Blame: Este álbum é um caldeirão

Resenha - Efeito Halo - Blame

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Por Rafael Popini
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Nota: 10

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

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Poucos corajosos resistem às pás de terra dos que declaram a morte do hard rock sepultado ao lado movimento grunge.
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E o que dizer de alguns que persistem combinando a velha e complicada língua portuguesa com gêneros musicais do século passado? Numa parte da terra tupiniquim que nada lhes promete? Loucura?
Madness?! Isso é Blame!

Eis que adentra ao arcabouço musical catarinense o pilar que faltava, uma grande afirmação artística independente, um opus blamista que desafia o efêmero e o preguiçoso processo de gravação das atuais produções musicais (que mais cedo ou mais tarde correm atrás do próprio rabo).

Efeito Halo é o nome e o efeito é rápido e eficaz para ouvinte que anseia por distorções abrasivo-melódicas, bateria pulsante e vocal frêmito. E pasme, você consegue ouvir tudo com clareza, aparentemente algo tão básico, mas raro em produções independentes. Como um halo musical, o álbum alcança outros territórios musicais, revelando-se híbrido, mas sem perder coesão. A mensagem do álbum é clara: resista (é o desabafo existencial do artista), com sarcasmo e paixão.

Quem é vivo sempre aparece... E quando aparece... Começa com uma intro que marca um dos melhores momentos blamistas. É uma batida forte à porta, eles querem entrar e causar! A bateria esmurra e a guitarra solta um imponente riff, daqueles que viram marca registrada, aí você se dá conta que os caras não estão de brincadeira. “Modus Operandi”, a estreante do álbum blamista, é uma poderosa canção, um hino dos inconformados, com um bom tom de ironia cáustica.

“Opinião” surge como um fôlego melódico, um respiro. A 2ª do trabalho da blamista inicia com um prelúdio à la RATM, mas que dá lugar para um verso muito bem conduzido, com guitarra acústica e melodia vocal. A adrenalina baixa e dá espaço para um bate papo refletivo. Passado a calmaria do olho do furacão, vem o gran finale, e é blamista, com drive no vocal, pratos estralando e mucha distorção.

Só pra começar, os blamistas sabem fazer intro’s e a nº 3, com seu tremulo e virada na bateria, é uma contagem regressiva para a explosiva: “diga com quem andas que direi quem és”! Bom, pelo visto estes caras andam de mão dadas com Army of Anyone, Audioslave, Foo Fighters, Incubus, Stone Temple Pilots, Velvet, entre outras más companhias. A música “Efeito Halo”, xará do álbum, é uma das mais catchy e conta com um solo de guitarra no final que não vai te deixar na mão. Não há nada pra mudar nessa sonzeira e se você discorda: “o problema é seu”.

Este álbum é um caldeirão. Blame soube colher o melhor de suas influências, com notável originalidade e versatilidade integrando o bom português ao peso das músicas, o que costuma ser o calcanhar de aquiles para muitas bandas. Não para os blamistas, posso afirmar que “o Caminho” vai te fazer feliz, pois além de mostrar a habilidade instrumental do trio, o peso vem e volta, graças a uma série de pequenos refinamentos, uma verdadeira montanha russa a 4ª música do álbum.

Quando os blamistas desejam criar uma atmosfera flutuante, suave e relaxante, eles obtêm êxito. Avisados os navegantes, o trio explode num refrão forte e agressivo, pois a mensagem precisa ser dita em alto e bom som. “Anelo”, a nº 5, combina abordagens suaves e agressivas da banda, um fantástico contraste. Destaque para as linhas de baixo, vocais crus e efeitos, tudo sem exageros.

O momento é propício para uma música mais charmosa. “Estações” cumpre o papel de boa moça do álbum, intimista e emotiva. A 6ª nada mais é que uma declaração de amor em sintonia com seus violões, uma afiada cozinha instrumental e um solo de guitarra intenso, é o clímax! Puro lirismo rock blamista.

Parecem ter semelhanças, mas a nº 7 do álbum é bem diferente de “Estações”. É mais calma, reta e sólida, livrou-se aqui de toda a distorção, apesar do tremendo solo de guitarra, resultando num trabalho acústico, agradável e acessível. Com a participação especial de Chico Martins, ícone da música catarinense, “Tormenta” tende mais para um clima fraternal e descontraído que você pode sentir a quilômetros de distância.

A derradeira já nasceu clássica. Um retrato crítico e bem humorado da era digital, do individualismo, do distanciamento das experiências que não sejam virtuais. “Offline” é um apelo à geração que nasceu com um mouse na mão, desconectar é preciso e fundamental para se tornar um ser humano. Potente e confiante, com excelente dinâmica e um puta solo, a última música fecha com chave de ouro o trabalho da Blame. Well, I gotta get off-line.

O seu som já pode ser desligado com segurança.
Nota clubista: Magnum opus. 10

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