Shaman - Entrevista exclusiva com os integrantes da banda.

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Shaman - Entrevista exclusiva com os integrantes da banda.


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Após a turbulenta separação do Angra, heis que eles surpreendem a todos: Andre Matos, Ricardo Confessori e Luis Mariutti uniram-se a Hugo Mariutti (irmão de Luis) para formar uma nova banda que promete agitar o cenário metálico brasileiro, o Shaman. Nesta entrevista gentilmente concedida à Whiplash!, os integrantes contam sobre os planos para a nova banda, sobre o lançamento do primeiro disco que, segundo eles mesmos, deve seguir a mesma linha adotada nas composições anteriores adicionado de algumas novidades. Confira.

Entrevista concedida a Debora Behar.

Whiplash! - De quem foi e como surgiu a idéia de formar uma nova banda contando com Andre Matos, Ricardo Confessori e Luis Mariutti?

Andre Matos / Quando o Angra se dissolveu, nós todos não sabíamos bem ao certo o que iríamos seguir fazendo… Eu, particularmente, apesar de contar com o meu projeto paralelo na Alemanha, o Virgo, sabia que sentiria muita falta de prosseguir com o trabalho realizado no Angra. Como o Luís e o Ricardo sempre tocaram e compuseram coisas juntos e como a nossa mentalidade na banda era bem próxima, acho que foi natural eles me convidarem para continuar fazendo o mesmo tipo de música com eles.

Ricardo Confessori / A idéia veio naturalmente porque é isso o que fazemos. Não sabemos fazer outro tipo de música. Não somos jazzistas, nem queremos ser. Somos metal até o último fio de cabelo. Então, como na minha opinião não tem vocal nem baixo de metal melhor para se trabalhar, a gente resolveu permanecer unidos, porque unidos somos fortes!

Whiplash! - Qual a origem do nome da banda Shaman? Sei que é o nome de uma música do álbum Holy Land, mas ela tem algum significado especial pra vocês?

Andre Matos / Shaman, que é a mesma coisa que Xamã em português, é a autoridade religiosa mais alta em vários tipos de civilizações… Um tipo de feiticeiro ou sacerdote. É o elemento que faz a ponte entre corpo, mente e espírito. Acho que isso tem muito a ver com música e com a função que ela exerce sobre nós.

Ricardo Confessori / O Shaman fazia magia para que vencessem as guerras e buscava a cura por meio de poções poderosas. Ele era aquele que poderia ter sonhos enquanto dormia, que prediziam o futuro. Uma espécie de visão do desconhecido.

Whiplash! - Vocês chamaram para tocar guitarra o irmão de Luis Mariutti, Hugo. Quais são as influências dele, digo, que tipo de som ele está acostumado a fazer e de que forma isso influenciará no estilo musical de Shaman?

Hugo Mariutti / As minhas influências vão de rock progressivo, que é meu estilo preferido até thrash metal que eu também acho bem legal.

Andre Matos / O Hugo Mariutti já possui muita experiência em bandas, tocando desde Thrash até um metal bem mais progressivo, que é o caso do Henceforth. Acho que o cara se encaixou como uma luva no som, trouxe uma pegada de guitarra bem mais precisa e forte e ao mesmo tempo os solos e arranjos de uma forma muito mais melódica…

Whiplash! - Uma pergunta inevitável, qual será o direcionamento musical de Shaman? Vocês pretendem continuar com o estilo que vem adotando há anos ou pretendem mudar algo?

Andre Matos / A verdade é que não há muito o que mudar, acho apenas que o som agora está ficando bem mais maduro e um pouco mais direto, o que de maneira nenhuma quer dizer mais pobre… Estamos voltando um pouco mais às raízes do rock pesado e ao mesmo tempo mergulhando mais fundo no lado progressivo. Mas de qualquer maneira, qualquer comparação com o Angra enquanto nós estávamos lá não seria mera coincidência: é impossível apagar um estilo que nós mesmos criamos.

Luis Mariutti / Eu acho que o som vai ficar mais solto, com mais groove de baixo e bateria e a guitarra mais solta mesmo. Isso devido as influências do Hugo. É claro que sempre haverá coisas parecidas com as que fazíamos no Angra, pois três integrantes continuam na banda, porém eu acho que a diferença vai estar mais na guitarra.

Ricardo Confessori / Em poucas palavras: será um Angra mais pesado!

Whiplash! - Ainda falando sobre a musicalidade da banda, dentro das composições de Shaman haverão experimentos com música brasileira assim como foi feito anteriormente?

Luis Mariutti / Isso acontece de uma forma bem natural na hora das composições, por isso acho que deve continuar.

Andre Matos / Na verdade nada nos impede de continuar trabalhando não só com música brasileira como com todas as nossas outras influências… Isso representa o lado mais progressivo da banda e é mais ou menos o legado que já deixamos no Angels Cry e no Holy Land, e que no Fireworks nos faltou um pouco: apesar de termos caprichado muito no lado técnico, essa outra parte, das composições, teve um pouco menos de importância… Mas acho que foi uma ótima experiência, principalmente por termos evoluído muito em nível de execução em estúdio. Agora, mesmo a possibilidade de gravar um outro disco conceitual não está descartada.

Whiplash! - O Shaman terá um guitarrista ou pretendem chamar algum outro músico?

Andre Matos / A idéia é passar a trabalhar com uma guitarra, o Hugo é um músico versátil que também domina bastante os teclados e guitarras Synth e acho que não vamos ter problemas quanto a isso. Quanto à sonoridade, a única diferença será ao vivo, pois em estúdio as guitarras podem ser dobradas. Mesmo assim, é exatamente essa sonoridade que estamos procurando; com apenas uma guitarra há mais espaço para os outros instrumentos. Ao vivo, sem dúvida, voltaremos a tocar com um tecladista convidado, que também eventualmente pode vir a tocar alguns solos.

Whiplash! - Obviamente vocês conquistaram um grande público e o nome de vocês é agora uma porta de entrada muito grande para a nova banda. Porém, acredito que surge aquela sensação de ter que começar algo novamente, fazer o Shaman conhecido e principalmente reconhecido no cenário metaller. Como é essa sensação?

Andre Matos / Por incrível que pareça é uma sensação boa, de estar renascendo de alguma maneira… Nós descobrimos que não temos medo do novo e estamos aí pro que der e vier. Claro que dói ter de deixar o nome Angra que nós mesmos construímos e que é algo pelo qual ainda temos muito carinho, mas tenho certeza que é apenas uma questão de um curto espaço de tempo para que Shaman se torne tão conhecido quanto… Como dizia aquela propaganda, não é o nome que faz uma banda e sim a banda que faz o nome.

Luis Mariutti / No começo da uma sensação de depressão, pois tínhamos uma certa estrutura e tivemos que começar de novo, porém hoje nós estamos muito contentes porque vimos que somos capazes de construir algo com tudo que aprendemos durante estes anos.

Ricardo Confessori / É bem melhor do que aquela quando você lança um novo CD com a sua antiga banda só para ganhar uns trocados.(ha,ha,ha)

Whiplash! - Já tem músicas novas prontas para o Shaman?

Hugo Mariutti / Sim, estamos se não me engano com dez músicas.

Andre Matos / Já daria teoricamente pra gravar o disco. Estamos apenas aguardando a minha volta ao Brasil [NE - no momento está na Alemanha para as gravações do Virgo] e aí terminaremos os arranjos e iniciaremos a pré-produção.

Ricardo Confessori / Temos o suficiente para lançar um CD. Só precisamos acabar algumas letras e orquestrações. Vai ser jogo rápido. Aí, é só começar a gravar e depois de gravado, esperar mais 3 meses para vê-lo nas lojas. Não é fácil fazer um CD?

Whiplash! - Existe alguma previsão para o lançamento do primeiro CD da banda?

Andre Matos / Imagino que no primeiro semestre de 2001. Claro, tudo depende das gravações, etc, mas com certeza já sairemos com algum single ou video antes disso.

Whiplash! - Vocês já tem contrato com alguma gravadora, produtor, ou tem algo em vista?

Andre Matos / Sim, mas como se pode imaginar, isso ainda é bem confidencial. Na verdade acho que já aborrecemos muito os nossos fãs com todas essa história de gravadoras, empresários, etc. Não creio que isso interesse mais a muita gente, e o importante agora é pensar na música e no futuro.

Whiplash! - É sabido que o Angra não conseguiu uma projeção tão grande na Alemanha quanto em outros países como a França e o Japão onde o sucesso da banda foi algo impressionante. Tendo em vista que vocês são conhecidos pela supracitada banda, de que forma vocês pensam em entrar nesse mercado (alemão) com o Shaman, já que é onde se encontra o maior berço de bandas de heavy metal da atualidade e também um dos maiores públicos?

Andre Matos / Curiosamente, acho que a nossa maior porta de entrada para a Alemanha será através do lançamento do Virgo, que está tendo uma ótima aceitação aqui na Alemanha. Além de ser um projeto junto a um músico alemão (Sascha Paeth), a gravadora SPV de Hannover está nos dando total apoio. Acho que esta é finalmente a oportunidade que sempre faltou ao Angra…

Ricardo Confessori / Queremos entrar pela porta da frente, ou seja, surpreendendo com as novas músicas.

Whiplash! - Sobre o mercado brasileiro, vocês acham que as discussões e problemas encontrados com a saída de vocês do Angra podem afetar a divulgação/distribuição do material do Shaman no Brasil?

Andre Matos / De maneira alguma. Não creio que tenhamos qualquer tipo de problema de divulgação ou distribuição (que muito prejudicou o Angra no passado) pois saberemos escolher as pessoas certas com quem trabalhar e por sorte o mercado hoje em dia está se renovando e diversificando rapidamente.

Ricardo Confessori / O único meio que não irá nos divulgar com certeza é a Rock Brigade. Irônico, não? Até pouco tempo costumávamos ser bem cotados como um ótimo atrativo na Capa, para vender exemplares da Rock Brigade. É curioso notar na revista o incrível número de matérias com bandas que são lançadas pelo seu próprio selo: a Rock Brigade Records/Laser Company.

Whiplash! - Andre Matos : No Brasil você foi o precursor do estilo de vocal que posteriormente foi copiado e/ou serviu como inspiração para diversos outros vocalistas. Hoje muitos dizem que soar como Andre Matos é praticamente chegar à melhor linha vocal possível. Porém, tamanha admiração resultou em uma enxurrada de bandas que seguem esse mesmo estilo. Você acha que saturou um pouco ou acredita que todas essas bandas estão no caminho certo?

Andre Matos / Puxa, muito obrigado por dizer isso, mas realmente não me considero assim tão importante… Na verdade eu mesmo “copiei” estilos vocais que eu admirava e que continuo admirando, é tudo uma questão de influências… Concordo que, na época em que o Viper gravou seus dois primeiros discos, ainda não havia no Brasil muitos grupos nessa linha, o que passou a acontecer depois. Mas na verdade não acho que seja uma enxurrada e até me agrada o fato de que as novas bandas estejam procurando um estilo mais musical e mais melódico.

Whiplash! - Andre Matos: Heavy metal e música clássica é uma combinação que funciona muito bem. Você que tem formação clássica, acha que tão boa união se deve a que? Pretende usar essa combinação no Shaman?

Andre Matos / Sim, sem dúvida será um dos estilos principais também no Shaman. Essa união na verdade funciona bem pois são instrumentos que tem muita afinidade, por exemplo: guitarras e violinos, baixo e violoncelos, bateria e percussão, teclados e sopros. Isso sem dizer que a voz sempre esteve presente na música clássica, seja em forma de corais ou da própria ópera.

Whiplash! - Vocês pretendem continuar tocando as músicas do Angra ao vivo?

Ricardo Confessori / Acho que as melhores músicas do Angra sempre tem o nome do André, do Luis ou o meu no meio, então tocaremos as músicas que compomos. Sabemos que os fãs querem ouvir Carry On e Nothing to Say, então é isso aí.

Andre Matos / Sem dúvida! Eu não teria qualquer problema em tocar músicas que eu mesmo compus e acho que seria até injusto com o público! Tocaremos, sim, todas aquelas que nós estivermos a fim e isso deve variar de show para show. Essa também é a melhor maneira de garantir que o Shaman comece a tocar logo ao vivo; faríamos uma boa parte do show de músicas do ex-Angra e já apresentaríamos algumas novas do Shaman mesmo antes de lançar o disco!

Whiplash! - Andre Matos: Falando um pouco sobre seu projeto com Sasha Paeth. Você pode nos adiantar algo como lançamento de disco, estilo musical, etc?

Andre Matos / A maior parte do instrumental do Virgo já foi gravada. Agora estou começando a colocar a voz nas músicas. Será um disco com mais de dez faixas, cada uma bem diferente da outra. Como tanto o Sascha quanto eu viemos originalmente de bandas de Metal, optamos por fazer o som do Virgo bem mais eclético, baseado num rock mais tradicional que poderíamos comparar ao Queen – não tanto musicalmente mas sim pelo conceitual… É importante dizer que o Virgo é um projeto que já vem tomando forma há mais de cinco anos e só agora nós tivemos tempo pra concretizar isso – mas de maneira alguma houve jamais a intenção de substituir o Angra ou coisa parecida… O estilo musical é completamente diferente e é bom as pessoas estarem preparadas para isso! Enfim, é algo que eu sempre quis experimentar, trabalhar fora do Metal e conseguir mesmo assim com que a música seja forte e convincente!

Whiplash! - No passado vocês tiveram momentos inesquecíveis com seus ex-companheiros tocando em festivais, shows lotados e dividindo tantas alegrias. Não dá uma saudade deles ou pelo menos desses momentos?

Andre Matos / A maior saudade que eu tenho não é a dos grandes acontecimentos, e sim, de quando nós começamos com a banda, cheios de sonhos na cabeça e quando ainda havia muita amizade entre nós… de quando nós ainda não éramos nada e nem sabíamos o que aconteceria… Destes amigos sim, eu sinto falta…! É uma pena, mas temo que eles se tenham perdido para sempre em algum lugar do passado…

Whiplash! - Finalmente, o que os fãs podem esperar do Shaman? Aproveite o espaço para dar seu recado a todos que estão lendo a entrevista.

Andre Matos / Podem esperar uma banda de verdade; isso não é só mais um embuste – como seria o caso se estivéssemos agora no Angra – e sim algo que fazemos por vocês!… Eu sei, parece mesmo um paradoxo, mas prometo que todos irão entender quando nos virem de novo no palco… Eu quero já de antemão agradecer a todos que estão nos apoiando nesse momento! Muito obrigado pela força!! Até breve!

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