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Cavalera Conspiracy: Max e Igor entenderam o que os fãs querem

Resenha - Pandemonium - Cavalera Conspiracy

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Por Fabio Reis
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

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Max Cavalera, com toda certeza, é uma das figuras mais importantes, talentosas, contraditórias e polêmicas que o Metal mundial já produziu. Juntamente com seu irmão Igor, fundou a (talvez) mais importante banda brasileira de todos os tempos: O Sepultura. Grupo que alcançou fama e reconhecimento internacional, lançou álbuns que para sempre serão lembrados e com toda a justiça, recebem a alcunha de clássicos.
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Como todos sabem, o músico se desligou da banda em 1997 de forma nada amigável e formou o Soulfly, banda que por longos anos flertou com sonoridades, digamos, "menos tradicionais", mais modernas e cheias de experimentações. Em 2005, com o lançamento do quinto trabalho de estúdio, "Dark Ages", Max resolveu promover uma espécie de "volta as raízes" e novamente compor canções extremas. Dessa época em diante, os trabalhos da banda se tornaram cada vez mais viscerais e as audições, interessantíssimas.

Em 2006, com a saída de Igor do Sepultura por "incompatibilidades musicais", os irmãos Cavalera começaram a idealizar um novo projeto em parceria, esta nova empreitada foi sacramentada em 2007, com a formação de uma nova banda: O Cavalera Conspiracy. Que tinha como proposta, praticar um Metal sem invencionices mas que não se prendesse a rótulos como Thrash, Death, Groove ou qualquer outro. Os álbuns seriam extremos e passeariam por qualquer estilo que os músicos se sentissem a vontade pra tocar, tendo como único pré-requisito, ser direto, pesado e resgatar um pouco do que Max e Igor produziram no passado.

O resultado foram dois belíssimos registros, "Inflikted" (2008) e "Blunt Force Trauma" (2011), que mostram uma mescla incrível de tudo o que os músicos já haviam feito de melhor em suas longas e consagradas carreiras. Os álbuns, como já era esperado, são uma verdadeira miscelânea de influências, neles encontra-se canções que transitam desde o Hardcore até o Thrash/Death Metal.

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Obviamente, o grupo ganhou notoriedade, seguidores e entusiastas. Muitos fãs mais antigos, que a muito tempo não acompanhavam mais as trajetórias de Sepultura e Soulfly, resolveram dar uma chance ao Cavalera Conspiracy e não se arrependeram. Apesar de pouco lembrar a fase áurea e álbuns como "Schizophrenia", "Beneath The Remains" e "Arise", a nova banda mostra uma sonoridade honesta, convincente e desprovida do peso de carregar o nome de um grupo consagrado como fardo.

Todos estes fatores, fizeram com que o o novo álbum fosse um dos mais esperados do ano. "Pandemonium", o terceiro registro da banda, chegou cercado de mistérios, incertezas e expectativas, porém basta-se uma única audição cuidadosa para que qualquer desconfiança cesse por completo. Estamos falando aqui, simplesmente do trabalho mais extremo de Max e Igor desde "Beneath The Remains", percebam que não estou de forma alguma, comparando a qualidade das composições e sim, o extremismo imposto pela banda em todas as faixas presentes no álbum.

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As músicas de "Pandemonium" são uma verdadeira avalanche sonora, "porradas" certeiras e impactantes são desfiladas uma após a outra, fazendo com que nossos ouvidos sejam "surrados" incessantemente sem nenhuma misericórdia. Max encontra-se ensandecido e cheio de ódio, com vocais urrados e guturais, como NUNCA havia feito antes. Marc Rizzo, como sempre, desfila todo o seu virtuosismo em solos muito bem encaixados e cheios de técnica, o "novato" Nate Newton (baixo) não decepciona em nenhum momento e forma uma "cozinha" muito concisa com o "monstro" Igor Cavalera, que dispensa comentários e é um show a parte.

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Faixas como "Babyloniam Pandemonium", "Bonzai Kamikazee", "I, Barbarian", "Apex Predator", "Father Of Hate", "Scrum" e "Cramunhão" são momentos de total destaque, composições furiosas em que fica impossível não admitir o talento dos dois irmãos em tecer músicas extremas de qualidade.

Considero "Pandemonium", um lançamento que fez jus a ansiedade por ele gerada, não é o registro definitivo de Max e Igor, porém se mostra muito superior a qualquer coisa que o Sepultura ou o Soulfly tem lançado atualmente. Na minha visão, é o melhor álbum da banda, o mais pragmático e que mostra uma enorme evolução se comparado a "Blunt Force Trauma".

Vejo aqui, uma banda sem pressões, tocando não por que possui um contrato e precisa entregar um trabalho de tempos em tempos, e sim por que dois irmãos, que ficaram separados por dez anos, sentem que possuem uma enorme química e quando trabalham juntos, é mais do que comprovado que ótimos álbuns são gerados. Me parece que Max e Igor Cavalera, hoje mais maduros, entenderam exatamente o que seus fãs querem deles e com a competência e talento que possuem, entregar um registro como "Pandemonium" pode se tornar algo rotineiro.

Pra quem era um fã do Sepultura em sua fase clássica e ainda possui alguma ressalva em cima da figura de Max Cavalera, este é o momento de conceder um voto de confiança e fazer uma audição descompromissada do lançamento. Os que começaram a ouvir os trabalhos do músico recentemente, dificilmente irão se decepcionar, pois é inegável a qualidade do álbum. Eu particularmente, já havia gostado da proposta dos dois registros anteriores e achei que neste terceiro, acertaram exatamente no alvo, a aposta por uma musicalidade mais brutal foi acertadíssima e mostra que a banda realmente veio pra ficar. Max e Igor, provam a todos que ainda possuem muita lenha pra queimar e que o Metal corre forte em suas veias. Ótimo registro, bem convincente, sem frescuras e altamente recomendado, muito provável que figure entre os melhores do ano.

Formação:

Max Cavalera (Vocal, Guitarra)
Igor Cavalera (Bateria)
Marc Rizzo (Guitarra)
Nate Newton (Baixo)

Faixas:

01 - Babylonian Pandemonium
02 - Banzai Kamakazi
03 - Scum
04 - I, Barbarian
05 - Carmunhao
06 - Apex Predator
07 - Insurrection
08 - Not Losing The Edge
09 - Father Of Hate
10 - The Crucible
11 - Deus Ex Machina
12 - Porra

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Sobre Fabio Reis

Paulista, 32 anos, Editor do Blog Mundo Metal, fã de Rock Clássico e Diversos subgêneros do Metal. Banda favorita: Megadeth. Conheceu o Rock ainda quando criança por intermédio dos pais (amantes de Beatles) e com 11 anos já ia na galeria do Rock comprar seus primeiros LP's, desde sempre fez do Metal seu estilo de vida e até os dias de hoje essa paixão pela música só aumenta.

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