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Alice Cooper: "Killer", a obra-prima de 1971

Resenha - Killer - Alice Cooper

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Por Neimar Secco
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

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Em 1971 o rock estava vivendo talvez a sua maior turbulência. No ano anterior “fizeram a passagem” dois ícones, cada um em seu estilo, Jimi Hendrix, a maior referência da guitarra no rock até hoje, e Janis Joplin, a vocalista com mais alma na história. Não bastasse isso, 1971 foi o ano da perda de Jim Morrison. Tudo indicava que as Portas do rock (e da percepção) estavam sendo trancadas e as chaves “se decompondo” do lado de dentro. Mas, espere... algo novo já havia surgido e estava prestes a lançar seu quarto álbum, um míssil com um destino preciso: a revitalização do rock.
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Se em fevereiro de 1971 o mundo do rock foi surpreendido pelo hit “I’m Eighteen”, pela personagem de Alice Cooper, com sua maquiagem ‘spider’, a jibóia de Neal Smith – Kachina -- que embalava seus delírios no palco, seus trajes andróginos e a teatralidade que se tornaria sua principal marca ao longo de décadas, tendo como sua mais marcante caracterização “Ballad of Dwight Fry”, a música da camisa de força, em que Alice alardeava “I WANNA GET OUT OF HERE”, o final do mesmo ano não deixaria por menos: KILLER tomava de assalto as lojas de discos, as rádios e os palcos.

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Poucas vezes o mundo da música foi arrebatado por uma música tão visceral. A música de KILLER arrebata o ouvinte desde os primeiros acordes da guitarra de Michael Bruce e a energia da bateria de Neal Smith, logo na abertura. “Under My Wheels” é muito mais que uma simples faixa de abertura. É rock’n’roll num estado de crueza e energia que não deve nada à melhor fase ou atuação dos Rolling Stones. A mensagem era clara. Alice Cooper chegava para atropelar a mesmice e a aceitação do status quo. Tudo nessa música é incrivelmente ‘preciso’: a batera de Neal Smith, os riffs e o ritmo das guitarras de Michael Bruce (principal compositor dessa música), o solo curto, mas “na veia” de Glen Buxton, a discrição do baixo de Dennis Dunaway e o vocal energético e nervoso de Alice: “I GOT YA GOT YA GOT YA GOT YA GOT YA UNDER MY WHEELS”, na magistral letra de Michael Bruce.

KILLER é o suprassumo da criatividade coletiva do Alice Cooper Group.

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“Be My Lover” encarna todo o espírito de uma banda de rock naquele iníco de anos 70. Composta integralmente por Michael Bruce, a música vai direto ao ponto. Com seu arranjo básico, quase um garage rock sem nenhum overdub, uma base direta e um vocal sem nenhuma firula, Alice (ou Michael Bruce) é abordado pela garota com quem quer transar da forma mais direta possível, sem meias palavras:

“Baby if you wanna be my lover you’d better take me home
‘Cause it’s a long long way to Paradise and I’m still on my own”

(Baby, se você quer seu meu amante, melhor me levar pra casa
Porque o caminho até o paraíso é longo e eu ainda estou sozinha)

Com certeza, “Let’s Spend The Night Together” dos Rolling Stones foi uma fonte de inspiração para essa pérola.

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“Alice Cooper não é aquela banda que ‘precisa’ fazer encenações no palco pra chamar a atenção do público já que a música deles é ruim?” Muita gente preconceituosa e sem abertura para novas tendências e ideias questionavam a música de Alice Cooper naquele começo. Faziam uma ligação direta entre a teatralidade e necessidade dela para encobrir uma suposta falta de talento musical. A resposta de Alice Cooper para isso? Um tapa na cara das pessoas de mente estreita: “Halo Of Flies”. Se o Led Zeppelin tem “Kashmir”, o Pink Floyd, “Time”e “Echoes” e os Beatles, “Hey Jude” e “Let It Be” Alice Cooper tem “Halo Of Flies”, um resumo de todos os talentos individuais que formam a banda: uma sequencia surpreendente de alterações melódicas, cada integrante tirando o melhor de seu instrumento, Alice em ótima forma vocal, cantando uma letra surreal. Os maiores destaques aqui são o contrabaixo de “DD” e a bateria de Neal Smith, mas as guitarras de Michael Bruce e de Glen Buxton não deixam nada a desejar. As já citadas alterações melódicas, que atordoam o ouvinte, ou no mínimo, o pega de surpresa na primeira audição. Preste especial atenção ao ritmo ditado pelo baixo e pela bateria. Essa música é um verdadeiro épico da banda. Talvez sua mais eloquente assinatura coletiva.

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Mas ainda tínhamos um excelente motivo para não tirar a agulha do vinil: “Desperado”, a balada composta em homenagem ao amigo Jim Morrison. Novamente tudo funciona de forma perfeita: os dedilhados de Michael Bruce na introdução acústica, o arranjo, a interpretação de Alice e a letra inspirada dessa canção a tornam emblemática.

Aí você (se transportando lá para aquele final de 1971) vai à sua vitrola e vira o disco pensando: PQP, que discaço! O que ainda está por vir????

Simples, meu amigo: a segunda metade da obra de arte, pinceladas finais e acabamento. “You Drive Me Nervous” e “Yeah Yeah Yeah” possivelmente arrancaram suspiros e aplausos de Keith Richards e Mick Jagger naquele final de 1971. De onde vinham tanta competência envolta em fúria ironia e simplicidade? Um verdadeiro manual de bom rock’n’roll, seis minutos (somando as duas faixas) de uma energia contagiante. Os gritos de Alice em “You Drive Me Nervous” me dão vontade de sair gritando até hoje a letra dessa música quando fico indignado com qualquer coisa.

“I’m gonna pack all my stuff, I’m gonna run away”
(Vou embrulhar todas as minhas tralhas vou fugir)
cantava Alice em “You Drive Me Nervous”

“Yeah Yeah Yeah” pode ser de um popismo exacerbado a começar pelo título, mas que nada! Ouça Glen Buxton tirando todo o som possível das cordas de sua guitarra,e como diz o verso ‘solto’ no meio da música: SUFFER (sofra) de tanta vontade de fazer algo parecido e de vontade que isso (a música) nunca acabe. Sensacional.

Ah, você quer um som mais melódico, cansou do ritmo intenso das guitarras até aqui com as duas faixas de abertura do disco e as duas de abertura do Lado 2? Ok, vamos te dar um relax sonoro e, para isso, vamos convocar, mais uma vez, o baixista Dennis Dumaway para abrir os trabalhos e permear toda a canção seguinte, “Dead Babies”. (Como??? Bebês Mortos???? Do que esses pirados estão falando agora?)

Estão falando de maus tratos infantis, de pais omissos, de crianças que sofrem abusos. “Dead Babies” é, talvez, a música mais irônica de toda a carreira de Alice Cooper:

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Little Betty ate a pound of aspirin (Little Betty comeu ‘um kg’ de aspirina)
She got them from the shelf upon the wall (Ela pegou da prateleira na parede)
Betty's mommy wasn't there to save her (A mamãe da Betty não estava lá para socorrê-la)
She didn't even hear her little baby call (Ela nem ouviu o chamado de seu bebê)
Dead babies can't take care of themselves (Bebês mortos podem cuidar de si mesmos)
Dead babies can't take things off the shelf (Bebês mortos não podem tirar as coisas da prateleira)
Well, we didn't want you anyway (Bem, a gente não te queria, de qualquer forma)
La, la, la, la, la, la, la, la, la, la, la
O final apoteótico vem com a faixa título: “Killer”
“Order in the court, order in the court” (Ordem no tribunal, ordem no tribunal) grita o juiz no começo dessa música em que o nosso matador profere seu inconformismo no início dessa letra em que narra sua compulsão por matar:

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What did I do to deserve such a fate (O que foi que eu fiz pra merecer tal destino?)
What did I do to deserve such a fate
II didn't really want to get involved in this thing
(Não queria na verdade me envolver nessa coisa)
Someone handed me this gun and I (Alguém me entregou esse revóver e eu)
I gave it everything (Eu dei tudo a ele)
Yeah, I gave it everything (Sim, eu dei tudo a ele)
I came into this life (Eu entrei nessa vida)
Looked all around (Olhei por todos os lados)
I saw just what I liked and took what I found (Vi apenas o que eu gostei e levei o que eu achei)
Nothing came easy (Nada veio fácil)
Nothing came free (Nada veio de graça)
Nothing came all until they came after me (Nada veio em absoluto até que vieram em minha busca)

E assim, termina a saga desse matador, cujo autor ainda nos brindaria com escolas em rebelião, eleitos sinceros demais, bebês que valham um bilhão de dólares e tantas outras histórias entre bizarras, chocantes ou simplesmente, o mais sincero Rock.

NOTAS:

Lançamento: Novembro de 1971

Faixas:
01 Under My Wheels (Bruce, Dunaway, Ezrin) [2:50]
02 Be My Lover (Bruce) [3:15]
03 Halo Of Flies (Cooper, Smith, Dunaway, Bruce, Buxton) [08:21]
04 Desperado (Cooper, Bruce) [3:25]
05 You Drive Me Nervous (Cooper, Bruce, Ezrin) [2:24]
06 Yeah, Yeah, Yeah (Cooper, Bruce) [3:33]
07 Dead Babies (Cooper, Smith, Buxton, Bruce, Dunaway) 5:40]
08 Killer(Bruce, Dunaway) [7:07]

Músicos:
Alice Cooper - Vocals and Harmonica
Neal Smith - Drums and Vocals
Dennis Dunaway - Bass and Vocals
Glen Buxton - Lead Guitar
Michael Bruce - Rhythm Guitar, Vocals, Piano and Organ
Bob Ezrin - Keyboards, Mini-Moog
Rick Derringer - Guitar on 'Under My Wheels' and 'Yeah Yeah Yeah'.
Reggie Vincent - Backing Vocals

FICHA TÉCNICA:
Produced By Bob Ezrin for Nimbus 9 Productions
Executive Producer - Jack Richardson
Recording Engineer - Brian Christian
Recording Technician - Joe Lopes
Mastering - Randy Kling
Recorded at RCA Mid-America Recording Center, Chicago
Photography by Pete Turner
Boa Constrictor - Kachina
String and Horn Arrangements - Bob Ezrin
Album Design - Alice Cooper

CURIOSIDADES:
O título original de “Desperado” era Desert Nights
Na parte interna da capa, Alice aparece sendo enforcado e abaixo de sua foto, há um calendário do ano de 1972
Killer teve três singles:
-- Under My Wheels
-- Be My Lover
-- Desperado
http://alicecoopersingles.jimdo.com/singles-by-country/holla...

KILLER teve um relançamento nacional em 1983, na série ROCK STORY da Warner Bros.

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A TOUR

Setlist
Instrumental Intro
Be My Lover
You Drive Me Nervous (Opener December 1st)
Yeah, Yeah, Yeah
I'm Eighteen
Halo of Flies
Is It My Body-My Very Own
Dead Babies
Killer
Long Way To Go-School's Out instrumental/
Under My Wheels

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Sobre Neimar Secco

Welcome to my nightmare. Sou professor de inglês e de português e também tradutor eventual. Rock sempre foi e continua sendo a minha trilha sonora de todas as horas. Minhas preferências são hard rock, progressivo e classic rock em geral (anos 60, 70 e 80). Bandas favoritas: Alice Cooper, Led Zeppelin, Black Sabbath, Ozzy Osbourne, Pink Floyd, Beatles, Creedence, The Doors, Dire Straits, entre muitas outras.

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