No mundo da música, covers podem ser encontrados em álbuns dos mais diversos artistas. Infelizmente, o ouvinte mais "leigo" pode cair facilmente na armadilha de apreciar a genialidade de determinada música sem perceber que a mesma se trata de... um cover!
Citarei aqui alguns covers que chamaram atenção - tanto do público quanto da crítica - pela sua boa execução, criatividade ou refinamento em sua produção. O que está valendo aqui são aquelas versões que trouxeram algo de realmente "novo" e autoral, de modo que se torna difícil - ou impossível - considerar tais músicas como sendo exclusivas dos artistas originais.
With a Little Help from my Friends
(Joe Cocker, 1968).
Versão original: The Beatles, 1967.
Começando logo com um "clássico de um clássico", temos aqui o cover que marcou o nome de Joe Cocker na história do rock. Com uma mistura de gospel com blues, tal versão conseguiu realmente se distanciar - no melhor sentido de todos - da versão original dos Beatles. Tenho certeza de que você já escutou essa pérola em algum lugar...
I Just Don't Know What to Do With Myself
(The White Stripes, 2003).
Versões originais: Tommy Hunt, 1962, e Dusty Springfield, 1964.
Engraçado como um ouvinte da "nova geração" deve conhecer este que é um dos mais bem sucedidos singles do White Stripes, sem ter a mínima idéia de que o mesmo se trata de um cover. Do belo pop da Dusty Springfield ao blues rock garageiro do White Stripes, podemos dizer que a canção continua bastante... "sexy", digamos assim.
Step On
(Happy Mondays, 1990).
Versão original: John Kongos, 1971.
Assim como ocorreu com o cover do White Stripes citado anteriormente, a "turminha indie" sempre ignorou a contagiante canção "He's Gonna Step On You Again" de John Kongos, em função da "clássica" releitura dos Happy Mondays - curiosamente abreviada para "Step On". Seja como for, a eletrizante versão do grupo britânico se tornou um exemplo perfeito do que era o movimento 'Madchester'.
Mr. Soul
(Rush, 2004).
Versão original: Buffalo Springfield, 1967.
O Rush é uma daquelas bandas que realmente não precisam de covers em sua discografia. Por outro lado, quando o trio resolveu apostar em um mero EP de covers - "Feedback", de 2004 -, o resultado foi um punhado de canções que nos levam de volta ao Rush "hard rocker" do início dos anos 70. Um bom exemplo é a peculiar versão para "Mr. Soul", do Buffalo Springfield.
Superstar
(Sonic Youth, 1994).
Versão original: Delaney and Bonnie, 1969, e Carpenters, 1971.
Para quem já conhecia o grande sucesso pop "Superstar", deve ter sido chocante perceber como a letárgica versão do Sonic Youth conseguia se diferenciar da versão dos Carpenters, mas sem perder o apelo mais acessível da canção.
Cum On Feel the Noize
(Quiet Riot, 1983).
Versão original: Slade, 1973.
Um bom exemplo da transição do "glam rock" setentista para o "hair metal" oitentista pode ser notado no hino "Cum On Feel the Noize". Enquanto a versão original do Slade puxa para o rock 'n' roll mais cru, o cover feito pelo Quiet Riot é uma síntese perfeita da grande "festa musical" que era o tal "hard farofa". Temos aqui dois clássicos, cada um em sua década...
Agora, como diria o Guns N' Roses no encarte do seu álbum de covers "The Spaghetti Incident": faça um favor a você mesmo e procure as versões originais!
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Baiano, sempre morou em Salvador. Trabalha na área de Informática e ¨brinca¨ na bateria em momentos vagos, sem maiores pretensões. Além disso, procura conhecer novas - e antigas - bandas dos mais variados subgêneros do rock. Por fim, luta para divulgar, sempre que possível, o pouco conhecido cenário rocker da tão sofrida ¨Terra do Axé¨.
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