Mais do que bólidos sonoros, as guitarras são, na esmagadora maioria das vezes, o alter ego de muitos de seus pilotos: a Les Paul de SLASH e JIMMY PAGE, a Stratocaster de HENDRIX e CLAPTON, a IBANEZ de PAUL GILBERT e JOE SATRIANI se tornam tão características quanto a maquiagem do KISS ou o logo dos STONES.
No campo do Metal, o visual das seis cordas é acentuado pela atitude e pelas formas irreverentes: assim como as guitarras “Cadillac” de BILLY GIBBONS ou o instrumento retangular de BO DIDDLEY fizeram parte fundamental da cênica anos antes, nos anos oitenta, convenhamos , seria um tanto estranho ver KERRY KING tocando, ainda que adaptada, uma Fender Telecaster. Ainda em uma fase anterior a luthieiria menos radical do que a atual e, procurando se distanciar do exagero dos disparadores de bomba de fumaça do KISS, guitarristas como MICHAEL SCHENCKER, JAMES HETFIELD, KIRK HAMMETT e K.K. DOWNING resgataram um artefato perdido dos anos 50.

Produzidas inicialmente nos anos de 58-59, a FLYING V foi idealizada por TED MacCARTHY, então presidente da Gibson como resposta a LEO FENDER que chamou os produtos da concorrente de “obsoletos”. É válido lembrar que nessa época a ficção científica estava em moda, seriados futuristas e revistas “pulp” pipocava e, no embalo, a fábrica também apostou, na mesma época, no modelo Futura (rebatizado de Explorer, a preferida de JOHNNY WINTER). Adotada por bluesmen como ALBERT KING, a FLYING teve vida curta: diante da negativa do mercado parou de ser fabricada em menos de um ano.
Em 1967, a GIBSON modificou o shape da “voadora” e reeditou sua produção. Diante da aceitação de figuras notórias como DAVE DAVIES (KINKS) e de HENDRIX ( cuja apresentação em Monterey, portando uma dessas, é histórica), o mercado aqueceu e empresas como a DEAN e a JACKSON passaram a adotar o design em suas produções posteriores. De 1979 a 1982, a fábrica produziu o modelo Flying V2 e , nos anos 2000, a bizarríssima FLying V Reverse; no entanto, o caminho trilhado pelas pioneiras já havia disso trilhado.


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Paulo Severo da Costa é ensaísta, professor universitário e doente por rock n´roll. Adora críticas, mas não dá a mínima pra elas.
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