Como mensurar a cristandade?

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Como mensurar a cristandade?


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Uma das questões que mais afligem o público do white metal é saber se tal banda é ou não é cristã. Diria mais: há uma incessante busca na tentativa de abarcar novos grupos sob o domínio do estilo. De Ministry a After Forever, de Pain Of Salvation a Balance Of Power, de Ayreon a Savatage, de Shadow Gallery a Symphony X, os exemplos são inúmeros (e muitas vezes absurdos) de bandas que já estiveram "sob suspeita".

Boa parte dos emails que recebo são do tipo "Maurício, gosto muito desse e daquele grupo, mas tenho dúvidas se eles são mesmo cristãos ou não, pode me ajudar?". Ora, quem sou eu para definir a crença de alguém? Posso, no máximo, indicar quem se deixa colocar, sem problemas, na baila de bandas cristãs. E, afinal de contas, como mensurar a cristandade? Como chegar a um veredicto sobre a "confiabilidade doutrinária" de alguma agremiação musical?

O senso comum diz que a diferença principal entre bandas de white metal e as outras são as letras. Pratica-se o mesmo tipo de som (lembrando que o white congrega todas as vertentes) com o detalhe de que o conteúdo lírico é de cunho cristão e bíblico. Seria uma forma simples de definir. Contudo, letras são muitas vezes subjetivas, e, por excelência, caem na inevitável superficialidade. Também há inúmeros temas a abordar que não a religião ou a crença. Com isso, temos, invariavelmente, bandas tendo que explicar "o que queriam dizer em tal passagem". Há um farisaísmo excessivo neste aspecto, ou seja, o público exige uma cristandade cada vez maior e principalmente, uma onipresença do tema. Um quer ser mais cristão que o outro, ou parecer que é, o que acaba gerando vários problemas.

Mas a questão não pára por aí. Além das letras, o público quer saber se as bandas bebem, fumam, se ouvem grupos seculares, que igreja freqüentam, qual os pormenores de suas crenças, quantas pessoas converteram no último mês, se praticam sexo fora do casamento, sua opinião sobre o aborto e por aí vai. Parece-me que foi imputada uma cartilha do "como ser uma (indiscutível) banda cristã". A curiosidade, e a obsessão por pureza, vão muito além do saudável e necessário.

O problema desdobra-se em outros pontos. Por exemplo, considerável parte das bandas não são constituídas apenas por integrantes cristãos, há um que é, outro que não é, e assim por diante. Imagine as concessões internas que se tem que abrir para manter a harmonia do conjunto. E claro, não só nas cristãs isto acontece, mas em todas as outras, pelos mais variados motivos possíveis. Ou seja, entenda "divergências musicais", a frase máxima usada para explicar a expulsão de algum integrante, como quase tudo que você puder imaginar. Desde participação nos lucros, aparecimento na mídia, performance no palco, pontualidade nos compromissos até ritos particulares que ultrapassam o ridículo.

Outra abordagem possível é a inegável carência de estilos que o white metal tem. Por exemplo, grande parte das bandas que, inexplicavelmente, acabam tendo sua cristandade verificada, são de progressivo. Na verdade, empenha-se um esforço, desnecessário diga-se, para colocar este ou aquele nome como "apreciável" por parte dos white metallers. Claro que nisso está implícito uma absolvição forçada de culpa por parte dos ouvintes, já que, "se aquela banda for mesmo cristã" eu "poderei ouvi-la sem problema nenhum". Tenta-se resolver um problema criando outro.

Acho que tudo isso é errôneo e cansativo. Não há necessidade em se imputar o rótulo de cristã a alguma banda. Tem-se, pelo contrário, que compreender a individualidade de cada um. E, além do mais, a crença de alguém não é algo que se perde com tanta facilidade, não depende da quantidade de letras bíblicas em cada álbum, nas vezes que se falou em Jesus em cada entrevista. Resumir a questão em coisas tão pequenas e ordinárias demonstra uma falta de maturidade gritante de ambas as partes. Há, sim, que se produzir boa música e se manter coerente. Lembrando que a coerência inclui todas as indisposições, desvios e eventuais mudanças. Assim como a perfeição é composta de falhas. Mas já começo a entrar na filosofia, e isto é assunto para outra hora e outro lugar.


Carta do Editor

Nesta edição temos uma interessante reflexão (que acaba servindo como apêndice do tema principal) do nosso amigo Andryo Dias, intitulada "White Metal, por que?". Falando nele, Andryo é o responsável pelo momento mais histórico da CV até agora: o review de show e a entrevista ao vivo com os membros do Petra, realizada em dezembro último, durante a turnê de despedida da banda. Ainda nos medalhões, confira as resenhas do dvd do Mortification e o aguardado relançamento do Whitecross. No âmbito nacional, temos entrevistas e reviews com duas bandas brasileiras lançando novos álbuns: Seven Angels e The Joke?. Por fim, a Unknown Voices com o Teramaze, e o nosso top 10 de metal cristão do ano passado. Respire fundo e aproveite. Abçs,

MGA


White Metal, por que?

Por Andryo Dias

O termo me intriga desde muito tempo, quando o ouvi pela primeira vez. O meio cristão abrange, hoje, todos os estilos de música, desde o country e blues ao rock e heavy metal; desde o samba e pagode ao axé e frevo. Arte é expressão de sentimento. É soltar o que vem de dentro. No meio cristão, talvez por viverem diferentemente das demais pessoas, ou por terem se permitido uma transformação espiritual, ou simplesmente pela busca da expressão real e exata do artista pelo que sente, a atual diversidade ocasionou também o inevitável: a criação de novos estilos de música.

O preto: escuridão, sombriedade, noite, etc. O branco: paz, clareza, luz, etc. Todos gostamos de, em certos momentos, um pouco de paz. Mas por que tal paz não pode ser obtida à noite no silêncio e escuridão de um cemitério? Esta é apenas uma das muitas perguntas que seriam intrigantes ao categorizarmos cores. Será que assim não seria também com estes dois estilos: Black Metal e White Metal?

Black Metal. Vocais guturais, levada veloz, escudos e machados, etc. E White Metal? Bom, existem milhares de bandas cristãs com vocais guturais e levadas velozes, bem como, centenas de milhares de cristãos que curtem a cultura sombria sem levar em conta a ideologia satânica, inclusive eu. Que grande confusão! E as bandas cristãs de black metal? Como seriam? White Black Metal? Há algo de muito errado com este termo. Vendo como os skinheads e nazis andam com os black metallers, nota-se que bem poderia parecer uma banda black que prega a ideologia White Power.

Poderíamos então usar o termo Gospel? Não. O termo surgiu nos EUA para identificar "evangelho", entretanto, nos tempos atuais, emprega-se para definir as bandas de louvor & adoração, mais conhecidas no Brasil como "bandas evangélicas". Música gospel é David Quinlan, Renascer Praise, Michael W. Smith, Diante do Trono, Hillsong, etc. Mortification não é metal gospel. Ou é metal, ou é gospel. O que divulgamos nesta coluna é rock e metal cristão, ou seja, christian rock, christian metal, christian black metal, christian death metal, christian goth, christian hardcore, christian punk e assim por diante.

Afinal de contas, o nome desta coluna é Christian's Voice, e não White's Voice. Eu é que não estou afim de ser processado.


Entrevista - Seven Angels

Por Márcio Heck

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Whiplash - "Seven Angels" é uma banda curitibana bastante conhecida no cenário heavy metal nacional, tanto no meio cristão como fora dele. Abriu shows para Halloween, Nightwhish e Seventh Avenue e tocou no Tributo ao Stryper ao lado de outros grandes nomes da cena cristã, como Stauros, Destra e Eterna. Porém muitos ouvintes do grupo não conhecem seu início e outras curiosidades. Para o leitor se situar desde o princípio, por que o nome Seven Angels?

Eliézer - Veja bem, escolher um nome nem sempre é uma tarefa fácil, até porque precisa soar bem, tem que se adequar ao estilo da banda e ter identidade com o que propomos a escrever. Seven Angels sempre soou bem por ter esses fatores. Por tirarmos do livro de Apocalipse, ao lermos este livro, vemos a descrição do fim dos tempos como uma verdadeira viagem, algo bem profundo em nossas vidas e fato importante que acontecerá na História Mundial. Pela linguagem com a qual ele foi escrito, podemos considerá-lo como um livro bem ao estilo Heavy Metal, digamos assim, como as suas passagens se identificam com as letras e também com a proposta da banda, o nome Seven Angels foi bem aceito por todos.

Whiplash - Como e quando surgiram as primeiras composições, a entrada dos integrantes certos e a certeza que a banda daria certo? Comentem um pouquinho da história do grupo.

Debora - As primeiras composições surgiram bem antes de começarmos a montar o Seven Angels. Eu e o Karím começamos a compor as melodias e a guardá-las. Quando encontramos o Eliezer, então começamos a dar forma para as músicas que já tínhamos e a compor outras para a Demo que sairia em 2000. Nós levamos 1 ano para montar a Banda toda. Começou comigo e com o Karím em 2000, depois veio o nosso batera Eliezer em 2001, o baixista Ricardo em 2001, e o tecladista Rafael em 2002. Permanecemos assim até final de 2004 onde sofremos algumas mudanças. No final de 2004 Rafael saiu da Banda e entrou Régis com mais uma guitarra e também saiu o Ricardo, entrando o Gustavo como baixista. Você perguntou sobre ter certeza da Banda dar certo... Pois é... Eu acho que não dá pra dizer que temos certeza de que qualquer coisa em nossas vidas dê certo... Somente fazemos a nossa parte, e o futuro... Está seguro com Deus!

Whiplash - As primeiras gravações de vocês tiveram ótima repercussão no Brasil. A quem vocês creditam ter impulsionado essa divulgação, antes mesmo de terem lançado o primeiro álbum?

Karím - Em parte, foi pelo tanto de cópias que mandamos! Mandamos para todos os meios de comunicação que tínhamos acesso e a todas as gravadoras que pudemos! Além disso, procuramos gravar um material que tivesse um mínimo de qualidade em se tratando de uma demo! Mais uma coisa, não tem tantas bandas cristãs de heavy melódico, não chega nem a 10% do numero de bandas seculares, é uma lacuna no mercado e quando surgem bandas legais a galera vai atrás mesmo!

Eliézer - Entendemos que não basta ter uma música gravada se ninguém pode ouvi-la. Então nos empenhamos ao máximo em enviar a Demo para o maior numero de pessoas possíveis, para termos noção real do caminho em que estávamos seguindo, ouvindo criticas e aprendendo com o mercado. Procuramos tocar em vários lugares como também enviar várias demos e cartas para divulgarmos as nossas primeiras músicas pelo Brasil inteiro. Assim pudemos ver as respostas positivas do mercado e o apoio demonstrado por algumas pessoas. Creio que isso se tornou um grande impulso para fazermos o primeiro CD.

Whiplash - Houve ou ainda há preconceito quanto a mensagem cristã nas músicas?

Debora - Bem... Houve e há... E sempre haverá... Sabe porque??? Porque as pessoas não conseguem olhar para um trabalho sem achar que elas podem fazer melhor... Eu acredito que sempre temos algo para aprender, e seja com quem for. Por isso quando escuto qualquer Banda e quando leio suas letras, eu procuro tirar o que é bom pra mim, e não saio por aí falando mal do que vai contra o que eu sou e acredito. Temos que ser humildes, temos que reconhecer nossas limitações, temos que aprender a reconhecer o que é bom, porque assim seremos menos preconceituosos.

Eliézer - Acho que hoje em dia as pessoas tem respeitado mais essa questão, mas o preconceito nunca vai acabar, complicado isso, né? As pessoas misturam as coisas!

Whiplash - Conheci o som do Seven Angels com a música "Here I am" presente na compilação da Metal Mission. A repercussão dessas compilações apoiando o metal cristão nacional foi e ainda é uma das vitrines para bandas em evolução no Brasil. Qual o retorno sentido por vocês com a participação nessa coletânea da Metal Mission?

Karím - Olha, como a coletânea saiu muito tempo depois da demo, o impacto foi menor, mas tivemos sim retorno principalmente vindo de fora do Brasil! Mas esses projetos são sempre importantes para divulgar o som de bandas novas é uma pena que ainda seja tão caro para as bandas poderem gravar material de qualidade, ou melhor, caro sempre será, é uma pena que muito pouca gente invista em bandas nacionais!

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Whiplash - O último e mais recente álbum, "Faceless Man", excedeu todas as expectativas possíveis com uma produção de dar inveja. Como surgiram as idéias e oportunidades?

Karím - Muito obrigado pelos elogios! Cara, foi muito trabalhoso. Tivemos que descobrir como fazer tudo isso soar bem. A gente sabia exatamente onde queria chegar, mas não tinha a menor idéia de como chegar lá! Fizemos as gravações e fomos experimentando, liguei para muitas pessoas entre elas o Rafael do Angra que é um velho amigo meu e me deu boas dicas assim como o Paulo Anhaia da banda Monster que teve também um papel importante nesse projeto! Pesquisamos muito e experimentamos várias coisas! Chamamos o Silas que trabalha no estúdio Mosh em São Paulo, que fez uma excelente mixagem e é claro, nada disso vale se o som não for bem captado, por isso a escolha do Nico’s Estudio foi fundamental!

Whiplash - O vocal da Débora diferencia a banda das centenas de power melódico que vemos na cena. Como são elaboradas as composições para se ajustarem aos vocais?

Debora - Eu tive o privilégio de estudar piano desde meus 7 anos, isso graças aos meus pais que sempre insistiram em minha carreira de pianista, e sempre gostei de compor. A maioria das melodias são feitas por mim e quando não são, eu as modifico para que fique confortável para a minha voz. Depois eu passo para o Karím que vai colocar todos os links e assim para o Régis, Gustavo e Eliezer fazerem suas partes.

Karím - Isso mesmo, a Débora me passa as melodias, eu crio as bases todas e levamos para o ensaio para arrematar!

Whiplash - Quais motivos ocasionaram a saída do tecladista Rafael? E o recrutamento do guitarrista Regis, como aconteceu?

Eliézer - Bom, dizer que saídas ocasionam divergências musicais não é nenhuma novidade, mas digamos que isso não aconteceu. O principal motivo pelo qual o Rafael pediu para sair, é que precisou se dedicar mais aos estudos; o que aconteceu com a entrada na Faculdade, além do mais, o tempo de dedicação na banda começou a aumentar e também os ensaios, shows, viagens, gravações, então antes que as coisas começassem a complicar, o Rafael tomou essa decisão. Inicialmente ficamos meio sem ter o que fazer com algumas músicas que tinham bastante teclado, mas logo vimos que podíamos explorar mais as Guitarras, ainda mais com a recém entrada do Régis pouco antes do Rafael sair.

Régis - Eu já conhecia o Karím ha muito tempo, porém nunca havíamos cogitado tocarmos juntos. No ano de 2004, ele conversou comigo sobre essa possibilidade, pois a banda sempre quis ter duas guitarras. Falamos sobre como isso procederia, tirei algumas músicas e fizemos um teste. E estou aqui, com eles agora.

Whiplash - Com dois guitarristas no line-up, vocês já previam um álbum tão pesado quanto realmente ficou o "Faceless Man"?

Karím - Com certeza, desde o inicio da banda a idéia era de termos 2 guitarras, mesmo quando o Rafael tocava com a gente sentíamos essa necessidade! O álbum foi composto para duas guitarras e o lance do peso é uma tendência do nosso som mesmo! Acho que daqui pra frente isso só vai aumentar!

Whiplash - Qual foi o equipamento utilizado por vocês nas gravações? Qual funciona bem nos shows?

Régis - Isso não é e nem deve ser uma regra. Porém no nosso caso, a gravação foi um tanto quanto diferente do que ao vivo, no que diz respeito ao equipamento. Experimentamos varios pre-amps, pedais, amplis e caixas... Também microfones diferentes... Ao vivo eu uso um pre-amp da TubeWorks pra distorçao. O Karím tem um ADA MP-1.

Whiplash - O "Faceless Man" é bastante inovador, visto pelas participações especiais. A idéia de inserir um solo de sax na música "Unseen Truth" foi muito interessante, bem como a participação de Ronaldo Simolla e também Osias Colucci nos guturais. De quem partiram tais iniciativas e como serão executados esses adicionais nos shows? Alguém da banda toca sax?

Karím - Nos shows nós mesmos nos adaptamos para fazer essas partes, o solo de Sax é feito na guitarra mesmo! Mas inovar é nosso negócio (risos0! Desde o timbre da Débora até as participações e os instrumentos, meio diferentes! Claro que isso nem sempre agrada a todos! Mas....... Isso não nos incomoda muito não!

Debora - Eu particularmente gosto muito de inovar. Sempre coloco minhas idéias para o Karím na hora que estou compondo e juntos chegamos sempre ao que vai ficar legal para o nosso estilo, e o que combina com minha voz ou não. E assim vamos montando as músicas.

Whiplash - Vocês costumam tocar alguns "covers" nos shows. A opinião geral se divide quando vocês tocam músicas de bandas seculares, como Helloween e Stratovarius, sendo que existem bandas cristãs muito boas para serem coverizadas. O que vocês têm a dizer sobre isso?

Karím - Quando escolhemos um cover, analisamos sempre vários aspectos: se a música é conhecida pela grande maioria do público; se nós gostamos da música; se ela fala de coisas com as quais nós concordamos.

Karím - Não faz sentido você tocar um cover que apenas 20% da galera conheça, se for assim tocamos só músicas nossas, esse não é o objetivo do cover.

Karím - Agora, analise uma coisa. Quantas músicas a gente toca no louvor da nossa igreja que agente não tem a menor idéia de onde vem? Mas se a letra é cristã então nós tocamos, não é assim?

Karím - Então com o Seven Angels funciona igual. Não interessa muito quem fez a música (Claro que a gente cuida com isso também) o que interessa é o que ela fala! Interessa que ela passe os princípios que nós cremos.

Karím - Claro que existem ótimas músicas cristãs, mas ninguém conhece, aí perde o sentido!

Eliézer - Creio que nos shows a aproximação com o público é o objetivo principal de qualquer banda, então acreditamos que tocar cover torna esse objetivo mais fácil, pelo menos em determinado momento do show (hehe). Assim buscamos músicas que antes de tudo nós curtimos fazer, que as letras não contradizem os nossos princípios, e que o publico goste. O fato de ser banda secular ou cristã, não nos incomoda muito por termos uma boa idéia do que estamos tocando e falando, mas depende também do local e do público, pois tocamos Tourniquet aonde vemos que a maioria das pessoas irá gostar e reconhecer a música e tocamos Helloween aonde achamos que a galera irá curtir se tocarmos essa banda, então creio que na hora sentimos o que vai rolar.

Gustavo - Claro que ha sem duvidas bandas cristãs muito boas, mas o nosso objetivo de tocarmos músicas de bandas seculares é atingir o publico que não é cristão, além do nosso gosto pessoal por essas bandas.

Whiplash - Quais os planos da banda para 2006?

Debora - Nós temos muitos planos, como qualquer pessoa tem...agora acredito que somente Deus pode permitir que eles aconteçam. Vamos começar a compor o novo cd, esperamos que o Tributo ao Primal Fear possa sair no primeiro semestre com a música "Sacred Illusion" que gravamos no ano passado, temos datas a confirmar em vários lugares dentro e fora do Brasil, temos neste mês de Fevereiro o lançamento do Faceless Man nos Estados Unidos, na Europa e na Austrália e esperamos que seja um ano onde a gente possa tocar muito!!!

Gustavo - a banda tem muitos planos e alvos para 2006, um deles que eu considero um dos mais importantes, é poder atingir um numero maior de pessoas não cristãs, tanto do Brasil e no mundo para que todos venham conhecer o amor o perdão e a graça de Cristo, através das nossas músicas e estilo de viver.

Whiplash - Agora um pouquinho do lado pessoal da banda... Qual é a igreja de > vocês? Todos moram em Curitiba?

Gustavo - Todos moramos em Curitiba, Eu, Karim e Debora freqüentamos a comunidade Gólgota, o Regis e o Eliezer, a igreja Cristianismo Decidido. Ambas ficam em Curitiba.

Debora - Igreja...nossa!!! Há ha... Se as pessoas soubessem como é bom a gente estar em uma Igreja!!! Tem gente que não pode nem ouvir falar nessa palavra... As pessoas só se lembram de Deus na hora da morte ou quando estão com uma doença grave, ou ainda quando estão com uma situação difícil. Eu quero deixar registrado aqui que Deus nos dá livre escolha para tudo em nossa vida. Nós escolhemos acreditar que Ele existe e temos experimentado o quanto Ele é real no nosso dia a dia. O que faz a Igreja é a reunião de todos que pensam e acreditam da mesma forma...

Whiplash - Quando não estão envolvidos com a banda, quais as atividades de vocês?

Debora - Dou aula de piano e técnica vocal. Tenho dois filhos lindos que dão um trabalhinho pra criar...

Gustavo - mesmo quando estou envolvido com as atividades da banda, eu dou aula de Contra Baixo, participo de um grupo chamado "Sangue Bom" que se dedica a famílias carentes e pessoas marginalizadas, levamos ate eles aquilo que é eterno, o amor de Cristo, tanto em atitudes quanto em palavras. Passo tempo com a família e vou aos cultos na comunidade Golgota.

Régis - Sou professor da Academia de Música Da Capo em Curitiba e tenho produzido alguns EP’s de alunos em um home estudio montado na casa de um colega também professor da escola.

Karím - Eu trabalho num estúdio, é bem puxado e não dá tempo de fazer muitas outras coisas! Todo o resto do tempo que tenho dedico a minha família e ao Seven Angels

Whiplash - O que vocês ouvem no carro ou em casa?
Gustavo - Ouço muita coisa, não só do estilo metal. Mas o que eu mais tenho ouvido é Pain of Salvation, Dream Theater, Symphony X, Nevermore, Stryper, Petra, Mortification e Tourniquet etc...

Karím - Tenho escutado Rammstein, Nevermore, Divinefire, Symphony X

Debora - Dark Moor, Statovarius, Helloween, Whithin Temptation, Sonata Artica, Gamma Ray etc.

Whiplash - Qual a opinião da banda quanto ao "mp3"?

Régis - Devemos atentar para uma realidade: é praticamente impossível hoje eliminar a circulação de mp3 por aí. Devemos aprender com isso, e procurar tirar vantagens. De certa forma, o mp3 é um tipo de veiculo de propaganda. Muita gente vai ouvir as músicas em lugares aonde o CD ainda não chegou apenas por esse meio. Disponibilizar no site também é uma forma. Enfim, temos que nos adaptar a esse panorama.

Karím - Eu acho que falta controle. É muito útil para muitas bandas, mas extremamente prejudicial para outras. Sei que muitas bandas se beneficiam disso e acho isso maravilhoso, desde que a banda concorde com isso. Na minha opinião, compartilhar músicas que não te pertencem, sem autorização é roubo e deve ser tratado como tal, a não ser que a banda autorize. O pior de tudo é ver cristãos e sites cristãos colaborando com isso e pior ainda, incentivando essa prática! Esse povo tem que acordar e ver que isso é falta de respeito de consideração pelo trabalho e esforço das bandas! Cara, vc tem noção de qto custa para gravar um cd?? Pra depois vir alguém, copiar e distribuir de graça pra todo mundo sem nem ao menos te perguntar se pode? É a mesma coisa que eu entrar na sua casa, pegar a chave do seu carro sem te pedir e sair por aí pra dar umas voltas, depois eu empresto ele pra umas 10 pessoas e pronto! Não tem nenhuma diferença, o carro é teu, te pertence, vc comprou com o seu dinheiro...

Karím - A música é minha, eu fiz, eu gastei pra gravar, eu tenho os direitos por lei e não quero que outros a distribuam de graça q...... o que é isso ?? Pra mim é roubo.

Karím - Imagina então o cara entrar na tua casa, pegar o teu cd, levar pra casa dele, copiar e te devolver, sem nem olhar pra tua cara... que ridículo!

Karím - Chegamos num ponto onde as gravadoras e selos estão acreditando nos artistas brasileiros, só que também chegamos num ponto onde estamos voltando para trás. Os investimentos estão menores, o apoio também, e tudo pq as vendas estão caindo graças à pirataria! E não venham com o papo que o CD está caro porque tem gente que gasta 30 reais num lanche, na padaria, num sorvete e não gasta num cd! Outra "justificativa" é que muitas bandas não seriam nem conhecidas se não fosse pelo mp3 e mais uma vez eu digo, concordo que as músicas sejam compartilhadas, mas tem que ser o CD inteiro?? As pessoas se aproveitam disso pra tirar vantagem e não comprar o CD! Tem CD de banda nacional que custa R$15 e mesmo assim ta aí na net pra quem quiser baixar!

Karím - Com certeza concordo em baixar algumas músicas que são mais que suficientes pra conhecer o som da banda, mas não é isso que acontece, os cd´os são colocados na integra para download, e chega ao cúmulo de vir ainda com a capa, e verso de capa, versão européia e japonesa, com e sem bônus... Que palhaçada de conversa de "conhecer a banda".

Karím - Bom, o cara pode baixar o cd, mas vai ter que orar muito pra que não seja o último e a banda não acabe por falta de recursos!

Karím - Por outro lado, se a banda concorda, libera e incentiva, maravilha acho que a troca e compartilhamento devem realmente ser feitos o mp3 foi uma descoberta revolucionária mesmo! Excelente para facilitar a divulgação das músicas e envio pela Internet! Sou super a favor do mp3, não sou a favor da distribuição descontrolada e desrespeitosa!

Whiplash - Como vocês vêem essa "popularização" de bandas de rock e metal com vocais femininos?

Debora - Acho que até demorou pra acontecer, mas creio que só veio colaborar com o Heavy Metal. Tem muita voz linda aparecendo, e com seus diferentes timbres tem tornado certas Bandas maravilhosas!!! Quero aproveitar pra dizer que nós precisamos aprender a reconhecer o que é bom e bem feito, independente de gostarmos ou não da voz, do estilo, e das composições.

Whiplash - Quais os grandes lançamentos de 2005? O que esperam de 2006?

Karím - Acho que o Divinefire é uma grata surpresa, uma excelente banda cristã de Heavy Melódico! Silent Force do Within.Temptation, não sei sé é de 2005, mas é um álbum arrasador! E o Seven Angels hehe!

Karím - Queremos tocar muito, em lugares onde ainda não estivemos! Queremos subir mais um degrau nessa jornada ! Esperamos que nossa música atinja uma grande quantidade de pessoas, principalmente os que ainda não a conhecem!

Whiplash - Agora o espaço é de vocês. Agradecemos de forma especial a entrevista e que Deus continue abençoando o Seven Angels.

Gustavo - Quero agradecer a Deus por tudo que Ele tem nos proporcionado como banda, agradeço nossas famílias que tem nos apoiado, a nossas igrejas, a galera da Whiplash pela entrevista.

Débora - Quero agradecer à Deus por nos ter dado esses Talentos e a oportunidade de termos um trabalho como o Seven Angels. Ao Whiplash! que desde o nosso começo tem nos apoiado. Às pessoas que tem ido aos nossos shows, comprado nosso CD e nossas camisetas. Aos nossos mantenedores e patrocinadores. Aos que tem nos levado para suas cidades, aos nossos distribuidores e a nossa gravadora Encore. Obrigada!!!


Review - Faceless Man (Seven Angels)

Nota: 9,5

Por Márcio Heck

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A banda curitibana Seven Angels, formada por Debora Serri (vocal), Karím Serri (guitarra), Régis Lafayette (guitarra), Gustavo Martins (baixo) e Eliézer Leite (bateria), chega ao seu segundo álbum completo, acrescentando elementos e inovações ao bom power metal executado pelo grupo.

Após a ótima repercussão da demo "To know God... and make Him known" em 2001 e as boas críticas recebidas com o "The Second Floor" em 2002, agora a banda recebe o reconhecimento com o "Faceless Man", lançado em novembro de 2005, pela Encore Records e distribuído pela Bombworks nos Estados Unidos, Europa e Austrália.

Seven Angels, que já é referência no contexto metálico brasileiro, preenche um espaço bastante procurado, devido o uso de vocais femininos. No contexto cristão, poucos grupos exploram esta modalidade de voz.

Este esperado álbum foi gravado no conceituado Nico’s estúdio, em Curitiba, mixado por Silas Godoy, que já trabalhou com Dr. Sin e Ratos de Porão, e masterizado num dos melhores estúdios do mundo, o Finvox, na Finlândia, o mesmo de Stratovarius, Sonata Arctica e Gamma Ray.

As guitarras estão bem mais virtuosas e aceleradas que no "The Second Floor". A timbragem dos instrumentos é fiel ao estilo e, ao mesmo tempo variada, para não saturar o ouvinte com a mesma sonoridade o álbum todo.

"A Handful Sand" abre o CD em alta rotação, sem introdução, diferente do álbum anterior. Sua mensagem aborda de forma bem colocada e encorajadora sobre o renascimento em Cristo. Traz como convidado Marco Caporasso, vocalista da banda Dragonheart. As alternâncias de velocidade e a bateria veloz fazem desta faixa um destaque no álbum. A "Beyond the dark side of the moon" dá continuidade ao som de abertura, permeando partes carregadas com suaves e momentos de extrema técnica.

Débora Serri explora seu lado lírico na belíssima "Nothing besides dust", uma das composições mais marcantes do disco. Em seguida, "Walking over all the seas", também pesada, alterna momentos e climas variados, incluindo vocais guturais de Osias Colucci.

"Faceless Man" traz a maior dose de metal progressivo e versa sobre o desejo do homem em conhecer a si mesmo, ante a criação, reconhecendo sua dependência de Deus. Outro destaque do disco é "Unsen Truth", que traz sensações e atmosferas diversas. Nesta música temos a boa participação de Ronaldo Simolla (Matriz, ex-Delpht). Sua voz lembra a do vocalista da banda alemã Seventh Avenue. Ainda nesta música temos um inesperado e bom solo de sax (isso mesmo, solo de sax!) que é bem encaixado no contexto da composição.

Carregada de riffs rápidos logo na introdução, "Daydream" tem melodia diferenciada, com instrumental bastante técnico. Aliás, técnica não falta em todo o disco, sem torná-lo desgastante por isso. Fechando o álbum com competência, temos ainda "Nobody wants to live alone" e "From now to Eternity".

"Faceless Man" é um disco indispensável aos headbangers dotados de bom gosto. Qualidade além do esperado. Longa vida à banda!


Entrevista - The Joke?

Por Rafael Moura

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Whiplash - A Banda existe desde 1992, sendo que o único membro original remanescente é o Lezma (bateria), ao longo dos anos houve algumas mudanças dos membros, até que ponto isso foi fundamental para a atual sonoridade do grupo?

Lezma - Foi fundamental no sentido de que houve movimento, não ficamos parados, repetindo sempre as mesmas coisas. Na verdade, vemos isso como progresso, natural e muitíssimo bem-vindo. Pessoas novas, estilos novos, concepções diferentes, mas, acreditem, amizades muito antigas. O Joke? sempre foi uma família.

Whiplash - O The Joke? Possui um bom reconhecimento na cena underground cristã e também na cena hardcore do sudeste. No entanto penso que esse reconhecimento ainda está concentrado somente em alguns estados como MG/ES/RJ/DF e GO. Essa minha impressão é um fato verídico? Existe algum plano de ação para uma maior divulgação em outras regiões do Brasil?

Lezma - Essa sua impressão está totalmente correta. Apesar de sermos conhecidos em diversas quebradas do país e também no exterior, nosso celeiro está mesmo é no sudeste e Distrito Federal. A galera que dá as caras na cena alternativa brasileira é quebrada. A realidade do Brasil não ajuda. Sendo assim, há uma tendência natural de regionalização da cena e estreitamento de vínculos. No entanto, nossa vontade é de ampliar horizontes e temos feito contatos nesse sentido.

Whiplash - Como está a agenda da banda, planos para uma turnê em 2006?

Lezma - Temos montado nossa agenda para 2006 e esperamos que os contatos que temos feito rendam boas oportunidades de fazermos shows pelo sul do país, América Latina e Tocantins. O nordeste é um sonho para nós, pois tem uma cena bastante intensa.

Saimon - Estamos com alguns shows marcados. Em fevereiro vai rolar uma grande festival em BH com Paura, Fim do Silêncio e outras. Em abril estaremos no Metanóia no Espírito Santo, estamos articulando uma tour em Santa Catarina e Paraná e também uma turnê na América do Sul.

Whiplash - Existe uma barreira muito grande que ainda fecha muitas portas para bandas cristãs, muitas bandas buscam várias alternativas para obter uma maior aceitação dentro do cenário secular. Como vocês agem quando se deparam com uma oportunidade perdida devido à fé que a banda prega?

Saimon - Ficamos chateados, claro. Porque queremos estar inseridos na cena underground. Somos uma banda da cultura alternativa. E não poder participar de eventos por causa do preconceito porque somos cristãos é uma idiotice.

Whiplash - O The Joke? Nunca escondeu sua fé, hoje é comum bandas que tocam sobre o lema "Cristãos em uma banda" assim repugnando o termo "Banda Cristã". Qual a sua opinião a respeito disso? Até onde a relação cristianismo e música têm uma relação no posicionamento de um grupo?

Gio - Entendo o termo "banda cristã" como sendo um lance ministerial e com isso tem de ser encarado como tal, o que é bem diferente de ser cristão em uma banda, o que pra mim não é problema algum. A meu ver não existe problema em se ter uma banda que não seja encarada como um ministério, mas sim como uma banda qualquer, um lance por diversão, pelo simples gosto de tocar. Claro que indiferente de ter ou não ter banda, ser ministério ou não a postura cristã individual tem de existir. O cristianismo é uma expressão individual que se reflete em um coletivo e isso que deve ser a preocupação maior de cada um e não se o termo "banda cristã" está sendo empregado. Não adianta nada utilizar esse termo se no nosso individual queimamos o filme e não nos aproximamos dos outros uma vez que nos separamos em nossa "crew evangélica". O joke é um ministério e é encarado por nós como tal e assim será até quando o nosso fim for direcionado do alto. Não somos de modo algum "bairristas" e pelo contrário gostamos de nos envolver com os outros, com os diferentes sem esconder quem somos e o que pensamos, afinal de contas a sociedade é o lócus do dissenso.

Whiplash - As letras inteligentes e criativas são como uma marca na carreira da banda é algo que foi proposital desde o inicio ou apenas faz parte da maneira que vocês trabalham a composição de suas letras?

Lezma - Ambos. Gostamos de lançar mão de metáforas em nossas letras. Achamos essa uma forma de linguagem que casa muita bem com a arte da música. O próprio nome da banda tem relação com essa mentalidade.

Whiplash - Em 2001 o lançamento de "Beware of the Dog" trouxe essa marca de experimentalismo ao som do grupo, eu li boas resenhas deste cd, em termos gerais qual foi à repercussão desse CD no ponto de vista da banda?

Gio - Foi muito boa, uma vez que pudemos "dar as caras" depois de um longo tempo sem material gravado. Beware abriu muitas portas e com ele fizemos muitos amigos e estreitamos relacionamentos. Apesar de toda correria na gravação, das dificuldades financeiras, creio que Beware foi um marco em nossas vidas. O CD é bem alterna, fugindo do convencional e isso aguçou a curiosidade das pessoas que queriam saber e ouvir mais do CD com o cachorrinho magricela na capa. Enfim, Beware of the Dog marcou um tempo de novos ares no Joke.

Saimon - Foi massa cara. O CD não agradou muito aos mais radicais. Mas aos que estavam abertos a quebrar seus paradigmas os CD agradou muito. Eu curto demais esse disco!!!

Whiplash - E para falar do novo CD Cockroach, como tem sido a resposta da mídia e do público a este lançamento?

Saimon - Até então, essa resposta tem sido bem positiva. Ainda estamos em processo de divulgação. Mas o que tem chegado a nós tem sido muitos elogios. Com esse lance de internet, a divulgação tem sido mais rápida e mais abrangente. Em vários países da América do Sul está rolando o novo disco e muita gente tem entrado em contato.

Whiplash - A capa mostra várias baratas (Cockroach, em inglês), de quem partiu a idéia desta foto?

Lezma - A idéia foi minha. Queríamos uma imagem de impacto mesmo, que falasse por si só. Tanto que não há nada escrito na capa. Mas, traumático mesmo foi fazer a foto. Odeio barata!

Saimon - Cockroach é uma música que já estava pronta desde o disco anterior - Beware, mas não foi possível grava-la. Desde essa época já tínhamos o nome daquele que seria o próximo disco. E desde essa época o Lezma já falava nesta capa cheia das bichinhas...Hehe

Whiplash - Veniste foi escolhida para o vídeo clipe, como foi a produção deste clipe e qual o retorno que ele proporcionou?

Saimon - A produção foi simples, mas muito profissional. Tínhamos que escolher uma música pequena devido as condições da produção. Não tínhamos tempo, em questão de cinco dias tudo foi combinado, criado, produzido e editado. Foi uma loucura, correria total!!! O Daniel Vargaz criou, dirigiu e editou, Roberto Saúde cuidou da filmagem (fotografia) e o Thales Violante cuidou do cenário, iluminação e descolou a produtora para que o vídeo fosse editado. Esses caras foram super profissionais e amigos. O retorno é a divulgação. Muita gente já viu o clip. Toda mão tem gente falando que viu o clip. Pow isso ajuda pra caramba na divulgação da banda.

Whiplash - Li uma entrevista na qual vocês citam Mike Patton (Faith no More, Mr. Bungle, Fantomas, Tomahawk) com uma grande influência. Sobre bandas cristãs, quais podem ser citadas como influência?

Gio - De bandas cristãs podemos falar de o inesquecível The Crucified, Believer, Tourniquet, Six Feet Deep.

Saimon - Além destes eu citaria também Zao que é uma banda que ouço muito.

Whiplash - Cockroach traz o Juninho assumindo a guitarra, até que ponto essa mudança influenciou a banda?

Gio - Influenciou muito, uma vez que O Juninho tem uma pegada bem diferente da do Macarrão que é mais "punk". O Juninho é mais metal, mais técnico, e como a guitarra é a cara de apresentação de uma banda porrada, com certeza fomos muito influenciados.

Saimon - Estamos caminhando juntos há mais de 10 anos. Conhecemos bem o Juninho e demos total liberdade pra ele criar. Da mesma forma ele nos conhece bem e ficou tudo em casa.

Whiplash - As percussões foram muito bem utilizadas em diversas passagens em Beware of the Dog, já em Cockroach excluindo a faixa Brazillian Dreams, não temos mais esses elementos de percussão, Porque vocês decidiram por essa mudança?

Gio - Tem sim... hehehehehe... É que está mais discreto! Em Sofhia existe uma percussão e em Old Guy também. O Beware é um CD mais alternativo que o Cockroach e por isso cabia mais desses elementos. Não foi uma mudança planejada, simplesmente aconteceu.

Whiplash - Brazillian Dreams tem uma ótima letra, De onde partiu a inspiração para esta composição?

Lezma - Essa música poderia ser entendida tanto como uma autocrítica de um brasileiro nascido e criado aqui como uma crítica ao que a mídia lá fora tem retratado sobre nosso país. Mostra que, por trás da nossa realidade de injustiça social e política bizarra há um histórico de exploração e saque por parte daqueles que hoje nos apontam o dedo na cara. É um desabafo quase que desesperado de um povo que representa muito mais que futebol, carnaval e prostituição.

Whiplash - Quais suas músicas preferidas neste novo álbum? Existe alguma distribuição deste novo CD, ou a banda continua trabalhando de forma independente?

Lezma - Me agradou bastante o resultado final do cd. Mas há sempre aquelas faixas que um ou outro prefere. Pra mim, Earthmachine, The old guy and the fly e Veniste são as melhores. Continuamos a trabalhar de modo independente e com parcerias de alguns selos alternativos.

Saimon - Não tenho preferida. Gosto de todas...hehe

Whiplash - Explique-nos o trabalho social realizado em BH, pela banda juntamente com o Ministério Arca

Saimon - Bem, o Lezma faz parte de um projeto que proporciona lazer a crianças carentes. É um projeto bem legal com esportes radicais e etc.

Saimon - A ARCA é nossa Comunidade na qual fazemos parte. A Comunidade está com um projeto em um Complexo de favelas que visa prestar apoio a estes. Lá rola alfabetização, reforço escolar, aulas de capoeira, kung-fu, etc. Basicamente ajudamos na divulgação do projeto, levantando recursos e eu trabalho junto ao conselho que coordena o projeto. Mas ainda estamos dando os primeiros passos.

Whiplash - O flerte com metal, hardcore e experimentalismo, somado as linhas vocais de Saimon, traz a banda uma originalidade muito grande, dentro dessa mescla de estilos e sons, como vocês classificariam o estilo da banda?

Lezma - Música alternativa pesada

Saimon - é isso aí, metal alternativo.

Whiplash - Conte-nos um pouco sobre o primeiro CD "The Death of the Brittle Biscuit" (1994) como surgiu a oportunidade de relançar este material?

Saimon - o "biscoito" - como o chamamos - foi o primeiro disco da banda. Uma outra formação, mas um disco muito marcante, principalmente pra época. Era pra ter saído no formato de CD, mas devido as circunstâncias não foi possível e foi lançado em cassete. Em 2003, o selo Força Eterna do nosso amigo Eduardo Vaz quis relançá-lo em CD e daí foi fácil. Ficamos felizes pra caramba de ver o biscoito na mão da galera.

Whiplash - Fugindo um pouco do assunto música, como a banda vê o atual momento político e econômico brasileiro?

Gio - Péssimo... o Instituído está cada vez mais podre e mostra sua falência. A economia que vive sobre a égide do capitalismo, em sua faceta mais voraz - o neoliberalismo - tem jogado na miséria a maior parte da população, com isso o abismo entre ricos e pobres é cada vez maior. Inúmeros fatores causam essa situação, mas todos eles são perpassados pela busca de mais e mais cifrões. É um assunto extenso para se discutir aqui, mas temos de manter viva a nossa capacidade de indignação e essa por sua vez deve se transformar em ações e mudanças.

Saimon - Pra mim, o momento político é uma tristeza muito grande, uma lama gigante. Enquanto os governantes deveriam se preocupar e lutar pela situação do povo, ficam preocupados com o poder, com as suas vaidades, com as suas richas, etc. É uma grande palhaçada!!! A situação econômica não é diferente, enquanto houver desigualdade como a do Brasil é porque a política econômica está longe ser o que deveria.

Whiplash - E no futebol, como vai o Atlético Mineiro, heim? Alguém ai torce pelo Galo?

Gio - Hehehehe...eu torço!!! Páia né... O time do galo tava um cocô a um bom tempo! Agora terão de suar a camisa pra voltar pra primeirona e daí talvez voltem a ganhar alguma coisa. Mas a massa alvinegra é Galo até morrer....

Lezma - Pior é a situação do meu time, o América MG, que outro dia estava na primeira e agora... terceirona. Isso que é underground!!! Cada vez mais subterrâneo... ehehe...

Saimon - Haha, pobre coitados!!!

Whiplash - A cena cristã tem certas particularidades, pois apesar da explosão de bandas e lançamentos o que vemos é cada vez mais estruturas e organizações precárias, além de muito amadorismo, o que fazer para mudar essa realidade?

Saimon - Bem , em relação a eventos, acho que tem que ter uma estrutura mínima de som. E o que tenho visto são estruturas bem abaixo disso. Acho que falta conhecimento. Tem muita gente querendo fazer evento de som pesado com equipamento de festa junina, não dá certo... É raro encontrar um festival onde se tem bom amplificador de guitarra. Pow! Guitarra é um negócio fundamental na música pesada. É barra!

Whiplash - Desde já agradecemos a entrevista, deixe uma mensagem para os leitores do Whiplash, enfim, o espaço é todo seu.

Gio - Pessoal valeu pela força de sempre e que Deus possa abençoar todos voces. Lutem o bom combate...em todos os tempo e em todos os lugares.!!!!

Saimon - Obrigado pela oportunidade! Sigamos o caminho estreito, sigamos contra-correnteza deste mundo caído. Deus está com a gente e isso vale tudo. Paz!


Review - Crockroach (The Joke?)

Por Rafael Moura

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"Crockroach" é o terceiro álbum da banda mineira The Joke?. Como esperado, sua arte gráfica, representada por várias "cucarachas", faz jus ao título, exalando uma certa irreverência que não é gratuita. Iniciando o play, temos "Veniste", um belo hardcore: curto, direto, e, inusitadamente, cantando em espanhol.

Este trabalho traz algumas mudanças em relação ao antecessor, "Beware of the Dog". Contudo, não temos grandes alterações na sonoridade, mas sim um aperfeiçoamento das composições. Ainda é o metal alternativo já característico da banda, todavia, os elementos de metal estão em maior evidência.

Os vocais de Saimon variam entre o gutural e o debochado, se adequando ao estilo da música. A veia melódica do rapaz evoluiu, soando devidamente polida. Lezma continua provando porque sempre foi bem votado como um dos melhores bateristas da cena cristã, não só pela técnica apurada como também pela criatividade. Giordano mostra um baixo cadenciado, perfeitamente sincronizado com a bateria de Lezma. Já Juninho têm toda capacidade para assumir seu posto nas seis cordas, e ele é, aliás, a única novidade no line-up neste cd.

As letras são, em sua maioria, metáforas usadas de forma muito inteligente. A própria faixa título, por exemplo, traz uma reflexão interessante sobre a resistência que o ser humano tem ao ver seu modo de vida confrontado. "Crockroach", a propósito, vai além de velhos clichês e protestos vazios contra o sistema, trazendo indagações pertinentes sobre o nosso comportamento nos tempos modernos.

Voltando a música, temos um play consistente e agradável, onde podemos destacar como pontos altos: "Veniste", "Crockroach", "Sophia" e "Brazilian Dreams", mencionando especialmente as percussões colocadas nesta última.

Há poucas ressalvas a se fazer, com exceção somente de que seria agradável arriscar alguma música em português e que Saimon deve aperfeiçoar seus guturais, pois, por vezes, eles soam muito forçados.

Em suma, o The Joke? continua sendo aquela banda que ou você ama ou odeia, porque nem todos conseguem apreciar um trabalho que mistura hardcore, metal e ritmos brasileiros. Ainda assim, o álbum é coeso musicalmente, possui uma boa produção e uma bela arte gráfica, tudo isso de forma independente. Mesmo para quem tenha dificuldade com o ecletismo musical dos Jokers, vale uma conferida nesse cd, que já é um dos grandes lançamentos do cenário cristão em 2006.


Review - Conquer The World (DVD) - Mortification

Por Rafael Moura

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O Mortification sempre é visto com bons olhos por todo amante do rock cristão, seja qual for o estilo, e um registro desses não poderia passar desapercebido em nossa coluna. No entanto o que podemos dizer é que Conquistar o Mundo, não foi exatamente o que fizeram nossos amigos australianos nesse vídeo.

Com uma produção que varia de ruim a medíocre esse DVD documenta a famosa turnê mundial no ano de 2001, turnê está que contou com três apresentações em terras brasileiras, além de estar presente na África, Europa e América.

A apresentação do vídeo até que foi bem trabalhada lembrando muito o estilo usado em Envídeo Evangelene (1996), com Steve Rowe muito simpático, apresentando, explicando e contando experiências sobre a viagem.

O lance fica mesmo tenebroso, quando percebemos que todo o documentário que está no DVD foi filmado pela câmera amadora de Penny, esposa do então guitarrista Lincoln Bowen.

Tentando esquecer toda a precariedade técnica, podemos destacar alguns pontos, entre eles os 3 vídeos clipes, " Metal Blessing", "Access Denied" e "Standing at the Door of Death" ambos tirados do CD "The Silver Cord is Severed", é claro que quem conhece o Mortification vai se perguntar se não tem nenhuma cena tosca como já é de praxe nos clipes da banda, bem meu amigo, sim essas cenas estão lá, mas somente em Metal Blessing, onde a banda sai tocando pela cidade em cima de uma caminhonete, mas enfim, coisas do tio Steve.

Outro ponto muito interessante é a força de vontade do próprio Steve para realizar a turnê, sempre acompanhado de uma bengala, nós vemos um dos heróis do metal cristão, muito debilitado em sua saúde, vale a pena lembrar da Leucemia, que quase tirou sua vida em 1997.

Os capítulos são divididos pelos vídeos clipes e pelos continentes, na África, o que temos é um público pequeno e caloroso.

O prestigio da banda na Europa, continua forte, principalmente na Alemanha, Holanda e Noruega, talvez fruto do trabalho da Nuclear Blast, destaque para as apresentações no Seaside Festival, incluindo um inusitado Set Acústico (que se encontra registrado como Bônus no CD "Power, Pain & Passion")

Agora no Estados Unidos os registros ficam deprimentes, ou você chora ou você morre de rir, tirando a colônia de férias que virou, visita a amigos como Doug Van Pelt, a casa do lendário Pastor Bob, além de Tatoos e Piercings, podemos ver shows com uns vinte expectadores, além de uma inusitada tarde de autógrafos sem fan algum.

Descendo o mapa um pouco mais, ai fica insano, no México, Chile e Argentina, temos os melhores públicos, e a banda mostra todo o seu carisma com apresentações dedicadas apesar das precariedades de alguns locais dos shows.

No Brasil vira uma extensão de toda parte latina, destaque para a incrível quantidade de policiais que foram usados no show de Curitiba, e isso que era uma segunda-feira, onde este que vos escreve esteve presente.

Posso dizer que não é o mais profissional registro deles, fica longe disso, mas pelo menos dessa vez o encontro com os fans é real e não parece armação como no vídeo Grinds Planets (1992), apesar de ficarmos chocados com o baterista Adam Zaffarase escutando Catedral em seu quarto de hotel, ficou mais claro que Steve, Lincoln e Adam foram, não a mais clássica, mas com certeza a mais empolgante line-up do Mortification.

Poderia até ter feito uma resenha menos explicativa, mas como a maioria das pessoas não vai comprar o DVD, fica o registro de que esse sim é um lançamento somente para fans, e até hoje procuro entender como a Nuclear Blast lançou um material com tão pouca qualidade em sua produção, apesar do alto valor histórico.

DVD: Mortification - Conquer the World
Nuclear Blast, 2002
Sem Legendas


Review - Nineteen Eighty Seven (Whitecross)

Nota: 9,0

Por Márcio Heck

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Dezoito anos depois do lançamento do primeiro álbum, a banda americana Whitecross resolve regravar seu debut álbum, sinalizando com isso o retorno às atividades do grupo, que é o maior nome do hard rock cristão em todos os tempos. Minha expectativa de surpreenderem era remota, diante de algumas bandas que tentam "retornar às raízes" e acabam colocando em risco toda a carreira. Porém, desta vez foi diferente.

Com sete prêmios "Dove", entre eles, o de melhor disco de metal do ano com "Triumphant Return" e "In The Kingdom", 15 músicas no TOP 10 em toda a carreira e onze álbuns na bagagem, o grupo havia dado uma estacionada, devido divergências e trabalhos paralelos dos integrantes.

Scott Wenzel, vocalista, trabalhou em missões evangelísticas no Paraguai, durante bastante tempo. Enquanto isso Rex Carrol, um dos consagrados guitarristas do meio cristão, que havia saído do Whitecross em 1993, trabalhou com produções musicais e também com uma banda dedicada à evangelização de motociclistas nos EUA.

No dia 15 de janeiro de 2005, Wenzel e Carrol, os mentores da banda, se encontraram e decidiram voltar. Desenvolveram então esse projeto de regravação do primeiro trabalho (que leva o nome da banda), incluindo ainda mais duas faixas bônus.

A idéia original era fazer deste um álbum duplo, contendo no disco dois um concerto ao vivo de 1987, porém isso atrasaria ainda mais o lançamento, segundo informações no fórum oficial da banda. As primeiras duas mil cópias do novo álbum contém, além de duas faixas bônus, mais três performances instrumentais, retirados de sobras de gravações em estúdio e encarte com oito páginas contendo fotos raras da banda, sendo que o encarte normal são quatro páginas apenas.

No "Nineteen Eighty Seven", título dado a este álbum, o que vemos de volta é o Hard Rock clássico que consagrou o Whitecross. As guitarras continuam sujas, técnicas e precisas. Os bem elaborados riffs que abrem a maioria das músicas do álbum, soam com perfeição. O virtuosismo do grupo na era Rex Carrol ressalta aos ouvidos.

No álbum "The Fall", segundo lançamento do King James, banda que Rex Carrol montou após sua saída do Whitecross, ele fez um trabalho com afinação baixa e com a ausência total de seus potentes riffs, longe de suas características. Cheguei a pensar que ele seguiria essa linha. Este foi um dos motivos de meu espanto com esta regravação.

Whitecross teve bons álbuns com os guitarristas Barry Graul e Quinton Gibson, mas ter Rex Carrol no line-up novamente torna desiguais todas as comparações.

Na gravação original de 1987, tínhamos Mark Hedl na bateria. Desta vez é nada menos que Mike Feigan, que está na banda desde o quarto álbum, "In The Kingdon", lançado em 1991. É um grande nome em seu instrumento e não deixa a desejar. No baixo, Tracy Ferrie, que é o mesmo baixista que entrou na nova formação do Stryper. Scott Wenzel, que seguiu carreira solo sem muita repercussão nos anos 90, está com os vocais em perfeita forma, mostrando que soube cuidar muito bem de sua voz, depois de um bom tempo sem gravar.

A faixa de abertura, "Who Will You Follow" agrada já nos primeiros segundos de audição, pois os elementos essenciais da banda não foram desprezados ou bruscamente alterados. Para mim soou acompanhada de um sentimento de alívio, pois a partir dela tive a certeza que todo o álbum havia ficado no mínimo ótimo.

"Enough is Enough" segue com classe e "He Is The Rock", uma das melhores músicas da banda, ganhou nova vida e continua empolgante. Destaco ainda "Lookin for a Reason" e "Signs Of The End" que também ficaram renovadas com a gravação atual.

Como bônus track temos a regravação da semi-balada "Love On The Line", primeira faixa do EP de mesmo nome, lançado em 1988. A segunda faixa bônus é o instrumental "ReAnimate", ponto mediano do álbum, pois é cansativa e não mostra novidades em relação às demais músicas, apesar do bom desempenho dos músicos.

Mesmo sem a devida repercussão deste álbum - talvez por se tratar de uma regravação - Whitecross está de volta, e com sua formação clássica. Expectativas altas desde já para um futuro álbum de inéditas.


Review - Show - Petra - 15/12/2005 - Londrina/PR

Por Andryo Dias

O evento inicia como todos: uma hora de atraso. O solo de batera de Paganini [www.paganinibatera.com], usando apenas um tom ao invés de trezentos, provocou no público um descargo de ansiedade, com 18 minutos de levadas sequenciadas, muitas quebras de ritmo combinadas com os ingredientes criatividade e velocidade. Continuando, é a vez da banda de rock Zion subir ao palco e executar algumas canções, com destaque para o encaixe de um cover do Delirous com a música "My Glorious".

Pausinha para os bastidores rever o pessoal do Oficina G3. Muitos fãs ansiosos por vê-los e alguns até ensaiavam invasões ao corredor de acesso. Eu via aquela loucura toda e perguntava a mim mesmo: "O que vai ser quando o Petra passar por aqui?". Juninho Afram assume o posto de capitão e o Oficina faz parte do que relatei na edição anterior num show aparentemente mais leve. Talvez pela equalização, porque os P.A.s não estavam dando todo o grave que podiam. Uma lástima! Além disso, duas quedas de energia potencializadas pelo uso excessivo da iluminação ocasionaram cortes no som. Mas em um desses momentos é que vimos o carinho que, como dizem muitos artistas, só os brasileiros tem. Um coro uníssono continua a cantar a música, impressionando a banda que se dedica a reger a galera e agradecer. E é claro, nunca esquecendo do evangelismo. Foi a vez de Juninho falar com autoridade: "Somos cristãos, evangélicos, ou como você preferir, somos crentes, sim! E fique você sabendo que Deus existe e em breve estaremos com Ele na Terra Prometida!". Coisa linda de se ouvir. "Espelhos Mágicos" foi o ponto alto do show e na sequência "Indiferença" arrematou mais uma ótima apresentação.

E então, os cardíacos escaparam do ataque. Petra subiu ao palco. Porém, com a demora para equalizar o som - tudo devia estar perfeito - a ansiedade do pessoal dobrou. Podia-se ouvir até xingamentos! Ai, meu Brasil brasileiro...

Mais que na hora, o show começa com "All About Who You Know" e, se você acha que já estão acabados pela idade, saiba que está redondamente enganado. Bob é um cara fechado; na dele. John, sorridente o tempo inteiro. Interage com o público, ergue os braços, dança, etc. Um cara cheio de floreios no palco. Muitas pessoas começam a invadir o espaço a frente do palco, reservado para os repórteres, para fazer fotos pessoais. Então, "Dance". E quem dançou fui eu. O espaço foi completamente invadido pela galera que não se contentou com os cinco metros de distância. Pra ser sincero, se estivesse lá pra assistir o show, ficaria aborrecido depois de percorrer cerca de 700 km e me deparar com cinco metros me impedindo de ouvir a guitarra de Bob no retorno dele. Mas foi uma pena porque meu trabalho (e de outros) foi bastante prejudicado. No Brasil, a falta de ética é um problema evidente e os seguranças foram ineficientes em não controlar a invasão já desde as primeiras pessoas.

O show continua com uma versão curiosíssima de "Amazing Grace", tal que quase nem reconheci. John usa todo o palco e para não desgastar o físico, "Creed" aparece para matar minha curiosidade de ouvi-la sem teclados. Linda! Começa lenta e logo ganha força com vocais oitentistas de Bob, Greg e Paul. Sim, até o Paul! "Juda's Kiss" vem fazer prova à resistência desses músicos em uma turnê praticamente sem dormir e ninguém deixa barato. John mostra muita energia. Alguns cortes no microfone durante a música: bateria fraca para o Petra é imperdoável! Bob Hartmann mostra toda sua experiência num daqueles solos que se eternizam e John rebate finalizando a música em um tom tão agudo quanto todos que já ouvira partir dele.

Em "Right Place" Bob anima-se no palco. Canta com mais vigor. Para a próxima música ele prepara uma breve introdução falando a respeito deste medley que fez uma bola na minha cabeça na hora de identificar as músicas e que no final acabei descobrindo que era o mesmo do álbum "Farewell to Petra". "Sight Unseen" e "It Is Finished", refrães que ecoam na memória; "Think Twice" que no álbum de 1995 vem após "Enter In" e dá um prato cheio de música noventista (estamos em 2006, posso começar a usar esse termo, não é mesmo?); "I Am On The Rock" que sempre foi acompanhado pelas palmas do público; "Midnight Oil", "Mine Field", "This Means War" e retornando para "It Is Finished". O medley "está terminado".

Então, as luzes se abrandam, John vira de costas para o público, inclina-se calmamente, estende os braços como um condor estende suas asas mostrando sua envergadura e poderio. Bob inicia o riff que me provocou ansiedade quando rodei o CD no player. É como se estivéssemos quebrando o ovo e ao sair este riff dissesse: "Contemple! Este é o mundo do rock!". Quando nossos nervos estão à flor da pele, Paul faz a caixa vociferar e "Jekyll & Hyde" nos atira desfiladeiro abaixo. Ah, mas sabíamos o que fazer. O rock nasceu em nós e nós nascemos com o rock. Todos bateram suas asinhas, digo, cabeças para cima e para baixo. A crentada toda no headbanger. Coisa linda de se ver.

Era a vez de Paul Simmons. Um solo de batera inovador e contagiante. Um dos pontos curiosos foi vê-lo brincando com a caixa e o pedal-duplo. Tudo o que fazia na caixa, fazia nos pedais. Quando ele repicou as baquetas, pensei: "Agora quero ver!" e, para minha surpresa, ele não decepcionou. Tudo isso admirei ali, do ladinho. Até me ouviu gritar. Eu e um pequeno garoto de Londrina o qual havia se tornado o amigo-companheiro de Paul, ultrapassando as barreiras de idioma, e aumentando a paixão do moleque pelas "madeirinhas mágicas".

"Beyond Belief"! Um clássico! E o solo de Bob que, apesar de curto, foi explêndido. Como o ditado popular: "Falou pouco, mas falou bonito". Após a dançante "Lord I Lift Your Name On High", John se despede de todos, me cumprimenta e desce as escadas. Cinco segundos depois todos estavam ao lado do palco gritando e se esbarrando. "Como isso aconteceu tão rápido?", Bob - que só teve o tempo de tirar o cabo da guitarra - me pergunta indignado! Mas não era o fim. Eles voltam, executam "He Came, He Saw, He Conquered" e o show se encerra definitivamente. Felizmente, os seguranças souberam como agir desta vez.

Quando desci do palco, sentei num lugar qualquer, e parei comigo mesmo. Tinha acabado de assistir um show do Petra. A realização de um sonho e justo na última oportunidade. Comecei a rir sozinho. Me desliguei de tudo e até mesmo quase esqueci que ainda tinha uma entrevista a fazer! Depois de quase 45 horas acordado, voltei à correria a caminho do Hotel Pristol onde conversei com John e Bob a respeito desse contagiante "adeus ao mundo". A Christian's Voice, emocionada, tem o orgulho imenso de compartilhar essa conversa com você a seguir.


Entrevista - John Schlitt e Bob Hartmann (Petra) - Após o show

Por Andryo Dias

Christian's Voice - Após todos esses anos de ministério e muitas mudanças, como troca de membros, por exemplo, como foi lidar com a decisão de pôr um fim ao trabalho do Petra?

John - Acho que foi o simples centro entre Bob e eu. Nós dois sentimos paz ao tomar essa decisão. Sentimos que Deus estava dizendo: "Ok, aqui estão as circunstâncias que vocês têm, aqui está o que vocês são agora".

John - Sabe, toda vez que tínhamos um momento em que precisávamos decidir se devíamos continuar Deus sempre interviu: "Não, não. Vocês têm que continuar!". Mas, desta vez, ele não o fez.

CV - Se Petra está funcionando desde 1973 é óbvio que todo caminho foi guiado pelas mãos de Deus. Então, sabemos que o fim do Petra veio dEle, porque Ele conhece todas as coisas e tudo acontece a Seu tempo. Mas, diga-nos, que fato contribuiu para isso?

John - Ah, garoto! Essa é uma boa pergunta [risos]. Hm... Bob?

Bob - Acho que sentimos que precisávamos fazer na América a maior turnê. Seria a mais difícil de todas que já fizemos. Este seria o ápice do meu interesse para o Petra e sentimos que esse era um bom sinal.

John - Tivemos no ano passado o álbum "Jeckyll & Hyde". Sentimos que aquele foi um dos melhores álbuns que já fizemos em anos!

CV - Acho o mesmo.

John - Sim. Todos que ouviram também dizem a mesma coisa. Então saímos e fizemos turnê por tudo! Quero dizer, todos os festivais, na Europa, Américas e também contatamos o Brasil. Estou feliz que conseguimos realizar a turnê aqui para este álbum e também para o novo.

John - Mas esperávamos que esse ímpeto continuaria para este ano [N.A.: entrevista realizada em 2005] e, quando Bob e eu olhamos para as ofertas e oportunidades, não havia nada! Depois de trabalhar tanto. E pensar que essa banda... Você viu a banda hoje a noite. Aquela era a mesma banda! Essa banda foi cortada ano passado e isso não significou nada para a América do Norte. Não significou nada!

John - Trabalhamos arduamente e agora não há maior importância nem sentido algum disso tudo. [breve pausa] Quero dizer, é um trabalho duro mexer com a direção de Deus [risos]! "Ok, vocês estão dispensados".

CV - Bem, somos todos agradecidos a Deus porque "Ele nos deu o rock'n roll" [risos pela alusão à famosa música "God Gave Rock'n Roll To You"]. Mas, exceto isso, vocês estão satisfeitos com o que Deus deu ao Petra?

John - Olha. Faço parte do Petra por 21 anos e tenho estado totalmente... uau! Estou explodindo dentro de mim mesmo com as coisas de Deus. Muito além do que qualquer coisa que eu tenha esperado ou imaginado. Não vou falar por Bob, ele pode responder isso pois está a 33 anos no Petra.

John - Essa turnê de despedida abriu novamente nossos olhos para o fato de quão maravilhosos são os planos de Deus; quão grandes!

CV - O tempo inteiro aprendendo.

John - Oh! O tempo inteiro! Toda vez que temos a chance de assinar autógrafos e ouvir depoimentos das pessoas. É... simplesmente incrível!

CV - Bob, fale-nos sobre o início do Petra. Como foi lidar com os primeiros festivais, preconceito, discriminação, serem pioneiros e tudo o mais?

Bob - Bom, tivemos cobertura da igreja de onde viemos. Não foi assim tão difícil. Viemos de uma igreja que realmente nos entendia, nos ministrava. Não gostavam muito da nossa música mas ainda assim entendiam o que estávamos tentando fazer. E porque tivemos essa compreensão, mesmo se saíssemos pra tocar, podíamos retornar e nos sentir bem-vindos.

Bob Então, passamos por cima de tudo isso e vimos grandes coisas acontecendo. Vimos muitos acontecimentos evangélicos, mais e mais pessoas se tornando cristãs e com o passar do tempo, mais e mais cristãos se identificaram com nossa música.

CV - Realmente. Vocês inspiraram duas gerações.

Bob - No início era muito difícil por ser rock. Era rock mas a gravadora disse "vamos por num disco e ver o que acontece!". Acho que, na verdade, eles viram que tínhamos uma boa intenção apesar de fazer algo que ainda não havia sido feito. Então, a música se espalhou e, como tendo um conteúdo evangelístico, mais e mais cristãos se identificaram e começamos a receber propostas para tocar em faculdades cristãs.

CV - Então vocês lidaram com cristãos e não-cristãos ao mesmo tempo mudando mentes, conceitos. Isso foi muito bom e realmente amo vocês por terem feito isso.

CV - Bom, eu estava nascendo e John estava assumindo os vocais [risos]; 10 anos depois ouvi rock pela primeira vez, composto por Bob; hoje, 11 anos depois, estou aqui em frente a vocês fingindo ser um bom repórter e talvez daqui a 12 anos vocês ouvirão falar de mim novamente. Isso é muito interessante. Diga-nos, qual foi a história mais curiosa como esta que vocês já ouviram?

Bob - Posso dizer uma coisa? Primeiramente, gosto disso que você disse! Gosto quando alguém diz: "Vou fazer algo que surtirá diferença". E você sabe em seu coração que quer fazer algo que surtirá diferença. E esse é o começo porque você tem um desejo, Deus lhe dará esse desejo!

CV - [em choque] Viver para Deus 24 horas por dia. Este é meu propósito.

John - Glória a Deus.

Bob - Isso é algo que mudará corações neste país.

CV - Então, podemos dizer que a história mais curiosa é a minha [risos]?

John - Na verdade é uma delas! Uma que me vem a mente, e é bem recente. Aconteceu cerca de um mês atrás. Houve um avô... não lembro muito bem a história. Por quê você não conta pra nós, Bob?

Bob - Ele veio a nós com dois meninos. Chegou e a primeira coisa que disse foi: "Quero pedir perdão a vocês. Não deixei minha filha ser levada pela música de vocês. Não deixei minha filha ouvir a música de vocês". E continuou: "Mas vocês mudaram minha mente e agora estou trazendo meus dois netos para ouvir vocês nesse show". Ele formou um círculo perfeito que mudou seu coração completamente a respeito do que o Petra é e agora ele está trazendo seus netos. Você sabe o que significa isso, de todos os avôs que já conheceu. Ele trazendo os netos foi algo muito especial. Acho que ele disse que era pastor.

John - Sim, acho que sim. O legal disso tudo é que quando ele não deixou sua neta ouvir nossa música pensou estar fazendo a coisa certa, mas foi aberto o suficiente para nos ouvir e finalmente descobrir. Sabe de uma coisa? Ele estava errado, mas foi grande o suficiente para vir a nós e dizer "me perdoem". Claro que nós o perdoamos. Esse foi um homem único e decidiu: "Vou consertar isso. Vou voltar atrás!". Isso foi algo que nos atingiu na dimensão da Via Láctea.

CV - Petra está fazendo um ótimo trabalho de despedida. Temos CD, DVD, shows ao vivo por todo o mundo, tudo para nos dar a possibilidade de dizer adeus e lembrar de Petra para o resto de nossas vidas. Como tem sido a experiência de realizar isso?

John - Acho que é poder dar adeus a tantos amigos pelo mundo inteiro. Acho que isso é o melhor de tudo o que você falou.

CV - Venho tendo ótimos comentários a respeito do álbum "Farewell to Petra" e obrigado por o terem feito [risos]. Estávamos esperando algo ao vivo desde muito tempo. Como foi estar com Greg novamente no palco?

Bob - Greg Volz? Ah, sim. Foi muito diferente! Fazia tanto tempo e John nunca esteve no mesmo palco que Greg.

CV - Sério? Não sabia disso.

Bob - Sim, sim. E eu não via Greg provavelmente haviam mais de 10 anos! Talvez mais. Mas foi muito atraente fazer isso. Estamos todos velhos [risos discretos] mas acho que o resultado ficou muito bom. Você ouviu o álbum, certo?

CV - Ouch! Ainda não. O álbum ainda não pintou na loja, não tive tempo de baixar as músicas. Sei que isso é errado [risos] mas a ansiedade fala mais alto. Mas vou ouvir, sim e com certeza vou comprar.

Bob - Acho que você vai gostar

[N.A.: já ouvi e é ótimo, além de surpreendente].

CV - Estou tendo bons comentários.

CV - Bom, como vocês se sentem em, depois de mais de 30 anos de ministério cantando, tocando, compondo, resgatar o bom e velho rock'n roll agora em 2005 com "Jeckyll & Hyde"? Acredito que isso simplesmente veio da guitarra de Deus para a de Bob [risos]. Vocês planejaram fazer um álbum com puro rock?

John - Sim, realmente queríamos fazer um álbum rock há uns 3 discos atrás mas a gravadora estava sempre querendo fazer um álbum de adoração e depois queriam fazer isso e depois queriam fazer aquilo...

Bob - A propósito, 4 ou 5 músicas desse álbum haviam sido escritas antes de fazermos o "Revival". "Jeckyll & Hyde" é uma delas.

CV - Acredito que este tenha sido o melhor álbum por causa disso. Por que vocês fizeram o que queriam fazer!

John - Concordo inteiramente com você! Acho que foi um dos melhores porque Bob fez o que queria fazer. A gravadora foi sábia o suficiente para dizer: "Deixe Bob escrever do jeito que escreve" e também foram sábios para usar Peter [Furler. Newsboys e participação nos backing vocals também para o Bride há muito tempo atrás]. Peter se dedicou muito! Ele e Bob funcionaram muito bem juntos e acho que a combinação foi o estilo de Bob e o som de Petra. A combinação foi incrível!

CV - Quais os planos de vocês para o futuro?

Bob - Não tenho nenhum no momento. Sabe, nós listamos todas as coisas que vamos fazer por um tempo, mas acho que o que devo fazer agora é um recesso. Preciso tirar um tempo para, digamos, digerir tudo.

CV - Você [Bob] pretende continuar produzindo álbuns?

Bob - Bom, é uma possibilidade. Existem muitas outras coisas que eu poderia fazer, mas preciso encontrar o que Deus quer que eu faça.

John - Acho que esse é o momento mais importante para sentar e... não, sentar não, mas ser cauteloso. Não fazer nenhum movimento rápido. Deus proverá como sempre tem feito. É um momento muito importante para sentar e ouvir.

CV - Ouço as pessoas dizerem que esperam álbuns solos de você [John].

John - Eu sei. Todo mundo não pára de dizer isso. Entendo porquê, quero dizer, sou cantor, já fiz discos solos antes e eles funcionaram muito bem. Com certeza é uma possibilidade! E se isso acontecer e for humanamente possível estarei aqui no Brasil.

CV - Bom, embora esta pergunta esteja respondida é sempre bom esclarecer tudo. Sabemos que vocês ficaram presos na Argentina devido a um problema com o passaporte de Bob...

John - nterrompendo] - Sim, este era o último fator a ser definido! Descobrimos que Deus queria que estivéssemos no Brasil devido a termos passado por isso porque esta era a última coisa a ser definida e isso apareceu 45 minutos antes de todas as coisas serem fechadas. Ele viajou quase 40 minutos para fazer o que tinha que fazer. Foi um milagre que tivemos a possibilidade de fechar isso.

CV - Você disse em Belo Horizonte que ainda pretendem tocar em Goiânia...

John [interrompendo] - Sim, queremos voltar!

CV - Alguns fãs ficaram tristes, o que é normal, mas muitos ficaram nervosos e começaram a dizer que nunca mais iriam ouvir Petra novamente, que era uma irresponsabilidade com os fãs e tudo o mais. Isso está me deixando louco! Será que eles não podem entender?

John - Mas não culpo eles! Ouça, alguns deles provavelmente viajaram horas para assistir ao show!

CV - Mas viajei 13 horas para estar aqui e serão mais 13 na volta. Deixei para trás 2 dias de trabalho. Jamais culparia vocês! Por que eu deveria? Afinal foi um problema ocorrido no aeroporto com a companhia. Nada tem a ver com vocês.

John - Nós entendemos eles.

Bob - Chegamos muito, muito perto de não poder fazer a turnê inteira!

John - Sim! Toda ela poderia ter sido cancelada. Louvamos a Deus por isso. Inclusive, o primeiro show que fizemos foi depois de termos ficado sem dormir por 2 dias! Esta tem sido uma turnê praticamente sem dormir. Vou lhe dizer, o inimigo tem lutado contra nós nas turnês, o que significa que estas coisas devem acontecer.

John - Os fãs devem saber. Não foi o promoter, em tudo que precisávamos ele estava ali para nos atender, as circunstâncias...

CV - Resumindo: foi apenas burocracia.

John - Exatamente! Burocracia.

CV - Então, não gosto de entrevistas que terminam com: "Ok, diga algo aos seus fãs", mas estamos falando de uma despedida. Acho que é aplicável. John, Bob... digam adeus aos seus fãs latino americanos.

John - Vá em frente, Bob. Quero ouvir o que você tem a dizer. Estou curioso [risos].

Bob - Hm... Obrigado Brasil pelo seu apoio. Obrigado por dizer e nos deixar dizer o quanto nossa música significa para vocês. Desejamos as bençãos de Deus para este país.

John - Eu também quero dizer que estou muito, muito animado com as coisas positivas que temos visto, bem como espiritualmente. Acho que é muito importante para os jovens, especialmente, entender que eles fazem parte do movimento agora. Fico feliz em saber que somos líderes no nome de Jesus e perceber que as pessoas têm o direito de ouvir falar de Jesus Cristo. Não deixe o mundo roubar isso de você, porque estou lhe dizendo: o mundo tem muitas e muitas avenidas que levam a direção errada, mas Jesus Cristo é o caminho. Jesus Cristo é o caminho.


Unknow Voices

Por Márcio Heck

Na primeira "Unknow Voices", espaço destinado às bandas menos conhecidas no cenário cristão, brindamos o hard oitentista feito pela banda americana Arsenal. Na presente edição temos o prazer de indicar um grupo australiano que deixou álbuns memoráveis para o metal cristão.

Banda Teramaze

Em 1994, na cidade de Geelong-Geelong-Victoria, Austrália, a então chamada banda Terrormaze, fortemente influenciada por Megadeth e Metallica, liberou suas primeiras músicas demo. Neste período os integrantes passaram a conhecer o evangelho e sentiram a necessidade de adicionar à banda o que estavam vivendo. Foi através das músicas do Tourniquet que foram encorajados a seguir com essa idéia, rebatizando o grupo com o nome de Teramaze, tendo como meta a propagação da Palavra de Deus.

O primeiro disco, "Doxology", foi lançado em 1995, apenas na Austrália. Já em 1998, pela Rowe, foi lançado em diversos países. É um álbum de thrash, raríssimo de se encontrar, mas também é progressivo e complexo, passando pelo speed metal com bastante técnica e melodia, ainda que se utilizem de vocais guturais. A produção deixa um pouco a desejar, mas não influencia na competência dos músicos. "Divergence" e "Ever Enchancing" são destaques.

Três anos mais tarde, o segundo lançamento, ‘Tears to dust", foi uma surpresa aos que estavam apreciando o thrash da banda. A mudança deixou poucos rastros de Doxology. Neste novo álbum, com produção superior, investiram num heavy progressivo mais melódico e convencional. O gabarito e criatividade dos integrantes fez com que os fãs de seu antigo thrash gostassem também deste álbum. Todas as músicas do "Tears" são ótimas, com destaque para "Shadows", que retrata em sua letra o "velho homem" (sem Deus) e sua hipocrisia estendendo a maldade à sociedade. "Once Lost" e a belíssima "Damascus" também mostram a competência do quinteto australiano. Destaque para os vocais ora rasgados, ora suaves, de Clinton Johannes e as guitarras trabalhadas de Adam Wilke e Dean Wells.

No terceiro álbum temos mais mudanças, inclusive a mudança da banda para os EUA. Após o lançamento deste último álbum, os próprios integrantes comentaram que de 1999 à 2001 estiveram longe da cena metálica e que isso pareceu limitá-los como escritores e compositores do estilo. "Not the criminal" traz muitas influências de música alternativa e experimental. Até flerta com o punk na balada "Everything Of Me". A regravação ao vivo de "Shadows", seguida de "Sublime", são o ponto alto deste registro da banda. "Not the criminal" não é ruim, porém, não se aproximou do que já haviam feito nos ótimos "Doxology" e "Tears to Dust".

A banda encerrou suas atividades em 2002.

Discografia:

Doxology - 1995
Brett Rerekura - Lead Vocals
Dean Wells - Guitars, Vocals, Acoustic
Antonio Paulo - Drums
Adam Burnell - Guitars
Matt Ritchie - Bass

Tears to Dust - 1998
Clinton Johannes - Vocals & Keys
Dean Wells - Guitars & Vocals
Tony Paulò - Drums
Matthew Ritchie - Bass
Adam Wilke - Guitar

Not the criminal - 2001
Clinton Johannes - Vocals
Dean Wells - Guitars & Vocals
Matthew Ritchie - Bass
Tony Paulò - Drums


Top 10 2005

A equipe da Christian’s Voice lista abaixo os 10 melhores álbuns de metal cristão lançados em 2005, de acordo com a opinião de cada um.

Andryo Dias

Undish - A Gift of Flying
Petra - Farewell to Petra
Alice Cooper - Dirty Diamonds
Oficina G3 - Além do Que os Olhos Podem Ver
The Last Dance - Once Beautiful
As I Lay Dying - Shadows Are Security
Divinefire - Hero
The Witching Hour - After the Haunting Silence
Blindside - The Great Depression
Pillar - Where do We Go From Here?

Márcio Heck

Divinefire - Hero
Rob Rock - Holy Hell
Seven Angels - Faceless Man
Amos - A Matter of Time
Oficina G3 - Além do que os olhos podem ver
As I Lay Dying - Shadows Are Security
Antestor - The Forsaken
Whitecross - Nineteen Eighty Seven
Third Day - Wherever We Are
Kutless - Strong Tower

Maurício Gomes

Antestor - The Forsaken
As I Lay Dying - Shadows Are Security
Blindside - The Great Depression
Heartcry - Lightmaker
Jacob's Dream - Drama Of The Ages
MxPx - Panic
Neal Morse - ? (The Question Mark)
Oficina G3 - Além Do Que Os Olhos Podem Ver
Rob Rock - Holy Hell
Seventh Avenue - Eternals

Rafael Moura

Anberlin - Never Take a Personal Friendship
As I Lay Dying - Shadows Are Security
Blindside - The Great Depression
MxPx - Panic
Onix 8 - Triste Por que?
Petra - Farewall
POD - The Warriors EP - Volume 2
Rob Rock - Holy Hell
Stryper - Reborn
Sutura - Em Outro Lugar
The Joke? - Crockroach


Enjoy! See you soon...

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Sobre Maurício Gomes Angelo

Jornalista. Escreve sobre cultura pop (e não pop), política, economia, literatura e artigos em várias áreas desde 2003. Fundador da Revista Movin' Up (www.revistamovinup.com) e da revrbr (www.revrbr.com), agência de comunicação digital. Começou a escrever para o Whiplash! em 2004 e passou também pela revista Roadie Crew.

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