Lançada em 1967, “Foxy Lady” (também grafada “Foxey Lady” em algumas coletâneas), teve a honra de abrir a versão britânica de “Are You Experienced”, debut de HENDRIX e, essencialmente um dos maiores clássicos do rock n´roll. Escrita pelo guitarrista, “Foxy” é uma ode ao sexo, permeada por uma letra provocadora ( Eu estou querendo te levar para casa\\ não te causarei nenhum mal\\ você tinha que ser minha\\toda minha\\ oohh garota sexy), guiada por uma linha vocal lasciva e repleta de insinuações que serviriam como recurso eterno no rock – de “I love the Dead” de ALICE COOPER à “Welcome To the Jungle”- muita gente utilizou esse modus operandi depois.
Musicalmente, a canção adota um modelo de composição que seria utilizado repetidas vezes por HENDRIX- um riff principal seguido de algumas sequências curtas de acordes- basicamente a fórmula usada em “Voodoo Child”, “Highway Chile” e “Purple Haze”- sendo que em “Foxy” também se encontra o famoso “acorde Hendrix” (acorde dominante com o intervalo 7#9). O importante a se lembrar é que a canção foi escrita em 1967, ou seja, se hoje trata-se de uma fórmula manjada, naquela época ainda se encontrava em estágio experimental – praticamente limitada, àquela altura, as loucuras composicionais de CREAM e do próprio guitarrista.
Ao longo dos anos, “Foxy” foi executada e gravada por gente tão musicalmente distinta quanto THE CURE e ZZ TOP. Entretanto, de forma não surpreendente, um dos melhores covers da faixa foi registrado por outra banda cuja importância para o hard rock é tão seminal quanto a do próprio HENDRIX: os californianos do BLUE CHEER- tidos, por muitos, como GEDDY LEE, como os pais do metal. Lançada mais de vinte anos depois do registro original, “Foxy” ocupou o lado B do full length “Dinning With The Sharks”, nono disco da banda, lançado em 1991.
Para aqueles que conhecem bem a banda, nenhuma surpresa: a fórmula é a mesma - captadores e amplis fritando em óleo quente. Tão porradeiros como em seu primeiro registro em 1968, o BLUE não desconstruiu a melodia ou as pegada rítmica do registro original. Entretanto, como pegada é algo bem pessoal, a faixa já abre com um solo original- diferente da primeira versão, cujo riff soa solitário até a entrada do vocal. Falando em garganta, DICKIE PETERSON (falecido em 2009) vai até o limite de suas cordas vocais - o que, aliás, sempre lhe foi peculiar. DIETER SALLER, o guitarrista da banda à época, não amarelou – mesmo gravando o “pai da matéria” fez um solo original modificando, inclusive, a parte harmônica- os acordes de base - originais. Para mim, uma homenagem à altura.
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Paulo Severo da Costa é ensaísta, professor universitário e doente por rock n´roll. Adora críticas, mas não dá a mínima pra elas.
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