SP Metal I: Onde tudo começou!

Resenha - SP Metal I - Diversos

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Por Ivison Poleto dos Santos
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Este artigo é uma homenagem aos heróis caídos dos primórdios do Heavy Metal nacional que se apresentaram para lutar em uma guerra onde não poderiam vencer!

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O ano era 1984!

Não foi exatamente como George Orwell imaginou, mas com certeza foi o ano do Heavy Metal no Brasil! Só para lembrar foi o ano quando o Rock in Rio foi anunciado e nós ficamos babando só com o anúncio de quem viria. Roberto Medina, um cara super antenado com o que rolava lá fora, trouxe o que havia de melhor no Heavy Metal, que era o que pegava lá fora: Iron Maiden, com a Live After Death Tour; AC/DC, que trouxe o seu canhão da turnê do For Those About to Rock; Scorpions, com a World Wide Live Tour turbinada por “Still loving you”; Ozzy Osbourne; Mr. Madman em um bom momento sobrevivendo a morte de Randy Rhoads; Whitesnake; que ganhou a vaga por causa do acidente com o baterista Rick Allen do Def Leppard. E fora do metal ainda tinha Queen e Yes!

A bem da verdade, o festival aconteceu com tantas bandas de Metal por causa da efervescência da cena lá fora. Não sei o quanto ele conhecia da cena nacional. Porém, soubesse ele ou não, havia uma cena rolando aqui. Muitas bandas se esgoelavam para conseguir um lugar ao sol, principalmente em São Paulo e no Rio. É bom lembrar que eram tempos de final de ditadura militar, proibições de todos os tipos, inclusive de se importar instrumentos. Shows de bandas de fora eram muito raros. Para se ter uma ideia, até 1985, o ano do Rock In Rio, só haviam tocado por aqui Alice Cooper, Peter Frampton, Van Halen, Queen e Kiss. Isso com todo o rebuliço dos anos 60 e 70! Discos eram caros, e não aconteciam muitos lançamentos internacionais, e quando ocorriam eram com anos de atraso. Para se ter uma ideia, os quatro primeiros álbuns do Led Zeppelin só saíram em edição nacional em 1977! Isso porque a banda bombava, literalmente. Era necessário ter um amigo mais abonado que comprasse a bolacha, nacional ou estrangeira, te emprestar para você gravar uma fita cassete. Poucos músicos no Brasil podiam ter uma Fender ou Gibson. Até as palhetas e cordas tinham de ser nacionais, de qualidade apenas mediana.

E então, de repente, aparece a oportunidade de ver uma pilha de Marshalls! Baixos Fender Precision, baterias Tama, Fender stratocasters e muito mais! Meu Deus! Era um sonho se realizando! E além de tudo não havia somente uma ditadura política, havia uma ainda mais nefasta e escondida que era dos medalhões da MPB que ditavam o que era bom ou ruim. E rock, ainda mais esse monte de cabeludo gritando, era o fim!

Apesar disso, havia uma respeitável cena de Metal em lugares como o Rainbow Bar, Carbono 14, Woodstock Discos em São Paulo e outros no Rio, por exemplo, Circo Voador e a Rádio Fluminense FM. Havia uma revolução acontecendo feita com guitarras distorcidas.

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O SP Metal não foi o primeiro disco de Metal gravado no Brasil, mas foi o que captou com fidelidade a efervescência do movimento em São Paulo.
Com tudo isso, não é muito dizer que sem esta obra prima não haveria
Sepultura, Angra, Dr. Sin, Viper, Almah e muitos outros. E o Luiz Calanca, dono da Baratos Afins, uma loja de discos e gravadora independente, sabia disso. Ele já havia tido alguma experiência gravando álbuns para algumas bandas de rock, mas nenhuma com bandas de Metal, o que era um pouco diferente, como ele mesmo disse em entrevistas. Todo o processo de gravação deveria ser diferente, mas ninguém sabia disso naquela época, então eles, bandas e técnicos tinham que aprender com as mãos na massa.

Bom, na realidade, não foi o primeiro álbum de Metal que eu ouvi. Eu só o escutei alguns anos depois, para ser preciso somente em 1988. Uma pena!

Mas vamos deixar de enrolação e ir para o disco que o chamado split album, pois foram quatro bandas e cada uma teve direito a duas músicas.
Vou fazer uma exceção aqui. Geralmente não falo música a música, mas como é um tributo vou fazer isso.

1. Missão metálica - Avenger

Logo na primeira música já é possível ver o que virá. A qualidade (?) da gravação compromete o resultado final, embora a música seja ótima e a banda seja boa, entrosada. Mas é difícil aguentar o timbre de besouro voando das guitarras, os pratos de bateria explodindo e caixas de bateria chochas, baixo volume dos vocais e outros defeitos. Mesmo na época não soava bem. Estava muito aquém do nível de gravação mesmo dos artistas nacionais de outros gêneros. Mas a banda era muito boa, riffs de guitarra criativos, bons músicos, banda entrosada. Uma ótima introdução.

2. Duas Rodas - Centurias

Para mim a melhor banda! Esta música não se tornou um clássico porque no outro lado havia uma música ainda melhor e mais icônica! Frase de guitarra ótima, uma cadência muito legal, não muito rápida nem devagar demais, enfim perfeita! E a letra falava de um dos ícones do Metal, senão o maior, a motocicleta! Fugindo do lugar comum, como a própria fala. O baixo foi muito tocado e estava, impressionantemente, audível. O vocalista faz muito bem a sua parte. Do que eu ouvi depois da banda, pode-se dizer que este foi o seu auge.

3. Matthew Hopkins – Virus

Muita gente na época achava que o Vírus iria estourar. Afinal estava antenada com o que rolava lá fora. Era muito criativa, rápida, pesada e com músicos muito jovens e muito bons. Porém, cantavam em português, como as outras bandas, o que limitava o seu alcance somente ao Brasil, e como vocês sabem não é um país exatamente amigável às suas bandas de Metal. As bandas que conseguiram destaque anos depois, cantavam em inglês e estouraram lá fora. Mas a música é muito boa. Destaque à letra que foge do lugar comum, de novo, e ao guitarrista que conseguia soar diferente, muito rápido, porém não comia as notas ou as esquecia e além disso, o timbre da sua guitarra era muito pessoal, mesmo com os limites do equipamento.

4. Cabeça metal – Salário Mínimo

Uma banda com muito estilo! É isso o que se pode dizer do Salário Mínimo, afinal era a banda que representava o chamado hard rock. Porém, o seu hard rock era no que se pode dizer, estilo brasileiro, pois era pesada, consistente e com uma pegada muito forte. Eu diria que para a época era banda de Heavy Metal, mas a banda ficou marcada pelo rótulo hard rock. A letra é um pouco esquisita. Mas se tornou uma espécie de hino da banda nos shows devido a sua energia. Os dois guitarristas não eram exatamente bons, mas tocavam afinados e bem entrosados. Em algumas frases parece que aprenderam a tocar para gravar o álbum, se é que vocês me entendem, mas a coisa funciona. E bem! Na minha humilde opinião o ponto alto da banda é o vocalista China Lee com bons trabalhos vocais e afinado. Esta música fechava o lado 1 da bolacha de vinil, mas o melhor estava para vir!

5. Portas Negras - Centúrias

Senhoras e senhores, Portas Negras, o segundo maior clássico do Heavy Metal nacional! Só para esclarecer, o primeiro é Salém, a cidade das bruxas do Harppia. A frase de baixo introdutória é simplesmente sensacional! Pesada, vibrante e pegajosa! Ela é um bom exemplo de como o baixo, se bem tocado, é um instrumento fundamental para uma banda de Metal. A guitarra entra acompanhando a linha de baixo, completando-a, tornando-a mais forte e suavemente preenchendo as lacunas sonoras. O cantor e letra são excelentes destaques também. A letra fala sobre liberdade, sobre as oportunidades que a vida apresenta e que seriam negadas à banda. “Portas negras cairão”, diz a música, mas elas infelizmente não caíram, mas sim a banda que sucumbiu à falta de reconhecimento e apoio que outros muito menos talentosos tiveram. Bom, mas não estamos aqui para lamentar e sim para homenagear! O vocalista faz linhas vocais muito interessantes, desafiadoras mesmo, lembrando sempre que são amadores. Em algumas ocasiões percebemos que as lições dadas por Ian Gillan and Rob Halford foram bem aproveitadas. Ele dá uns bons agudos e logo retorna ao natural não comprometendo a música com desafinações. Eu tive o privilégio de conhecer o baterista da banda, Paulão, algum tempo depois em uma viagem para o Rock In Rio II, mas esta é outra história!

6. Delírio interestelar – Salário Mínimo

A banda se apresenta mais madura nesta segunda música. Ela é mais bem tocada e não dá a impressão que tive na outra. Para ser sincero, mostra uma banda bem entrosada e ensaiada, mesmo com as suas limitações técnicas, digo dos guitarristas e que consegue captar uma habilidade formidável de construir músicas cativantes e emocionantes com bons refrãos. Eles aperfeiçoariam isso no disco de 1987, “Beijo Fatal” que conseguiu uma excelente repercussão! O Salário Mínimo foi uma banda que funciona muito bem mesmo sem ter nenhum músico virtuoso, muito longe disso, mas que conseguia uma integridade musical muito grande.

7. Cidadão do mundo – Avenger

Refletindo sobre esta banda, eu diria que ela é tecnicamente a melhor do disco. Muito coesa, com bons músicos. Porém, as outras bandas conseguiram mais reconhecimento que ela. Mesmo na época, pouco se falava dela. Talvez seja porque ela tenha feito um trabalho muito correto, e este creio foi o seu defeito, ser muito correta! E como sabemos, o Heavy Metal é tudo menos correto! Na minha opinião faltou ousadia a eles.

8. Batalha no setor Antares – Vírus

Esta bando ousou! E como! A música começa devagar, com um dedilhado de guitarra que mostrava que a cadência seria lenta, porém não uma música lenta do tipo para rolar em bailinhos. A tensão vai aumentando até chegar ao ápice liderada pela guitarra muito rápida com frases massacrantes e desafiadoras, a bateria seguir com uma velocidade alucinante para os padrões da época. Não podemos nos esquecer que o disco é de 1984! Slayer era a banda mais rápida e pesada da época! O vocalista alterna com linhas vocais graves forçando a voz para um padrão mais rouco e logo depois voltava ao normal, mas muito criativo. A cadência rápida de música é um dos detalhes que chama a atenção para a banda, além, é claro do virtuoso guitarrista Fernando Piu ‘Blackmore’.

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