Mayhem: Euronymous e a influência do Tangerine Dream

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Mayhem: Euronymous e a influência do Tangerine Dream

Traduzido por M. Mortifer | Fonte: Theajnaoffensive.com

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Essa é uma tradução da carta de Conrad Schnitzler, compositor e ex-integrante do TANGERINE DREAM, sobre o encontro que ele teve com Øystein “Euronymous” Aarseth, do MAYHEM, em meados dos anos 80, antes da gravação de “Deathcrush”. Para quem desconhece, o TANGERINE DREAM é uma banda alemã, formada em 1967 por Edgar Froese (tecladista, o único remanescente da formação original do grupo), e é considerada um grande expoente do rock progressivo eletrônico, junto com o KRAFTWERK.

Conrad Schnitzler descreve como foi esse encontro e de que modo contribuiu com o trecho "Silvester Anfang", a faixa introdutória do álbum “Deathcrush”, do MAYHEM. Segue abaixo a carta na íntegra:

Olá Warren Schofield,

MAYHEM ahahah, ØYSTEIN AARSETH bah! coisa ruim.

OK, eis a minha história sobre tudo isso.

Era um dia quente de verão em Berlim, no sótão do meu apartamento. Minha esposa e eu havíamos decidido não abrir para qualquer visitante tomar o nosso tempo ou nos perturbar. Então, nós ficamos petrificados no escuro do sótão, quando a campainha soou. Naturalmente, nós não abrimos a porta; nós fingimos que não estávamos em casa. Depois de mais de uma hora tocando, ninguém lá. A cada hora seguinte continuava tocando. Nós começamos a nos aborrecer. Eu fui à porta e me defrontei com uma pessoa de cabelos compridos, eu não o conheci através do “olho mágico”. Veio a noite, a pessoa ainda na frente da porta, e agora então uma zoada. De manhã nenhuma zoada, a pessoa dormiu profundamente à porta. Eu saí furioso chutando, ele permaneceu totalmente calmo e amigável, parecia um punk, usava as mesmas correntes e braceletes com espinhos.

Em entremeios, eu devo explicar: esses anormais haviam dormido mais de uma vez lá. Esse era agradável e limpo. Mas, para nós, era desagradável tropeçar sobre essas pessoas que dormiam à minha porta e eu devo confessar que as tratava de modo totalmente rude.

E era exatamente isso que eu pretendi fazer. Mas sua notável simpatia e argumentos razoáveis, de que quis visitar a mim, o grande artista C S (nota do tradutor: Conrad Schnitzler), acalmaram-me. Eu o convidei a entrar para (um) café-da-manhã, chuveiro, almoço e bebidas.

Posteriormente, nós falamos sobre o meu trabalho. Ele me contou sobre a sua banda. Mas eu não poderia realmente imaginar sobre o seu tipo de música. Eu estava apenas trabalhando em vídeos para uma instalação do quarto. Quatro vídeos com música de jogos para por em lugares diferentes no quarto, uma repetição infinita. Ele gostou da ideia e eu perguntei a mim mesmo como um punk poderia gostar disso. Nós dissemos “adeus” como amigos.

Depois disso, eu recebi cartões com considerações amáveis dele. Uma vez, num dia de inverno, eu recebi um cartão com um pedido dele para contribuir com uma pequena parte para um LP que sua banda queria publicar. Eu peguei a primeira parte que dispunha em minha mesa de estúdio. Era um “Silvester Day” (nota do tradutor: “Silvester Day” é o mesmo que “New Year's Eve” para alguns países como Áustria, Croácia, República Tcheca, França, Alemanha, Hungria, Israel, Itália, Hungria, Polônia, Eslováquia, Eslovênia e Suíça. Ou seja, era 31 de dezembro). Eu embrulhei-a e postei (foi intitulada, acréscimo do tradutor), portanto, “SILVESTER ANFANG”. Posteriormente, eu recebi o LP Maxi dele.

Infelizmente, eu não sabia antes sobre o estilo de música da banda. Do contrário, eu teria escolhido uma parte mais pesada de meus trabalhos. Desse modo, um trecho de música muito suave está nesse LP. Eu lamentarei para sempre. Anos depois, eu desfrutei do dinheiro, nós nunca tínhamos falado disso.

Posteriormente, eu não tive mais contato pessoal com Øystein Aarseth. Depois, eu ouvi sobre o seu falecimento e as circunstâncias. Eu ainda fico deprimido quando eu penso sobre isso.

O MAYHEM nunca pediu novamente outra parte do trabalho, lamento.

Essa é a história de Conrad Schniztler, Øystein Aarseth, MAYHEM, Noruega, talvez para sempre (Nota do editor: o trecho em inglês está escrito assim).

Espero ter ajudado a responder suas perguntas.

Adeus, Con.

Agradecimentos a Warren Schofield pela permissão de imprimir isso".

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Sobre M. Mortifer

Possui graduação e Mestrado em Filosofia, atualmente cursa Doutorado e ensinanesta área. É eclético com relação à música, ouve de música erudita a Black Metal. Seus gêneros preferidos são os seguintes: Post-Punk, Dark Wave, Gothic Rock, Neo-Folk/Neo-Classical, Doom Metal, Death Metal, Gothic Metal, Folk Metal, Black Metal, Progressive Metal e Alternative Metal.

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