Rafael Bittencourt - Entrevista exclusiva com o guitarrista do Angra.

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Rafael Bittencourt - Entrevista exclusiva com o guitarrista do Angra.


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Mais uma vez a Whiplash! quis esclarecer alguns boatos e foi atrás da outra versão sobre a saída de 3 membros do Angra. Procuramos Rafael Bittencourt (guitarra) que, juntamente com Kiko Loureiro (guitarra), quer continuar com o Angra mesmo depois da saída de Andre Matos (vocal), Luis Mariutti (baixo) e Ricardo Confessori (bateria). Nesta entrevista Rafael nos conta um pouco sobre como tudo aconteceu, sobre os planos para o futuro e sobre o apoio dos fãs.

Entrevista concedida à Talita Capella

Fotos - Site Oficial

Whiplash! / Você e o Kiko ainda pensam em fazer uma “despedida” com o resto da banda ou realmente já acabou?

Rafael Bittencourt / Nós tentamos de tudo para conseguir uma reaproximação dos membros, para fazer ou uma despedida ou até mais um disco porém foi impossível. Nossa última esperança agora é um abaixo assinado que os fãs estão organizando que talvez sensibilize-os para ao menos um show de despedida. Nós já conseguimos mais de 2 mil assinaturas.

Whiplash! / O que aconteceu na realidade? Desentendimentos pessoais entre os músicos, problemas com o empresário? É verdade que esse problemas vem ocorrendo desde o Fireworks?

Rafael Bittencourt / Acontece o seguinte: antes do Fireworks o André já queria sair e a gente negociou para que ele continuasse e tudo mais, o convencemos. Porém, ele passou a turnê inteira um pouco descontente, distante, e já tinha outros projetos em andamento, o projeto solo dele. Então no fim das contas ele já estava querendo sair e acho que foi uma soma de fatores que na verdade o levaram a tomar uma decisão definitiva. Depois de 8 anos estávamos todos cansados da turnê e do convívio, mas nada que fosse assim tão trágico que não pudéssemos nos suportar.

Whiplash! / E o que levou o Ricado Confessori e o Luis Mariutti a também sair da banda?

Rafael Bittencourt / Isso seria mais relacionado aos problemas administrativos. Foi o seguinte: era uma banda de brincadeira, de fundo de quintal que de repente começou a gerar negócios internacionais. Então foi tudo uma surpresa para a gente e tal, e não tínhamos estrutura e recursos para administrar com categoria todos contratos e movimentação financeira com as gravadoras, empresários fora do Brasil. Depois de 9 anos fomos fazer uma auditoria e percebemos uma serie de irregularidades e a banda se dividiu nesse momento, pois alguns achavam que tínhamos que enfrentar, cada um assumindo sua parte de culpa e enfrentando esse problemas para que melhorasse tudo, até o convívio melhoraria porque os problemas desgastavam o relacionamento. Outros não, desistiram, desanimaram com a quantidade de problemas que a gente se depôs.

Whiplash! / E como o nome Angra entra nessa história? O André Matos em seu comunicado oficial disse que o nome agora está nas mãos do empresário de vocês e que isso era algo que ele não gostaria que acontecesse.

Rafael Bittencourt / Esse comunicado é um pouco mal-explicado, é uma coisa bastante sucinta e tal. O nome pertencia aos 6, sempre pertenceu aos 5 integrantes e ao empresário, sempre foi uma sociedade bastante democrática nesse sentido. Eles resolveram sair da banda e abrir a mão do nome. Ao sair da banda assinaram um documento por vontade própria no qual abriam mão do nome, porque eles estariam então seguindo interesses diferentes. Temos que tomar cuidado agora porque eles podem estar se dando conta da possível atitude precipitada, então eles estão procurando justificativa onde não têm. Não existe uma razão, mesmo que houvessem problemas, nenhum problema justifica ele de repente ter aberto mão de tudo; nem o convívio nem nada era tão insuportável que não se merecesse continuar e tal. O que acontecesse é que eles tinham interesses diferentes, estavam querendo fazer outro som, o André estava querendo fazer um som mais pop, se você pegar o novo cd dele é bem diferente o estilo. E a idéia do Angra seria manter o estilo do Angra, manter as nossas raízes. Acho que teve esse fator também, essa vontade de fazer outras coisas. O Ricardo estava misturando coisas techno, de computador no som dele, que é tudo muito legal e tal, a gente até o tempo inteiro conversou de todos terem seus projetos solos, mas que continuassem com a banda.

Whiplash! / Então você me diz que os músicos talvez possam estar arrependidos da atitude que eles tomaram precipitadamente, que você e o Kiko estão fazendo o abaixo assinado... Nada ainda é 100% definitivo?

Rafael Bittencourt / Olha, a posição que eles nos deram é definitiva, mas eles até agora não ouviram um apelo dos fãs. Por isso eu digo, eu torço para que esse apelo sensibilize aos 3. Quanto a estarem arrependidos eu realmente não sei, não quis dizer isso, quis dizer que eles não tem como justificar, eles procuram falar que é por isso ou por aquilo, eles procuram culpar pessoas por eles terem saído enquanto o único motivo é a vontade deles. Agora a imprensa está caindo em cima deles querendo justificativas e tudo mais e eles não estão querendo “ah, eu estava afim de sair porque eu tenho um outro projeto” é isso que eles não estão tendo a coragem de assumir, e ficam culpando esse ou aquilo. E que são problemas que existem, são fatos, mas em qualquer sociedade você precisa ter o peito de estar enfrentando esses problemas o tempo inteiro, nenhum negócio é livre de empecilhos.

Whiplash! / Como você acha que será o convívio de vocês caso ocorra uma despedida?

Rafael Bittencourt / Eu acho que seria uma coisa boa, educada. Eu acho que seria muito gostoso você chegar, estender a mão, falar “foi legal, tchau, boa sorte”, eu acho que seria algo bastante civilizado e seria bom não só para os fãs mais para colocar um ponto final nesse convívio de 8 anos entre nós.

Whiplash! / A amizade entre vocês continua?

Rafael Bittencourt / A amizade surge mais como uma conseqüência do convívio, quando se tem um convívio saudável com alguns. E essa amizade às vezes ela é maior com uns do que com outros. Nessa fase que estamos passando está rolando uma certa “estranheza” entre os membros, mas o tempo sela isso, o tempo cura e especialmente o Luís que é meu padrinho de casamento e eu tenho vontade de recuperar um convívio.

Whiplash! / Aqui no Brasil antes do lançamento do Fireworks houveram diversos boatos sobre a banda, que certo integrante estaria indo para o Helloween e outras coisas. Isso tem algo a ver com a vontade do André querer deixar a banda já naquele momento?

Rafael Bittencourt / As fofocas surgiram um pouquinho porque a gente demorou para lançar o Fireworks e toda vez que a gente demora para lançar um disco e sai um pouco de cena, começam pintar boatos. Mas tinha-se um pouco de razão porque as pessoas que estavam próximas ao André sabiam de sua vontade, pois ele não queria gravar o Fireworks. Nós chegamos até a fazer testes com outros vocalistas porque ele estava com uma posição de sair definida. Daí conversamos com ele e ele resolveu ficar e gravar o disco, mas com todos os problemas que já estavam acumulados esse disco não saiu ao nosso contento. Se tivesse uma integração maior entre a banda o disco teria saído melhor, mais bem acabado. Só que eu acho que esse descontento piorou na cabeça do André e ele pensou “vou fazer mais um disco que não é do nosso contento” porque já tava tudo desgastado, então teve um momento em que resolvemos fazer uma auditoria contábil e administrativa, e rever todos os problemas justamente para renovar e prosseguir. Para que a gente pudesse sentar e conversar a parte de relacionamento, quem sabe zerar tudo e começar de novo. Mas dada a tamanha profundeza dos problemas alguns desistiram e eu e o Kiko resolvemos ficar e encarar.

Whiplash! / Vocês já estão procurando novos músicos?

Rafael Bittencourt / Temos ouvido muito a opinião dos fãs e ouvindo alguns cds para fazer tipo uma pré-seleção. Mas ainda não chegamos a contatar ninguém e ainda estamos deixando sentir um pouco.

Whiplash! / Então o que andaram falando sobre vocês já terem entrado em contato com o Eduardo Falaschi (vocalista do Symbols) não é verdade?

Rafael Bittencourt / Não, não é verdade. Eu cheguei a ouvir o cd do Eduardo porque quando o André pensou em sair fizemos um teste com o Eduardo, e foi legal e tudo, estávamos os 4 integrantes (eu, o Kiko, o Luis e o Ricardo), só que isso foi antes do Fireworks. Agora as pessoas que estão próximas a ele e sabem dessa história falam “ah, talvez seja ele que eles já conhecem e tudo mais” e pode até ser que seja porque é um grande cantor. Mas não está nada decidido ainda, só ligamos para ele para dar uma satisfação para ele, porque senão ele fica sabendo de outra forma e fica uma situação meio chata. Só falamos que estamos ouvindo o cd dele, que iremos mandar o cd para as gravadoras de fora, para que elas também possam dar um parecer.

Whiplash! / Quanto a música vocês pretendem continuar exatamente no mesmo estilo?

Rafael Bittencourt / Exatamente do mesmo estilo, queremos especialmente resgatar o começo do Angra, queremos resgatar a energia do Angels Cry, do Holy Land, das nossas experiências e fusões com música brasileira e música clássica, rock progressivo.

Whiplash! / Mesmo o Holy Land tendo sido melhor recebido no exterior e tendo sido criticado no Brasil justamente por causa dessas fusões?

Rafael Bittencourt / Aqui no Brasil sempre há essas críticas, porque esse tipo de coisa, a música brasileira, é muito comum para os brasileiros, eles não sabem avaliar o valor da própria música, aliás o brasileiro não sabe avaliar o valor da própria cultura. Por isso o brasileiro não tem memória e uma série de outras coisas que o brasileiro não tem parâmetros. Mas eu não vejo assim, porque logo que o cd saiu ele recebeu críticas, mas aos poucos ele foi sendo recebido e até hoje tem a velha discussão de qual é o melhor. Com o passar dos anos o Holy Land foi se transformando num clássico, por causa da fusão da música brasileira com o speed metal, e o brasileiro passou a aceitar mais com os nossos depoimentos, entrevistas, com os nossos argumentos. A gente acaba educando um pouco o público que não valoriza isso.

Whiplash! / Vocês não tem receio de terem que lutar novamente para conseguir tudo o que já haviam alcançado no exterior com essa divisão?

Rafael Bittencourt / Claro que existe, não é só o receio, é o fato. Vamos ter uma perda grande, os fãs estão muito decepcionados, traumatizados, eu acredito que muitos irão comprar os nossos discos somente por curiosidade, por compaixão, aquela coisa toda. Obviamente não vai ser a mesma coisa, porque o que eram os 5 eram os 5, agora vai ser outros 5, outros 3 para substituir. Mas esse é um trabalho que a gente iniciou, pelo qual a gente deu muito sangue, muito suor, e que a gente quer continuar mesmo que haja perdas estamos afim de encarar todos os problemas e seguir com todas as dificuldades. A banda se desfez um pouco por causa disso, uns queriam encarar os problemas e outros achavam melhor começar outra coisa de zero. Nós achamos que começar outra coisa do zero é um pouco de falta de coragem, de repente a gente pegar um Angra ou começar uma banda nova estaremos perdendo de qualquer jeito e já que existe o Angra, existe o público, existe o talento entre nós dois para fazer as músicas a gente vai seguir e inclusive porque qualquer coisa que eu for fazer diferente em outro grupo vai ter o estilo do Angra, porque é isso que eu sei fazer e é o que eu gosto. Isso é o principal, eu vou começar um novo com o mesmo estilo, com o mesmo tipo de música? É meio sem sentido. Eu prefiro continuar, perder um pouco o público, trabalhar um pouco para reconquistar mas continuar fazendo o que eu gosto.

Whiplash! / Vocês estão tendo mais apoio ou críticas dos fãs?

Rafael Bittencourt / Muito apoio, um apoio que tem até nos surpreendido. No começo eu desanimei, pensei que não ia dar, cheguei a desanimar completamente, o Kiko foi o primeiro a me incentivar a continuar e o público tem incentivado o tempo inteiro. Estamos recebendo muito carinho, os fãs estão com um certo sentimento de traição de terem sidos deixados, largados. E a postura que eu e o Kiko tivemos com os fãs foi sempre de respeito, porque simplesmente eu não posso falar que não quero, não estou mais afim que se dane, largar todo mundo que está trabalhando conosco, porque não são só os 5, temos uma estrutura internacional de pessoas envolvidas e esse foi mais um dos argumentos que entramos em contradição dentro do grupo, porque nós achamos que tínhamos que cumprir contrato, uma série de coisas que não são assim que você vira as costas, uma série de coisas que um profissional tem que fazer. As pessoas estão percebendo isso e nos apoiando bastante.

Whiplash! / Na sua opinião os fãs estão com “raiva” dos outros integrantes ou eles só querem todos juntos de volta?

Rafael Bittencourt / Eles não estão com raiva, eles estão tristes, porque os caras compraram, foram em todos os shows, investiram em cd, em tempo, energia que você gasta na devoção da coisa, pensando na coisa, se inteirando da coisa. Porque a gente tem uma relação próxima com os fãs, de interatividade, eles dão palpite e às vezes a gente até faz música em cima do palpite do fã, para agradar e ter uma comunicação. E os caras gostam muito disso e esse é o segredo, estamos muito próximos dos fãs e nos comunicamos muito com eles. Acho que eles estão apoiando a todos, mas acham que o melhor caminho seriam os 5 juntos.

Whiplash! / E o fato do Luís e do Ricardo ainda não terem dado nenhum parecer público, não terem se manifestado, do André ter dito que falava pelos 3?

Rafael Bittencourt / Existe aquela coisa, primeiro as revistas procuram os vocalistas, depois os guitarristas (risos) e por aí vai. Acho que quando eles forem procurados eles falarão, darão. Talvez o André tenha falado por eles, mas então os 3 deveriam ter assinado. Por exemplo, ontem me perguntaram o que o Luis e o Ricardo estavam pensando e eu realmente não sei, porque faz tempo que a gente não conversa, aliás essa coisa toda aconteceu sem que a gente tivesse sentado para ter uma conversa definitiva. Para mim é muito mais importante ter essa conversa do que fazer um show de despedida.

Whiplash! / O que você pode dizer ao seu público que está esperando alguma novidade?

Rafael Bittencourt / Eu primeiro queria agradecer muito aos fãs pelo carinho que eles tem nos dado, e pelo incentivo. Porque está sendo um momento difícil, eu não estou achando que vai ser fácil, não vai ser nada fácil pegar e continuar o Angra. Vai ser muito difícil substitui-los a altura, os três, mas não é impossível. Eu peço para eles aguardarem e não tomarem partido, que em nenhum momento a gente procure achar culpado pelo o que aconteceu, porque vai ser uma situação bastante desagradável para todos, que eles compreendam isso como caminhos de pessoas que se separam e que não culpem ou menosprezem ninguém por causa disso.

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