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Anette Olzon: Um álbum seguro, mas despretensioso

Resenha - Shine - Anette Olzon

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Por Gustavo Maiato
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

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Em meio a sua comentada saída do Nightwish e tentando dar seguimento a sua carreira, a cantora sueca Anette Olzon resolveu investir na carreira solo e anunciou no fim do ano passado seu primeiro álbum chamado Shine. O resultado é um grande choque em relação ao que ela fazia no Nightwish. Anette optou por um direcionamento voltado para baladas onde sua voz (muito boa e segura) é o destaque e o instrumental é praticamente deixado de lado.
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É bem verdade que é seu primeiro disco solo e é preciso dar um crédito. Ela ainda está à procura de um estilo próprio de composição. O que faltou foi mais força, mais vontade, uma atitude mais rock. A não ser que ela queira abandonar de vez a veia roqueira e partir para uma vibe mais new age.

O álbum começa com Like a show inside my head. A música tem uma introdução interessante, com a presença de um violino. A voz de Anette anuncia uma balada, com boa melodia, bem lenta e dramática. O refrão entra na cabeça logo de cara. Mas a música não empolga. A letra é muito pobre e ela soa muito arrastada, sem ousadia nenhuma. Ela fica na sua zona de conforto o tempo todo. Anette está bem segura, até porque a música não oferece desafios. A canção guarda um pouco do metal sinfônico que se acostumou a ver ela.

Shine começa com uma pegada um pouco eletrônica, um dos raros momentos mais diferentes do álbum. Essa tendência eletrônica vem sendo uma novidade no metal com vocal feminino, basta ver os últimos trabalhos do Amaranthe e Delain. A música tem uma boa melodia, um pouco mais rápida que a anterior. A letra continua bem simples. O instrumental do álbum em geral é bem tímido, a guitarra apenas marca presença com power chords. O álbum peca pelo excesso de baladas sem muita diferenciação entre si, tornando Shine uma grande massa sonora.

Não é justo comparar com o que ela vinha fazendo no Nightwish, até porque não eram composições dela. Podemos comparar sim sua performance. Ela preferiu seguir o tom de músicas como Turn Loose the Mermaids (Imaginaerum) e Eva (Dark Passion Play) do que buscar algo mais agressivo como em Scaretale (Imaginaerum) que é uma de suas melhores interpretações, justamente por ela buscar novos timbres e sair de sua zona de conforto, coisa que não vemos em nenhum momento de Shine.

A música seguinte é Floating, que começa com um teclado interessante, um timbre diferente do usual. Uma pegada que lembra o Enya. A expectativa criada é frustrada mais uma vez pela falta de pretensão que faz dela uma balada morna. Floating tem uma das melhores letras do álbum, bem criativa e com um desenvolvimento maior nos versos.

Para se ter uma ideia, o álbum só tem uma música com mais de cinco minutos e sua duração total não chega a 35 minutos, inconcebível para os padrões atuais tanto do metal sinfônico tanto nessa linha mais soft rock. A próxima canção é Lies, um ponto alto do disco justamente por ser mais encorpada. A música mostra Anette cantando com mais vigor e emoção. Uma melodia que pode não ser genial, mas comunica com o ouvinte. Para os que gostam de fomentar a richa Anette x Nightwish, um dos versos pode sugerir uma indireta para os finlandeses: “Will we ever forgive? Will the wounds start to heal?”.

Invincible consegue diminuir ainda mais o BPM do álbum. A voz de Anette soa mais uma vez perfeita e cristalina. Realmente muito segura. O refrão chega a animar um pouco devido sua melodia bem pensada. É uma música que pode funcionar ao vivo. Aqui vemos o primeiro solo de guitarra do disco, bem tímido.

Em Hear me, vemos outra música lenta. O primeiro riff de guitarra do álbum aparece e a música ganha em velocidade e peso no verso e refrão. O uso de orquestrações em passagens apenas com a voz de Anette é uma marca nesse álbum. A guitarra realmente fica em segundo plano, apenas para não perder de vez a veia roqueira.

A seguir vem Falling que foi lançada como primeiro single do disco. A música até tenta, mas não consegue parar de beber da mesma fonte que alimenta o álbum inteiro. Aqui existe um pouco mais de peso e uma levada de guitarra mais quebrada, porém a total falta de pretensão deixa a faixa com a impressão de que poderia ser melhor e que ela não deu o melhor de si. É um dos poucos momentos em que vemos uma terceira melodia de verso, além do verso principal e refrão.

Moving Away começa com um violão e o verso é acompanhado de uma batida de surdos da bateria. O violão volta no verso, mas temos a impressão que já ouvimos isso antes. One million faces começa com um piano que traz um tom mais sério à música e Anette logo entra com uma boa melodia. Vemos uma guitarra ao fundo conversando com os vocais, mas logo a parede sinfônica sobe o volume e torna a música igual a todas as outras.

Watching me from afar é mais do mesmo. Pode até ser uma boa música, mas no contexto do álbum é mais uma canção onde sua voz está ótima, mas o geral não empolga e o instrumental é fraquíssimo.

Anette precisa decidir seu caminho. Shine é um álbum que não abandona seu lado symphonic metal, mas incorpora sonoridades de soft rock e new age que tornam o álbum muito arrastado e sem ousadia. Se o álbum for ouvido por fãs de rock e metal (a grande massa de fãs de Anette) vai ficar faltando peso e menos timidez.

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Sobre Gustavo Maiato

Jornalista, músico e fã. O heavy metal entrou na sua vida há 10 anos e nunca mais saiu. Gosta de estudar o tema e compreender o metal como manifestação cultural.

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