Epica: Nerdices escancaradas e duelos e melodia e agressividade

Resenha - Holographic Principle - Epica

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

O sexteto de metal sinfônico holandês EPICA desembarca daqui a duas semanas no Brasil. Na bagagem eles vem trazendo o seu mais recente álbum, "The Holographic Principle", pela Nuclear Blast, cujo lançamento oficial acontece em dois shows (um em 1º de outubro, na sua Holanda natal, outro aqui mesmo no Brasil, no Epic Metal Fest, em 15 de outubro).

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Se aprofundando nos temas científicos, como em "The Quantum Enigma", mas também com doses cavalares de referências a filmes como "Matrix" e "Inception" e temas atuais, como na tocante "Dancing in A Hurricane", o novo álbum da banda capitaneada por Simone Simons e Mark Jansen pode ser considerada uma nova obra prima. Embora alguns solos de guitarra a mais (ou mais demorados) façam falta em algumas faixas, tudo o que se espera de um bom álbum de metal sinfônico pode ser conferido em "The Holographic Principle": a voz ora doce e suave, ora vigorosa ou operística da mezzo-soprano Simons duelando com os guturais de Mark Jansen ou os corais, as guitarras pesadas de Jansen e Isaac Delahaye, os arranjos sofisticados de Coen Janssen, com coros, orquestrações e tecladeira que chega a beirar o progressivo e uma cozinha competente de Rob Van der Loo (baixo) e (Ariën van Weesenbeek). Há também algumas percussões étnicas, como na já citada "Dancing in a Hurricane".

Através da própria Nuclear Blast, tivemos acesso e ouvimos o álbum em primeira mão. Ele começa com "Eidola", uma bela peça com orquestra e coral infantil, passando para a quase pop "Edge of The Blade", já conhecida dos fãs (veja abaixo o vídeo para o single). "A Phantasmic Parade" e "Universal Death Squad" são mais exemplos de faixas com toda a boa mistura de melodia e agressividade que caracteriza o estilo: melodia, doçura, agressividade. No entanto, o solo de guitarra "Universal...", canção também divulgada previamente (veja o vídeo abaixo) também serve de exemplo do que citamos acima (poderia ser mais demorado - quando começa a empolgar, acaba). A longa "Divide and Conquer" também aposta nas melodias e coros, com boa participação de Mark liderando os vocais e recebendo a resposta de Simons. Excelente faixa. Uma das mais "pé no chão" do álbum (por tratar de tema menos filosófico ou científico), no entanto, uma das melhores de "The Holographic Principle".

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"Beyond The Matrix" lança o questionamento: estaríamos vivendo em realidades criadas artificialmente como no filme Matrix? Aqui, mais um belo solo de guitarra (e dessa vez não vou reclamar). "Once Upon a Nightmare" começa calminha e continua assim na maior parte do tempo, com Simone dominando completamente a faixa. Uma bela power balad. A breve pausa para respirar acaba quando começa "The Cosmic Algorithm", seguida de "Ascension - Dream State Armageddon", duas boas faixas, mas que realmente não trazem nada de muito novo ao que o EPICA e similares (como NIGHTWISH, por exemplo) já produziu em seus albuns anteriores. A maior surpresa é uma faixa uma faixa que concorre fortemente ao posto de melhor canção do álbum e até do top10 da discografia do EPICA. Em termos de som, são os tons orientais que abundam em "Dancing in a Hurricane". Já na temática, extremamente emocional (mas nunca melosa, não confunda), Simone derrama sua preocupação com as crianças sírias nascendo, vivendo e morrendo em meio a uma guerra torpe e cruel. Fingimos que não vemos, que não acontece, mas, do momento em que você começou a ler esta resenha até agora, mais algumas crianças que sequer chegaram a descobrir a diferença entre meninos e meninas morreram atingidas por uma bomba ou afogadas no Mediterrâneo. Triste. Triste. Triste.

Mark volta a tomar as rédeas da música em "Tear Down Your Walls". Coen Janssen consegue destacar-se com teclados delicados mesmo em meio ao turbilhão de emoções entregue pelos colegas de banda. A longa faixa-título (são 11 minutos, mas nem parece que são tantos) encerra o álbum com chave de ouro e de uma forma que toda faixa de encerramento deveria ser: ao mesmo tempo sintetiza o que se acabou de ouvir, mas mantém as portas abertas para que se comece tudo de novo.

Embora possa ser ouvido em streaming (tanto serviços legais, quanto pelo obscuro mundo dos torrents e afins), pela qualidade de todas as composições no álbum, pelas nerdices escancaradas nas letras, pelos duelos entre Simons, Jansen e corais, é um álbum que vale a pena ter em sua versão física, folhear o encarte, ler as letras, colocar no som e deixar-se envolver pelos coros, melodias e pelo contraste entre as vozes de Simons e Jansen. A versão deluxe do álbum ainda tem as faixas "Beyond the Good, The Bad and the Ugly", "Dancing in a Gypsy Camp", "Immortal Melancholy (Acoustic Version) ", "The Funky Algorithm" e "Universal Love Squad". Ainda não ouvimos estas faixas para poder confirmar se tratam-se de variações das faixas no álbum normal (caso provável das "Dancing...", "The ... Algorith" e "Universal Squad".

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The Holographic Principle - Tracklist:
1. Eidola 2:39
2. Edge of the Blade 4:34
3. A Phantasmic Parade 4:36
4. Universal Death Squad 6:38
5. Divide and Conquer 7:48
6. Beyond the Matrix 6:26
7. Once Upon a Nightmare 7:08
8. The Cosmic Algorithm 4:54
9. Ascension - Dream State Armageddon 5:16
10. Dancing in a Hurricane 5:26
11. Tear Down Your Walls 5:03
12. The Holographic Principle - A Profound Understanding of Reality 11:35

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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