Uma das bandas mais reconhecidas da cena brasileira foi (e ainda é) o Symbols. Detentor de dois CD’s ovacionados pelos ‘headbangers’ e pela crítica especializada de um modo geral (“Symbols” e “Call to the End”), a banda perdeu seus dois maiores membros em 2001. Os irmãos Edu e Tito Falaschi foram buscar novas experiências enquanto que o Symbols parecia estar ficando à deriva. Porém em 2005 o único membro remanescente da formação original, o guitarrista Demian Tiguez, foi também para o posto de vocalista e recrutou uma nova banda, para a gravação de “Faces”, lançado pela Hellion Records. Por isso fomos conversar com Demian, que não só nos contou mais sobre os fatos que levaram a dissolução da banda no passado como também falou sobre a nova reformulação do Symbols após este lançamento.
Por Paulo Finatto Jr
Edição: Thiago Pinto Corrêa Sarkis, Fotos: Társis Alberto

Demian / Antes de eles deixarem a banda, nós tivemos juntos alguns projetos paralelos, inclusive um Pop, mas isso nunca teve nada a ver com o Symbols. Quanto ao segmento nós continuamos fazendo um rock pesado com algumas baladas como sempre foi o som da banda desde o primeiro CD. Incrível, mas por causa desse boato até ficamos sem o fã-clube porque tiraram o site do ar.
Whiplash! - No início de 2003, quando a banda se apresentou na terceira edição do Brasil Metal Union, muitos acharam curiosos os covers executados naquele show: “Summer Song” (Joe Satriani) e “Man In The Box” (Alice In Chains). Por que foi feita esta escolha, digamos, diferente para os padrões dos dois primeiros discos do Symbols?
Demian / Alice In Chains é uma banda que eu e os ex-integrantes gostamos, e Satriani é uma influência pra qualquer guitarrista, inclusive para mim que sou um guitarrista que canta, não um vocal que toca guitarra.
Whiplash! – Agora em 2005 está saindo pela Hellion Records o terceiro disco da banda, “Faces”. Nitidamente a banda não segue o mesmo caminho dos dois primeiros álbuns, mas em nenhum momento deixou de lado o heavy metal. Podemos dizer que o Symbols amadureceu com o passar dos anos?
Demian / Com certeza, o tempo muda a vida das pessoas. Na época em que estávamos gravando o disco perdi meu irmão e o Cesão, ex-baixista nosso, perdeu a mãe; esses fatos resultaram na música “Living Another Day”, que é uma homenagem aos dois. Mas por outro lado tive a maior felicidade da minha vida; meu filho estava pra nascer e fiz a música “God’s Gift” que mostra bem o que eu senti naquela fase. O CD está refletindo perfeitamente o que passamos e o que pensamos naquela época.
Whiplash! - E por falar em Hellion, como está sendo trabalhar com esta gravadora?
Demian – Temos uma ótima relação, pois, na minha opinião, é uma das maiores gravadoras do Brasil nesse gênero.
Whiplash! - Acredito que muitos vão se surpreender com a sua voz, mostrando-se um vocalista de exímias qualidades. Na época em que “Symbols” e “Call To The End” foram lançados, a sua voz poderia entrar também nas gravações, como contraste às vozes dos irmãos Falaschi. Esta idéia nunca passou na cabeça da banda?
Demian / Não. Pois nessa época eles não tinham me ouvido cantar.

Demian / Nem todos os novos integrantes do Symbols conhecem o Edu pessoalmente, mas em relação a mim, eu o considero um irmão e grande amigo.
Whiplash! - A ida de Edu para o Angra trouxe uma maior exposição ao Symbols? O nome da banda ficou realmente mais conhecido tanto aqui no Brasil quanto no exterior?
Demian / Sim, mas antes do Edu ir para o Angra o trabalho do Symbols já estava sendo reconhecido fora do Brasil, inclusive tivemos uma proposta informal de uma grande gravadora japonesa e aparentemente estava indo tudo muito bem, até percebermos que estava demorando demais para ser concretizada a proposta oficial. Realmente isso é um mistério ainda.
Whiplash! - Uma das mudanças mais significativas no som do Symbols fica por conta das linhas de guitarra, afinal, agora a banda conta apenas com uma. Como vocês farão para executar as músicas antigas com esta nova formação?
Demian – Na gravação do CD “Faces” o Symbols contava apenas comigo na guitarra, mas hoje temos o Ulisses Myazawa, um excelente e experiente guitarrista, professor da escola de música Souza Lima, que veio para somar nesta nova fase da banda.
Whiplash! - O novo tecladista do Symbols, Fabrizio Di Sarno, trouxe muitas características do metal progressivo de sua outra banda, o Karma. Como é o trabalho dele com você?
Demian / O Fabrizio sempre tocou com o Symbols e pra mim ele sempre foi da banda. Além disso, é um ótimo compositor, e o resultado do trabalho no CD novo só serviu para comprovar isso.
Whiplash! – Após a gravação de “Faces”, o Symbols sofreu várias mudanças. Poderia nos falar um pouco mais sobre isso?
Demian – A banda mudou literalmente restando apenas eu da formação original. O baixista não é mais o César e nem o Rodrigo é mais o baterista. O Symbols novo conta com Ulisses Myazawa na guitarra, meu irmão Dee Padovan no baixo, Tony Del Nero na bateria, Fabrizio Di Sarno nos teclados, e eu na guitarra e vocal.
Whiplash! - As músicas mais cadenciadas - e sensacionais, diga-se de passagem - sempre estiveram presentes nos discos do Symbols, e em “Faces” não é diferente. Podemos dizer que canções nesta linha retratam bem este ponto marcante da banda?
Demian / Sim, composições como “Waiting For The Sunrise”, “Bright Times”, “The Little Inside The Ocean” e “God’s Gift” são bem cadenciadas, deixando bem marcado o estilo da banda, que mistura peso e cadência.
Whiplash! - Agora com um novo CD lançado, quais são os planos do Symbols?
Demian / Agora estamos ensaiando para muito em breve mostrar a nova cara do Symbols. Até por isso o título do CD, “Faces” (N. do E.: rostos, caras).
Whiplash! - Obrigado pela entrevista e parabéns pelo belíssimo “Faces”...
Demian / Um grande abraço a todos, e especialmente ao Whiplash! por nos dar este espaço. Espero encontrar todos os fãs do Symbols nos shows que estaremos realizando muito em breve. Acessem o site da banda para conhecer algumas músicas que estão no CD “Faces”. Nosso site oficial é www.symbols.art.br.
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