
É, entretanto, em sua letra, que encontram-se alguns dos versos mais obscuros de significância; habituados a ouvir relatos de mutilação e outras bizarrices típicas do letrista e fundador BLACK FRANCIS, a faixa trouxe sentenças inusitadas como “Lá fora tem um vagão esperando, lá fora a família cozinha na fogueira, lá fora nós esperamos até o rosto ficar azul, eu sei o andar nervoso, Eu sei que a barba suja está pendurada, para fora do vagão que está esperando” dando a impressão de uma grande metáfora intrincada aos melhores moldes de “Mr, Tambourine Man” ou algo do gênero. Entretanto em entrevista a New Musical Express no mesmo ano do lançamento do disco, FRANCIS deu uma explicação bem mais prosaica- mas igualmente estranha:
“É sobre bêbados e vagabundos que viajam em trens, e acabam morrendo em terremotos na Califórnia. Antes dos terremotos, tudo fica muito calmo - animais param de falar e pássaros param de cantar e não há vento. É muito sinistro. Eu já passei por alguns terremotos leves porque cresci na Califórnia. Eu estava apenas em um dos grandes, em 1971. É muito emocionante, na verdade - uma situação cômica. É como 'a terra está tremendo, e o que você pode fazer?' Nada.”
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Paulo Severo da Costa é ensaísta, professor universitário e doente por rock n´roll. Adora críticas, mas não dá a mínima pra elas. Email para contato: [email protected]
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