Angra - Entrevista exclusiva com o novo vocalista Edu Falaschi.

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Angra - Entrevista exclusiva com o novo vocalista Edu Falaschi.


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A Whiplash! está sempre atrás das últimas novidades do cenário metal nacional. Na nossa última entrevista com o Angra, em agosto do ano passado, foi a vez de esclarecer todo o acontecido da saída dos três integrantes, desmentir boatos e comentar sobre o futuro. Agora a conversamos com o novo vocalista da banda: ninguém mais ninguém menos do que Eduardo Falaschi, respeitado por sua competência muito antes da entrada na atual banda. Nesta entrevista, Edu nos conta um pouco de como foi toda esta mudança, do que andam compondo no Angra, dos planos para o futuro e ainda manda uma mensagem aos fãs! Confira.

Por Anderson Guimarães e Debora Ribeiro

Whiplash! - Antes de mais nada, como foi toda a transição desde sua saída do Symbols até a fase atual no Angra?

Edu Falaschi / Realmente, tivemos um período que foi um pouco difícil pois no Symbols já tinha um clima chato, nós sabíamos que o Tito e o Arjonas deixariam a banda e, além disso, eu já tinha sido convidado pelo Angra a fazer um teste. Todos eles já sabiam desse fato, eu nunca escondi nada deles. Não seria justo. O tempo foi passando, dois membros deixaram realmente a banda e mesmo assim continuamos a trabalhar pelo Symbols. Mas cerca de dois meses depois eu fui confirmado no angra. Ainda tentei conversar com os remanescentes do Symbols para realizarmos um terceiro disco mesmo eu estando no Angra, mas eles não aceitaram, não queriam ser segundo plano, segundo eles, então tive que respeitar a opinião deles.

Whiplash! - Com a entrada de 3 novos membros no Angra, foram trazidas novas influências ao som da banda. O que cada um dos novos membros trouxe de novo para essa nova fase?

Edu Falaschi / Primeiro de tudo foi a motivação, empolgação e vontade de trabalhar, musicalmente falando, todos nós quisemos manter as características principais do Angra. Eu particularmente procurei manter as características das linhas vocais antigas, mas com o meu estilo, já o Aquiles Priester (batera) e o Felipe Andreoli (baixo) certamente contribuirão para que a banda mantenha a qualidade de sempre pois são extremamente técnicos e ao mesmo tempo possuem uma grande pegada, uma cozinha de primeira. O legal de tudo isso é que as músicas estão saindo com muito “punch”, muita energia.

Whiplash! - André Matos e Rafael Bittencourt eram os principais compositores do Angra. Como está sendo sua participação no processo de composição do novo material?

Edu Falaschi / Estamos todos compondo juntos, isso é muito legal. No Symbols eu era, além do Tito e do Arjonas, o principal compositor. Então quando nos reunimos pela primeira vez, eu já mostrei algumas músicas (afinal as músicas que eu fazia no Symbols tinham, de certa forma, muito a ver com Angra) porém o Rafa e o Kiko são peças fundamentais mesmo nas minhas músicas, pois eles complementam de forma que a música fique totalmente a cara do Angra. Mas devo dizer também que o Aquiles e o Felipe tem idéias realmente fantásticas.

Whiplash! - Você deixou o Symbols unicamente para juntar-se ao Angra. Houve algum tipo de briga com os integrantes do Symbols que tenha influenciado na tomada dessa decisão ou você apenas queria alcançar um novo estágio na sua carreira?

Edu Falaschi / Não tivemos nenhuma briga. Eles sabiam que essa era uma oportunidade única e que eu não poderia desperdiçar. Aliás, ninguém poderia!

Whiplash! - Gostaríamos, se possível, que você fizesse uma pequena comparação entre as novas músicas do Angra e as antigas. Que elementos terão mais ou menos ênfase na nova fase da banda, diferentes estilos, etc.

Edu Falaschi / É muito difícil fazer algum tipo de comparação visto que cada disco do Angra é diferente um do outro. Mas certamente ainda vai ter aquele toque de música clássica, ritmos brasileiros. Estamos procurando fazer um disco na praia do “Angels Cry”, um pouco mais direto eu diria mais “metal” , esse disco terá muita energia!!!

Whiplash! - Há alguns anos, você se revelou uma (boa) surpresa entre os vocalistas brasileiros até sendo apontado como uma das melhores vozes da nova safra do metal brasileiro (vale ainda mencionar sua cogitação para entrada no Iron Maiden quando da saída de Bruce). Porém, uma pergunta torna-se inevitável: como está sendo para você ocupar o posto que um dia pertenceu a Andre Matos, considerado um dos melhores vocalistas do mundo? De que forma você encara isso?

Edu Falaschi / Com muita alegria, é claro! Mas com consciência de que tenho muita responsabilidade também, afinal não estou substituindo qualquer um. Mas o sol nasce pra todos, e agora tenho a oportunidade de mostrar o meu trabalho para um número maior de pessoas. Porém, nunca me esquecerei dos meus primeiros fãs e das pessoas que me deram força nesses anos todos, pois sem eles eu nunca estaria onde estou agora. O principal fator para se ter sucesso em qualquer situação é e sempre será... humildade.

Whiplash! - Como está sendo a recepção dos fãs do Angra em relação aos novos membros?

Edu Falaschi / Felizmente está sendo muito boa. É claro que nada é unanime, mas eu diria que a maioria está muito feliz, solidária à banda, e confiante quanto ao nosso futuro. Acredito que isso vai aumentar mais ainda quando sair o disco e começarem os shows pois a grande preocupação da maioria é de como será ao vivo.

Whiplash! - Muitos boatos percorreram a mídia de que antes mesmo da confirmação da saída de André Matos do grupo, você já estava ensaiando com a banda. O que há de verdade nisso tudo?

Edu Falaschi / Em 1997, antes de sair o “Fireworks” eles já me contactaram e falaram da possibilidade de eu fazer um teste para entrar no Angra. Então fizemos um ensaio. Na época todos eles, inclusive o Ricardo e o Luís estavam presentes, pois o André talvez deixasse a banda. Mas isso acabou não se consumando, daí passou o tempo e eles me ligaram novamente, fiz mais testes com vários outros vocalistas e finalmente estou aqui.

Whiplash! - Na nova música, "Acid Rain", disponível para download no site do Angra (http://www.angra.net), podemos notar que você manteve seu estilo de cantar tornando os vocais ligeiramente mais suaves do que costumava ser no Symbols. De que forma o seu vocal está contribuindo para a "nova cara" da banda?

Edu Falaschi / Realmente nessa música procurei cantar no estilo “The Traveller” (música do Symbols), que tem mais a ver com Angra. Porém, o disco terá mais músicas e eu terei mais opções para cantar, se for o caso, com mais peso, tipo uma voz mais rasgada, que é o que me caracterizou no Symbols. Acho bem possível que isso aconteça.

Whiplash! - Faça uma análise da cena metal nacional. Sabe-se que boas bandas não faltam, mas o que torna tão árduo manter e progredir com uma banda de metal aqui no Brasil?

Edu Falaschi / A cena está de fato crescendo e se tornando mais profissional. Ainda restam algumas pessoas que atrapalham esse crescimento, mas tenho fé que com o tempo tudo melhorará pois o bom senso está tomando espaço, como por exemplo: as bandas nacionais estão melhorando de nível, os estúdios estão muito melhores na relação custo/benefício, os fãs de heavy metal deram uma aula de comportamento no Rock In Rio 3. Existem alguns projetos ousados como o “Hamlet” idealizado pela “DieHard Records” que conta com a participação de várias bandas do Brasil que serão divulgadas no exterior. Tudo isso só ajuda a fortalecer o meio. Aquele papo de “sexo, drogas e rock & roll” e “porraloquisse” já era! Isso foi em 1970! Agora o metal contribui muito mais para a evolução da sociedade do que ser apenas um mero estilo musical. Já teve o “bum” das bandas da Alemanha, depois italianas. Estão surgindo muitas finlandesas e pode logo chegar a hora das brasileiras, por que não? É só termos seriedade, honestidade, dignidade e apoiar o metal nacional que chegaremos lá!!!

Whiplash! - Afinal, o Symbols acabou? Diante da saída de tantos membros, existe algum projeto dos integrantes remanescentes em continuar com a banda?

Edu Falaschi / Pelo que eu sei, eles continuarão sim. O Rodrigo Mello, chamou os antigos membros de sua primeira banda, seu irmão e o baixista. O mais surpreendente é que o Demian, guitarrista, assumirá os vocais do Symbols. Agora, quanto ao estilo que seguirão eu não sei.

Whiplash! - Quais são as previsões de lançamento do novo álbum e por qual selo ele será lançado? Produtores em vista?

Edu Falaschi / O cd deve ser lançado até novembro. Quanto à gravadora, produtor, etc, tudo está sendo negociado ainda. Teremos algumas confirmações em breve.

Whiplash! - Vocês planejam fazer alguns shows para apresentar a nova formação ao público ou só após o lançamento do disco?

Edu Falaschi / Estamos totalmente concentrados na produção das novas músicas. Se fossemos ensaiar para um eventual show, não daria tempo de lançarmos o disco ainda esse ano. Também não devemos ficar desesperados pra sair aparecendo por aí, só por aparecer, fazendo shows, somente com repertório velho. Temos sim que realizar um disco de qualidade, em respeito aos fãs e para isso temos que fazer com carinho e muita dedicação. No final das contas, quem faz tudo acontecer são os fãs então eles merecem o melhor possível.

Whiplash! - A presença dos teclados continua marcante nas composições do Angra. Rafael e Kiko gravaram os teclados na demo, mas existe algum nome cotado para executar esses arranjos ao vivo ou mesmo na gravação do CD?

Edu Falaschi / Sim, teremos alguém responsável somente por essa parte. Devo dizer que estamos tranqüilos quanto a isso pois o Kiko é um excelente pianista, muita gente nem sabe disso, toca muito e manja muito de harmonia. O Rafa não fica atrás, visto que ele sempre foi um dos principais compositores do Angra, principalmente das clássicas da banda. Enfim, a essência e o espírito do Angra ainda estão no seu devido lugar... No Angra.

Whiplash! - Quais são os planos do Angra após o lançamento do novo CD?

Edu Falaschi / Aí sim, dar início a uma grande tour, começando pelo Brasil e só depois seguiremos para o exterior onde a principal missão é mostrar para o mundo que o Angra está de volta e mais vivo do que nunca.

Whiplash! - A versão de Acid Rain, disponível no site do Angra, é editada. A versão completa foi enviada somente a sócios do fã-clube. Porém, ambas as versões estão disponíveis para download no Napster. Qual sua opinião sobre este tipo de programa? Não seria uma injustiça com os sócios do fã-clube?

Edu Falaschi / Não considero o Napster uma ameaça pois ainda é muito mais legal você ter o CD na mão para ouvir onde quiser, com encarte, etc. O fã de heavy metal presa muito isso, não é como fã de funk, que o que vale é as “minas” rebolando e tá bom, se sair de moda beleza, parte pra outra modinha. Quanto aos fãs do Angra, não tem injustiça, pois eles ao se cadastrarem, receberam, além do CD “Demo 2001” completo, descontos nos produtos do Angra, receberam o zine do Angra, fotos, poster, etc. É uma coisa muito legal.

Quem só puxar do Napster vai ter que se contentar em ouvir só uma música, com resolução baixa e, muito provavelmente, só nas caixinhas de som do computador. Eu particularmente acho uma droga.

Whiplash! - Você fez uma carta de despedida aos fãs do Symbols. Há algo que você queira dizer agora aos fãs do Angra?

Edu Falaschi / Podem ter certeza que todos nós estamos trabalhando muito duro, com muita dedicação e amor pelo que estamos fazendo. Essa é mesmo uma nova era para todos nós, uma era de alegria, muita garra e vontade de vencer. Devo dizer que a integridade do Angra está totalmente mantida. Sem esquecer o passado, nós continuaremos a saga do Angra e construiremos um grande futuro ao lado de todos os fãs, pois sem eles o artista não é nada.

Whiplash! - O espaço a seguir é todo seu caso queira dizer algo aos leitores.

Edu Falaschi / Gostaria de agradecer a todos vocês da Whiplash! por sempre me conceder um espaço e por apoiar de forma honrosa o metal, principalmente o nacional. A todos os fãs do Angra e do metal em geral. Para os leitores eu gostaria de pedir que continuem mostrando para todos que o mundo do heavy metal é digno de respeito principalmente para com as pessoas que estão trabalhando, lutando por seus sonhos e não fazendo o mal, criticando aleatoriamente, criando intrigas e magoando pessoas honestas que lutam pelos seus ideais. Muitas pessoas não sabem, mas a maioria dos músicos do Brasil são de família humilde. Mesmo assim, estão batalhando, passando por muitas situações difíceis. Mesmo diante de todas estas dificuldades as coisas estão melhorando. Agora imaginem se todos tivessem as condições mínimas para trabalhar decentemente. Com caráter podemos tudo!!! Valeu!!!

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