
Um conto da primeira turnê mundial do VAN HALEN:
“Há um velho filme de ficção científica dos anos 50 chamado ‘Planeta Proibido’, onde os extintos habitantes são chamados de Krell. Então começamos a chamar a cocaína de “Krell”, demos um nome de ficção científica a ela. Ficávamos acordados a noite toda, até bem adentro do dia seguinte, fazendo o que chamávamos de Guerras de Krell. E a melhor Guerra de Krell foi quando o VAN HALEN estava abrindo pro BLACK SABBATH em 1978. OZZY OSBOURNE e eu tivemos uma Guerra de Krell das grandes até umas nove e meia da manhã.
Eu disse, “Oz, a hora de acordar é daqui a uns trinta minutos. Eu tenho que me limpar um pouco.”
“Okay, a gente continua isso depois.”
Dirigimos de Memphis até Nashville. Fizemos check-in num hotel. É um hotel idêntico, é como um Marriott ou sei lá qual, um Marriott estilo átrio, com as sacadas viradas pra dentro, tudo é pra dentro, aquele lance de jardins suspensos. Tal como todo McDonald’s que você vai, é idêntico.

Era meio-dia, e eu fui direto pra cama, adormeci. Acordei, abrimos o show, show lotado, 10 mil de nossos amigos mais próximos. Estamos sentados nos bastidores, e de repente, dois caras do Black Sabbath e uns parrudos entram pela porta,
“CADÊ O OZZY?”
Não que isso seja uma pergunta nova, pra mim. Ozzy não tinha NOÇÃO de onde ia, não sabia onde estava quando ele estava lá, e não sabia te dizer aonde ele havia estado – muito parecido com Columbus.
Eu digo, “Como assim, ‘cadê o Ozzy?’”
“O Ozzy não apareceu. Não temos certeza nem de que ele se registrou no hotel. Não conseguimos achar ele em canto nenhum. Não podemos fazer o show.”
“Ah, cara. Da última vez que eu o vi, ele estava indo em direção às limusines, em Memphis. E eu não o vi mais desde então. Eu to de papo pro ar, e fiz meu show, e eu não tenho idéia de onde ele esteja.”
“Ah meu deus!”

Eles voltaram pela mesma porta trinta minutes depois. “Sem vestígios. Sem pegadas. Você sabe cantar algumas das músicas do Black Sabbath?”
“Amigos, eu não sei as letras. Sinto muito.”
“Ah meu deus.”

O show é cancelado. Devolução de dinheiro pra todo lado.
Todo mundo volta pro hotel. MUITA imprensa. Ozzy havia desaparecido. A noite toda, uma vigília. É um inferno. O Sabbath inteiro está no saguão, sentado, de pernas cruzadas, como indianos, no tapete. Morosos.

Seis e meia da manhã, Ozzy sai andando do elevador. Ele voltou dos mortos!
Não, não voltou. Esse figura tinha entrado no hotel novo, enfiado a mão no bolso, pego uma chave do outro hotel, olhado pro número, entrado no elevador, e ido pro quarto. Rolou de ter uma camareira limpando o quarto.
Ele disse, “Sai daqui!”, ela correu aterrorizada, ele fecha a porta e cai no sono.
Essa é minha vida.
Tivemos que nos desdobrar e fazer um show substituto. E eu acho que foi essa a história oficial, naquela altura. Por vezes, eram sete noites seguidas. Sete shows em dias seguidos, com deslocamentos entre eles, o que quer dizer seis a oito horas dentro do ônibus, indo pra próxima cidade.”
A história acima foi retirada da autobiografia de David Lee Roth, ‘Crazy From The Heat’ [fora de catálogo]. Fotos do site VAN HALEN NEWS DESK e Ross Halfin.
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Nacho Belgrande, 33 anos, residente em Marilia - SP, é professor de inglês e francês, apesar de formado em Técnico de Engenharia de Estúdio pelo Recording Workshop de Los Angeles, nos EUA. Suas lembranças musicais mais remotas datam de 1983, com a fervilhante passagem do Kiss pelo Brasil e da alta popularidade do Queen no país. Fã(nático) por Mötley Crüe (de quem tem mais de 100 CDs), segue de perto também o trabalho de Slayer, Krisiun, Guns N´ Roses, Van Halen e Ozzy Osbourne, entre outros.
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