Dimmu Borgir: O gélido regresso sem ICS Vortex

Resenha - Abrahadabra - Dimmu Borgir

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Por João Nuno Simões, Fonte: joaonvno2009
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Os Dimmu Borgir dispensam de qualquer tipo de apresentações, são uma das maiores bandas de Black Metal do mundo, apesar de já fugirem ao estilo há muitos anos, mas mesmo assim vou fazer uma pequena introdução: formaram-se em 1993 em Oslo (Noruega), em 1994 lançaram o primeiro álbum “For All Tid” em que apresentavam uma sonoridade de Black Metal, aquele mesmo norueguês às vezes um bocado atmosférico e já mostrava algumas mas pequenas influências sinfónicas. Os anos foram passando e a banda começou a explorar novos horizontes e a juntar o Black Metal com Música Clássica, aquele que se viria a chamar Symphonic Black Metal, um Black Metal agressivo, rápido, com guitarras potentes e violinos, violoncelos, trompetes, trompas: grandes orquestras, onde se destacam claramente “Death Cult Armageddon”, “Puritanical Euphoric Misanthropia” e o “Stormblåst”. O antecessor deste novo álbum, “In Sorte Diaboli” também é espectacular, com orquestras lindíssimas com o peso das guitarras e a voz única de Shagrath e ICS Vortex.
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Com a instabilidade dos membros da banda, era de esperar que a banda fosse “por água abaixo”, acabasse ou lançasse álbuns mais fracos, Mustis (teclista) e Simen (ICS Vortex) (baixista/backing vocals) abandonaram os Dimmu Borgir em 2009. Chegamos a 2010 e os Dimmu Borgir lançam “Abrahadabra” onde a composição do álbum parece ter sido feita um bocado “à pressa” com músicas bastante distintas sem deixar bem claro o tipo de sonoridade que a banda está a seguir.

“Abrahadabra” é uma espécie de “Enthrone Darkness Triumphant” com o excesso das grandes orquestras do “Death Cult Armageddon”. Pode-se dizer que é um álbum bastante épico, onde banda usou e abusou de orquestrações, que chega a um ponto tal que mais parece uma banda sonora de música clássica. O peso das guitarras perdeu terreno para grandes orquestrações, onde muitas vezes as sinfonias se sobrepõem ao Metal, destacar também o excelente contraste que os Dimmu Borgir conseguiram criar entre as guitarras/bateria e a orquestração. Além disso, a voz de Shagrath também mudou um bocado em relação aos álbuns anteriores, a voz mais limpa e grave é muito comum em “Abrahadabra”. Outra curiosidade é que músicas como “Gateways” que pareceram ser escritas e feitas para ICS Vortex (Simen Hestenaes), um lugar que foi ocupado por Snowy Saw, baixista e vocais limpos, que na minha opinião, com uma qualidade bastante inferior à de Vortex. A edição deste álbum ficou a cargo da grande Nuclear Blast Records, aconselho a todos a compra da Box, vale bem a pena, trás o álbum em formato Digipack e um livrete com as letras e várias fotos da banda.

“Xibir” é a primeira música, uma introdução clássica, que é boa, mas não passa disso, gosto muito daquela parte mesmo a meio. “Born Treacherous” é o primeiro tema a sério, é das minhas preferidas do álbum e apresenta uma sonoridade parecida ao “Spiritual Black Dimensions”. Já a “Gateways” é uma música um pouco diferente do habitual, tem voz feminina, posso dizer que a orquestra desta música é linda, foi o primeiro single do álbum e eu, ao contrário de muitas pessoas gostei, a voz se Shagrath é variada. “Chess With The Abyss” é outra grande música, mais uma vez com uma orquestra poderosíssima, só não gosto muito da voz de Shagrath a imitar o Dani Filth, destaque para o órgão e para o coro. “Dimmu Borgir” é a melhor faixa do álbum, aqueles coros, os violinos, a voz de Shagrath, os riffs de guitarra, uma atmosfera envolvente única. Só não é uma música perfeita por não gostar do solo de guitarra, acho que são capazes de bem melhor, mas é claro que esta música está no meu Top 10 de Dimmu Borgir. “Ritualist” é uma música rápida, com um início frio, talvez a música que representa melhor o artwork do álbum, é rápida, e aqui, um grande destaque para os teclados que estão 5 estrelas, peca apenas por aquela voz limpa que ficava melhor com o ICS Vortex.

Não gostei da “The Demurge Molecule”. “A Jewel Traced Through Coal” é uma música bem diferente de todas as outras do álbum, é bastante pesada e obscura, onde o peso das guitarras e da bateria está quase sempre presente, acho que algumas partes ainda mais rápidas ficavam ainda melhores. “Renewal” é uma boa música, onde a presença da guitarra é bem significante ao início, é uma boa música, não passa disso. “Endings And Continuations” é um bom tema para encerrar o álbum, é bastante variado, e foi dos que gostei mais, a orquestra está mais uma vez fenomenal e a voz de Shagrath também, mais uma vez, em vez de Snowy Saw, parece que a voz de ICS Vortex ficava melhor, de referir também que o título do álbum vem desta música.

“Abrahadabra” acaba por ser um álbum um pouco confuso, a sonoridade dos Dimmu Borgir parece baralhada, muito provavelmente devido à instabilidade da banda, isso vê-se na diferença das músicas, em que cada uma vai “buscar” sonoridades/orquestras/riffs (parecidos aos) dos álbuns anteriores, mas é um bom álbum, se eu mandasse nos próximos álbuns, eram músicas como a “Dimmu Borgir” e a “Ritualist”.

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Sobre João Nuno Simões

Reviewer/crítico português de Heavy Metal e Rock desde 2010, com mais de 100 resenhas e entrevistas a várias bandas nacionais e internacionais no seu blogue joaonvno2009, apoiante incondicional e divulgador constante do Heavy Metal feito em Portugal.

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