Jeff Scott Soto - Entrevista exclusiva com o vocalista

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Jeff Scott Soto - Entrevista exclusiva com o vocalista


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Entrevista e tradução por Rafael Carnovale.

O que falar sobre este cara? Ele literalmente tem um dos maiores "curriculuns" do rock and roll. Desde Malmsteen até música disco, passando por hard e heavy metal. Jeff sempre pôs sua qualidade e habilidade em grandes projetos, e grandes lançamentos. Um dos mais recentes foi o belo DVD com um show realizado na "Queen Convention in LA 2002", aonde o mesmo desfila categoria e habilidade nos clássicos imortalizados por Freddie Mercury. Para falar deste lançamento, e de muitos outros aspectos de sua vida musical, um simpaticíssimo Jeff Scott Soto respondeu a várias perguntas, sem titubear em nenhuma. Confira abaixo como foi a entrevista, exclusiva para o site WHIPLASH!:

Whiplash - Olá Jeff. Vamos inicialmente falar sobre sua discografia. Você tem uma das mais extensas discografias do rock and roll, e englobando outros estilos musicais. Em um ano você chegou a lançar 3 álbuns ao mesmo tempo. Como você consegue manter tantos projetos em tão pouco tempo?

Jeff / O processo de gravação, nos tempos atuais, é extremamente fácil e eficaz. Sou um compositor 24 horas por dia, 7 dias por semana, então é fácil arrumar tempo para por todo esse material para fora. Sou realmente um "workaholic". Mais do que um meio de vida, realmente adoro fazer isso. Após vários projetos e turnês, estou muito feliz em poder continuar mostrando ao mundo o que posso oferecer. As coisas estão ficando mais loucas e ativas nestes meses do ano, então preparem-se para muito mais, boas novas virão.

Whiplash! - Uma de suas primeiras experiências foi com Yngwie Malmsteen. Como foi trabalhar com ele em 1984 e 1985. É verdade que Yngwie o convidou para cantar em seu cd "Seveth Sign", mas ele queria que você cantasse como fazia antigamente, fazendo-o desistir do projeto?

Jeff / Primeiro, deixe-me corrigí-lo. Na banda de Yngwie, você trabalha para ele, não com ele. Uma vez que isso está bem assimilado, você conhece seu lugar e as regras, pode-se trabalhar com ele por anos. Não sei se foi em "Seventh Sign", mas em pelo menos 5 ocasiões ele me convidou para voltar a sua banda, mas eu não estaria pronto para voltar. Eu preciso de espaço para me expressar muito mais, criativamente e musicalmente, jamais ficaria 100% satisfeito em me limitar ao estilo de Yngwie. Não é não querer ficar num só estilo, eu gosto de misturar, experimentar e por em cd minhas idéias.

Whiplash! - Porque você saiu da banda de Yngwie em 1986? Você trabalharia com ele de novo?

Jeff / Sempre deixarei uma porta aberta para ele. Ele é um cara extremamente talentoso e respeito seu "status". Mas como disse, seria uma limitação para mim, e nunca estaríamos no mesmo plano musical. Ele continua com as mesmas idéias de antes, enquanto eu tenho mais de 20 lugares para explorar.

Whiplash! - Você também trabalhou com Alex Masi. Como foi trabalhar com outro "guitar-hero"?

Jeff / Guitar hero? Sério? Nunca vi Alex como tal, só o vi como um guitarrista que grava álbuns com seu nome. Não o conheço muito bem. Nos encontramos no dia em que fiz minhas partes. Eu o vi e rapidamente gravei em uma sessão, sem tempo para conhecê-lo adequadamente.

Whiplash! - Em 1990, a banda Talisman lançou seu primeiro cd, auto intitulado, como você se juntou a eles, e como você se sentiu neste primeiro trabalho, um dos seus primeiros álbuns como membro efetivo de uma banda?

Jeff / Eu cantava na banda Eyes, preso a um contrato nos Estados Unidos. Marcel (Jacob, baixista) , com quem não falava há anos, me telefonou da Suécia e me explicou que saíra da banda de John Norum e que o vocalista com quem estava gravando na época, Goran Edam, decidiu não continuar com ele, ficando na banda de Norum. Marcel me convidou, mas éramos só nos dois e alguns músicos amigos num estúdio, não havia uma banda de fato. Meu contrato nos EUA me obrigou a lançar o primeiro cd do Talisman na Suécia apenas, para não atrapalhar os planos da banda Eyes. Como a história provou, Eyes lançou apenas um álbum e Talisman virou minha banda.

Whiplash! - Talisman lançou vários álbuns, com uma boa sonoridade calcada no hard, mas as duas partes do cd "Humanimal" foram muito especiais para os fãs. Como era o processo de composição na banda. As composições ficavam limitadas a você e Marcel?

Jeff / O cd "Humanimal" não foi planejado para ter 2 partes. É uma longa história. Gravamos mais de vinte músicas e escolhemos as melhores para lançar apenas um álbum. Infelizmente acabamos cedendo todas as faixas para a gravadora japonesa, para a escolha das que viriam como bônus na versão lançada por lá. Não gostamos disso, mas não podíamos fazer nada. Em um mês a gravadora japonesa percebeu que a versão importada (cuja seleção foi escolhida por nós) vendia mais que o cd lançado no Japão. Então eles nos informaram que lançariam o resto do material como uma "parte 2" do álbum. Nada a ser feito, só que fizemos o mesmo fora do Japão, para que a versão japonesa não desbancasse a que lançamos por aqui. Pegamos as músicas que ficaram de fora do cd original e fizemos a "Parte 2". Marcel e eu escrevemos tudo, exceto 2 músicas nestes álbuns.

Whiplash! - Em 1998, Talisman lançou o álbum "Truth". Porque vocês decidiram incluir uma versão bem "dark" para "Frozen" (Madonna). Como foi a recepção por parte dos fãs? A própria Madonna chegou a se manifestar?

Jeff / Esta foi uma idéia de Marcel. Ele curtiu muito o trabalho de cordas e as melodias. E imaginou que seria uma ótima música para fazermos numa versão mais rock. Nunca obtivemos nenhuma resposta de Madonna, mas os fãs amaram!

Whiplash! - Em 1997 você gravou um fantástico cd com a banda Boogie Knights, "Welcome to the Jungle Boogie". Fale um pouco deste projeto e da turnê que o seguir. É verdade que na época você estava de saco cheio de cantar rock e queria fazer algo diferente?

Jeff / Não foi bem desse jeito. Eu estava cansado de ver toda banda de Seattle tomando o espaço do cenário musical e procurei outro jeito de viver, me divertindo e tendo um trabalho fixo. Fiquei com eles por 5 anos, tocando 3 ou 4 vezes por semana de maneira concreta. Eles ainda estão na ativa, mas saí porque queria voltar a fazer música original de novo, porque só o dinheiro não satisfazia como parte do que construí para mim. Não queria me ver para sempre com aquelas roupas e cantando músicas dos Bee Gees. O cd é o que é... um show ao vivo, músicas disco com um pouco mais de agressividade.

Whiplash! - Você também trabalhou com Axel Rudi Pell, numa banda que incluía Jorg Michael (ex-Stratovarius), e fez vários shows com ele. Como você compararia Axel a Yngwie, principalmente pela forma de trabalho? Porque você saiu da banda e que acha do material atual de Axel?

Jeff / Completamente diferente... bem... quase... A grande diferença é que Axel foi mais acessível, um bom amigo. Yngwie era mais como meu patrão. Axel também tinha seu jeito de trabalhar, mas me dava mais liberdade para me expressar como sou. Mas com ambos não haveria mais espaço para eu crescer musicalmente, e isso me deixou entediado ao longo dos anos. Saí da banda de Axel quando os compromissos do Boogie Knights começaram a colidir com os dele. Não venho acompanhando sua carreira, pois não sou um grande fã deste estilo de música se não a estou cantando. Somos diferentes em nossos objetivos musicais, mas ainda somos grandes amigos.

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Whiplash! - Sua voz é bem peculiar, porque você consegue cantar desde heavy metal até dance music muito bem. Como você trabalha sua voz?

Jeff / Não faço nada. Sou abençoado por ser influenciado por grandes artistas e por ter uma mente bem aberta para a música. A experiência me deu flexibilidade para me desafiar, fazendo coisas que antes jamais imaginaria.

Whiplash! - Você começou a cantar bem jovem, e eu gostaria de saber quais foram suas inspirações musicais. E como você desenvolveu seu estilo vocal?

Jeff / Tudo começou com Michael Jackson eo Jackson Five quando eu tinha 6 anos. Canto desde que comecei a falar (risos). O "Top 40" da rádio foi meu professor musical e foi a época de Steve Perry, Freddie Mercury e Styx, que deram minhas primeiras experiências que eu precisava para o rock. Gosto muito de "soul" e "R&B", como Sam Cooke & Jackie Wilson, Terence Trent'Darby e Prince. Estes foram muito influentes para o lado "soul" e "black" de meu estilo. Gosto de cantar de tudo e adoro quando uma música quebra meus ossos.

Whiplash! - Voltando a sua discografia, você participou em 2002 do projeto HUMANIMAL, com os mesmos membros do Talisman, mas com uma linha mais heavy. Como surgiu este projeto e ele terá continuidade?

Jeff / Humanimal foi uma idéia Marcel e Pontus (Nogren, guitarrista) que depois me envolveu. Incialmente era para ser um álbum conceitual e eu seria apenas convidado a cantar 3 ou 4 músicas, mas acabou se tornando algo muito rentável para a gravadora. Tive pouco envolvimento com o cd, escrevendo apenas algumas letras e melodias.

Whiplash! - Você também participa ativamente de cd's tributo. Fale algo sobre suas participações. A versão que você gravou para "Shot in the Dark" no cd "Bat Head Soup" (An Ozzy Tribute), ficou muito boa.

Jeff / Obrigado. Gosto de fazer essas participações, e são bem fáceis de serem feitas. Não tento reinventar as músicas, apenas as canto como elas têm que ser cantadas. Não participaria em tributos cujas bandas eu não me identificasse.

Whiplash! - Sua carreira solo começou efetivamente com "Love Parade" (1995). Como foi gravar este álbum?

Jeff / "Love Parade" foi um projeto do qual nunca participaria. Ele serviu para me mostrar outras melodias e experimentar novos territórios sem envolvimento de gravadoras. Faria tudo de novo, mas colocaria mais rock nele. Foi uma revolta para todos que sempre me consideraram um cantor de metal. Só queria me divertir com minhas influências de "R&B", mas acho que o resultado não foi o que eu planejava.

Whiplash! - Em 2002, você lançou o cd "Prims" e o EP "Holding On". Quais bandas atualmente você tem ouvindo e quais bandas que hoje aparecem como expoentes tem chamado sua atenção?

Jeff / Não muitas, lamento informar. Gosto de bandas novas como Maroon5 e Evanescence, como Eminem, Linkin Park e OutKast. Meu filho de 16 anos ouve muitas dessas bandas novas, então acabo ouvindo. algumas não são ruins, mas a maioria é lixo.

Whiplash! - "Prism" é um bom cd de hard rock com uma pegada funky. Qual foi sua intenção em mesclar hard rock com funk music. Como você ve este cd hoje e como foi cantar com Gleen Hughes, "The Voice of Rock"?

Jeff / A intenção era ser mais que melódico e direto. Eu queria por algum "groove" nessa pegada hard. Foi ótimo ter gravado com Gleen, ele é um cantor excepcional. Me diverti muito com este cd, mas agora estou bem certo do que devo fazer no próximo.

Whiplash! - Em 2002 você veio ao Brasil para um show especial em São Paulo. Como foi para você esta experiência e quais foram as dificuldades para montar o "set-list"?

Jeff / Como em todo lugar aonde toco com minha banda solo, algumas músicas se destacam em cada país. Escolher as músicas que tocamos não é fácil para que o público fique satisfeito com o repertório, mas não quero deixar nada de fora. Tento fazer uma média de minha carreira com o que os fãs curtem... ás vezes deixo uma votação em aberto para que eles possam escolher, me ajudando a criar o "set-list".

Whiplash! - Talisman, Humanimal, carreira solo? Como lidar com tantos projetos num dia de 24 horas?

Jeff / É fácil. Quando um acaba, vou para o outro. Talisman sempre foi meu favorito. Mas agora eu dou preferência a minha carreira solo, porque ao vivo posso tocar de tudo. Minha banda é muito versátil, podemos fazer tudo o que as outras bandas em que toquei e ainda toco fazem, e ainda mais.

Whiplash! - Você pretende voltar a gravar com os Boogie Knights? Se sim, como seria um cd novo com eles?

Jeff / Não. Me concentro em minha carreira solo agora. Chega dos Bee Gees (risos).

Whiplash! - Você cantou 4 músicas na trilha sonora do filme "Rockstar". O que você achou do filme, e porque não escreveu nada especialmente para ele?

Jeff / Gostei bastante. Além de divertido, mostrou alguns aspectos do cenário rock dos anos 80. Fui convidado para cantar quando o material já estava todo escolhido, por isso não escrevi nada.

Whiplash! - Ano passado você tocou em algumas convenções de fãs do Queen com sua banda solo e dois vocalistas de apoio, tendo lançado um DVD de um destes shows. Porque você começou este novo projeto e vocês ainda pretendem fazer mais shows com esta banda tributo? Você já esteve em contato com algum membro do Queen, com tantos rumores de que a banda voltaria a ativa com um novo cantor?

Jeff / Fiz estes shows mais como uma retribuição ao fã clube do Queen, que foi mágico em me arrumar um encontro com Brian May. Eles também me ajudaram a cantar com o Queen em Los Angeles há 2 anos, então quando me perguntaram sobre a a possibilidade de fazer um "set" inteiro de músicas do Queen com minha banda, eu disse sim sem hesitar. Adoro Queen! Conheço todas as músicas, então não foi difícil para mim. Muitos boatos vieram depois e durante, mas falei com Brian May há poucos dias e ele me garantiu que até o momento não existem planos para uma reunião. Mas ele me prometeu que se isso ocorrer, serei lembrado e considerado. Pretendo fazer shows na convenção de novo este ano, mas depois destes eventos, não os farei mais. Há outros projetos para minha carreira solo que desejo explorar.

Whiplash! - Jeff, olhando para trás nestes 23 anos de carreira (desde a banda Unity em 1982), há algo que você mudaria se pudesse voltar no tempo?

Jeff / Acho que mudaria de Unidade para Eternidade. Fiz muitos projetos apenas por trabalho e dinheiro e se pudesse voltar eu mudaria isso. Mas eu fiz a fama e agora tenho que deitar na cama. Muito do que fiz me ensinou como melhorar no futuro, e não o que fazer, sim como fazer. Tive muita sorte e bênção de estar satisfeito com minha carreira. Mas vocês apenas viram o capítulo 1, o 2 começa este ano!!!!!

Whiplash! - O que você pode nos adiantar sobre seu novo álbum solo? Você pretende vir ao Brasil de novo?

Jeff / Estou escrevendo o material, mas também estou trabalhando num novo projeto com Neal Schon e Deen Castronovo (guitarrista e baterista do Journey, respectivamente), então talvez seja preciso adiar meu novo álbum solo. Os planos eram para lançá-lo em outubro, mas não quero misturá-lo com o projeto com o pessoal do Journey. Estou conversando com 2 frentes para vir ao brasil duas vezes este ano, uma em Maio e outra em Outubro.Espero ter boas novas sobre isso nas próximas duas semanas.

Whiplash! - Jeff, obrigado pela entrevista. Este espaço é seu para deixar uma mensagem para seus fãs, e para todos que curtem sua música.

Jeff / Como eu disse, preparem-se para ouvirem muito de mim em 2004, gostando ou não. Obrigado por toda a lealdade e apoio, e mal posso esperar para cantar para vocês de novo!!!!!

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