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Tiago Rolim - "Colecionadores são parte importante da indústria!"

Postado por Daniel Sicchierolli | Fonte: Collector´s Room |

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Tiago Rolim e Silva tem 31 anos e é casado. Psicólogo de formação, não exerce a profissão. Seu estilo preferido é o metal, mas não fecha os ouvidos para outros sons maravilhosos que existem no mundo da música.

Tiago Rolim
Vista geral da coleção
Vista geral da coleção
Vista geral da coleção
As apetitosas Legacy, Deluxe e Collector´s Editions
Os Smurfs encontram Chick Corea
Sgt. Peppers - Edição 40 anos
O curioso adesivo proibindo a venda no Brasil
Boxes do Miles Davis
O box Todo Caetano
Edição limitada do álbum Conquer, do Soulfly
Edição especial do clássico Alive, do Kiss
CDs do Ozzy Osbourne
Tiago, para começar muito obrigado por ter aceito o convite para participar da Collector´s Room. Qual o seu artista preferido.

Diria que é o Black Sabbath, em todas as encarnações.

A maior curiosidade da sua coleção é a diversidade de estilos. Como você começou a escutar música e como foi essa migração para outro estilos?

Escuto música desde sempre, pois minha mãe cantava para mim, no berço, músicas como "Trem das Sete" de Raul Seixas e "Assum Preto", do mestre Luiz Gonzaga, e não por acaso estas são umas das minhas músicas favoritas. Ou seja, desde pequeno que eu escuto músicas diferentes.

Quando criança, eu ia para a casa de um tio ficar ouvindo Raul Seixas, pois ele é um grande fã de Raul até hoje. Inclusive já vou contar uma história legal sobre discos com ele: depois de casado, eu consegui comprar uma edição rara do disco Sessão das 10 de Raul, e na hora me lembrei desse meu tio, e quis dar para ele o disco. De fato, eu dei para ele, só que a gravadora responsável pelo lançamento faliu, e nunca mais vi este disco para vender. Até hoje eu procuro, mas nada de achar. Pelo menos, tenho o consolo que o disco está em boas mãos. Nessas idas à casa dele, descobri uma bandinha chamada Beatles, aí fudeu de vez, fiquei louco e ele gravou umas fitas para mim, me deu alguns discos, coletâneas variada dos Beatles, enfim me abasteceu momentaneamente. Depois fui descobrindo Mutantes, Rolling Stones (que na época não gostei), Eric Clapton e Rita Lee. Isso tudo, só para situar, entre 8 e 12 anos de idade.

Cite o primeiro disco que você foi atrás.

Depois dessa fase, passei um tempo em que só ouvia Beatles o dia inteiro. Eis que se muda para uma casa em frente a minha um cara que eu logo fiz amizade, porque eu o vi com um disco do Guns N´Roses, disse que curtia Guns também, e ele me mostrou um disco que mudou minha vida para sempre: ...And Justice For All. Até hoje lembro a primeira música que eu ouvi deste disco; foi a "To Live is to Die". Daí fiquei louco com este som novo, e fui atrás na única loja que vendia discos de Metal em João Pessoa. Chegando lá, não tinha este, mas tinha o Master of Puppets. Claro que eu comprei, e este meu amigo comprou o Seventh Son of a Seventh Son. Fomos para casa e ficamos ouvindo os dois discos infinitamente.

A partir daí virei “metaleiro” mesmo, só ouvia isso, o dia todo, descobrindo bandas novas,e me apaixonando cada vez mais pelo Metallica. Só deixava o metal de lado para Raul Seixas, Beatles e Zé Ramalho, que eu sempre achei muito rock. E com o tempo, fui crescendo e descobrindo que a música era muito mais que o metal apenas. E foi a partir daí que eu descobri um novo mundo na MPB, no blues, que tem tudo a ver com o rock, no jazz e enfim, na música como um todo.

Quantos títulos você tem hoje?

Mais ou menos uns 1.100 CDs, uns 100 DVDs, e alguns vinis que eu ganhei recentemente de um amigo.

De quais grupos ou estilos você possui mais material?

Miles Davis, Black Sabbath, Metallica, Ozzy Osbourne, Raul Seixas, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Zé Ramalho. Devo dizer que eu procuro ter tudo das bandas que eu mais gosto, por isso quanto maior o catálogo de originais de uma banda, ou artista que eu curta, mais CDs eu vou ter da mesma banda. De estilo com certeza é o metal e o rock em geral, com mais de 50% da coleção. Mas uma que vai crescendo muito é a minha coleção de black music, e por black music entenda todo som feito por negros, seja jazz, blues, soul, funk, música africana, etc...

Você se lembra de quando passou de um ouvinte tradicional para aquele ponto ou sensação de "putz, quero todos os discos dessa banda". E nos diga quando caiu a ficha e você percebeu que estava se tornando um colecionador?

Com o disco do Metallica eu quis a coleção completa, e logo depois saiu o Preto, e eu só sosseguei quando eu o comprei. Depois foi uma bola de neve, queria todos do Guns, de Ozzy, Black Sabbath e de todas as bandas que eu ia conhecendo. Acho que eu sempre fui um colecionador, só faltava o catalisador. Antes eu colecionava gibis, livros da séria “Vaga-lume”, quem tem mais de 30 (lembra desta série?), além de outras tranqueiras.

Você possui todas as versões ou se contenta apenas com uma? Se for só uma, qual versão você escolhe?

Não, eu me contento com uma apenas. Claro que tem exceções, mas na maioria das vezes me contento com uma versão apenas. E se for para escolher, fico com a mais especial, aquela com bônus, encarte mais caprichado, etc. Neste seara recomendo as Legacy, Deluxe e Collector’s Edition, pois são maravilhosas. Podem procurar que elas valem a pena, e abrangem uma gama infinita de gêneros diferentes.

Qual item você considera o mais valioso da sua coleção?

O primeiro CD que eu comprei, não por acaso o 1° do Black Sabbath, em uma edição bem fraca, em 1993.

Qual foi o maior número de álbuns que você comprou de uma única vez?

Bom, sou natural de João Pessoa, e depois que casei me mudei para São Bernardo do Campo. Então a primeira vez que eu fui sozinho na Galeria do Rock foi como se eu tivesse chegado no céu!! Devo ter saído de lá com uns 15 CDs! Foi foda ver o cartão depois (risos).

Quantos álbuns em média você compra por mês?

Depende, mas não tem um mês sequer que eu não compre pelo menos dois CDs.

Tem algum item que, só de alguém chegar perto, você já gela e morre de ciúmes, tem um carinho especial e não venderia de jeito nenhum?

Este primeiro do Black Sabbath é um que eu não vendo, não dou, nem empresto.

Entre tudo o que você possui, quais foram os itens que deram mais trabalho para conseguir?

Tem alguns que deram trabalho ainda no tempo do vinil, como o Sabotage do Sabbath, entre outros, mas hoje em dia, com a internet e tendo grana, você acha de tudo. Claro que me refiro as edições normais dos discos. Singles raros e EPs originais sei que dão um pouco mais de trabalho, mesmo não são o foco da minha coleção.

Uma coleção tão ampla certamente possui diversos itens curiosos. Neste sentido, eu gostaria de saber qual é o CD mais estranho da sua coleção.

Bom, lá no nordeste é normal se gostar de música brega. Lá é muito forte. Então você sair para tomar uma com os amigos, e ouvir, sei lá, Reginaldo Rossi ou Waldick Soriano, é absolutamente normal, então nesse sentido, para o pessoal daqui de SP, eu diria que são meus CDs de Reginaldo Rossi, Odair José, Paulo Diniz e Falcão.

No metal, tem uma edição especial do Roots, argentina, dupla, recheada de músicas extras, mas que no disco original vem faltando à última música. Ou seja, das 15 descritas na capa, só vem 14. Este é um item especial, pelo defeito, na minha coleção.

E com relação a discos raros, tenho alguns especiais. Um deles é relativamente novo; o disco ao vivo de Zé Ramalho, pois devido a uma briga com as gravadoras este disco foi retirado do mercado, o que o torna muito raro. Outro que é raro é o AC/DC Live duplo, faz tempo que não o vejo à venda por aí. E infelizmente no Brasil, alguns CDs que são fáceis de se encontrar em outros países, como o Sgt Peppers em edição especial de 40 anos, aqui se tornam raros por causa da pirataria. As gravadoras se recusam a lançar, vide as fotos que eu estou enviando com um aviso em que se lê que é proibida a venda do mesmo no Brasil. Lamentável isso!

A sua coleção tem um limite? Você acha que, algum dia vai parar de comprar discos porque acha que, enfim, tem tudo o que sempre quis ter? Você acha que esse dia chegará, ou ele não existe para um colecionador?

Não, sempre tem um som novo, ou velho, que você descobriu e que, naturalmente, quer ter na coleção. Por isso acho que nós colecionadores estaremos sempre alimentando nossas coleções com algo mais.

Como seus amigos, e o resto da famíla, encaram sua coleção e essa paixão pela música?

Eles não entendem, claro. Minha esposa fica louca com isso, pois ela sempre reclama que não sabe o que me dar de aniversário, Natal, essas coisas. Mesma coisa com minha mãe. Essas duas ficam sempre me perguntando até quando vou continuar com "esta mania besta de comprar CDs". Até entre alguns amigos meus eu escuto coisas tipo "mas porque comprar tudo isso, você não baixa não?”, ou então quando eu digo que tenho muitos discos, eles falam "ah, eu também, tenho uns 200 CDs", daí eu falo que tenho mais de 1.000 e eles ficam assombrados.

Como você guarda e conserva os seus CDs? Alguma mania?

Claro que tenho manias (risos). Guardo em ordem alfabética, dividido por estilos e, caso o disco seja um digipack, eu o conservo dentro de um plástico especial. E os guardo nesta ordem: MPB, rock nacional, música negra em geral - seja jazz, blues, reggae, soul, afrobeat, etc.. - , rock e metal, pois fica embaixo na estante e mais perto do inferno (risos). Agora imagina o trampo que dá quando eu compro, por exemplo, um disco de Alceu Valença.

A maioria dos colecionadores não empresta nada. Como você encara um pedido desses?

Sou bem resolvido com relação a isso: não empresto (risos). Exceções feitas a outros colecionadores, que entendem minhas manias. Mas hoje em dia, com a facilidade dos CDRs, eu gravo e dou para a pessoa. Acho mais fácil, e evita aborrecimentos futuros.

Eu gostaria que você fizesse agora um top#5 com os itens do seu acervo que você mais curte.

Difícil essa, pois está sempre mudando, mas tem uns que são “imutáveis”:

1. O 1° do Black Sabbath ( esse é especial, o início de tudo);

2. A caixa Todo Caetano, com a coleção completa de Caetano Veloso até 2003 (presente da esposa. Viu como ela acerta os presentes (risos));

3. Metallica – Live Shit: Binge & Purge (captura o Metallica no topo, sem dúvida);

4. Fight – Into the Pit (um box com tudo do Fight, grande banda dos anos noventa);

5. On the Corner- The Complete Sessions Box (é impressionante a criatividade e a facilidade de Miles Davis em fazer música!)

Quais são, para você, os dez melhores álbuns de todos os tempos?

Difícil demais essa. Vamos lá, com certeza vou deixar um monte de fora, mas são estes em minha opinião:

1. Sabotage - Black Sabbath (o auge da 1ª formação)

2. A Tribute to Jack Johnson – Miles Davis (o Bitches Brew tem a fama, mas o melhor da fase elétrica de Miles é este, sem dúvida)

3. Thriller – Michel Jackson (um disco que vende mais de 120 milhões de cópias tem que ser maravilhoso. O testamento dele)

4. Master of Puppets – Metallica (perfeito do início ao fim, nada mais que isso)

5. Reign in Blood – Slayer (se eu fosse um serial killler, antes de matar alguém sempre ouviria este disco (risos))

6. Krig-Ha,Bandolo! – Raul Seixas (se os EUA tem Elvis, a gente tem Raul, o rei do rock brasileiro)

7. Roots – Sepultura (mudou o metal, e o melhor, vem de Minas Gerais!)

8. Catch a Fire - Bob Marley (deu ao mundo o reggae, precisa mais?)

9. IV - Led Zeppelin (além de ter "Stairway to Heaven", é o melhor do Led)

10. Beatles - A discografia toda (sério, não tem como destacar um apenas, então vai tudo)

O que você está ouvindo ultimamente e destacaria para as pessoas?

Bom, felizmente o metal sempre nos surpreende com boas surpresas, então, ultimamente estou ouvindo muito Mastodon, The Dillinger Escape Plan, Septic Flesh - o novo dos caras é impressionante! Fora do metal, como eu curto muita MPB, recomendo Ana Cañas (o novo dela é o melhor disco de MPB do ano!), Céu, Marina DeLa Riva. E estou redescobrindo a obra dos Paralamas do Sucesso, a melhor banda dos anos oitenta no Brasil, sem dúvida.

E entrando em uma área que é “ame ou odeie”, estou descobrindo Jarboe, e sempre recomendo Neurosis, uma das melhores bandas que existem, mas que não tem o reconhecimento que merece. Eu defino o Neurosis como o som que Jason Voorhees, de Sexta Feira 13, e o Michel Myers, de Halloween, escutariam caso se encontrassem para tomar absinto e ouvir um som (risos).

Qual item as pessoas ficariam surpresas em saber que você possui?

Acho que até eu me surpreendo. É um CD da Rita Ribeiro, ruim de doer, mas eu ouvi rapidamente na internet e achei legal, comprei o disco, mas é muito ruim. Não vejo a hora de ir até um sebo e me desfazer dele (risos).

Qual item que você tem que é apenas para completar a coleção?

Acho que é quase um clássico entre os colecionadores: o St Anger do Metallica (risos). Sério, nunca imaginei que o Metallica fosse fazer algo tão ruim. Perto dele o Load e o Reload, são obras-primas. Outro é o De Gosto, De Água e De Amigos, do Zé Ramalho. Com um título desses não tem como ser bom, né? Mas você sabe, é coleção ...

Sabe aquela banda que você gosta praticamente de tudo, mas um álbum em especial é ruim, mas você não consegue ficar sem pois, afinal, é uma coleção?

Os mesmos da resposta acima, acrescidos de Fortaleza, do Fagner, além do Hellalive, do Machine Head.

Gostaria que você indicasse aos nossos leitores os álbuns que você recomenda das décadas de sessenta até hoje.

Década de 1960: Beatles – tudo; Blind Faith; Jimi Hendrix – tudo; e Gilberto Gil (1969).

Década de 1970 (a melhor década para a música): Funkadelic - One Nation Under a Groove; Black Sabbbath – Sabotage; Raul Seixas – tudo; Led Zeppelin – tudo; Zé Ramalho - A Peleja do Diabo com O Dono do Céu.

Década de 1980: um vinil, literalmente, pois enquanto víamos nascer grandes bandas - Iron, Metallica e Slayer (lado A) - artistas antigos, das décadas passadas, cometeram seus piores discos, de Gilberto Gil a Paul MacCartney (lado B). Todos fizeram suas presepadas nesta fatídica década. Então, destaco qualquer disco das bandas citadas como iniciantes, além do War do U2.

Década de 1990: Metallica – Metallica; Sepultura – Chaos A.D.; Chico Science - Afrociberdelia; Unleded – Robert Plant & Jimmy Page.

Década 2000: infelizmente só um: System of a Down – Mesmerize (perfeito, o disco da década, sem discusão. Pesado e pop na medida certa).

Qual o melhor show que você assistiu?

Sepultura, com Derrick, em 1999. Era latente a vontade de ver a banda dar certo com o novo vocalista. Pena que não deu. E o Black Sabbath este ano (2009).

Aliás, vou contar uma história de como eu conheci o Black Sabbath. É engraçado, e vale a pena. Eu conheci o Black Sabbath através do Speak of the Devil, do Ozzy, pois este disco era só de clássicos do Sabbath. Nunca tinha visto um disco do Black Sabbbath antes, até que um amigo foi na minha casa e me disse: "saca esta banda, é o Black Sabbath", e colocou o Heaven and Hell e eu perguntei: "mas não é Ozzy cantando?". Então, ver o Black Sabbath com Dio foi especial, pois o primeiro disco que eu ouvi do Sabbath na vida foi com esta formação, salvo o baterista. 
 


Como você encara o download de músicas? E complementando, como você vê o mercado musical para a próxima geração?

Com maus olhos. Isto está matando a indústria do disco, e isso é muito mal, pois as pessoas estão deixando de consumir música, para simplesmente ouvir, enquanto fazem mil outras coisas. É o mesmo de dizer que as pessoas estão deixando de ler! É um retrocesso, pois ouvir música é uma forma de apreciar arte, e estão matando uma arte com isso, pois do jeito que está a música perdeu o valor. E com relação às próximas gerações, vejo isso se agravando, pois vejo moleques de 15, 14 anos que simplesmente nunca compraram um CD na vida! Isto é triste, pois eles não tem nenhum apego ao CD em si, eles não entendem que o CD faz parte de gostar de música, da mesma forma que a música em si, e desta forma estão matando o futuro da música. É triste isso, especialmente para quem cresceu respirando música.

Mais uma vez muito obrigado por ter participado da Collector´s Room e parabéns pela coleção. Este espaço é seu, manda bala e deixa seu recado!

Parabéns pelo blog, é maravilhoso, e essas entrevistas que unem os colecionadores, são especiais, pois todos lemos o blog por causa das entrevistas. É interessante observar que com toda esta tecnologia ainda existem pessoas abnegadas, que compram e consomem música do jeito antigo. Vamos em frente, pois nós somos uma parcela importante da indústria musical, e com isso demos a ela uma sobrevida digna.

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Sobre Daniel Sicchierolli

Rockeiro desde que nasci e administrador de empresas nas horasvagas sou mais um dos milhares de "torcedores" do Iron Maiden além deser fã de Hard Rock 80s e um dos fundadores do blog Consultoria doRock (www.consultoriadorock.blogspot.com). Depois de anos e anos ouvindo o velho e bom rock n' roll só tenho mais uma coisa a dizer: I STILL WANNA ROCK.

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