Rolf Kasparek (mais conhecido como Rock and Rolf) já se tornou uma instituição do heavy metal. Há mais de 20 anos a frente do Running Wild, seus lançamentos influenciaram várias bandas novas e se tornaram definitivos no estilo. Rolf também foi um dos primeiros a abordar a temática pirata em seus CDs, coisa que hoje é copiada por muitos músicos. Infelizmente a trajetória da banda também é marcada pela inconsistência na formação, o que tornou o Running Wild um projeto pessoal de Rolf. Com um novo CD lançado, “Rogues En Vogue”, e uma turnê sendo planejada, conversamos com Rolf para dar uma repassada na carreira da banda, falar um pouco sobre o novo CD, e ainda obter algumas declarações deste ícone do metal, que será homenageado em breve num CD tributo.

Rolf Kasparek – Olá. Na verdade nunca parei para pensar nisso com mais intensidade. Quando me isolo para compor, deixo o “feeling” guiar o direcionamento musical. Acho que é meio clichê, mas é assim que corre. Não conseguiria lhe dizer algo mais concreto. Possuo diversos pedaços de músicas inacabadas, e às vezes quando ouço estes começos de canções, acabo compondo nesta ou naquela direção.
Whiplash! - Este novo CD inicialmente vem em uma edição limitada com duas faixas bônus. Foi algo exigido pela gravadora na Europa? O que você pode nos adiantar sobre estas faixas?
Rolf Kasparek - Acabei definindo isso na mixagem final. As músicas em questão não se encaixavam no contexto do disco, mas eram muito boas. Pensei que seria muito legal dar este presente aos verdadeiros fãs que compram o CD logo que ele começa a ser vendido. Eram boas faixas, mas não tão boas para serem oficiais em um CD do Running Wild.
Whiplash! - Voltando ao passado, em 1979 a banda Grantle Heart mudou seu nome para Running Wild, e começou a trabalhar para em 1983 lançar sua primeira “demo”. Como foi esse começo e porque vocês decidiram pela mudança do nome?

Whiplash! - “Gates to Purgatory” e “Branded and Exiled” apresentavam um conteúdo bem agressivo, com referências ao demônio e religião. Foi um tipo de desabafo da juventude? Porque você decidiu mudar o conceito das letras da banda?
Rolf Kasparek - (Risos) Na verdade falávamos muito sobre o demônio, mas com um conceito político. Éramos jovens revoltados, e esta era a maneira que usávamos para chocar as pessoas. Outras músicas tinham um conteúdo mais crítico e político. Com o tempo fomos evoluindo musicalmente e me interessei por outros assuntos, o que acabou por nos rotular como uma “Pirate Metal Band”.
Whiplash! - Falando sobre essa temática pirata, “Under Jolly Roger” é considerado um dos CDs defintivos do Running Wild, mas você mesmo já deixou claro que o considera um álbum superestimado. O que pode nos falar sobre isso?
Rolf Kasparek - Legal falar sobre esse assunto. Sempre gostei das histórias envolvendo pirataria, e comecei a escrever sobre isso. Mas não eram apenas histórias fantasiosas. Eu queria conhecer como funcionava a logística dos piratas, sua organização, o que era mesmo ser um pirata, ter um navio, executar as pilhagens. Sempre fui interessado na parte histórica do assunto, porque acho que muitos elementos do passado tiveram forte influência no presente em que vivemos. Algumas pessoas exageraram na interpretação das letras, mas sempre fui um fã de história.
Whiplash! - Um bom álbum do Running Wild que tem pegada “hard” é “Blacked Handed Inn”. É verdade que você o considera injustiçado pela crítica e fãs?
Rolf Kasparek - Não nesse sentido. Este álbum tinha tudo para ser fantástico. A formação da banda era muito boa e a inspiração estava fluindo por minhas veias. Mas errei ao passar muito tempo trabalhando nele. Acabamos fazendo muitos planejamentos, e poucas ações, o que nos tomou muito tempo. Gosto do álbum, mas lamento que tenhamos passado três meses trabalhando nele. Só para te dar um exemplo passamos três semanas gravando “Masquerade”, e acho que o resultado foi muito mais positivo. Acho sim que foi um álbum injustiçado por ter sido super-planejado, talvez se tivesse sido mais objetivo as coisas tivessem funcionado melhor.
Whiplash! - Você já excursionou com várias bandas, mas o giro norte-americano como banda de apoio do Motley Crue, na turnê do álbum “Theatre Of Pain” foi marcante para o Running Wild. Vocês estavam excursionando com os “bad boys” do rock and roll em sua fase mais “farofa”. O que você lembra dessa época e do relacionamento com eles?
Rolf Kasparek - Foi muito bom. Conseguimos ser uma banda de apoio extremamente forte. Era óbvio que éramos a segunda banda, e muitas pessoas queriam ver o Motley Crue. Mas vi que as pessoas assistiam nosso show e curtiam. A resposta do público foi muito boa. E a amizade com a banda foi a melhor possível. Nos deram o melhor espaço no palco, um bom trabalho com luzes e som, e eram caras legais. Ampliamos muito nosso leque de fãs fora da Alemanha, e devo muito aos caras por essa oportunidade.
Whiplash! - Um dos primeiros CDs do Running Wild lançados no Brasil foi “Masquerade”. Nesta época Jorg Michael (Stratovarius) estava na banda. É verdade que ele e o também ex-baterista AC (Lacrimosa) ajudaram no “management” da banda? Como é sua relação com eles hoje?
Rolf Kasparek - Sobre Jorg, somos grandes amigos. Ele saiu da banda porque foi convidado a se juntar ao Stratovarius. Eu não me opus a essa decisão, mas não queria um músico dividido. Ele tinha que escolher, e apesar de não entender sua escolha, respeitei. Sobre AC, também foi um grande baterista, e me ajudou muito a cuidar da banda com sua empresa de “management” (Continental Concerts). Recentemente encontrei com Jorg em Hannover, e ele estava tocando com o Saxon na turnê do CD “Lionheart”. Fiquei feliz, mas gostaria sinceramente de que ele estivesse em minha banda.
Whiplash! - Com “Victory” você finalizou uma trilogia juntamente com os CDs “Rivalry” e “Masquerade”. Porque essa decisão, e há planos para mais um projeto nesse sentido?
Rolf Kasparek - Honestamente não foi planejado. Quando escrevi “Victory”, vi que ele se encaixava no contexto da trilogia que continha os outros álbuns citados. Foi algo natural, porque havia uma semelhança entre as letras, e seria burrice não colocá-lo como fechamento do projeto. Não quero fazer outra, não está em meus planos.
Whiplash! - Curiosamente, até agora quinze músicos passaram pelo Running Wild. É tão difícil assim trabalhar com Rolf Kasparek?
Rolf Kasparek - (Risos) Dinheiro. Este é o problema. Sempre quis que os músicos fossem parte completa da banda, com todos os direitos e responsabilidades. Se dependesse de mim jamais teríamos trocado de formação. Mas cada músico teve seu motivo para sair, e não pude fazer nada. Jens, Jorg, cada um achou uma razão que era suficientemente forte para não continuar no grupo. Quando chamava algum músico para juntar-se ao Running Wild, queria 110% de dedicação, mas muitos não me entendiam. Depois de trocar várias vezes de formação, decidi que seria o patrão, e que a banda seria meu projeto e pronto. Agora é assim.
Whiplash! - A formação atual com Peter na guitarra, Pichl no baixo e Mathias na bateria pode ser considerada para o próximo CD de estúdio?
Rolf Kasparek - Definitivamente!!! Eles sabem que não somos uma banda de fato, e entendem e aceitam tal fato. Pichl é um excelente baixista e todos nos damos muito bem. Estamos curtindo muito este momento e com certeza vou continuar trabalhando com eles.
Whiplash! - Em 22 de outubro será lançado, pela Sanctuary Records, o CD duplo “The Rivivalry”, tributo ao Running Wild. Você teve alguma participação neste projeto? Como se sente sendo homenageado num CD duplo?
Rolf Kasparek - A Sanctuary quis fazer o CD como algo especial para os fãs. Muitas bandas gostam do Running Wild, e muitas quiseram participar. Ainda não ouvi as músicas, apenas recebi uma mostra da capa e do título, que gostei muito. Gostaria de ouvir as músicas, pois me sinto muito emocionado em saber que várias bandas se influenciaram pela minha música. Afinal no começo dos anos 80 eu passei por isso, ouvindo bandas que faziam meus ossos tremerem e reforçavam meu ideal de estar em uma banda. Estou ansioso para ver o resultado final.
Whiplash! - O CD / DVD ao vivo lançado durante a turnê do CD “The Brotherhood” está fora de catálogo. Há planos para relançá-lo ou gravar um novo pacote ao vivo?
Rolf Kasparek - Relançar não. Ele não foi lançado fora da Europa, e não há planos para tal, devido ao contrato assinado. Talvez façamos um novo CD / DVD ao vivo, mas no momento não há nada certo. São as coisas da indústria da música que fogem ao controle do músico.
Whiplash! - Em 2003 conversei com membros da “crew” do Gamma Ray e Masterplan, durante a turnê brasileira que as bandas fizeram em conjunto por nosso país, e algo que foi ressaltado é o alto custo que inviabiliza a vinda do Running Wild para cá. Será que um dia veremos a banda tocando aqui?
Rolf Kasparek - Bem... uma coisa deve ser explicada. Nossas turnês não são muito longas, e gostamos muito de tocar em festivais. Não tenho problemas em tocar no Brasil ou em qualquer outro país. Mas devemos levar em consideração que o custo é alto sim, porque não quero ir sem levar meu show completo, com a mesma produção que fazemos na Europa. Não acho justo com os fãs brasileiros. Outro fato que complica tudo é que a banda sou apenas EU, e teria que contratar músicos, que cobrariam caro para deixar suas ocupações normais e virem para fazer três ou quatro shows na América do Sul. Não toco por dinheiro, se ele vier é bom, mas isso não guia minha vida. Só que não podemos pagar para tocar, isso é ilógico. Quero sim ir para o Brasil, e espero poder concretizar isso nesta turnê, mas temos que ver como isso poderá acontecer.
Rolf, obrigado pela entrevista. Este espaço é seu para deixar uma mensagem para os fãs do Running Wild e visitantes do WHIPLASH! Rocksite:
Rolf Kasparek - Obrigado pelo espaço, espero que consigamos lançar “Rogues En Vogue” no Brasil, e cuidem-se.
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Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?
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