Black Sabbath: O 40° aniversário de "Sabotage"

Resenha - Sabotage - Black Sabbath

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Por David Torres
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O ano era 1975 e os ingleses do Black Sabbath já haviam concebido cinco clássicos inquestionáveis da história do Heavy Metal mundial. Em 28 de julho desse mesmo ano, através da extinta gravadora NEMS Records, a banda lança “Sabotage”, o seu sexto álbum de estúdio. Gravado no meio de um confronto com o ex-gerente do grupo Patrick Meehan e sob constante estresse, esse trabalho teve um processo de gravação complexo. O título que nomeia o álbum, “Sabotage”, foi escolhido devido ao fato do quarteto estar sendo processado por sua ex-gestão e sentiram que estavam sendo “sabotados a todo instante e levando murros de todos os lados”, segundo o guitarrista Tony Iommi. Em poucas palavras, essa obra é conhecida por possuir uma sonoridade que mescla peso, composições poderosas, Rock Progressivo e experimentalismo, uma mistura muito interessante de elementos que resultou em um álbum excepcional e fantástico. Na data de ontem, esse clássico monstruoso completou o seu 40° aniversário e a seguir, iremos nos aventurar pelo conteúdo magistral presente no disco.
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Alguns segundos de silêncio e então um “riff” empolgante e pegajoso de Tony Iommi introduz “Hole in the Sky”, a eletrizante faixa de abertura desse clássico. O disco se inicia da melhor forma possível, brindando o ouvinte com um som avassalador, cadenciado e repleto de peso e “feeling”. Na sequência, surge um breve e belíssimo interlúdio instrumental, “Don’t Start (Too Late)”, que rapidamente abre caminho para o “riff” marcante da explosiva “Symptom of the Universe”. Não há como ficar indiferente escutando tal composição. O peso estarrecedor da guitarra de Iommi toma conta do ambiente, ao lado de uma “cozinha” de baixo e bateria, composta respectivamente pelos igualmente geniais Geezer Butler e Bill Ward. Ainda que jamais tenha sido um excelente vocalista, Ozzy Osbourne é dono de um carisma nato, simplesmente não há como negar isso e executa os vocais com competência e empolgação extremamente louváveis. Nessa terceira faixa já é possível conferir detalhadamente os elementos de Rock Progressivo que a banda decidiu inserir nesse trabalho, mais precisamente no final da faixa, onde temos uma mudança brusca de ritmo, que descamba em uma viagem psicodélica espantosamente fantástica.

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Um início completamente atmosférico e progressivo marca a abertura de “Megalomania”, a magnífica quarta composição desse trabalho. O músico convidado Gerald “Jezz” Woodruffe - que voltou a trabalhar com a banda no álbum seguinte, “Technical Ecstasy” (1976) - compôs linhas de teclado irrepreensíveis e que proporcionam um clima ainda mais surreal a obra. Após a primeira parte da canção terminar, o ouvinte dá de cara com mais uma mudança drástica de ritmo e andamento. Agora somos bombardeados com arranjos pesadíssimos e fabulosos. O quarteto desfila toda a sua criatividade nos próximos minutos. Iommi despeja palhetadas impecáveis a todo instante e todos os músicos brilham individualmente.

Mais psicodelismo pode ser conferido na soberba “Thrill of It All”. O quarteto jamais erra a mão e entrega mais uma composição extasiante, recheada de mudanças de andamento bem construídas e repletas de entusiasmo, “feeling” e criatividade do primeiro ao último minuto. As melodias continuam tão marcantes quanto nas músicas antecessoras e não há como se empolgar a cada verso tocado e cantado, especialmente quando Ozzy profere repetidamente “Oh yeah!” nas três últimas estrofes da letra. A excelente instrumental “Supertzar” surge na sequência, mantendo o mesmo padrão de qualidade das composições anteriores. É mais uma canção repleta de “feeling” e atmosfera, permeada por coros bem inseridos e harmonias encantadoras.

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Trazendo ainda mais doses de surrealismo psicodélico, “Am I Going Insane (Radio)” dá continuidade a obra com exímio, brindando o ouvinte com mais uma canção totalmente setentista e de ótima qualidade. O final dessa canção contem alguns gritos bizarros e grotescos de agonia que rapidamente nos conduzem a última canção do álbum, “The Writ”. As quatro cordas pulsantes de Geezer Butler entram em cena e a voz aguda e insana de Ozzy rapidamente rasga os alto-falantes. Assim como nas faixas anteriores, temos mudanças drásticas de ritmo com o passar dos minutos. O peso inicial criado pelo quarteto dá lugar a um interlúdio melódico e completamente viajante, para finalizar com o mesmo peso estarrecedor empregado anteriormente. Curiosamente, algumas prensagens de “Sabotage” contem também uma pequena faixa escondida, “Blow on a Jug”, logo após o término de “The Writ”, gravada com um volume muito baixo.

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De forma geral, “Sabotage” foi aclamado rapidamente pelos fãs e pela crítica especializada em geral. Ainda assim, uma história bastante inusitada é a da capa do álbum, capa que gerou reações mistas ao longo das décadas e é considerada por alguns como uma das piores capas de álbuns da história do Rock. O conceito do espelho invertido foi desenvolvido por Graham Wright, técnico de bateria de Bill Ward, que também era um artista gráfico. A ideia original era que todos os membros da banda aparecessem vestidos de preto. A banda havia sido informada que participaria de uma sessão de fotos para a capa do disco, contudo, não haviam combinado as roupas que vestiriam no dia. Devido a isso, o conceito original da capa foi por água abaixo. Ironicamente, o “design” original que foi criado para ilustrar o conceito de “sabotagem” se tornou vítima de si mesmo. Independente disso, não há como negar a extrema relevância e qualidade de “Sabotage”, que é indubitavelmente não apenas um dos melhores álbuns da carreira da banda, como também um dos melhores álbuns do gênero, sem sombra de dúvidas.

Escrito por David Torres

01. Hole in the Sky
02. Don’t Start (Too Late)
03. Symptom of the Universe
04. Megalomania
05. The Thrill of it All
06. Supertzar
07. Am I Going Insane (Radio)
08. The Writ

Ozzy Osbourne (Vocal)
Tony Iommi (Guitarra)
Geezer Butler (Baixo)
Bill Ward (Bateria)

Músico Convidado:
Gerald "Jezz" Woodruffe (Teclados)

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Sobre David Torres

Moderador e criador nas páginas Mundo Metal e The Old Thrash Metal, tem como estilo predileto o bom e velho Thrash Metal e procura sempre conhecer mais e mais acerca do estilo, assim como do Rock/Metal como um todo e as suas mais variadas vertentes e subgêneros.

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