Avantasia: Ótimos convidados e pouca originalidade

Resenha - Ghostlights - Avantasia

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Por Gustavo Maiato
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O sétimo álbum do megalomaníaco Avantasia traz seu mentor Tobias Sammet em meio a um panteão de astros, como de costume: A volta de Sharon Den Adel (Within Temptation), Jorn Lande (Ex-Masterplan) e Michael Kiske (Ex-Helloween) e nomes como Marco Hietala (Nightwish), Dee Snider (Twisted Sister) e o guitarrista Bruce Kulick (Ex-Kiss) somam forças para produzir "Ghostlights", gravado no mítico Gate Studio, fundado por Sascha Paeth nos tempos do Heaven's Gate, que já gravou Rhapsody, Kamelot, Epica entre outros. Sascha assina as guitarras do disco dividindo o holofote com Bruce e o sempre presente Oliver Hartmann (Ex-At Vance). Tobias está claramente dividido entre as raízes fortes do power metal clássico alemão típico do Helloween com bateria veloz, solos rápidos e melodias marcantes e o metal sinfônico que bandas como Kamelot e Nightwish vêm fazendo nos últimos anos, mais trabalhadas com orquestra, coros e passagens mais lentas.

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Em meio a esse embate de estilos, o álbum fica no meio do caminho com músicas power metal como Babylon Vampires, Unchain the Light e Ghostlights e composições sinfônicas como a épica Let the storm descend upon you e Seduction of Decay. Como uma terceira via, surgiram excelentes músicas como a quase balada Lucifer e Draconian Love, esta com participação do desconhecido Herbie Langhans (Sinbreed) que roubou a cena e se consagrou como melhor convidado do disco. Ghostlights, no entanto, pecou por não dar atenção especial para as melodias, principalmente nos refrães. Também não ousou em termos estruturais, sempre com solos de guitarra e riffs requentados. Nenhuma música exige técnica mais apurada e o álbum se perde em meio a tantos convidados que têm um ótimo potencial mas não foram muito bem explorados por Tobias.

A primeira música é o single Mistery of a blood red rose, que começa com a guitarra de Sascha fazendo uma melodia simples e até interessante. É um dos refrães mais acertados do álbum, embora não empolgue tanto. Um começo razoável para uma produção tão esperada e que segundo Tobias seria o melhor disco da história do Avantasia. Não chegou nem perto. Let the storm descend upon you marca a volta de Jorn Lande ao projeto e sua reaparição não poderia ser mais épica e pomposa. A abertura muito bem feita com piano lembra mais os últimos trabalhos da banda e quando a orquestra entra, faz lembrar os bons momentos do Nightwish. Além do norueguês Jorn, o dinamarquês Ronnie Atkins (Pretty Maids) e o americano Robert Mason (Warrant) dividem os microfones entre os 12 minutos de faixa. O refrão lembra o álbum Scarecrow, com uma bonita melodia cantada por Jorn. Aqui Tobias soube fornecer belas linhas melódicas para seus convidados. Um acerto da música foi não ter os longos interlúdios sinfônicos comuns em músicas grandes, contribuindo para ganhar ritmo e foco nas partes cantadas.

The Haunting tem a participação de ninguém menos que Dee Snider, a voz do Twisted Sister. Depois de uma intro com um piano e uma melodia misteriosa, a música cresce e começa a lembrar The Toy Master, do Scarecrow. O verso não é lá muito inspirado, mas o refrão com Snider e um coro de crianças ficou muito bom, prometendo funcionar bem ao vivo. Seduction of Decay começa com um riff poderoso de guitarra e alguns strings bem sinfônicos. Uma intro kamelotiana com a fórmula de repetir o riff inicial entre os versos, dessa vez cantados por Geoff Tate, da lendária banda Queensryche. Até aqui, nada do power metal típico dos discos Metal Opera I e II. O baterista Felix Bohnke, que trabalha com Tobi no Edguy, apenas descansa as pernas sem precisar do pedal duplo frenético e nem das viradas que está acostumado a precisar fazer. Destaque para o solo com wah wah de Sascha e a orquestração do veterano Michael "Miro" Rosenberg.

A faixa título é a primeira genuinamente power metal com uma intro bem melódica na guitarra e a bateria bem rápida. É a primeira com Michael Kiske nos vocais, trazendo sua tradicional voz aguda e vários gritos inconfundíveis. Tobias faz um dueto com Kiske num bom momento da música, mas o refrão podia ser mais inspirado. Jorn canta depois dos solos rapidamente. A música não é muito empolgante e parece que o lado sinfônico de Tobias estava mais afiado na hora de compor. O disco é repleto de fórmulas gastas que precisam ser muito bem empregadas para funcionar.

Draconian Love é provavelmente a música mais surpreendente da história do Avantasia. Trata-se de uma música com forte influência gótica no estilo Sisters of Mercy ou The 69 Eyes. A voz grave do desconhecido Herbie Langhans merecia mais uso durante o disco. Seu registro é grave e impactante, diferente de todos os outros convidados. Foi a grande surpresa do disco. O baixo que foi gravado por Sascha e por Tobias soava bonito com a voz de Herbie, dando uma atmosfera bem sombria. O refrão começa com Tobias e suas melodias clássicas bem felizes e então o ouvinte é surpreendido com a voz grave de Herbie, que também é alemão já participou nos corais de Rhapsody e Kamelot.

Um problema quando se tem muitos convidados é que cada um fica com uma música apenas, tirando Jorn e Kiske que tiveram mais oportunidades. Master of the Pendulum traz Marco Hietala do Nightwish, mais um grande nome. A música começa direto com Tobias cantando e uma levada meio oriental com guitarra acústica. Logo a música acelera e ganha velocidade e peso. Essa mudança pode funcionar bem ao vivo. Marco entra cantando uma melodia simples, nada muito marcante. É uma das músicas mais pesadas do disco sem dúvidas. Em certo momento ouvimos o tic tac de um relógio acompanhado de uma guitarra bem pesada. Isle of Evermore marca a volta de Sharon Den Adel ao Avantasia. Depois de marcar época na música Farewell anos atrás, a holandesa voltou de maneira não tão grandiosa. A primeira balada genuina do disco traz um dueto com Tobias em uma música que tinha tudo pra ser uma bela canção romântica mas não tem aquela letra bonita ou um refrão emocionante. Faltou um solo de guitarra ou o uso de teclados ou quem sabe uma melodia em que Sharon pudesse brilhar mais.

Babylon Vampires é mais uma do time do power metal. A novidade foi Bruce nas guitarras. O instrumento é bem trabalhado tanto na introdução quanto nos arranjos que acompanham os versos que dessa vez foram cantados com Robert Mason do Warrant. O refrão é mais uma vez meio sem sal. Talvez Tobias tenha gastado todas as ideias boas no último disco do Edguy, o Space Police, que tem ótimas músicas. Lucifer é com Jorn Lande mais uma vez. O começo é de novo com um piano bem calmo e a voz de Jorn vem poderosa, muito bem explorada. Foi o convidado que teve mais espaço no disco. O refrão é um dos mais marcantes: "I will take you home tonight!". A música depois cresce com o embalo das viradas de Felix até atingir um mid tempo com os solos de Bruce.

A música Unchain the light vem numa abertura tipicamente power metal bem rápida e o refrão com Kiske é a melhor parte da música. Dessa vez Tobias acertou a mão. A restless heart and Obsidian skies traz mais um reencontro, dessa vez com Bob Catley (Magnum). O refrão tenta empolgar, mas não consegue. Faltou mais ousadia da parte instrumental no álbum como um todo. A impressão geral é a de que Tobias podia mais. Bob que fez um ótimo trabalho em Scarecrow dessa vez não teve o mesmo destaque.

Ghostlights é um trabalho razoável que tem ótimos e pontuais momentos, mas no geral não empolga. Parece que faltou aquele algo a mais que se espera de uma das maiores bandas de power metal da história. O disco se perde no meio do caminho e nenhum riff ou melodia é tão marcante salvo raros casos. Os destaques foram justamente quando Tobias saiu da zona de conforto e ousou como em Draconian Love e Let the storm descend upon you. Para fazer power metal é necessário uma atenção redobrada com as melodias e parece que o disco foi composto bem corrido entre um álbum e outro do Edguy, sua banda principal. Os convidados (que foram muitos) dessa vez não puderam mostrar tudo que sabem, pois nem só de bons músicos se faz uma boa música.

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Sobre Gustavo Maiato

Jornalista, músico e fã. O heavy metal entrou na sua vida há 10 anos e nunca mais saiu. Gosta de estudar o tema e compreender o metal como manifestação cultural.

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