música. Lógico que ainda vou surpreender muita gente, pois não quero ser um músico estagnado, que sempre toca a mesma coisa do mesmo jeito, quero ter o poder de mudar totalmente o rumo da minha música desde que eu continue fiel a mim mesmo. Não vou gravar um CD de heavy metal porque é isso que o público espera de mim. Vou gravar se for isso que eu quero fazer, pois é assim que gosto de fazer música, de maneira honesta e sincera.

Whiplash! – Observando a evolução da guitarra ao longo do tempo, Jimi Hendrix foi quem ensinou o mundo a tocar, Eddie Van Halen inovou em técnicas e composição, Yngwie Malmsteen inseriu o classicismo e a velocidade como nunca, Joe Satriani e Steve Vai experimentaram como ninguém timbres e efeitos. Quem você considera que proporcionou a última revolução na guitarra?

De Ros - Hum, essa é uma pergunta interessante! Muitos guitarristas deram importantes contribuições além destes que você citou, mas essas contribuições não foram tão populares, ou não venderam tanto como estes ícones da guitarra! Por exemplo, o Steve Morse trouxe uma linguagem de música celta que era desconhecida no mundo da guitarra. Já o Stanley Jordan redefiniu a técnica “touch” para tocar a guitarra, enquanto músicos como Greg Howe e Richie Kotzen fundiram a técnica dos shredders com o Jazz-Fusion de maneira ímpar! E tem um monte de caras desconhecidos que estão fazendo coisas incríveis com a guitarra, mas num momento onde a música está mudando muito rápido e eles estão sendo engolidos pela música eletrônica. Hoje em dia a coisa está muito difícil, pois se um concerto com grandes músicos às vezes tem 20 ou 30 pessoas na platéia, existem “raves” que arrastam multidões, e onde os DJ’s “tocam” por horas sem parar e o público pede mais. Isso complica um pouco para quem passa anos aprendendo a tocar um instrumento, dá uma certa sensação de que fomos atropelados pela modernidade... Mas isso já é uma discussão bem mais filosófica do que a sugerida pela tua pergunta (risos)!

Whiplash! – Tendo em vista seus relacionamentos prévios, já pensou em montar um G3 brasileiro com você, o Eduardo Ardanuy (Dr. Sin) e o Marcelo Barbosa (Khallice)?

De Ros - Isso seria incrível! Mas acho que todos estamos ocupados demais com nossas carreiras para assumir um compromisso tão grande! Apesar de que está rolando uma coisa parecida com o Pablo Soler (Argentina) e eu. Temos uma provável turnê na Bolívia no estilo G3 com o incrível guitarrista Boliviano Glen Vargas e talvez depois iremos à Espanha fazer o mesmo com um guitarrista de lá! Depois disso, quem sabe a gente não senta e monta um projeto assim para o Brasil? Será que as pessoas daqui iriam se interessar? Emails para a redação com sugestões! (risos).

Whiplash! – Parece-me que o Akashic não tem dado muita sorte com gravadoras. Vocês tiveram uma divulgação e distribuição precária do (mesmo assim) aclamado Timeless Realm em 2001, lançado por uma gravadora portuguesa. Logo depois, assinaram com a Frontline Records, que quebrou, deixou as bandas de seu cast na promessa e atrasou até hoje o lançamento do segundo álbum da banda, que pelo que consta está pronto há mais de um ano. Qual sua visão sobre todo esse período complicado que o Akashic passou?

De Ros - Cara, o negócio é o seguinte: nós temos azar! Pronto, é isso, tá explicado. O Akashic é uma banda muito boa, com alguns dos melhores músicos que eu conheço e um vocalista com umas das melhores vozes do rock, mas somos um bando de azarados! Se formos contar as esperas que as gravadoras nos impuseram, já soma uns três anos! Eu gostaria de não ter tempo para fazer CDs solo, pois adoro tocar com o Akashic, mas como temos muito azar, temos que ir empurrando a banda com a barriga enquanto vamos fazendo outros trabalhos para nos manter como músicos. Já diria o Bóris Casoy: “É uma vergonha!”. Agora estamos tentando um recurso drástico para poder finalmente lançar o “A Brand New Day”. Espero que tenhamos um pouco mais de sorte dessa vez!

Whiplash! – O que poderemos conferir no novo trabalho e que coisas vocês implementaram desta vez que não puderam fazer em Timeless Realm? Fale-nos sobre a produção de Luís Barros e Tommy Newton.

De Ros - O novo CD está, em minha humilde opinião, mil vezes melhor que o primeiro! Tudo bem que há boas composições no Timeless, como For Freedom ou Dove, mas esse está um absurdo! Todo mundo se juntou para compor o CD, temos ótimas músicas e todos gravaram com muita garra e maturidade. Essa é a diferença do primeiro, maturidade! E a produção do Luis trouxe alguns ares de modernidade no cd, com sua visão de europeu (contrastando com a nossa musicalidade mais americanizada). Ele é incrível, soube extrair grandes passagens das performances de todos nós! Já o Tommy Newton apenas masterizou o cd, ele não teve contato direto com a banda.

Whiplash! – O que vocês esperam da vindoura divulgação e turnê que irão fazer? Houve alguma mudança de formação? Com a propriedade da experiência, como você analisa o mercado e o público brasileiro e europeu?

De Ros - Bom, como não sei nem qual será a gravadora que irá lançar o CD (e nem se ele será realmente lançado...) eu não tenho muita expectativa não... Não houve mudanças na formação da banda. Quanto aos mercados, estamos passando por uma crise bem grande, pois o cd falsificado e os cds baixados em Mp3 acabam por diminuir as vendas em todo o mundo, isso é fato. Mas não sei como solucionar isso, só vou tentando aproveitar as benesses que isso pode trazer, como uma maior divulgação do meu trabalho através da internet.

(Nota do E: Esta entrevista foi realizada em Janeiro de 2005, ficando no limbo por motivos que não convém explicar aqui, mas agora, em outubro de 2005, o tão comentado “A Brand New Day” finalmente foi lançado pela gravadora Hellion Records).

Whiplash! – Obrigado pela entrevista Marcos. Grande abraço para você e os outros integrantes da banda. O espaço fica aberto para suas considerações finais.

De Ros - Um grande abraço para os leitores do Whiplash! e não reprimam seus impulsos consumistas, passem na loja mais próxima e adquiram “Masterpieces 2”, que está sendo distribuído em todo o Brasil pela Hellion, pois comprar CD original traz felicidade!!!

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Sobre Maurício Gomes Angelo

Jornalista. Escreve sobre cultura pop (e não pop), política, economia, literatura e artigos em várias áreas desde 2003. Fundador da Revista Movin' Up (www.revistamovinup.com) e da revrbr (www.revrbr.com), agência de comunicação digital. Começou a escrever para o Whiplash! em 2004 e passou também pela revista Roadie Crew.

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