Cain's Offering: Mantendo bem vivas as raízes do power metal

Resenha - Stormcrow - Cain's Offering

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Por Gustavo Maiato, Tradução
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Enquanto o Sonata Arctica lança um álbum diferente do outro muitas vezes fugindo do power metal e o último disco do Stratovarius opta por um direcionamento mais lento e cadenciado, o Cains's Offering rema contra a corrente e surge como uma ovelha negra da família levantando a bandeira do power metal grudento, veloz e virtuoso que estava em alta 15 anos atrás. O idealizador do projeto é o finlandês Jani Liimatainen, guitarrista original do Sonata. Ele consegue soar interessante mesmo repetindo a mesma fórmula que muitos dizem estar saturada e prova que a criatividade é a alma do negócio.
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Jani criou o Cain’s Offering para dar vazão a uma proposta musical que havia se perdido no último disco dele com o Sonata (Unia) e que é justamente o estilo de música que ele mais sabe fazer. Stormcrow mantém a pegada rápida e melódica de seu antecessor Gather the Faithfull (2009) e seis anos depois chega colocando o guitarrista de novo entre os grandes do gênero. Seu inseparável companheiro Timo Kotipelto (Stratovarius) foi mais uma vez o vocalista escolhido para dar vida às suas letras. O disco começa com a faixa homônima que inicia com um coro e depois segue uma introdução ao melhor estilo My Selence, música do Sonata Arctica composta por Jani. A música já ganha o ouvinte de cara com riffs bem feitos e melodias marcantes.

Apesar de ter uma proposta de resgate, Jani fez muito bem ao optar por pequenas pitadas de elementos mais modernos durante o disco, como na próxima música Best of times que a julgar pela introdução poderia ter sido tirada de um disco dos suecos do Amaranthe. A música tem uma vibe eletrônica e a voz de Kotipelto entra abafada e cheia de efeitos. O tema dessa música é aparentemente o pai de Jani ou uma figura importante em sua vida que ele lamenta não estar mais presente. O refrão é um dos melhores do álbum e tem passagens realmente inspiradas de guitarra e um solo intercalando com o teclado de Jens Johansson (também Stratovarius).

A night to forget começa direto com o verso e o baixo do desconhecido Jonas Kuhlberg (MyGrain) marcando a pulsação da música. Trata-se de uma faixa mais cadenciada e com a temática de “dor de cotovelo” que é quase uma regra nas músicas do Cain’s. As letras em geral são bem extensas e carregadas de uma ingenuidade amorosa misturada com o pesar de um coração partido. A música consegue emocionar com uma bonita melodia e um solo com mais feeling. No final, o refrão é tocado acompanhado de um violão antes de voltar com mais peso. I will build you a Rome é a síntese do estilo Jani de composição, com aquela bateria veloz e uma melodia central na guitarra sucedida de um verso mais limpo com letra romântica. Como de praxe, o finlandês se joga aos pés de sua amada nos versos: “My love, my soul, my heart / Are yours if you just want”.

Nessa altura do disco o ouvinte já se dá conta de que o trabalho é consistente e não apenas focado em um ou dois singles. Todas as músicas mereciam realmente estar no disco e foram pensadas em todos os detalhes. O perfeccionismo do guitarrista é evidente nos vídeos de bastidores da gravação que mostram Kotipelto se esforçando para cantar do jeitinho que ele queria. Os violinos e pianos de Too tired to run anunciam uma típica balada e mais uma vez a temática saudosista entra no ar nos dizendo como a vida era melhor no passado e os problemas e desilusões do presente: “Now days are growing dark / And we are too tired to run”. No final, uma bonita massa de orquestra junto com um coro faz a música ganhar contornos épicos bem no estilo Nightwish. Esse disco prova que os clichês, se bem utilizados, podem se reinventar e ficar atraentes.

Constelation of tears começa com uma pequena virada da bateria sempre poderosa do robusto Jani Hurula (Silent Voices) e depois a música começa extremamente veloz aos moldes de Dawn of solace, do disco anterior. É uma canção para apreciar a técnica dos músicos, que precisam suar a camisa para acompanhar a velocidade proposta por Jani. No geral, ela fica um pouco abaixo do nível das outras, mas não chega a ser uma bola fora. O guitarrista ruivo não tem medo de abusar das passagens instrumentais e usa também muitos versos com melodias diferentes, tornando as músicas mais dinâmicas e com vários momentos. Antemortem tem uma introdução que pode ser considerada plágio de Storytime do Nightwish. Dessa vez vemos a banda mais pesada e baseada em um riff menos melódico. Durante o verso surgem uns floreios de piano muito interessantes. É uma música de mid tempo, sem tanta velocidade e com uma parede de orquestra que deixa a música sempre com muita informação sonora. Ao mesmo tempo, existem partes que a orquestra cessa e é possível ouvir mais os pianos de Jens e a voz de Kotipelto.

My hearts beats for no one entra com um teclado meio eletrônico de novo e uns vocalizes de Kotipelto. Mais uma vez a opção pelo verso mais limpo e com o baixo em destaque. O fato das letras serem praticamente monotemáticas incomoda um pouco. Se você substituir uma por outra não vai notar a diferença. O que se vê no álbum são sempre desilusões amorosas e tratados sobre a passagem do tempo. I am legion é um impressionante instrumental, uma apoteose sinfônica que poderia ser tirada de uma trilha sonora de John Williams. Dá um banho em muita banda de metal sinfônico e cai muito bem no disco. Rising sun é uma música boa, mas nessa altura do disco ela soa repetitiva. O diferencial é uma guitarra mais pesada nos versos. O mérito de Jani é fazer um trabalho de qualidade indo contra a tendência de algumas bandas do gênero que diminuíram os solos, desaceleraram e aumentaram o peso. A última é On the shore, que destoa um pouco do resto do disco. Quase como uma calmaria depois da tempestade. É interessante, pois sai um pouco da sonoridade que vinha sendo praticada até então.

Jani Liimatainen faz valer a espera de longos seis anos por um novo trabalho de sua banda carro-chefe. É bem verdade que ele estava engajado no projeto acústico Blackoustic também com Timo Kotipelto, mas os fãs do guitarrista estavam ávidos por mais composições no estilo que o consagrou. Agora resta esperar por uma improvável turnê de divulgação para ver o mestre ao vivo. Stormcrow eleva o padrão do power metal atual e mantém viva a tradição da escola Helloween que tanto sucesso fez e continua fazendo.

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Sobre Gustavo Maiato

Jornalista, músico e fã. O heavy metal entrou na sua vida há 10 anos e nunca mais saiu. Gosta de estudar o tema e compreender o metal como manifestação cultural.

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